Segunda, 21 de Julho de 2014 - 11:00

Marcelo Nilo

por Evilásio Júnior/ Marcos Russo/ Juliana Almirante | Fotos: Claudia Cardozo

Marcelo Nilo
Concorrente ao sétimo mandato na Assembleia Legislativa em outubro, o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT), admite dificuldades para se reeleger. No seu entendimento, um atual deputado federal da oposição que tenta regressar à AL-BA é o favorito a liderar a disputa. "Acho que o filho de Paulo Souto [Fábio Souto], por ser filho do candidato, provavelmente será o mais votado. Eu não estou preocupado se serei o mais votado e sim se vou me eleger. Porque o mar é feito de gotas d’águas e cada voto é uma gota d’água", comparou, em entrevista ao Bahia Notícias. Ele diz já ter superado a derrota na disputa a membro da chapa majoritária, devido à escolha do petista pelo governador Jaques Wagner (PT). Nilo revela que foi chamado pelo prefeito ACM Neto (DEM) para integrar a chapa oposicionista, capitaneada por Paulo Souto (DEM), mas declinou do convite. “Ser convidado pelo outro lado para fazer parte da chapa fez me sentir honrado. Agradeci e disse que ficava muito feliz, mas, infelizmente, não poderia ir porque estou há 24 anos fazendo política de um lado”, justificou. O chefe do Legislativo baiano ainda opinou sobre o imbróglio administrativo entre Neto e Wagner, gerado com a criação da Entidade Metropolitana, e prometeu que a Casa deve fazer um mutirão para aprovar projetos pendentes antes de o plenário ser esvaziado com a proximidade da eleição.
 
 
Bahia Notícias – Em ano de campanha, qual o tipo de impacto que o senhor acha que vai ter na Assembleia Legislativa em 2014?

Marcelo Nilo – É óbvio que, em toda eleição, no segundo semestre nós sentamos com os líderes e fazemos acordos, para que a Assembleia tenha continuidade. No mês de agosto, a tendência é de que as votações sejam normais. No mês de setembro, vamos fazer um mutirão, como todo parlamento brasileiro faz. Faltando 30 dias para a eleição, marcada para 5 de outubro, a cabeça do deputado é atrás de voto.
 
BN – Quais são os principais projetos, além da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do Orçamento, que estão em pauta na Assembleia?

MN – Tem o projeto da Polícia Militar, que é um projeto polêmico, importante, que vamos votar no início de agosto. Espero que os líderes – o deputado Zé Neto (PT), que tem a maioria, e Elmar Nascimento, que tem a minoria – cheguem a um acordo para que nós possamos votar a LDO e o Orçamento. Esses são os projetos principais. Todos os projetos importantes, que estavam tramitando na Casa, nós votamos no primeiro semestre. Até para limpar a pauta para o próximo semestre.
 
BN – O impasse maior nesse projeto da PM, apontado pela oposição, é com relação à diminuição do poder que os policiais teriam, ao se remeter ao secretário de Segurança Pública e não ao governador do Estado. Isso seria um retrocesso? Como o senhor avalia?
 
MN –  Eu não gostaria de entrar no mérito do projeto, porque, como presidente da Assembleia, sou eu que conduzo a votação. Então não posso dar minha opinião com relação ao mérito, que fica com os parlamentares. Porque, se eu der minha opinião, pode influenciar na votação. Nesse caso, eu deixo que os líderes discutam o mérito. Eu entro na discussão formal da votação. Agora, o mérito compete ao relator e aos deputados. 
 
BN –  Mas você tem ciência de que há mudança no comando da PM que, em vez de ser responsabilidade do governador do Estado, passa a ser do secretário da SSP...
 
MN – Eu tenho a impressão de que a ideia do governo era descentralizar, mas se os militares não estão concordando, acho que vamos chegar a um denominador comum. O importante é que eles estão sentando para conversar. Alguns militares já sentaram com o chefe da Casa Civil. Eu tenho certeza que vão chegar a uma forma que atenda a todos. 
 

 
BN – A matéria pode ser mexida, então?
 
MN – Toda matéria na Assembleia pode ser mexida. Desde que eu sou presidente, os projetos quando chegam lá, podem e devem ser mexidos se os parlamentares quiserem. Eu tenho relação fraternal e sou parceiro do governador. Mas, como presidente da Assembleia, eu procuro exercer meu papel com muita harmonia e independência. É um projeto do governo e é óbvio que pode ser mexido. O governador nunca fez nenhuma ingerência no Poder Legislativo. Ele é governador do Estado e a Assembleia é o poder que fiscaliza e elabora as leis do Estado.
 
BN – A previsão para a votação já é para o início de agosto. Daqui até lá, se não houver um entendimento, a Assembleia não teme ter a responsabilidade de ser deflagrado novamente um movimento paredista da PM?
 
MN –  Primeiro, o governador enviou o projeto, que está na Assembleia. Está tendo discussão e conversação. Eu não vejo sentido de greve. Não tem clima para greve. Se o governador e os deputados estão negociando, então não vejo clima para greve, não tem sentido. Porque o projeto está ainda em discussão. Se tem um ponto polêmico, se discute, debate e conversa. Afinal de contas, o parlamento é para conversar.
 
BN –  A gente viu, no primeiro semestre, bastante acirrada na Assembleia a votação para conselheiros dos tribunais de Contas do Estado e do Município, TCE e TCM. Os ânimos se exaltaram, teve caixão na Assembleia e votação conturbada. Para o senhor, como presidente da Casa, como fazer para, em ano eleitoral –  já que são 49 candidatos à reeleição e tem outros oito que vão tentar ser deputados federais –, não transformar a AL em palanque político?
 
MN –  Antes de eu ser presidente, todos os conselheiros vinham com carta marcada do Poder Executivo. Nunca tive direito nem de discutir nem apresentar um nome em votação no plenário. Depois que eu fui presidente, os conselheiros que são da Assembleia, eles nascem no Poder Legislativo: Gildásio Penedo, João Bonfim [ambos TCE] e Zezéu Ribeiro [TCM] nasceram do Legislativo. O deputado Carlos Gaban teve direito de disputar no plenário. Antigamente, não podíamos nem discutir. Nós avançamos. Nesse assunto, o Poder Legislativo é completamente diferente do Executivo. Agora, a indicação do conselheiro Mário Negromonte é uma prerrogativa do governo do Estado. Ele que indica. A Assembleia diz sim ou não. A Assembleia, no voto secreto, aprovou João Bonfim, Zezéu Ribeiro e Mário Negromonte. Então, a Assembleia Legislativa é independente, principalmente nesses casos dos conselheiros, afinal de contas, as indicações estão partindo realmente dos próprios parlamentares.
 
BN –  No momento de indicações, você chegou a bater pé firme com o governador de que isso era uma coisa da Assembleia e deu a entender que poderia não aceitar o nome de Mário Negromonte, que disputou com você a indicação para candidato a vice-governador do Estado. Tudo isso já está sanado da sua parte?
 
MN –  Está superado. Mário Negromonte é meu amigo há 30 anos, quando nos conhecemos na cidade de Paulo Afonso. Tenho uma relação profunda com ele. Foi um momento de tensão, que eu fiquei muito triste, mas já está superado. Eu gosto muito de olhar para frente. Eu posso olhar pelo retrovisor. Esses casos são superáveis. O conselheiro Mário Negromonte é hoje uma pessoa que representa o Tribunal de Contas dos Municípios e eu continuo lutando para ser deputado estadual. Somos amigos, mas cada um respeitando o seu cargo. 
 

 
BN – No PDT, então, não vai ter nenhum impacto aplicado à campanha? Sem nenhum reflexo do embate que ocorreu no primeiro semestre?
 
MN –  Em primeiro lugar, eu tenho uma relação fraternal com o governador Jaques Wagner. Hoje já conversei com ele três vezes por telefone. Por mensagem, cinco vezes. Então tenho uma relação profunda com ele. Agora, eu o trato como governador e ele me trata como presidente da AL-BA. Toda Bahia sabe que eu queria ser governador, trabalhei para sê-lo, mas infelizmente eu não me viabilizei. Eu não criei as condições objetivas. Eu imaginava chegar a 30% e só cheguei a 9%. Então, o governador Jaques Wagner, que é o nosso líder, decidiu por Rui Costa. Para mim é caso superado.
 
BN – O senhor vai disputar a reeleição e deve deixar, depois de quatro mandatos como presidente, o posto. Como o senhor faz a avaliação do período em que esteve na presidência da Assembleia?
 
MN –  Se você me perguntar sobre quando eu fui presidente da Embasa e me pedir uma nota, eu reconheço que eu tive 5 a 6. Se você me perguntar como presidente da Assembleia, eu diria que dá 8 a 9. Sabe por quê? Nós abrimos a Assembleia Legislativa para todos os movimentos sociais da Bahia: os negros, os homossexuais, as mulheres, os índios, os sem-teto e sem-terra, os servidores [professores estaduais] ficaram acampados 103 dias na Assembleia e nós demos toda estrutura. Nós votamos projetos importantes para a Bahia. Além do nepotismo, o Ficha Limpa. Acabamos com 14º e 15º salários dos deputados. Acabamos, a partir de 31 de dezembro, com as bolsas de estudo. Demos aos parlamentares de oposição todas as condições estruturais para que eles pudessem exercer seus mandatos. O deputado da oposição é valorizado na Casa. Ele discute, ele debate, ele obstrui, ele muda o projeto. Na minha época, como deputado de oposição – eu sou o único na Bahia que ficou 16 anos na oposição –, eu nem tinha direito de consertar uma vírgula e de ser relator. Muitas vezes, as oposições nem participavam da Mesa Diretora, que é um direito constitucional. A Assembleia Legislativa hoje é um poder respeitado. É um poder harmônico e independente. Eu diria a você que a AL-BA está à altura do povo da Bahia hoje.
 
BN – Em relação a essa questão, a gente viu, no Congresso Nacional, muitos deputados e senadores com várias investigações que prosseguiram no Judiciário. Mas na AL-BA, por exemplo, no caso de Roberto Carlos, que houve indiciamento pela Polícia Federal, não foi dado seguimento. O Conselho de Ética e a Corregedoria não têm se mostrado, na sua avaliação, tão ativas e atentas a essa questão nacional? Por que na Assembleia não é dado sequência a denúncias como essa?
 
MN –  Quando ocorreu o fato do deputado Roberto Carlos, eu fiz um ofício para um juiz e para a Polícia Federal. Eles me disseram que o processo corre em segredo de Justiça. Então não posso apurar nada se eu não tenho nenhuma denúncia. A Justiça não anda se não for provocada. Eu não posso, como presidente da Assembleia, adotar qualquer providência se eu nunca fui provocado. Eu provoquei o juiz e ele me disse que o processo corre em segredo. Eu perguntei, salvo engano, faz muito tempo, quais foram os funcionários que cometeram irregularidades para que eu pudesse afastá-los. Não recebi nenhuma resposta. Então, não posso também punir um servidor ou um deputado se eu não tenho nada concreto. Eu não posso fazer, com todo respeito que eu tenho à mídia, uma coisa que é fruto de informações da imprensa. Eu tenho um respeito muito grande pelo deputado Roberto Carlos, acho que ele é um deputado sério. Se tiver alguma coisa concreta, eu apurarei, mas, até o momento, nunca recebi nada concreto, nem denúncia formal nem informal, apenas as informações da imprensa. 
 

 
BN – Então o Conselho de Ética e a Corregedoria não são figurativos, na sua opinião? 
 
MN –  Primeiro, para o conselho funcionar, alguém tem que provocar. Nem um deputado nem um partido que tivesse assento na Casa provocaram. O conselho não recebeu nenhum processo. Denúncia só se pode apurar quando é formalizada. Eu não posso ter iniciativa em um processo como parlamentar, não tenho poder. Como magistrado, não posso iniciar um processo por mim. O deputado Elmar Nascimento cometeu, na minha visão, uma falta grave quando jogou os votos para cima e jogou a urna no chão [durante a votação para conselheiros dos Tribunais de Contas do Estado e do Município]. Nenhum deputado ou partido provocou o conselho ou o presidente.

BN –  O senhor disse que ia fazer isso.
 
MN –  Mas quando fui ver o regimento, percebi que não posso, como presidente. Eu sou um deputado que não posso apresentar projeto. Eu sou um deputado que não pode ter a iniciativa de provocar um deputado no conselho, porque eu sou só magistrado. Como é que eu provoco e depois vou julgar? Eu não posso. Quem provoca, na Justiça, é o Ministério Público, para o juiz julgar. Mas o juiz não pode provocar para ele mesmo tomar a decisão. Existe o regimento. Eu, particularmente disse: o deputado Elmar cometeu um ato grave, mas nenhum deputado ou partido provocou o conselho ou o presidente. Porque, se provocasse a mim, eu enviaria ao conselho para dar julgamento.

BN –  Porque a Casa é tão corporativista então?
 
MN –  Não. Existe parlamentar de oposição e de governo. Cada um cumpre com seu papel. Eu não sou chefe dos deputados. Sou apenas presidente colocado pelos parlamentares. São 63 deputados, cada um com um objetivo, um partido político, com uma visão. Eu não posso dizer: deputado, faça isso ou aquilo. Afinal de contas, cada um lá é independente. Eu não sou chefe, mas parceiro deles. Nesse caso, os cidadãos vão julgar, no dia 5 de outubro, os atos dos deputados e o meu. Nós não somos concursados, com cargo vitalício. Nós somos parlamentares por quatro anos. No dia 5, o povo vai julgar o ato de qualquer parlamentar. O que for bom e ruim. O povo é livre para votar para os deputados ficarem ou se afastarem da vida parlamentar.
 

 
BN – O senhor diz que tem uma boa relação com o governador. Isso todo mundo sabe. O governador também tinha, até então, uma boa relação com o prefeito, mas agora vem, no meio da campanha, um projeto que passou pela Assembleia, de criação da Entidade Metropolitana. Parece que os ânimos estão mais exaltados e que não há mais tanta harmonia. Como o senhor vê a criação dessa entidade e como responderia, por exemplo, à candidata Lídice da Mata, que esteve no governo, com o PSB, e criticou a criação porque considerava um certo revanchismo, por conta da questão da Embasa. Como você avalia isso?
 
MN –  Primeiro, já é lei. Foi aprovada no parlamento. Segundo, que eu sou favorável. Olha que eu sou engenheiro civil, com especialidade em saneamento básico. Entrei na Embasa como estagiário e saí como presidente. No governo retrasado, salvo engano, tentaram privatizar a Embasa. Quem não lembra da nossa luta com o saudoso Paulo Jackson, para não privatizá-la? Essa Entidade Metropolitana veio no sentido de ajudar, para fazer uma coisa uniforme. Existe Salvador, mas existe a Região Metropolitana. Salvador deixou de ser só uma cidade, mas uma líder da RMS. Então, o que você fizer para Salvador, você tem que fazer para Lauro de Freitas. O que fizer para Lauro, tem que fazer para Simões Filho, porque são integrados. Então tem que ter um órgão que centralize as decisões da RMS. Com relação às disputas políticas entre o governador Jaques Wagner e o prefeito ACM Neto, eu sempre disse ao governador, em alto e bom som, inclusive, que acho ele republicano demais para o meu gosto. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, viria à tona. Porque ACM Neto tem um estilo, o governador Jaques Wagner tem outro. Só que o governador foi quem mais fez obras em Salvador, em todos os tempos. Pelo menos nesses 24 anos que eu sou deputado. Nunca um governador trabalhou tanto por Salvador quanto Jaques Wagner. O metrô estava com a prefeitura uns 20 anos, quando o governador assumiu, com um ano, está funcionando. A Ceasa, a Via Expressa, a Avenida Pinto de Aguiar, os viadutos do Imbuí e do Aeroporto, a Praça Irmã Dulce, o Hospital do Subúrbio. Tinham 20 anos que construíram o último hospital em Salvador. O último era o Roberto Santos, na Avenida Vasco da Gama. A Arena Fonte Nova, que é um patrimônio na Bahia. Nenhum baiano pode deixar de conhecer a Fonte Nova. Aliás a Fonte Nova foi escolhida como melhor estádio em termos de estrutura no país. O governador trabalhou muito. Eles realmente são as pessoas que têm que ter a visão, têm que sentar e têm que conversar. Jaques Wagner é um grande governador e o prefeito ACM Neto é um grande político. Eu acho que eles devem sentar e chegar a um denominador comum. Porque, na hora do voto, cada um pede para o seu candidato. Na hora da administração, temos que pensar exclusivamente em Salvador. Eles são homens públicos e com certeza sentarão na mesa.
 
BN –  O senhor disse que há uma diferença de estilo entre Jaques Wagner e ACM Neto. Qual é?

MN –  Acho que Jaques Wagner é o maior democrata que eu já conheci na vida. O prefeito ACM Neto, por exemplo, na véspera da votação desse projeto, fez uma coletiva para dizer que ia denunciar o nome de cada deputado que votasse [a favor da Entidade Metropolitana]. Eu senti e respondi: 'Aquilo é uma ameaça para os parlamentares e nós não aceitamos'. Esse tempo de truculência, de arrogância, de intimidação, já passou. O prefeito de Salvador sentar com a imprensa e dizer que o deputado que votar ele vai denunciar... Primeiro, o deputado vota público e aberto. Está no computador e a sociedade acompanha. Achei, no momento, que não é o ACM Neto que eu conheço. Realmente foi um momento infeliz da vida pública dele. Eu acho que Wagner é um democrata, um republicano e tomou uma decisão, quando assumiu o Estado, de tratar todos iguais. Quando ele vai para o interior do estado, se o prefeito é do DEM, do PMDB, do PT, ele coloca do lado e participa da inauguração. Em todas as obras do governo estadual, o prefeito ACM Neto foi convidado. Acho que não deveria ser diferente, porque estamos em um momento diferente. Não é naquela época, de Antônio Carlos Magalhães, que todos sabem que Lídice passou o que passou. Aquele tempo passou. Agora é olhar para frente. Eu acho que o prefeito ACM Neto iniciou uma administração sofrível. Depois de um ano deu uma melhorada com os recapeamentos. Eu acho muito pouco um prefeito de Salvador só ter, em dois anos, aquela obra da Barra e recapeamento. Espero que ele faça muito mais. Eu disse a ele, pessoalmente, 'prefeito, estava preocupado, porque a cidade estava suja, mal iluminada'. Reconheço que senti uma melhora e não posso deixar de dizer que ele está anos-luz acima de João Henrique como administrador, como planejador. Fiquei muito preocupado com o aumento do IPTU. O aumento é exorbitante e inaceitável. Eu desejo ao prefeito um bom trabalho, mas reconheço que Salvador avançou um pouco, mas esperava muito mais. Porque só recapeamento e a obra da Barra é muito pouco para quase dois anos de prefeitura.
 
 BN –  Mas o senhor estava, digamos, namorando com o prefeito ACM Neto quando teve aquele embate do vice. Chegou a ter convite para chapa da oposição...
 
MN –  Não, nunca namorei nem nunca paquerei. Eu me dou muito bem com ACM Neto. Nós nos tratamos com muito respeito. Todas as vezes que nos encontramos conversamos muito. Ele realmente me convidou para fazer parte da chapa das oposições. Isso foi em parte, não posso deixar de reconhecer. Agradeci o convite, fiquei sensibilizado. Um homem com a história que eu tenho... Fui deputado estadual mais votado na Bahia, fui quatro vezes presidente da Assembleia, fui governador interino. Sou o único deputado na história da Bahia que ficou 24 anos na oposição. Ser convidado pelo outro lado para fazer parte da chapa fez me sentir honrado. Agradeci e disse que ficava muito feliz, mas, infelizmente, não poderia ir porque estou há 24 anos fazendo política de um lado. Se mudasse de lado, porque não fui escolhido a candidato a governador... Porque, na verdade, vice eu nem queria ser. Vice foram as circunstâncias políticas. Eu queria ser governador e, como não gostaria de voltar a ser parlamentar, porque já tenho seis mandatos, então a candidatura a vice veio em um momento que eu aceitava. Mas o governador Jaques Wagner preferiu tomar uma decisão com o companheiro João Leão, que é do PP, por ser o maior partido. Para mim é coisa superada. A gente está pensando agora no futuro.
 

 
BN –  O senhor ainda vai querer tentar ser governador? Pode entrar como adversário do próximo na eleição de 2018?
 
MN –  Primeiro, vamos ganhar a eleição agora. Dois mil e dezoito está muito longe. Quando vou subir uma escada, primeiro subo um degrau para depois subir outro. Se nós vencermos, é um cenário, e se perdemos é outro. Eu sei que sou candidato a estadual em um sétimo mandato. Não é uma coisa fácil. Esse negócio de dizer que eu vou ser o mais eleito não é verdade. Acho que o filho de Paulo Souto [Fábio Souto], por ser filho do candidato, provavelmente será o mais votado. Eu não estou preocupado se serei o mais votado e sim se vou me eleger. Porque o mar é feito de gotas d’águas e cada voto é uma gota d’água. Eu estava em uma campanha para ser candidato a governador. Dei 1.351 entrevistas, visitei 204 municípios, em um ano, percorri a Bahia, acumulei experiência. Mas é um estilo de política. Deputado estadual é outra campanha. É sentar com prefeito, fazer um bom marketing, diferente de candidatura a governador. Então, estou muito preocupado em me eleger deputado. Porque muitos achavam que eu ia para majoritária e procuraram outro rumo. 
 
BN –  O senhor queria ir para o Executivo?
 
MN –  Eu queria me candidatar a governador porque eu conheço a Bahia, conheço os problemas. Conheço os 417 municípios baianos. Conheço todos os problemas da Bahia. Viajei durante sete anos com o governador Jaques Wagner, em média, duas vezes por semana. Visitamos praticamente todos os municípios. Então como o PT já tinha oito anos, estava na hora de um aliado. Mas o governador achou por bem colocar Rui Costa. Os argumentos deles são válidos, porque Rui foi o braço direito dele durante esses anos. Quando Lula foi presidente da República, escolheu Dilma como braço direito. E ela hoje é presidente da República. Então, ele tomou a decisão de colocar aquele que estava mais próximo do seu governo para dar continuidade com mudanças. O governador realmente transformou a política na Bahia. Tanto é que vocês da imprensa estão estranhando essa disputa política entre Wagner e ACM Neto. Isso é normal e natural, mas antigamente era café pequeno. Na época de ACM e Lídice da Mata, isso era café pequeno. ACM, realmente, com todo respeito para criticar uma pessoa que já nos deixou, toda Bahia sabe que Lídice comeu o pão que o diabo amassou quando o governador era ACM. Mas Wagner não: tratou ACM Neto como republicano, respeitando a decisão do povo. Essa disputa política da obra da mobilidade é café pequeno em relação ao que aconteceu no passado.
 

 
BN –  Você foi falou das suas quatro metas e falou que foi o deputado mais bem votado em 2010, com 140 mil votos. Você admite que vai ter uma queda no número este ano?
 
MN –  Não sei. Eu quero ter o máximo que eu puder. Estou trabalhando como nunca trabalhei na vida. 
 
BN – Não tem pesquisa do “DataNilo”?
 
MN –  A Justiça Eleitoral não permite conversar sobre pesquisa. Eu quero ser eleito. Se eu vou ter 60 ou 150, o povo é que vai decidir. Estou trabalhando muito.
 
BN –  Está trabalhando com qual meta? De quantos votos?
 
MN – Nunca preparei meta. Eu tenho 51 prefeitos que me apoiam e 82 ex-prefeitos. Uns 600 vereadores e hoje sou um nome conhecido. Espero ter um voto de opinião. Então, se eu vou ter 60 ou 150, só depois que as urnas abrirem. Trabalho realmente para me eleger. Você sabe que eleição do sétimo mandato não é fácil.
 
BN –  Você vai trabalhar com a meta de tentar o mandato de ser presidente da Assembleia em janeiro? 
 
MN –  Eu disse que não queria ser mais deputado e as circunstâncias me levaram a sê-lo. Então, concorrer a presidente da Assembleia, vamos deixar para depois da eleição em outubro. Se Rui Costa ganhar, é um cenário, se perder, é outro. Se Paulo Souto, Lídice, Da Luz ou Marcos Mendes ganhar, é outro cenário. O meu objetivo é ser eleito deputado. Se eleito, vou sentar primeiro com minha consciência e saber qual o meu projeto. Eu não penso em ser presidente nesse momento. Penso em ser deputado. Estou trabalhando muito para isso, viajando quatro vezes por semana percorrendo a Bahia. Primeiro, dizendo ao povo que não sou mais pré-candidato a governador, mas sim candidato a deputado. Muitas pessoas acham ainda que sou candidato à chapa majoritária. Você sabe que as notícias chegam lentamente no interior baiano. Como sou da roça, do sertão, estou percorrendo a Bahia para saber se o povo me quer deputado.

BN – O instituto Babesp já tem pesquisa programada? Tem pesquisa registrada?

MN –  Primeiro que eu não tenho nenhum instituto. O instituto é de um amigo meu que faz para consumo interno... Prefiro não falar de pesquisa, se não a legislação eleitoral me pega.

Histórico de Conteúdo