Quarta, 13 de Setembro de 2017 - 10:00

Horácio Brasil, meu amigo

por André Curvello

Horácio Brasil, meu amigo
Foto: Tiago Dias/ Bahia Notícias

Exatamente às 15h58 desta terça-feira, dia 12 de setembro, recebi um zap do amigo Carlos Batinga: “Nosso amigo Horácio Brasil partiu deixando muitas saudades e um exemplo de dignidade e honradez”.

 

Na verdade, desde o dia anterior, eu já estava esperando pela notícia. Um pouco antes do zap, havia falado como outro amigo, o Marcelo Santana que sintetizou algo mais ou menos assim: “Agora estamos vivendo à espera de um milagre”.

 

Comigo mesmo, com toda a minha fé, tinha o sentimento de que Horácio já estava no meio do caminho rumo a um lugar para mim desconhecido, repleto de dúvidas e mistérios, mas repito: com toda a minha a fé, desenho como um lugar repleto de luz.

 

Vou sentir saudades das conversas inteligentes, do bom gosto musical, do profundo conhecimento literário, da troca de ideias, dos conselhos oportunos, dos gestos de carinhos, dos zaps maliciosos respondendo quase sempre aos meus. Vou sentir falta do amigo inteligente, leal e carinhoso. Saudade de homem descente, bom filho, bom pai, bom marido.

 

Batinga descreveu Horácio de forma singela e grandiosa, assim igualzinho como era Horácio, um exemplo de dignidade e honradez.

 

Profissional competente, talento reconhecido no país, chegou a ser secretário de transportes quando Mario Kertész foi eleito prefeito de Salvador. Técnico estudioso e de raro conhecimento em transporte público e mobilidade, foi superintendente do Setps, onde montou e liderou equipe de destacada competência. Atualmente, atuava na empresa de transporte Integra, sempre preocupado com o setor, a prestação de serviços e o melhor para Salvador.

 

Muitas vezes, me falava com sorriso e emoção sobre o seu pai, quando também lhe falava sobre o meu. Me contava sobre as lições de vida e exemplos de educação que seu pai lhe deixou, superando dificuldades e hipocrisias e preconceitos enfrentados pelos negros em nosso país que ainda nutre um racismo nojento e camuflado.

 

Minha fé me diz que homens como Horácio Brasil não morrem. Não podem morrer porque deixam lições e exemplos maravilhosos que estarão sempre presentes no nosso dia-a-dia. Lurdinha, a guerreira, a amada, a amiga, a companheira, esposa, também pelo zap passou   a música “O que é, O que é”, de Gonzaguinha, uma das preferidas de Horácio, e cuja letra diz: “E a vida...Ela é a batida de um coração...Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo. É uma gota, é um tempo que nem dá um segundo...Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita, e é bonita”.

 

Gente como Horácio Brasil tornam a vida mais bonita. Até mesmo numa gota ou num segundo.

 

* André Curvello é secretário estadual de Comunicação e empresário

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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