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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu, nesta quarta-feira (15), uma liminar que determina a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A decisão foi proferida pela 2ª Vara da Família e Sucessões.
Com a medida, o filho do ex-presidente, Paulo Henrique Cardoso, foi nomeado curador provisório. Ele já vinha administrando a vida financeira e questões cotidianas do pai há alguns anos, tendo sido escolhido pelo próprio ex-presidente para essa função.
A ação contou com o apoio das filhas de FHC, Luciana e Beatriz.
Segundo o pedido apresentado pela família, a interdição foi solicitada após o agravamento do estado de saúde do ex-presidente, especialmente em razão de um quadro avançado de Alzheimer. Um laudo médico recente aponta que a doença comprometeu de forma significativa suas funções cognitivas.
Fernando Henrique Cardoso tem 94 anos e, conforme descrito no processo, já não administrava questões financeiras nem tomava decisões do dia a dia, passando a depender de acompanhamento constante de uma equipe de saúde.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16), em Brasília, durante nova fase da Operação Compliance Zero. Um advogado também foi detido na ação.
A investigação teve início na gestão de Paulo Henrique Costa à frente do banco, período em que o BRB adquiriu ativos do Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro.
Esta é a quarta fase da operação, que apura um esquema de lavagem de dinheiro voltado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Ao todo, policiais federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo.
Os investigados podem responder por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
O Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar localizou na madrugada desta quinta-feira (16), Marílio dos Santos, o “Maquinista”, Ás de Ouros” do Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública. O foragido da Justiça, autor do assassinato de Mãe Bernadete, foi alcançado na zona rural do município baiano de Catu.
Segundo a corporação, a tentativa de cumprimento do mandado de prisão, Maquinista atirou nas equipes e acabou ferido. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Com ele foram apreendidos arma de fogo e munições.
A ocorrência segue em andamento.
Dois integrantes de facção que atiraram e vitimaram de forma fatal, na noite desta quarta-feira (15), o soldado Samuel Novais da Silva possuíam passagens pela Polícia. Um deles chegou a ser preso no dia 3 de abril deste ano e foi liberado 48h depois (dia 5 de abril) por ordem judicial, através de alvará de soltura.
A dupla ficou ferida depois de novo confronto com unidades da Polícia Militar e foi socorrida para o Hospital Geral do Estado (HGE). Somando as fichas criminais, os integrantes de facção acumulavam seis passagens pelos crimes de roubo, furto, receptação e lesão corporal entre os anos de 2024, 2025 e 2026.
O patrulhamento segue reforçado na região por tempo indeterminado.
Um carro e uma motocicleta se envolveram em um acidente no Vale de Nazaré, em Salvador, no sentido Aquidabã/Cidade Baixa, nas imediações do Hospital Santa Izabel.
Não há informações sobre o que teria causado a colisão. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas e receberam os primeiros socorros de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Equipes da Transalvador e uma guarnição da Polícia Militar também foram acionadas e estão no local da ocorrência. Uma das faixas da via foi bloqueada, mas, até o momento, não há registro de impacto severo no trânsito da região.
Guns N' Roses faz história na Arena Fonte Nova e prova que a Bahia também tem rock no sangue
Por Luís Vasconcelos
Foi histórico! O Guns N' Roses provou a força do rock na Bahia. Em sua aguardada estreia em solo soteropolitano, a banda reuniu milhares de fãs na Arena Fonte Nova nesta quarta-feira (15). De crianças a veteranos, o público estava em total sintonia durante uma noite marcada por energia, clássicos e solos de guitarra.
Como tudo o que é bom pode melhorar, o público aqueceu os motores com a apresentação da banda Raimundos, que subiu ao palco como ato de abertura. Naturais de Brasília, os músicos trouxeram um repertório recheado de clássicos que definiram o rock nacional nos anos 90, como "Mulher de Fases", "A Mais Pedida" e "Me Lambe". Todas essas faixas fazem parte do icônico disco Só no Forévis, o álbum de maior sucesso comercial da história do grupo.
O show principal teve início por volta das 20h20 e, de imediato, eletrizou a Arena com os primeiros acordes de "Welcome to the Jungle", o icônico single do álbum de estreia Appetite for Destruction, de 1987. A presença da formação clássica, com Axl Rose, Slash e Duff McKagan, foi o ponto alto para gerações de fãs que esperaram décadas por este momento. A setlist foi uma verdadeira viagem no tempo, incluindo hinos como "Sweet Child O' Mine", "November Rain" e "Paradise City".
Axl Rose | Foto: Luís Vasconcelos
Arriscando algumas palavras em português para agradecer aos fãs e exaltar seu carinho pela Bahia, Axl Rose esbanjou carisma, deixando claro que a energia do público baiano é diferenciada. A performance técnica também não decepcionou, já que os agudos de Axl e a precisão cirúrgica de Slash nos solos arrepiaram até os fãs mais contidos.
Slash dando um show à parte na Fonte Nova | Foto: Luís Vasconcelos
O clima também foi protagonista. Com os termômetros marcando 27°C em Salvador, a sensação térmica dentro da Arena beirava os 35°C. O calor era evidente não apenas no suor dos integrantes da banda, mas na entrega física de cada músico, que parecia se alimentar da temperatura e da vibração da capital.
Seja pelo calor ou por estilo, um fato curioso chamou a atenção: Axl Rose não economizou nas trocas de figurino. Ao todo, o vocalista trocou de camisa ao menos sete vezes durante o espetáculo, variando entre jaquetas e coletes que já fazem parte de sua identidade visual.
Foto: Luís Vasconcelos
Com setores do estádio completamente esgotados e uma operação logística impecável — sem registros de incidentes graves na entrada ou saída do público —, a passagem do Guns N' Roses deixa um recado claro: Salvador se consolidou definitivamente na rota dos grandes espetáculos internacionais. O sucesso desta quarta-feira abre portas para que outros gigantes do entretenimento mundial escolham a capital baiana como destino obrigatório em suas turnês.
Mais de 40 mil pessoas se reuniram na Fonte Nova | Foto: Luís Vasconcelos
Indicação de bolsonarista à Comissão de Segurança Pública “cai” na AL-BA e colegiado pode ter reorganização partidária
Por Leonardo Almeida
A indicação do deputado bolsonarista Leandro de Jesus (PL) para a presidência da Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) gerou um imbróglio que não permitiu, até o momento, a instalação do colegiado. O nome enfrenta forte resistência de parlamentares da base do governo que, alinhados com o líder da bancada na Casa, Rosember Pinto (PT), realizaram uma espécie de boicote ao bolsonarista.
A movimentação surtiu efeito, visto que, conforme informações obtidas pelo Bahia Notícias, a indicação de Leandro de Jesus para presidir a comissão teria “caído por terra” e um novo nome para assumir o comando deve surgir até a próxima semana. O acordo para a presidência, que antes beneficiava o PL, também pode sofrer uma reconfiguração.
Uma fonte da reportagem indicou que há interpretações que não só o partido, como toda a bancada de oposição pode ter perdido a prerrogativa para indicar a próxima liderança da Comissão de Segurança Pública. Em razão da janela partidária, novas legendas ganharam protagonismo e aumentaram sua representação na Assembleia, o que deve causar uma rearrumação na participação das siglas nos colegiados.
O maior exemplo dos legendas que cresceram durante o período da janela foi o Avante. Anteriormente, o partido liderado por Ronaldo Carletto detinha apenas um único deputado na AL-BA, mas, após o fechamento no dia 4 de abril, o Avante passou a ter uma das maiores bancadas, com sete parlamentares dentro da Casa. A legenda faz parte da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
De acordo com uma liderança, a previsão é de que a comissão seja instalada na próxima quarta-feira (22), com um acordo entre as bancadas de oposição e governo. Caso a minoria perca a presidência na Segurança Pública, a tendência é que ocorra um remanejamento e os deputados do bloco assumam o comando de um outro colegiado para manter a proporcionalidade.
Há anos a Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos é comandanda por parlamentares da oposição. Os líderes da maioria e minoria, no momento do acordo sobre as representações nos colegiados, costumam “reservar” o espaço ao grupo oposicionista.
SEM ACORDO
O Bahia Notícias contactou o deputado Leandro de Jesus para questionar se já há um acordo para a desistência de sua indicação. Todavia, o parlamentar reforçou que seu nome será mantido. À reportagem, o bolsonarista alegou que, em última conversa com o líder da oposição Tiago Correia (PSDB), o diálogo foi de que a indicação da oposição não seria alterada.
“A última conversa que eu tive com o Tiago é que ele iria, digamos, manter a com firmeza, inclusive, ou a indicação do meu nome, porque, digamos, é uma prerrogativa da própria posição e que o acordo deveria ser respeitado. E é isso que eu espero, porque, afinal de contas, não dá pra gente fazer as coisas com aparências. As coisas elas têm que ser praticadas conforme o acordo que foi feito entre as lideranças e, de fato, para que a comissão possa trabalhar”, afirmou Leandro de Jesus.
O deputado também avaliou que, mesmo a indicação da presidência sendo da oposição, os membros do colegiado, em sua maioria, pertecem à base do governador Jerônimo Rodrigues.
“Como o governo lá tem a maioria dos deputados, ainda assim, na comissão eles vão ter maioria. Então qual o medo? Eu me pergunto de verdade, qual o receio de Leandro de Jesus estar presidindo essa comissão? Eu acho que, muito claramente, é só perseguição política que esses caras têm comigo”, discorreu.
A reportagem também tentou entrar em contato com o líder do governo na AL-BA, Rosemberg, e com a liderança da oposição, Tiago Correia, mas não foi respondida até o fechamento da matéria.
RESISTÊNCIA
Até o final do ano passado, a comissão era presidida pelo deputado Diego Castro (PL), que teria aberto o caminho para que Leandro fosse seu sucessor, com a indicação do bloco da oposição. Contudo, segundo membros da base governista, o nome do parlamentar do PL não contou com o “aval” de Rosemberg, como, segundo eles, deveria ter sido feito.
A previsão inicial para a instalação da Comissão de Segurança Pública era o dia 3 de março, porém o colegiado não atingiu o quórum mínimo para a votação da presidência. O cenário se mantém até o momento da publicação desta matéria.
Rosemberg Pinto já deu declarações de que não aceitaria a indicação de Leandro de Jesus e sugeriu que Tiago Correia sugerisse outro nome para o comando. Segundo o líder do governo, a sugestão ocorre para evitar que a oposição sofre uma derrota durante a eleição da Comissão.
No dia que estava prevista a instalação, Rosemberg negou que tenha articulado um boicote e declarou a existência de “difculdade” de alguns deputados em votarem no nome de Leandro para comandar o grupo.
“Não há nenhum tipo de boicote para eleger o deputado [Leandro] presidente da Comissão. Há um acordo para que o comando do colegiado seja de indicação da Bancada da Minoria e esse acordo está mantido. O problema é que o deputado não ajuda. (...) Tive uma conversa com o líder da minoria, Tiago Correia, no sentido de facilitar a eleição dele, mas ele depende dos votos da bancada governista. (...) As pessoas estão com dificuldade para votar nele. Ele quer o que? Ir para a Comissão e ser derrotado?”, afirmou o parlamentar.
TJ-BA afasta dirigentes de Irmandade da Boa Morte após denúncias de violência psicológica contra idosas
Por Aline Gama
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), por decisão unânime da Segunda Câmara Cível, concedeu a 13 integrantes idosas da secular Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, sediada em Cachoeira, no Recôncavo baiano, o direito a medidas protetivas de urgência contra duas dirigentes da instituição, entre elas uma policial militar da ativa.
O acórdão, assinado pelo desembargador Eduardo Afonso Maia Caricchio e julgado em 31 de março de 2026, reforma decisão de primeira instância que havia negado o pedido sob a alegação de ausência de “prova inequívoca” da probabilidade do direito. O tribunal determinou o afastamento das agravadas a uma distância mínima de cem metros das vítimas, além da proibição de qualquer contato pessoal ou virtual.
O processo teve origem em uma ação de indenização por danos morais cumulada com pedido de medidas protetivas, movida por irmãs da confraria — mulheres idosas, algumas centenárias — contra Juçara Lopes Santos Pontes e Uiara Lopes Nonato. As autoras relataram episódios reiterados de violência psicológica, perseguição e coação moral no âmbito da irmandade, fundada no século XIX e reconhecida como patrimônio cultural imaterial da Bahia.
De acordo com os autos, o agravamento da situação decorreu do fato de uma das rés ser policial militar da ativa, armada, o que, na avaliação das vítimas, intensificava o fundado receio de dano iminente.
No voto condutor do acórdão, o desembargador Eduardo Caricchio destacou que o juízo de origem aplicou equivocadamente o padrão probatório exigido para a tutela de urgência, ao demandar “prova inequívoca” em vez de “probabilidade do direito”. Para o relator, os boletins de ocorrência e os termos de declaração juntados aos autos já conferem verossimilhança suficiente à narrativa das agravantes.
O perigo de dano irreparável foi considerado evidente pelo relator, especialmente diante da proximidade da Festa da Boa Morte, evento de grande carga religiosa e social, que imporia a convivência forçada entre as partes. A presença de uma das rés, policial armada, no mesmo ambiente que idosas vulneráveis foi apontada como fator elevado de risco. “O princípio da proteção integral exige que a dúvida milite em favor da segurança do vulnerável”, registrou o desembargador.
A Procuradoria de Justiça manifestou-se pelo provimento do recurso, ressaltando o dever constitucional de proteção à pessoa idosa.
Projeto de recuperação do Museu de Arte Sacra é suspenso após licitação sem propostas; entenda
Por Mauricio Leiro / Victor Hernandes
A Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) comunicou o encerramento de um processo licitatório sem sucesso na entidade. A licitação em si é referente ao telhado do Museu de Arte Sacra e da Igreja de Santa Tereza d’Ávila, localizada no Centro Histórico de Salvador.
Conforme apurado pela reportagem, o certame foi classificado como deserto, indicando que nenhuma organização social teria apresentado propostas para realizar o serviço. A declaração de “deserta” formalmente no processo licitatório aponta que não houve licitante no processo.
Com isso, o projeto de recuperação da estrutura do equipamento cultural deve ser interrompido temporariamente. Ainda não se sabe quais medidas serão tomadas oficialmente para que o projeto seja retomado na capital baiana. A Conder ainda não se pronunciou oficialmente sobre os próximos passos para a reformulação.
No geral, em casos de licitação classificadas como deserta, a administração pode optar por publicar um novo edital, mantendo as mesmas condições ou revisando pontos que possam ter afastado os licitantes (como prazos, exigências técnicas ou o orçamento estimado).
Além disso, a gestão ainda pode realizar uma contratação direta, por meio de dispensa de Licitação, caso a repetição do processo seja considerada prejudicial ao interesse público e desde que mantidas todas as condições estabelecidas no edital original.
O Executivo ainda pode realizar uma revisão do projeto/orçamento, caso a ausência de interessados for atribuída a um orçamento defasado ou condições contratuais pouco atrativas. Com isso, podem ser efetuados ajustes técnicos e financeiros antes de uma nova tentativa.
INÍCIO DA LICITAÇÃO
O processo licitatório para promover obras de recuperação do telhado do Museu de Arte Sacra e da Igreja de Santa Tereza D’Ávila, foi publicado no mês de setembro de 2025. Na época, a Conder informou que a abertura das propostas estava marcada para o dia 17 de novembro de 2025.
Uma apuração do Bahia Notícias mostrou que as obras no telhado integram emenda parlamentar no valor de R$ 3 milhões destinada pela deputada federal Lídice da Mata (PSB) à Conder para execução de obras na capital baiana.
“Sugeri algumas intervenções e a do Museu de Arte Sacra eu considero uma das mais importantes, pois se trata do patrimônio artístico, histórico, cultural e religioso do nosso Estado. A cultura e o turismo são importantes instrumentos de geração de emprego e renda em Salvador e o Museu é um importante equipamento”, afirmou a parlamentar ao BN na ocasião.
Em 2024, o local chegou a ser fechado para o público por problemas estruturais. Em nota, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), responsável pela gestão, informou sobre riscos relacionados à estrutura do equipamento cultural, em especial nas instalações elétricas e justamente nos telhados, ameaçando a segurança do local e de seu patrimônio histórico.
O museu abriga um dos maiores acervos de arte sacra da América Latina. Inaugurado em 10 de agosto de 1959, o Museu de Artes Sacras passou a integrar a estrutura da Ufba como órgão suplementar. Parte das peças que compõem o equipamento cultural são de propriedade da Arquidiocese de São Salvador, do Mosteiro de São Bento, da Irmandade do SS. Sacramento do Pilar, do Convento dos Perdões e de diversas igrejas, além da coleção Abelardo Rodrigues.
A edificação tem área total construída de 5.250 m², inserida em uma área livre de 8.000 m². Dentro do Museu, encontra-se a igreja.
Oito em cada dez mulheres mortas por feminicídio na Bahia moravam no interior; entenda a situação
Por Ronne Oliveira
Um levantamento do Bahia Notícias (BN), que analisou a distribuição dos casos de feminicídio nos mais de 417 municípios baianos, mostra que o interior do estado concentra a maior parte das ocorrências. Mesmo com a redução no número de casos em 2025 na comparação com 2024, a Bahia segue registrando um volume elevado de mortes motivadas por questões de gênero.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ-SP), encaminhados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), indicam que 102 mulheres foram mortas em 2025. Desse total, 11 casos ocorreram em Salvador, enquanto 91 foram registrados no interior. Confira em números:
Quando considerada a série histórica entre 2017 até fevereiro de 2026, já são 907 casos registrados. Desses, 136 ocorreram na capital baiana. Na prática, isso significa que cerca de 85% dos feminicídios no estado acontecem fora de Salvador.
O mesmo padrão estatístico se repete nas tentativas de feminicídio. Nos últimos quatro anos, foram contabilizadas 912 ocorrências, sendo 107 na capital. Ou seja, aproximadamente 88% dos casos também se concentram no interior. Veja abaixo:
Entre os municípios com maior número de registros estão Lauro de Freitas, Juazeiro, Feira de Santana e Ilhéus. Confira no mapa da violência em 2025 do BN:
Embora parte das cidades não registre ocorrências, o cenário geral permanece preocupante, especialmente quando consideradas também as tentativas de feminicídio. Confira agora um mapa com a série histórica de feminicídios e tentativas de assassinatos.
LEIA TAMBÉM:
- Feminicídios com arma de fogo crescem 45% em 2025, aponta levantamento;
- Bahia é o quarto estado em número de feminicídios; crimes são marcados por violência extrema;
- Adolescente é encontrada morta com marcas de faca e queimaduras na Bahia; caso é tratado como feminicídio.
VIOLÊNCIA DENTRO DE CASA
Esse padrão não é isolado. Nove em cada dez vítimas de feminicídio estavam inseridas nesse contexto, segundo relatório da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), publicado em 2026.
Cerca de 85% dos crimes ocorreram dentro do domicílio das vítimas, indicando o ambiente doméstico como principal cenário da violência letal contra mulheres. A análise também é reforçada por especialistas.
Sede do centro de pesquisa da temática | Foto: Reprodução / Ufba / Redes Sociais
Ao Bahia Notícias, a advogada e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/Ufba), Flávia Gomes Nogueira, explica que o feminicídio deve ser compreendido para além de casos isolados.
“Observa-se que a maioria dos feminicídios ocorre no âmbito privado, frequentemente praticados por companheiros ou ex-companheiros, o que revela relações marcadas pelo controle e pela dominação dos corpos e das vidas das mulheres”, explica Flávia Nogueira.
Na linha de frente das investigações, a delegada Lígia Nunes de Sá explica com sua experiência no atendimento a casos de violência contra a mulher em municípios do interior baiano, diante da dificuldade de atuação em casos nos quais as vítimas não formalizam denúncias.
“Combater o feminicídio é um desafio constante. Em alguns casos, eu consigo atuar e em outros não. Como nos crimes de lesão corporal, mesmo sabendo que ocorreu o crime, a vítima esconde ou dá outra informação sobre a lesão como: ‘foi uma queda’ ou ‘esbarrei com a porta’. Ela dá uma informação que não condiz com a verdade, já vi muitos casos dessa forma", detalha.
Segundo a delegada, essa proteção nem sempre ocorre apenas por medo, mas também por fatores emocionais e financeiros. “O que mais acontecia era que chegavam a mim e falavam: ‘Doutora, eu não quero que ele seja preso’ ou ‘Estou sofrendo a violência, quero que ele me deixe em paz’ ou ‘Quero que ele saia de casa!", revela Lígia.
Na prática, há um desafio recorrente. As vítimas nos casos de violência doméstica sofreram abusos físicos e psicológicos, e, em um cenário de vulnerabilidade, os policiais precisam explicar que há uma diferença entre um parceiro e um agressor. Ainda assim, muitas mulheres desistem dos procedimentos legais por dependência, seja emocional ou financeira.
"Essa confusão entre a pessoa querida, seja o marido ou pai dos filhos, e um agressor. A mulher se vê em um impasse, ela não quer a investigação. Tem o receio ou medo com a dependência emocional muitas vezes”, explica.
Com nove anos de atuação em cidades como Juazeiro e Paulo Afonso, Lígia Nunes destaca a necessidade de ampliar ações de conscientização e educação como forma de prevenção.
“Muitas vezes recebemos uma denúncia de crimes como lesão corporal e constatamos o crime, mas a vítima não denuncia. Ou quando chegava na unidade, falava ‘Eu não quero que ele seja preso’, ‘Eu quero seguir com minha vida’, podendo ser o medo ou a forte dependência financeira, afinal o agressor cuidava da casa”, conta a delegada.
OS DESAFIOS DO INTERIOR
Embora os dados apontem para uma concentração no interior, o problema se manifesta em diferentes regiões do estado e em diferentes condições financeiras das vítimas.
“De fato, os dados confirmam essa realidade do dia a dia, a maioria dos feminicídios na Bahia ocorre no interior do Estado. Há maior dificuldade de acesso aos serviços de proteção e apoio, como a delegacia especializada, como centro de referência mulher, como casa-abrigo. Então a distância e essa menor oferta na infraestrutura dificultam sim a denúncia”, defende a delegada Juliana Fontes.
Em entrevista ao Bahia Notícias, a atual diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV) esclarece que a vida de mulher tem peso social após uma denúncia. Um peso pela pressão da comunidade e família, sobretudo naquelas pequenas cidades.
“O que a gente vê muito também é que em comunidades menores pode haver uma pressão social mais forte, porque a mulher, a sociedade cobra naquele lugar pequeno que a mulher mantenha, que ela continue vivendo naquele relacionamento abusivo. Então há um certo silenciamento em torno da violência doméstica”, esclarece Juliana Fontes.
VIDAS PERDIDAS
Os números ajudam a dimensionar a magnitude do problema, mas não se resumem a estatísticas. Ao longo do último ano, diversos casos ganharam repercussão tanto no interior quanto na capital. Em 2025, o estado registrou 255 tentativas de feminicídio. Apenas em fevereiro de 2026, já foram contabilizadas 26 ocorrências.
Por trás desses dados estão histórias como a de Leidimar Oliveira Guimarães, moradora de Palmas de Monte Alto, no sudoeste baiano. Ela foi até uma cidade vizinha cobrar do ex-marido o pagamento da pensão alimentícia. Após desaparecer, seu corpo foi encontrado na residência do ex-companheiro.
Outro caso é o de Sashira Camilly, que foi chamada pelo ex-namorado para uma lanchonete, na região de Vitória da Conquista. No local, uma substância foi colocada em sua bebida. Após ser dopada, ela foi esfaqueada e o corpo levado para outra cidade.
Na região sisaleira, em Santaluz, Maria da Penha foi encontrada inconsciente, com marcas de agressão no tórax. O suspeito principal, ex-companheiro desapareceu durante as investigações.
Em Feira de Santana, no bairro Asa Branca, policiais atenderam uma ocorrência após moradores agredirem, a pauladas, o companheiro de Maria Aparecida Conceição Santos, de 47 anos. Segundo relato do filho do casal, o homem teria atirado contra a vítima após uma discussão.
Também em Feira, a jovem Franci Evelyn Carmen Vitória de Jesus, de 19 anos, foi morta com um disparo de arma de fogo no rosto. Na ocasião, a vítima havia saído para encontrar o namorado sendo encontrada dias depois, sem vida.
Testemunhas relataram que a Franci de Jesus sofria ameaças constantes e vivia um relacionamento abusivo, havendo ainda suspeita de cárcere privado antes do crime.
Apesar das diferenças entre os casos, eles revelam um padrão recorrente: mulheres assassinadas em contextos de relações afetivas marcadas por violência, controle e, frequentemente, pela não aceitação do fim do relacionamento.
“A compreensão do feminicídio na contemporaneidade exige um olhar interdisciplinar. O feminicídio, nesse sentido, não é um evento isolado, mas o desfecho de um contínuo de violências, decorrente de uma naturalização de comportamentos que estruturam nossa sociedade", explica a pesquisadora Flávia Nogueira.
NÃO É FÁCIL
Em casos de violência doméstica ou abuso, é fundamental buscar ajuda para interromper o ciclo de violência. Denúncias podem ser feitas de forma anônima, pela Central de Atendimento à Mulher, ou por meio de registro em uma delegacia.
Imagens da Deam de Jequié e de um Neam na Bahia | Fotos: Reprodução / Haeckel Dias / Alberto Maraux
Ambas as delegadas salientam que, apesar das dificuldades, as 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) do estado e todos os 18 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (Neam) seguem de portas abertas para atender e ajudar essas mulheres, sem julgamento, mas com atenção e respeito.
“A nossa função, ela é muito mais do que. Reprimir do que ter uma resposta dos inquéritos, dos crimes, da apuração de crimes, de repressão, mas é também uma atividade de prevenção, para que a violência não chegue a acontecer, para que nós possamos atuar antes mesmo que o crime chegue a uma delegacia de polícia”, sustenta Lígia Nunes.
A ampliação das denúncias e das ações de prevenção segue sendo essencial para enfrentar o problema e reduzir os índices de violência contra mulheres na Bahia.
“Muitas não se sentem prontas. Não se pode viver com medo, não se pode viver com violência. Vai acabar gerando o feminicídio, é um rompante na vida. O que falo é: vocês não estão sozinhas, merecem viver sem medo. A violência não é normal, não é culpa da mulher. Busque apoio, amigo, familiar, vizinho", alerta Juliana Fontes.
Interromper o ciclo de violência é essencial para salvar vidas." É importante conversar com um profissional, procure ajuda, não hesite em procurar ajuda. A gente aqui quer que a vida sem violência é o direito de todas nós”, completa.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima e gratuita:
- Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 ou 181
- Polícia Militar: Ligue 190
- Delegacias Territoriais e Especializadas (Deam) ou Núcleos de Atendimento (Neam)
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Paulo Azi
"A redução da jornada de trabalho pode se apresentar como um mecanismo normativo para a preservação da saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores, promovendo o devido equilíbrio entre o tempo dedicado ao trabalho e o dedicado à vida pessoal".
Disse o relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata do fim da escala 6x1, deputado federal Paulo Azil (União) ao apresentar um parecer favorável à admissibilidade do projeto durante reunião da Comissão de Constitui'ão e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (15) pela manhã.