Pornografia está formando geração de homens violentos, avalia especialista
Foto: Reprodução / Ong Mulheres

A socióloga e professora americana Gail Dines apontou que a pornografia, levando em conta os tempos digitais vividos atualmente, deve ser vista como uma questão de saúde pública, tendo em vista a influência deste tipo de conteúdo em crianças e adolescentes, com retratação de "brutalidade" e violência.

 

Durante a palestra no 3º Fórum Exploração Sexual Infantil, nesta quarta-feira (15), Gail Dines também falou da relação entre casos de abuso ou exploração sexual infantil e a forma como a pornografia molda a cultura. Segundo a professora, isto acontece devido a maneira como o pornô retrata como aceitável que mulheres e crianças vendam seus corpos e porque dessensibiliza homens para com a dor sofrida por elas durante o ato sexual. 

 

“Um menino de 11 anos que pesquisa o termo ‘pornografia’ no Google acha que vai ver peitos, vaginas e mulheres nuas. Ele não imagina que verá esse tipo de brutalidade”, disse Dines, que há mais de 25 anos estuda a indústria pornográfica.

 

Na ocasião, a especialista disse que entre os conteúdos mais recorrentes em produções pornográficas, aparecem mulheres engasgando durante a prática de sexo oral, ejaculação no rosto e sexo anal praticado com brutalidade.

 

De acordo com a Folha de S. Paulo, um dos argumentos explicitados pela especialista foi a facilidade de crianças e adolescentes encontrarem conteúdo pornográfico na internet. Ela ainda disse que a pornografia contabiliza mais acessos do que redes sociais como Instagram e Snapchat.

 

A professora ainda mencionou casos de crianças de 7 a 12 anos de idade diagnosticadas com compulsão por pornografia. “É a maior fonte de educação sexual para meninos do mundo inteiro que se masturbam pensando em violência sexual. O trauma faz parte do negócio pornô, e nós temos uma geração inteira de meninos que cresceram com esse tipo de conteúdo”.

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