Gabbardo evita comentar falas de Bolsonaro e diz que MS não vai mudar recomendações
Foto: Reprodução / Twitter

Apesar de não querer analisar o discurso do presidente Jair Bolsonaro que contraria à medida de isolamento social em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, afirmou, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (27), que a pasta não modificou as medidas de prevenção ao vírus.

 

“Não vejo nenhum sentido nisso [modificar a recomendação]. Não existe essa hipótese. Não faremos nenhuma análise do discurso do presidente, mas as recomendações que estão sendo dadas não modificam em nada as orientações do Ministério da Saúde. Continuam sendo as mesmas. Pacientes com sintomas devem ficar em isolamento. Familiares de pacientes com sintomas devem ficar em isolamento. Pessoas que tenham doenças crônicas devem ficar em isolamentos. Pessoas com mais de 60 anos devem ficar em isolamento. Todos nós devemos diminuir a circulação para evitar aglomerações. Essas medidas do MS em nada foram modificadas”, afirmou Gabbardo.

 

Questionado sobre a campanha "O Brasil não pode parar", lançada pelo governo na manhã desta sexta, que estimula a volta da população ao trabalho, contrariando orientações de isolamento social feitas por especialistas médicos (veja aqui), Gabbardo relacionou com uma “casa pegando fogo”, e afirmou que a pasta não irá “colocar mais fogo”.

 

“Nós estamos na frente de uma casa que está incendiando. Nós temos alternativas para combater esse incêndio. Tem gente combatendo com extintor, com escada, com equipamento mais sofisticado... A nossa função é retirar as pessoas que estão lá dentro. Infelizmente, nem todas conseguirão sair de lá, mais nós tentaremos tirar todas. Não fiquem esperando que o MS vai colocar mais fogo na casa, nós queremos tirar as pessoas de dentro”, explicou.

 

O secretário também demonstrou preocupação com a chegada do vírus nas comunidades, e apresentou algumas medidas que serão feitas pelo governo para combater a transmissão: “É uma preocupação. Nossa grande preocupação são essas comunidades pelas dificuldades com saneamento, acesso a água potável e a dificuldade de evitar aglomerações. Estamos pensando em fazer que hotéis, leitos de observação que serão criados, hospitais de campanha... todas essas pessoas que apresentam maior risco possam ser deslocadas para esses lugares. Algumas iniciativas já estão sendo feitas no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Estamos em uma fase de transição dos nossos pacientes. Alertávamos que os primeiros pacientes eram de condições econômicas melhores, pois eram casos importados, e eles seriam atendidos em redes privadas. A medida em que a transmissão passa a ser comunitário, vamos começar a ter casos de pessoas que vão utilizar o SUS, e isso vai começar a forçar a resposta do nosso serviço. Para isso ampliamos os horários de atendimento nas unidades de saúde, contratamos mais médicos, são medidas que são possíveis serem realizadas antes da elevação grande que teremos neste próximo mês de abril”.

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