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Quinta, 24 de Junho de 2021 - 00:00

Estratégia de vacinação da população de rua em Salvador ainda é incerta

por Mari Leal

Estratégia de vacinação da população de rua em Salvador ainda é incerta
Foto: Divulgação/Sempre

Salvador está entre as capitais com maior índice de vacinação da população adulta contra a Covid-19 no Brasil. No entanto, até o momento, não foi determinada a estratégia para a imunização da população em situação de rua, apesar de o grupo ter sido incluído inicialmente no Plano Nacional de Imunização (PNI), elaborado pelo Ministério da Saúde. A crítica é feita por Sueli Oliveira, Coordenadora Nacional do Movimento População de Rua, e membro do Conselho Municipal de Assistência Social de Salvador (CMASS). 

 

“A nossa luta pela vacinação da população de rua começou desde quando foi iniciada a aplicação das vacinas no Brasil. Já encaminhamos ofícios tanto para o município, para a secretaria estadual. Estamos em contato com a Defensoria Pública, que tem sido muito parceira, e com o Ministério Público. Fizemos uma carta para a sociedade baiana, para o governador, prefeito, aos órgãos de Justiça, no sentido de corrigir o apagamento que a população de rua está vivenciando, apesar de termos prioridade pelo Plano Nacional de Imunização, mais uma vez estamos sendo apagados”, conta Sueli. 

 

De acordo com Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador, a previsão é de que 7,5 mil pessoas deste grupo prioritário sejam vacinadas na capital. Em 14 de junho, durante coletiva de imprensa, o prefeito Bruno Reis afirmou que o grupo seria imunizado com as vacinas da Janssen, única com autorização de uso no Brasil administrada em dose única (reveja). 

 

Sueli relembra que uma nota técnica do Ministério da Saúde já havia definido a vacinação do público alvo e os municípios de Feira de Santana, Juazeiro, Teixeira de Freitas, Camaçari, ilhéus, Barreiras já iniciaram o processo. “A estratégia apontada pela nota técnica é que toda a população de rua seja vacinada como grupo prioritário. Na ordem do Plano Nacional a população de rua está no número 16. A fila já acabou e não houve a vacinação. Foi uma grave violação de direitos. O que sabemos é que faltou interesse político”, denuncia.

 

Nesta terça-feira (22), após mudanças de data e quantidade, desembarcou no Brasil 1,5 milhão de doses do imunizante desenvolvido pela farmacêutica da Johnson & Johnson. Estas deverão ser distribuídas para os estados. No entanto, não há ainda uma data para que seja iniciada a aplicação das doses em Salvador. Questionada, a assessoria da SMS não soube estimar a quantidade que a cidade irá receber. 

 

De acordo com fontes ligadas à gestão municipal, o total de pessoas em situação de rua a serem vacinadas em Salvador considera os indivíduos cadastrados ou beneficiados pelos programas de assistência da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), somados aos cadastrados no Programa Corra para o Abraço, iniciativa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) do Estado da Bahia. 

 

A administração municipal trabalha com a perspectiva de que os quatro Centros Pop e o Núcleo de Ações Articulares para a População em situação de Rua sejam adotados como pontos de vacinação. Equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social também preveem a realização de busca ativa nas ruas da capital. Se a pessoa abordada pela equipe seja parte da lista de cadastrados, será levada a um dos postos de vacinação.  

 

Caso as doses da vacina da Janssen cheguem até sexta (25), a aplicação das doses poderá ser iniciada já na segunda (28). Um anúncio oficial deverá ser feito pelo prefeito, caso as perspectivas sejam confirmadas. 

EUA doarão ao Brasil 3 milhões de doses da vacina Janssen contra a Covid-19
Foto: Divulgação / Johnson & Johnson

Os Estados Unidos doarão 3 milhões de doses de vacinas da Janssen contra a Covid-19 diretamente ao Brasil, fora do mecanismo da Covax Facility, conforme informações da GloboNews e do portal G1.

 

Os imunizantes serão enviados na próxima quinta-feira (24), do aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, e chegarão ao aeroporto de Viracopos, em Campinas. Este é o maior número de vacinas doadas pelos EUA para qualquer país até agora.

 

O principal assessor do presidente Joe Biden para a América Latina, Juan Gonzales, afirmou que a doação ao Brasil reflete o foco do governo para combater a Covid-19 numa das regiões mais afetadas pela pandemia.

 

O imunizante da Janssen, braço farmacêutico do grupo Johnson & Johnson, é aplicado em dose única. Na terça-feira (22), um primeiro lote, com 1,5 milhão de vacinas do tipo, compradas pelo governo brasileiro, chegaram ao país.

Governo dos EUA vai investir US$ 3,2 bi no desenvolvimento de antivirais contra Covid
Foto: Reprodução/Pixabay

Os Estados Unidos vão investir US$ 3,2 bilhões em uma iniciativa cujo objetivo é produzir medicamentos antivirais que sejam oferecidos aos pacientes nos primeiros estágios da Covid-19. O “Programa Antiviral para Pandemias” foi anunciado na semana passada Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) americano.

 

A iniciativa, espera desenvolver e disponibilizar, em forma de pílulas ou comprimidos, drogas antivirais até o final deste ano. As informações são de reportagem da revista Super Interessante.

 

Outras doenças infecciosas causadas por vírus que já podem ser tratadas com medicamentos antivirais. Ainda que esses fármacos antivirais sejam, em geral, mais caros e ineficazes que os antibióticos.

 

O texto traz como exemplos a hepatite C, que é suscetível a um medicamento chamado Sofosbuvir - lançado em 2013 e eleito pela Forbes o fármaco mais importante daquele ano. E também os casos graves de gripe, que podem ser tratados com o auxílio do Oseltamivir (conhecido pela marca Tamiflu), que encurta o tempo de recuperação e reduz as chances de hospitalização.

 

Desde o ano passado, com a crise e os reflexos da pandemia da Covid-19, pesquisadores do mundo todo estão empenhados em busca de medicamentos que sejam eficazes contra a infecção.

 

Muitas outras drogas que já existem são boas candidatas para combater o Sars-CoV-2. Para saber se igual mesmo ou se são só outra falsa promessa, como aconteceu com a cloroquina, é preciso submetê-las a testes clínicos. Esse é um dos objetivos do novo programa americano, ressalta a matéria.

Bahia receberá 343.630 doses de vacina contra Covid-19 no dia de São João
Foto: Camila Souza / GOVBA

A Bahia receberá, nesta quinta-feira (24), dia de São João, 343.630 doses de vacinas contra a Covid-19, de acordo com informações da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab). O quantitativo será enviado em duas remessas: uma da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan; e outra da Pfizer/BioNTech.

 

A primeira remessa com 181 mil doses de imunizantes Coronavac está prevista para chegar às 9h35 ao aeroporto de Salvador, em um voo comercial. A segunda carga, com 162.630 doses da vacina Pfizer/BioNTech, será trazida em um voo com previsão de pouso no aeroporto de Salvador às 15h.

 

Os imunizantes começarão a ser enviados na sexta-feira (25) para as regionais de saúde em aeronaves do Grupamento Aéreo da Polícia Militar e da Casa Militar do Governador, após conferência da equipe da Coordenação de Imunização do Estado. Elas serão remetidas para os 417 municípios do estado.

 

As vacinas da Pfizer/BioNTech serão encaminhadas em sua totalidade enquanto que metade do quantitativo da Coronavac será reservada para a segunda aplicação, para evitar falta de doses de reforço.

 

Com esta nova remessa, a Bahia chegará ao total de 8.348.770 doses de vacinas, sendo 3.360.200 da Coronavac, 4.285.400 da AstraZeneca/Oxford e 703.170 da Pfizer/BioNTech.

Em caso raro em SP, paciente ficou infectado com coronavírus por mais de seis meses
Foto: Camila Souza/GOVBA

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acompanharam o caso de um paciente em que a infecção pelo novo coronavírus durou mais de seis meses. O caso foi descrito em um artigo médico divulgado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares e descreve que o vírus continuou se replicando por pelo menos 218 dias.

 

Segundo matéria da Agência Fapesp, o paciente era um home de aproximadamente 40 anos. Antes de contrair a Covid-19 ele foi submetido a um tratamento de um câncer agressivo e, portanto, estava com o sistema imune bastante debilitado. Ele se infectou no início de setembro de 2020 e somente em abril deste ano seus exames negativaram.

 

“Todas as amostras de secreção nasofaríngea coletadas entre o sexto e o 218 o dia após o início dos sintomas tiveram resultado positivo para o SARS-CoV-2 no exame de RT-PCR. E o vírus não estava simplesmente presente no organismo desse paciente, estava também se replicando. Ou seja, durante todo esse período havia risco de transmissão para outras pessoas”, conta a Maria Cássia Mendes-Correa, professora da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeira autora do artigo.

 

Para confirmar que o vírus continuava infectante no organismo do paciente os cientistas realizaram uma série de testes in vitro, no âmbito de um projeto apoiado pela Fapesp. Em um laboratório com alto nível de biossegurança, sediado no Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP), as amostras de secreção nasofaríngea e de saliva coletadas semanalmente foram incubadas com linhagens celulares suscetíveis ao Sars-CoV-2. Nas horas seguintes, era possível observar um aumento da carga viral nas culturas, bem como a morte das células em decorrência da ação do patógeno, explica a reportagem.

 

“Essa capacidade replicativa do vírus foi observada de forma contínua e persistente durante um período de 196 dias consecutivos”, relata a pesquisadora.

 

O grupo também coletou semanalmente, entre janeiro e abril de 2021, amostras de sangue, urina e de esfregaço anal. As análises indicaram a persistência de vírus nessas secreções em boa parte do período estudado.

Hospitais estaduais terão internet sem fio gratuita para pacientes e acompanhantes
Foto: Bahia Notícias

Pacientes e acompanhantes passarão a ter acesso gratuito à internet em unidades estaduais de saúde. Inicialmente o serviço estará disponível no Hospital Geral Ernesto Simões Filho, em Salvador, como forma de teste. A expectativa da Secretaria da Saúde é de que nos próximos dois meses, cerca de 30 hospitais e centros de referência terão a infraestrutura implantada.

 

No Ernesto Simões o serviço foi disponibilizado nesta terça-feira (22). A rede, chamada de “Bahia meu Orgulho”, já pode ser acessada por aqueles que estão na unidade.

 

Segundo a Sesab, a readequação da rede conta com um investimento de R$ 2 milhões em unidades da capital e do interior, como Feira de Santana, Guanambi, Ipiaú, Jequié e Vitória da Conquista.

Anvisa nega autorização de uso emergencial do remédio russo Avifavir no tratamento da Covid
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Anvisa negou a autorização temporária de uso emergencial do medicamento Avifavir (Favipiravir) para o tratamento de pacientes hospitalizados com Covid-19. A decisão foi unânime e tomada durante a 12ª Reunião Pública da Diretoria Colegiada (Dicol), nesta terça-feira (22).

 

Relatora do pedido, a diretora Meiruze Freitas sinalizou que o medicamento em questão não atende às expectativas da agência quanto aos requisitos mínimos de segurança e eficácia no contexto do uso emergencial.

 

"A Anvisa continua comprometida com o avanço da saúde pública do país durante esta pandemia sem precedentes. A agência deve usar de todas as vias possíveis para fazer com que novos tratamentos estejam disponíveis para os pacientes o mais rápido possível. Entretanto, não se pode autorizar o uso de um medicamento que não demonstrou benefício clínico no tratamento da Covid-19 e ainda pode resultar em riscos à saúde dos pacientes", afirmou a diretora relatora.

 

O medicamento, fabricado pelas empresas russas API – Technologies LLC e Joint Stock Company Chemical Diversity Research Institute – JSC CDRI, teve a solicitação de autorização de uso emergencial (AUE) registrada pelo Instituto Vital Brazil.

 

O Avifavir é considerado um medicamento novo, com insumo farmacêutico ativo (IFA) ainda não registrado pela Anvisa. No Brasil, até o momento, já possuem indicação para tratamento de Covid-19 o fármaco Rendesivir e duas associações de anticorpos monoclonais, formadas pelo casirivimabe com o imdevimabe e pelo banlanivimabe com o etesevimabe.  

 

Até o momento, nenhuma autoridade regulatória no mundo aprovou o Avifavir (Favipiravir) para o tratamento da Covid-19, destacou a Anvisa.

 

As gerências-gerais de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED), de Fiscalização e Inspeção Sanitária (GGFIS) e de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária (GGMON) concluíram que as limitações, incertezas e riscos da aprovação do uso emergencial do Avifavir superam os benefícios no tratamento de pacientes com Covid-19.

Leitos de Suporte Ventilatório são autorizados em Irecê, Amargosa e Medeiros Neto
Foto: Carol Garcia/GOVBA

Leitos de Suporte Ventilatório Pulmonar para pacientes com Covid-19 foram autorizados nas cidades baianas Medeiros Neto, Irecê e Amargosa pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (22). A informação consta no Diário Oficial da União (DOU). 

 

Os leitos de Suporte Ventilatório Pulmonar são voltados para pacientes de Covid-19 que não evoluíram para estado grave, mas que necessitam de suporte de oxigênio. 

 

As autorizações, em caráter excepcional e temporário, preveem transferência de recursos para os municípios para o custeio desses leitos. O valor do repasse correspondente ao mês de junho.

 

Em Medeiros Neto, foram autorizados dois leitos no Hospital Municipal da cidade com valor de R$ 28.723,20. 

 

Em Irecê, o ministério autorizou quatro leitos no Hospital e Maternidade Josefa Ismael Sobral com valor de R$ 57.446,40. 

 

E, em Amargosa, no Vale do Jiquiriça, a publicação no Diário Oficial da União autoriza três leitos de Suporte Ventilatório e a transferência de R$ 43.084,80. 

 

A publicação autorizou 91 leitos de Suporte Ventilatório Pulmonar em todo o país. As autorizações são destinadas aos seguintes estados: Ceará, Amazonas, Bahia, Sergipe, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Maranhão e Minas Gerais.

Quarta, 23 de Junho de 2021 - 00:00

Em junho, pessoas com menos de 60 anos foram maior parte das vítimas da Covid na BA

por Rebeca Menezes / Jade Coelho

Em junho, pessoas com menos de 60 anos foram maior parte das vítimas da Covid na BA
Foto: Chico Batata/Divulgação

O perfil dos mortos pela Covid-19 na Bahia segue a tendência do Brasil e vem mudando. As pessoas com menos de 60 anos e sem comorbidades, e que, portanto, não fazem parte do grupo de risco para a doença, ou não faziam, passaram a representar a maior parte das mortes pela doença. O fato foi constatado pela reportagem do Bahia Notícias a partir de dados dos boletins da Secretaria da Saúde do estado (Sesab).

 

Nesta semana um levantamento semelhante, mas que levava em conta dados nacionais, destacou que embora a maior parcela dos brasileiros mortos pela doença ainda seja formada por idosos, pela primeira vez desde o início da pandemia a maioria dos novos óbitos registrados no Brasil não ocorre neste grupo. Os dados mostraram que 54,4% das pessoas mortas neste mês tinham menos de 60 anos. Em maio, esse índice era de 44,6%. Em todos os meses do ano passado, esse porcentual ficou sempre abaixo dos 30% (leia mais aqui).

 

Na Bahia, o índice mensal de pessoas mortas pela Covid-19 com menos de 60 anos passou de 10,7% em janeiro para 56,3% em junho. O número cresceu progressivamente, em meio ao processo de imunização dos grupos até então considerados de risco: em fevereiro, o índice de mortos com no máximo 59 anos era de 25%; em março, de 28%; em abril, 34%; e em maio, 47%.

 

Entre as vítimas mais jovens, fora da faixa considerada idosa, a porcentagem daqueles que não tinham comorbidades conhecidas estava em cerca de 42%. Já em junho, esse número chegou a 58%.

 

No mês passado a Bahia já havia começado a assistir a uma redução do número de idosos hospitalizados com diagnóstico para Covid-19. As pessoas com 60 anos ou mais representavam no primeiro trimestre deste ano 53,1% dos pacientes internados com a infecção pelo novo coronavírus, agora eles correspondem a 39,2%. Uma redução de 13,9%. Enquanto isso, os baianos com idade entre 20 e 49 anos passaram de 26,6% para 35,7% dos internados com a infecção (entenda melhor aqui).

 

Especialistas atribuem a redução desses indicadores entre os idosos à vacinação, mas também sinalizam a influência de outros fatores. Ao comentar sobre a mudança que vem notando no perfil dos pacientes internados nas UTIs com a doença, o médico intensivista Albert Bacelar, que atua na linha de frente do combate à pandemia, destaca que é preciso considerar que a população jovem, que passou a precisar mais de internamento, é economicamente ativa e, portanto, está mais tempo fora de casa pela necessidade de trabalhar. Além disso, é também o grupo dessa faixa etária que está presente em eventos e festas clandestinas.

 

Além do desrespeito a medidas de proteção, é preciso considerar a disseminação de novas cepas, potencialmente mais agressivas, que podem estar causando maior vitimização de jovens. Na semana passada a Sesab admitiu que a variante do coronavírus P1, identificada inicialmente em Manaus, no Amazonas, se tornou predominante na Bahia e já representa 80% das infecções no estado. O fato deixa a pasta em alerta devido ao alto potencial de transmissão e risco aumentado para internações (entenda melhor aqui).

 

O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, atribui à variante a responsabilidade pela aceleração do número de internações e elevação do número de óbitos no estado.

Após estudo no Einstein, médica baiana explica importância de achar remédio contra Covid-19
Foto: Arquivo pessoal

Apesar dos incontáveis impactos negativos da pandemia da Covid-19, fato inegável, a crise sanitária pode ter contribuído de forma positiva para a ciência e ter alçado a um outro patamar a pesquisa clínica brasileira. É sob essa perspectiva que a médica baiana e pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, ligado do Hospital Israelita Albert Einstein, Patrícia Guimarães, enxerga.

 

Nascida em Salvador e médica formada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSH) em 2009, Patrícia fez residência em Cardiologia no Instituto do Coração, da Universidade de São Paulo (USP), e atualmente trabalha área de pesquisa clínica.

 

A soteropolitana está entre os médicos que conduziram o estudo que identificou que o medicamento tofacitinibe pode reduzir em 37% a chance de morte ou piora dos quadros de insuficiência respiratória provocados pela infecção pulmonar causada pela Covid-19 (leia mais aqui). Os resultados foram publicados na revista médica The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes internacionalmente. 

 

O estudo foi feito com 289 pacientes hospitalizados com a Covid-19 e quadro de pneumonia em 15 hospitais de referência para o tratamento da infecção pelo coronavírus espalhados pelo país. Os pacientes tinham que atender a critérios específicos para serem incluídos no estudo. As exigências incluíam quadro de pneumonia comprovado por imagem pulmonar no raio X ou na tomografia, idade igual ou maior que 18 anos, teste PCR positivo para Covid-19, e estar hospitalizado há no máximo três dias.

 

O número de pacientes participantes foi definido a partir de um cálculo de tamanho da amostra e não há perspectiva de ampliação do estudo para um público maior, explicou Patrícia. “Antes de começar o estudo a gente faz um cálculo de tamanho da amostra, que é para ver qual o número de pacientes necessários para entrar no estudo para que a gente possa provar a hipótese que a gente quer estudar e avaliar. Nesse caso a gente fez um cálculo que demonstrou que com cerca de 260 pacientes ou um pouco mais seria possível comprovar nossa hipótese. Que foi o que aconteceu”, explicou.

 

Além dos pesquisadores do Einstein, o estudo contou com a colaboração da farmacêutica americana Pfizer, famosa por uma das vacinas mais eficazes contra a doença e que também é responsável pela produção do tofacitinibe.

 

Os resultados promissores animam até quem é leigo, mas podem esbarrar no alto custo do medicamento. Nas farmácias o tofacitinibe chega a custar em torno de R$ 5 mil uma caixa com 60 comprimidos. A dose usada no estudo foi de 10mg duas vezes ao dia e a média de tempo que a medicação foi utilizada nos pacientes participantes da pesquisa foi de seis dias. Em uma situação hipotética em que os 1.333 pacientes internados atualmente em UTI Covid na Bahia fossem submetidos ao tratamento, e considerando que cada comprimido é de 5mg, o custo seria de mais de R$ 2,8 milhões pra tratar as pessoas sob tratamento intensivo no estado.

 

Os pesquisadores do Einstein agora estão na expectativa de que os dados do estudo do tofacitinibe nos casos de pneumonia por Covid-19 sejam avaliados pelas agências regulatórias e pelos órgãos de saúde pública. Essas entidades vão analisar as informações levantadas por eles, além do custo e eficácia.

 

Na visão da médica e pesquisadora baiana, a pandemia colocou a pesquisa clínica em foco, assim como os esforços de cientistas que têm feito análises para mostrar novos tratamentos e vacinas. A especialista vê como positivo também o fato de a população leiga ter se interessado e aprendido um pouco mais sobre o funcionamento dos estudos.

 

Mesmo com a vacinação contra a Covid-19 em andamento, a comunidade científica prospecta que a Covid-19 não deve ir embora tão cedo. Diante disso, Patrícia afirma que a ciência deve continuar empregando esforços na tentativa de identificar medicamentos para tratar a doença. “Nós estamos enfrentando um grande aumento do número de casos e precisamos manter nossos esforços de pesquisa para buscar medicações que possam trazer benefícios aos pacientes, melhorar qualidade de vida, o índice de alta hospitalar, diminuir tempo de hospitalização... Então ainda há muitos esforços científicos e isso deve ser cada vez mais estimulado”, analisou a médica baiana.

 

Sobre o caso em que colaborou no Einstein, a cardiologista exaltou os resultados e a repercussão na comunidade científica. “A gente ficou muito feliz que uma pesquisa brasileira, com 15 hospitais brasileiros, coordenação do Einstein e o apoio da Pfizer, trouxe para nós uma visibilidade mundial, da nossa pesquisa feita inteiramente no Brasil”, celebrou. “Acredito que apesar do lado ruim da pandemia, isso nos ajudou a estimular cada vez mais tanto o entendimento da pesquisa, como a execução de várias pesquisas no Brasil”, completou a médica.

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