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Além da Covid: Gestantes devem redobrar atenção com infecções virais, alerta ginecologista
Foto: Arquivo Pessoal

Gestantes precisam redobrar a atenção com infecções virais, porque elas potencializam as complicações obstétricas. Em relação a Covid-19, o estado gravídico acaba piorando a infecção e aumentando as chances de agravamento da doença. Mas esse grupo precisa se atentar também a outros vírus, e por isso não podem deixar de fazer acompanhamento pré-natal e tomar vacinas recomendadas para a gestação, por mais que se tenha medo ou receio de sair de casa e ir a uma unidade de saúde. O alerta é feito pela ginecologista, obstetra e professora da UniFTC, Camila Paula Ribeiro.

 

“Qualquer infecção viral, independentemente de ser causada pela coronavírus, aumenta as complicações obstétricas. Como por exemplo trabalho de parto prematuro, abortamento, descolamento placenta. E além disso, quando a paciente adquire a Covid-19, o estado gravídico acaba piorando mais a doença, a gravidade. A Covid-19 acaba se tornando mais grave por conta das alterações que a gravidez oferece”, explica a médica.

 

A explicação é fisiológica. As mudanças causadas pela gravidez no corpo de uma gestante vão além da parte física e daquilo que salta aos olhos de todos. O corpo muda para receber e formar o bebê, e a grávida fica exposta a complicações e vulnerável a doenças. “Há uma mudança total do organismo, não só do ponto de vista do abdômen, que é aquilo que a gente vê, mas a gente tem alterações cardiovasculares e respiratórias para que o organismo se adapte ao contexto da gravidez. Então quando a paciente adquire a Covid-19, isso piora o estado de doença dela”, esclareceu a obstetra.

 

Em alguns casos, destaca Camila Paula, é preciso antecipar o parto para conseguir ter uma melhor condição metabólica da mulher, em relação a lidar com a doença e ter seu tratamento em relação a doença.

 

Na última semana o caso da gestante do Rio de Janeiro que morreu por uma trombose após tomar a primeira dose da vacina contra Covid-19 da Astrazeneca/Oxford chamou a atenção e encheu de medo as grávidas que tomaram a vacina. O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina para o grupo de pessoas grávidas após orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (leia mais aqui e aqui). De acordo com a pasta, até o dia 10 de maio haviam sido vacinadas mais de 15 mil gestantes com o imunizante.  Nesta quarta-feira (19), uma nota técnica do Ministério recomendo que as gestantes e puérperas que receberam a primeira dose da vacina Covid-19 da AstraZeneca/Oxford devem receber a segunda dose e completar o esquema vacinal apenas após o fim da gestação e o período puerpério (até 45 dias pós-parto) (saiba mais aqui). 

 

Camila explica que a vacina de Oxford é feita a partir de um vírus vivo atenuado, e ela é uma categoria C dentre as gestantes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Obstetrícia. “Como a vacina é aplicada por um vírus vivo, é uma recomendação que todos nós devemos ficar atentos. Tudo na Covid-19 é muito novo, então a gente precisa ainda entender como as coisas se comportam e temos que agir com cautela, principalmente com as gestantes”, recomendou.

 

Para as pessoas grávidas que tomaram a vacina de Oxford, a médica orienta que observem os sinais de trombose, que é o principal efeito colateral que está associado com o imunizante. “Atenção quando tem um edema de um dos membros, seja do direito ou esquerdo, unilateral que a gente chama, com vermelhidão desse membro também, fica quente, chama a atenção em comparação ao outro membro, que não acaba tendo esses sinais. São sinais representativos de trombose. E essas pacientes precisam ficar atentas e procurar seu obstetra”, alertou.

 

Durante a entrevista a médica falou sobre vacinas recomendadas e as não recomendadas para as gestantes, o risco de trombose que esse grupo de pessoas está submetido por conta da gestação, pré-natal, riscos que a Covid-19 pode trazer para a gestação, pacientes que adiaram os planos de engravidar por causa da pandemia, entre outros temas. Leia o bate-papo completo na coluna Saúde.

O estado gravídico piora infecções e aumenta as chances de agravamento de doenças | Foto: Reprodução/Pixaxay

 

A recomendação da Anvisa nesta semana sobre a suspensão da aplicação da vacina de Oxford/Astrazeneca nas grávidas pegou muita gente de surpresa e gerou preocupação. É um motivo real para temer? O realmente representa uma recomendação como essa?

Na verdade, a vacina de Oxford é uma vacina tem um vírus vivo atenuado, e ela é uma categoria C dentre as gestantes, de acordo com a Sociedade Brasileira de Obstetrícia. Como a vacina é aplicada por um vírus vivo, é uma recomendação que todos nós devemos ficar atentos. Tudo na Covid-19 é muito novo, então a gente precisa ainda entender como as coisas se comportam e temos que agir com cautela, principalmente com as gestantes. Com elas a gente não consegue ter tantos estudos com as coisas que são aplicáveis. Lógico que com os casos de trombose que estão surgindo no mundo, e como o próprio contexto da gestação e do puerpério já aumenta a chance de trombose independe da vacina, mas como estamos passando momento que a vacina é uma coisa nova, que estamos ainda aplicado em toda população, acho sim que a recomendação da Anvisa é uma coisa que ter cautela, e as pacientes que foram vacinadas tem que ter um contato com seu obstetra para acompanhar de perto pós vacinação. 

 

O que aquelas gestantes que tomaram a vacina de Oxford antes da recomendação da Anvisa devem observar? Quais são os sinais a que devem estar atentas? e por quanto tempo devem observar esses sinais? 

Os sinais de trombose, que é o principal efeito colateral que está associado com a vacina de Oxford/Astrazeneca. Atenção quando tem um edema de um dos membros só, seja do direito ou esquerdo, unilateral que a gente chama, com vermelhidão desse membro também, fica quente, chama a atenção em comparação ao outro membro, que não acaba tendo esses sinais. São sinais representativos de trombose. E essas pacientes precisam ficar atentas e procurar seu obstetra, principalmente aquelas que tomaram a vacina de Oxford. A gente não tem um tempo determinado, é tudo muito novo ainda para a gente. Então não tem um tempo determinado em que a gente precisa chamar atenção em relação a quando ela vai desenvolver aquilo. É o que eu já sinalizei, a própria gestação provoca trombose e tem fator de risco alto para trombose, assim como o pós-parto, o puerpério. 

 

 

As autoridades de saúde verificam a possibilidade de estabelecer uma relação direta entre o imunizante da Astrazeneca e a formação do coágulo, como um efeito adverso raro. Existe precedente na medicina de vacinas que causem esse tipo de efeito adverso em grávidas?

Não, que eu saiba na literatura não tem casos de trombose por conta do vírus vivo, independente da vacina, a própria gravidez e o puerpério aumentam em até 90% as chances de chance de trombose nas pacientes.  Então a pacientes gestante já tem fator trombótico só por ser gestante. O vírus vivo é muito mais associado porque as pacientes que estão gestantes só podem receber vacinas que não são com vírus vivos. Ou então que são partículas de vírus. Por isso não tem como afirmar e não tem comprovação na literatura que as vacinas aplicadas nas gestantes com vírus vivos se foi secundário a vacina ou se foi secundário ao próprio contexto da gestação. 

 

Existe alguma outra vacina que não é recomendada para esse público? E quais são as vacinas recomendadas para gestantes?

Toda vacina de vírus vivo atenuado quando é aplicado na gestante a gente tem que ficar atento, porque são vacinas de categoria C. Que a gente precisa ter atenção maior em relação aos riscos. Um exemplo é a vacina da Febre Amarela, que precisa avaliar com a gestante o risco benefício do uso dessa vacina. Principalmente para aquelas que vão viajar para um contexto de vacina onde a Febre Amarela tem uma alta incidência, aí essas pacientes precisam, junto com o médico, avaliar o risco ou benefício do uso. A vacinação contra o vírus HPV também não é indicado no contexto da gestação, somente após o parto. As vacinas recomendadas no contexto da vacinação são Hepatite B, Influenza, que está em campanha inclusive, e a vacina do DPPA (difteria, tétano e coqueluche). 

 

A pandemia pegou muita gente de surpresa, trouxe incertezas e receios a todas as pessoas. Aumentaram os relatos nos consultórios de mulheres que acabaram adiando a gestação ou com medo de engravidar durante esse período?

No meu contexto de consultório eu consegui enxergar os dois lados. A da gestante que ficou com medo de engravidar por conta do desconhecido, que a gente não conhece a doença. Como também o contexto que engravidaram durante a pandemia e que não adiaram seu sonho, independente do contexto. Mas sim houve aumento da preocupação das pacientes em relação à pandemia, à Covid-19, e de estarem mais receosas com isso. 

 

Quais são as maiores dificuldades de uma gestação na pandemia?

A preocupação com o adquirir a doença, não só para o contexto da mulher, mas para o bebê e o que a doença poderia causar no seu feto. A Covid-19 ainda é nova, a gente não tem muitos estudos mostrando quais são os efeitos do ponto de vista materno e fetal. 

 

Quais os riscos que a Covid-19 pode trazer para a gestação? Já se tem conhecimento sobre isso?

Como qualquer infecção viral, independentemente de ser causada pela coronavírus, mas ela aumenta as complicações obstétricas. Como por exemplo trabalho de parto prematuro, abortamento, descolamento placenta. E além disso, quando a paciente adquire a Covid-19, o estado gravídico acaba piorando mais a doença, a gravidade. A Covid-19 acaba se tornando mais grave por conta das alterações que a gravidez oferece. Quando a paciente está grávida, ela tem uma mudança total do organismo, não só do ponto de vista do abdômen, que é aquilo que a gente vê, mas a gente tem alterações cardiovasculares e respiratório para que o organismo se adapte ao contexto da gravidez. Então quando a paciente adquire a Covid-19, isso piora o estado de doença dela. Em alguns casos a gente precisa antecipar o parto para conseguir ter uma melhor condição metabólica da mulher, em relação a lidar com a doença e ter seu tratamento em relação a doença.

 

Diversas entidades médicas alertam para o fato de que a pandemia acabou afastando as pessoas dos consultórios médicos em relação a exames de rotina. A gente sabe que o pré-natal tem grande importância. O medo da pandemia também interferiu nesse acompanhamento de gestantes?

Sim, a pandemia afastou as mulheres, inclusive, não só pelo medo da paciente de sair de casa e ir ao consultório, como também pacientes que ficaram desassistidas porque colegas tiveram Covid-19, ou porque o médico fazia parte do grupo de risco e precisaram ficar afastados. Então foi nas duas vias. O pré-natal é essencial, independente do contexto que estamos vivendo, existem outras doenças tão graves quanto a própria Covid. Então a gente não pode deixar de fazer esse acompanhamento e ter regularidade em fazer visita médica, por conta das doenças que podem aparecer durante a gestação e que precisam ser detectadas de maneira precoce. A exemplo da diabetes gestacional, pré- eclampsia, que são doenças que trazem desfechos ruins tanto para a mãe, quanto para o feto. E isso consegue ser detectado quando a paciente faz acompanhamento de pré-natal.

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