Viver Bem: Homens e a saúde mental - a importância do autocuidado
Foto: Pixabay

O mito de que homem não chora já foi quebrado há muito tempo e durante o isolamento social, o cuidado com a saúde mental é importante para todos, inclusive para a parcela masculina da população. Apesar dos tabus, pensar suas afetividades se faz cada vez mais necessário.

 

Alguns aspectos que rondam o ser masculino ainda o afasta de um cuidado mais efetivo consigo. De acordo com a psicóloga do Sistema Hapvida, Elaine Silva, o machismo molda comportamentos de acordo com um ideal de masculinidade infalível, desconsiderando a subjetividade do indivíduo, o que gera muitos impactos e causa sofrimentos. "O homem é ensinado, entre outras coisas, que precisa ser autossuficiente, bem sucedido e resolver suas próprias questões. A concepção machista o faz acreditar que precisa cuidar de tudo sozinho, e que deve renegar socialmente tudo que for associado ao comportamento feminino, como demonstrar suas emoções e buscar ajuda, pois isso pode demonstrar fraqueza, fragilidade e incapacidade", explica.

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados no último ano mostraram que os homens representam 76% dos suicidas do Brasil. O número assusta e, de acordo com Elaine, os motivos são diversos. "Além dos transtornos mentais, outros elementos contribuem de forma significativa para os casos de suicídio, que também ocorrem em maior índice entre os homens negros. Idade, condição socioeconômica, racismo e exclusão são marcadores importantes deste processo", aponta.

 

A especialista destaca ainda que os homens tendem a ter comportamentos mais agressivos e, por isso, os métodos que utilizam para cometer o suicídio são mais violentos e letais, haja visto que não admitem falhar em nenhum momento. Para transformar esta realidade, repensar seu papel na sociedade é a primeira atitude. "Desconstruir a masculinidade tóxica é uma das práticas necessárias nos cuidados com a saúde mental. Também é fundamental buscar informação adequada e criar uma rede de apoio com amigos e familiares. Além disso, aprender a lidar com suas emoções e expressá-las sem culpa ou vergonha fazem parte dessa mudança de postura. E, quando for necessário, buscar ajuda profissional é a medida mais acertada", finaliza.

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