Ausência de likes em redes sociais pode ser libertadora, garante psicólogo
Foto: Pixabay

Celular em mãos, uma foto é feita, editada e rapidamente postada nas redes sociais. Compartilhar o dia a dia em busca de likes têm se tornado uma prática cada vez mais comum na sociedade atual. Um estudo desenvolvido pela Kaspersky Lab na América Latina, em conjunto com a empresa de pesquisa chilena Corpa, mostra que um em cada quatro brasileiros prefere ter sua casa ou carro roubados em vez de ter suas redes sociais invadidas e perder o acesso a elas para sempre. Diante disso, o psicólogo clínico do Hapvida, Esly Nascimento de Medeiros, alerta sobre a busca desenfreada por reconhecimento e likes através das redes, lembrando que é preciso entender o sentido para utilização de uma rede social.


“Compartilhar um momento especial para que outros possam se inspirar, tornar notória a alegria, a emoção, sem a obrigatoriedade de ter um longo alcance de pessoas que talvez você nem conheça pode ser libertador. É natural desejar tornar pública a sua experiência, e a ausência do número de likes nos poupará do desejo de aprovação e reconhecimento. Apesar da frustração com o fim das curtidas, pouco a pouco as pessoas começarão a entender o sentido de se utilizar uma rede social ou de postar uma fotografia. O importante é compreender que: quem precisa estar feliz e satisfeito com a nossa vida somos nós mesmos”, afirma o especialista.


Com base na pesquisa, o psicólogo destaca que através da rede social é possível ao indivíduo mostrar quem ele gostaria de ser integralmente ou quem acredita ser e, a partir do momento em que se tem a conta hackeada, nasce um sentimento de invasão da sua vida. “Não saber o que farão com a nossa imagem, o que publicarão em nosso nome causa temor. Além de dados particulares que ficarão nas mãos de quem não se sabe quem é”, esclarece.


O psicólogo destaca ainda a emissão de juízo de valor baseado em informações nas redes sociais, lembrando que as pessoas não devem se deixar serem influenciadas por opiniões alheias. De acordo com Esly, é necessário ter muita segurança e auto reconhecimento para usar as redes sociais com equilíbrio emocional. O suicídio da blogueira que foi deixada no altar e recebeu diversas críticas por, ainda assim, ter curtido a festa que estava pronta, é um recorte desse tipo situação.


“Infelizmente, temos vivido tempos cruéis. De um lado existe a crueldade em julgar, apontar o dedo, condenar, estereotipar, rotular, como se ali, do outro lado da tela, não existisse um ser humano. E, de outro lado, existe uma vulnerabilidade emocional que nos impede de aceitar críticas como algo construtivo ou de reconhecer que a opinião e/ou julgamento alheio não deveria nos definir”, observa.

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