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Pandemia amplia fila de cirurgias eletivas e compromete formação de novos cirurgiões
Foto: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) vem causando diversos problemas, principalmente no sistema de saúde. A sobrecarga dos hospitais com o atendimento dos pacientes acometidos pela COVID 19 compromete o tratamento de outras doenças. As pessoas continuam a adoecer por outras causas não relacionadas ao SARS-CoV-2 e demandando atendimento médico-hospitalar. 


Um aspecto que vem sendo comprometido é a assistência aos pacientes que necessitam de procedimentos cirúrgicos. Durante a pandemia, decretos municipais e estaduais proibiram a realização de procedimentos eletivos, permitindo apenas cirurgias em caráter de urgência e emergência. Entretanto devemos lembrar que o Brasil é um país de grandes dimensões e a demanda por tratamento cirúrgico é enorme, contribuindo para o crescimento das filas de pacientes que em algum momento necessitarão de tratamento. O receio dos principais serviços de cirurgia do estado é que essas cirurgias “represadas” causem uma sobrecarga do sistema já comprometido pela pandemia. 


É necessário que os gestores da saúde discutam estratégias para reduzir este problema, pois alguns pacientes não podem esperar muito tempo, principalmente aqueles que possuem doenças oncológicas (câncer). Algumas doenças benignas também podem tornar-se mais graves e complexas com esse atraso, requerendo mais recursos para o seu tratamento. 


A pandemia provocou a suspensão de pelo menos 1 milhão de cirurgias eletivas (não urgentes) no SUS apenas em 2020, levando a uma queda de aproximadamente 59,8% dos procedimentos cirúrgicos. Sem dúvida, esse fato expõe a fragilidade do sistema público de saúde e, em algumas áreas de pior desempenho, os problemas são significativamente mais evidentes. A fila de pacientes que necessitam de procedimentos cirúrgicos, que já era grande, ficará muito maior, caso os serviços de cirurgia não retornem às suas atividades habituais. 


Mas esse não é um problema apenas do SUS. Inúmeros hospitais privados de Salvador e do interior do estado foram obrigados a restringir o número de cirurgias, chegando, em alguns casos, até a fechar o centro cirúrgico, para que este fosse utilizado na assistência aos pacientes com COVID-19. Os pacientes infectados pelo SARSCoV-2 que desenvolvem a forma grave da doença necessitam de tratamento intensivo e, consequentemente, um consumo elevado de sedativos e drogas chamadas de “relaxantes musculares”, levando a uma carência na oferta dessas medicações em todo o território nacional e comprometendo a realização das cirurgias. Estas drogas também são fundamentais para a anestesia dos pacientes candidatos à cirurgia. 
Os hospitais também precisam prevenir a infecção de pacientes que internam para realizar procedimentos cirúrgicos e por isso diferentes protocolos foram criados e implantados na rotina dessas instituições, com o objetivo de minimizar essa transmissão, seja testando previamente os pacientes, ou reservando áreas chamadas “Covid free” dentro dos hospitais. 


Outro tema bastante discutido na comunidade cirúrgica, é o comprometimento na formação dos futuros cirurgiões. Os residentes dependem destas cirurgias para o treinamento sob supervisão, fundamental à sua capacitação. No momento atual, de restrição dos procedimentos cirúrgicos, a atividade destes profissionais encontra-se comprometida, gerando incertezas sobre o futuro de toda uma geração de cirurgiões. 


Estamos acompanhando o efeito direto da COVID-19 na saúde mundial, mas outros problemas ainda estão por vir e a melhor forma de minimizá-los é agirmos de maneira proativa e não reativa. Agora é o momento de discutir todas as alternativas possíveis para mitigar o cenário pós-COVID.
 

*Luiz Vianna é Cirurgião geral e Mestre do capítulo da Bahia do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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