Após temporada com baixa adesão, população começa a voltar às salas de vacinação em SSA
Foto: Rodrigo Nunes/MS

Após um período com baixos índices de procura e adesão às campanhas de vacinação em Salvador, a população da cidade tem retornado aos postos de Saúde e salas de imunização. Entre os efeitos colaterais das medidas restritivas impostas na tentativa de frear a disseminação da Covid-19 na capital baiana, esteve a redução da procura por vacinas que protegem contra outras doenças. Mas com o relaxamento das medidas, a busca por imunização foi normalizada, comemora a subcoordenadora do setor de Doenças Imunopreveníveis da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Doiane Lemos.

 

"A gente percebeu que houve durante a campanha de Influenza um temor maior pelo fato de que estávamos com significativo número de casos, taxa de ocupação de leitos elevados, medidas restrititas intensificadas, no auge nas restrições. Percebemos que a população aderiu a esse movimento. À medida que as medidas foram sendo flexibilizadas, as pessoas têm voltado", comentou Doiane. 

 

No mês de julho, em que foram registrados os índices mais graves da pandemia da Covid-19 na Bahia, a chefe do setor de imunização da SMS fez o alerta de que a baixa adesão às campanhas poderia comprometer o sistema de saúde no futuro (lembre aqui). "Vacinamos pessoas saudáveis para que não adoeçam e não precisem utilizar o sistema de saúde. É preciso entender a relevância da vacinação", defendeu na ocasião. Na época acontecia a campanha da gripe, que havia sido iniciada em março e prorrogada duas vezes. Em Salvador, há uma semana do fim da mobilização, apenas 52% das crianças de 6 meses a 6 anos haviam sido imunizadas na capital baiana, o que acendou o alerta da SMS.

 

Atualmente a cidade possui três campanhas de vacinação em curso: contra poliomielite, sarampo e a multivacinação. A SMS realizou no último sábado (17) o Dia D das campanhas. A vacinação ocorreu entre 8h e 17h em 151 pontos de imunização espalhados por toda a cidade. Entre eles 138 postos fixos e 13 volantes, além de dois drive thru na Arena Fonte Nova e no Atakarejo de Fazenda Coutos. 

 

As campanhas de multivacinação e da pólio têm como público alvo crianças e adolescentes. Elas foram iniciadas em 5 de outubro e até o momento mais de 9 mil já compareceram. Desse total, 6 mil precisaram receber alguma outra vacina, seja inicial ou algum complemento. "Essa campanha de multivacinação tem essa dinâmica de ser uma oportunidade de atualizar a situação vacinal", conta Doiane. 

 

Em relação à mobilização para a prevenção ao sarampo, o foco é distribuir uma dose de campanha de forma indiscriminada para a população de 20 a 49 anos. "Mesmo que o indivíduo esteja com sua situação vacinal comprovada que está com as doses do esquema básico, ele deve receber essa dose de campanha", disse a subcoordenadora, que ainda explicou que o Ministério da Saúde estabelece campanhas de vacinação nesse molde com o objetivo de imunzar pessoas que não saibam se foram vacinadas, ou para aquelas que recebem a vacina e que não atingiram o nível esperado de proteção. Segundo Doiane essa "é uma possibilidade de corrigir falhas".

 

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em meio à pandemia, o sarampo tem se espalhado silenciosamente. O Brasil registrou até junho deste ano 10.332 notificações de casos considerados suspeitos (saiba mais aqui). A pasta informa que 21 estados estão com circulação ativa do vírus do sarampo. O Pará concentra a maior parcela de casos, 1.918 (47,7%), e maior incidência (39,7 por 100.000 habitantes).

 

Em 2019, após a confirmação de casos da doença (leia aqui), o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo que havia sido concedido ao país em 2016 pela Organização Pan Americana de Saúde (Opas), um braço da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

O sarampo é uma doença infectocontagiosa transmitida por secreções como gotículas eliminadas pelo espirro ou pela tosse e é uma doença potencialmente grave. Em gestantes, pode provocar aborto ou parto prematuro. Os sintomas incluem manchas avermelhadas na pele que começam no rosto e progridem em direção aos pés, febre, tosse, mal-estar, conjuntivite, coriza, perda do apetite, manchas brancas na parte interna das bochechas, otite, pneumonia e encefalite. A vacina é a forma mais eficaz de prevenir.

Danos da Covid-19 ao pulmão podem ser reduzidos pelo Canabidiol, indica estudo
Foto: Paula Fróes/GOVBA

O canabidiol (CBD), substância presente na erva Cannabis, é uma substância que permite um aumento nos níveis de um peptídeo natural chamado apelina, conhecido por reduzir inflamações, trazem os resultados de uma pesquisa publicada na última quinta-feira (15) no Journal of Cellular and Molecular Medicine. A publicação reforça a tese de que a substância poderia ajudar a reduzir os danos no pulmão causados pela Covid-19. A conclusão foi feita em setembro por um grupo de cientistas da Universidade Augusta, nos Estados Unidos (EUA). A descoberta foi feita As informações são de reportagem da revista Galileu. 

 

A apelina é produzida por células de diversas partes do corpo: coração, pulmão, cérebro, tecido adiposo e sangue. Ela é uma importante reguladora da pressão arterial e da inflamação. De acordo com os cientistas, quando a pressão fica alta, os níveis de apelina aumentam para ajudar a baixá-la.

 

A reportagem da Galileu traz que os cientistas levantam a hipótese de que o peptídeo faz o mesmo para ajudar a normalizar os aumentos significativos na inflamação nos pulmões e as dificuldades respiratórias associadas à síndrome de dificuldade respiratória do adulto (SDRA).

 

Os pesquisadores sinalizam que a  apelina se assemelha com a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que desempenha papel crucial na infecção das células pelo novo coronavírus. Segundo a reportagem, além de estarem presentes em muitos tipos de tecidos em comum, ambas trabalham juntas para controlar a pressão arterial.

Segunda, 19 de Outubro de 2020 - 19:40

Gandu, Guanambi e Jaguaquara recebem R$ 978 mil do Ministério da Saúde

por Jade Coelho

Gandu, Guanambi e Jaguaquara recebem R$ 978 mil do Ministério da Saúde
Ladeira da Igreja, em Jaguaquara | Foto: Mateus Pereira/GOVBA

As cidades baianas Gandu, Guanambi e Jaguaquara foram habilitadas a receber recursos destinados à aquisição de equipamentos e materiais permanentes para estabelecimentos de saúde. O valor das três propostas é de R$ 978 mil. A informação consta no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (19).

 

Os recursos serão organizados e transferidos na forma do Bloco de Investimento na Rede de Serviços Públicos de Saúde, informa a publicação.

 

Gandu vai receber R$ 264.422, Guanambi R$ 464.295 e Jaguaquara R$ 249.999. 

Coronavac é candidata à vacina da Covid com menos efeitos colaterais, diz Butantã
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Resultados de análises e testes realizados na vacina Coronavac divulgados pelo Instituto Butantã nesta segunda-feira (19) indicam entre candidatas a imunizante contra a Covid-19, ela se mostrou a mais segura. A vacina Coronavac foi desenvolvido em parceria entre o Butantã e a farmacêutica chinesa Sinovac e conforme informações divulgadas pelo instituto, mostrou o menor índice de efeitos colaterais.

 

Salvador é uma das cidades interessadas na Coronavac. Na semana passada o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), sinalizou o interesse da capital baiana de ter acesso à vacina. O gestor baiano se reuniu com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), na quarta-feira (14), e teve como pauta principal o imunizante (leia aqui).

 

Os dados divulgados nesta segunda pelo Instituto Butantã consideraram o acompanhamento de 9 mil voluntários brasileiros já vacinados no país. Os participantes dos testes são submetidos a um monitoramento feito após sete dias da aplicação do imunizante. No caso da Caronavac os pesquisadores observaram apenas efeitos colaterais leves, como dor no local e na cabeça. Não houve registro de eventos adversos graves nem febre alta.

 

"Fizemos o comparativo desses dados com o que está disponível na literatura científica das vacinas que estão sendo testadas. A vacina do Butantã é a mais segura. Todas tiveram efeitos colaterais grau três, que são os mais importantes. A vacina Butantã não teve. Febre é outro indicativo importante, e na do Butantã foi 0,1%. Em febre acima de 38 graus, foi zero. É a vacina mais segura neste momento, não no Brasil, mas no mundo", disse Dimas Covas, diretor do Butantã.

 

Um dos dados divulgados pelo Instituto mostra que a incidência de eventos adversos entre os voluntários do Butantã foi de 35%, enquanto as aoutras vacinas testadas no Brasil apresentam índice em torno de 70%. De acordo com rpeortagem do Estadão, a comparação foi feita com dados das pesquisas de outras quatro vacinas testadas no mundo: Moderna, Pfizer/BioNTech, AstraZeneca e CanSino.

 

"O sintoma mais frequente foi dor no local, num patamar de 18% entre todos os que receberam placebo ou vacina. E outras reações insignificantes do ponto de vista estatístico. O outro foi dor de cabeça, que pode estar relacionada com a vacina ou não. E os demais efeitos são menores que 5%, mialgia, fadiga, calafrios e assim por diante", explicou Covas.

 

A matéria do Estadão ressalta que mesmo com o fato de que os testes no Brasil mostrem segurança em relação a vacina Coronavac, os dados de eficácia do imunizante só devem sair no fim do ano. 

 

O protocolo indica que após a conclusão dos testes, o Instituto Butantã deve submeter os resultados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para solicitar o registro do produto. O órgão tem até dois meses para emitir um parecer, o que torna improvável que a vacinação tenha início ainda em 2020, como já prometido pelo governador João Doria, ressalta a reportagem.

Surto de Covid-19 em lar de idosos infecta metade dos internos em Salvador
Foto: Reprodução/TV Bahia

Metade dos idosos acolhidos em um abrigo em Salvador foram infectados pela Covid-19. Um deles, de acordo com reportagem do G1, chegou a fugir após o diagnóstico. O Lar Feliz, localizado no bairro Uruguai, abriga 14 pessoas no total. Sete foram diagnosticadas com a doença na última semana. 


Os abrigados foram testados na terça-feira (13), após confirmação do óbito de um residente por complicações da doença. Também foram infectados a dona do abrigo e outros três funcionários. 


A suspeita é que a contaminação da Covid-19 tenha iniciado neste mês de outubro. No início do mês, um dos idosos apresentou tosse e chegou a ser encaminhado para uma unidade de saúde, mas retornou sem diagnóstico de Covid-19. O quadro, no entanto, se agravou rapidamente e há cerca de 15 dias, Edson Souza Alves, de 76 anos, morreu. 


O idoso que fugiu foi identificado como Manoel Pereira de Brito, de 85 anos, da Terra Nova, a cerca de 70 km de Salvador, mas que estava no abrigo na capital. 


Segundo relato de familiares a funcionários da instituição, ele já havia fugido na cidade, mas a situação ainda não tinha ocorrido em Salvador. Manoel está com Covid-19 e os funcionários fazem apelo para que ele retorne.

Segunda, 19 de Outubro de 2020 - 17:19

Salvador: Após atingir 100%, leitos clínicos pediátricos para Covid têm 87% de ocupação

por Rebeca Menezes / Matheus Caldas

Salvador: Após atingir 100%, leitos clínicos pediátricos para Covid têm 87% de ocupação
Foto: Divulgação / GOVBA

Após atingir o patamar de 100% na manhã desta segunda-feira (19) (leia mais aqui), a ocupação dos leitos clínicos pediátricos para Covid-19 recuou para o patamar de 87% nesta tarde, de acordo com dados disponibilizados pelo boletim epidemiológico atualizado da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

 

Ao todo, a capital baiana possui 27 leitos desta modalidade. As UTIs, por sua vez, tiveram um acréscimo na ocupação, o que ocasionou a elevação do índice de 59% para 70% nesta tarde, aponta a Sesab. 

 

Enquanto isto, no estado os números são menos alarmantes. A ocupação dos leitos clínicos pediátricos está na casa dos 61,5%, enquanto as UTIs estão 71% ocupadas.
 

Mês em que celebra o Dia da Crianças, outubro registra até o momento a maior média de pacientes pediátricos internados em UTIs Covid na Bahia. A taxa de ocupação desse tipo de leito tem se mostrado em curva ascendente no estado nas últimas semanas, e saltou de cerca de 40% para 80% em 15 dias, chegando aos 100% entre os leitos clínicos nesta segunda (saiba mais aqui).

 
O prefeito ACM Neto relacionou o crescimento na ocupação de leitos pediátricos aos descuidos de pais com as crianças durante os fins de semana no processo de reabertura da economia, que passou a liberar o acesso a shoppings e áreas comuns em condomínios (leia aqui). 

Segunda, 19 de Outubro de 2020 - 16:40

Prefeitos da Bahia reduziram testagens para Covid; Lacen opera abaixo da capacidade

por Jade Coelho

Prefeitos da Bahia reduziram testagens para Covid; Lacen opera abaixo da capacidade
Foto: Camila Souza/GOVBA

O Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA) tem processado menos testes RT-PCR para diagnóstico da Covid-19 do que é capaz. A informação foi divulgada pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), nesta segunda-feira (19). O petista pregou cautela ao comemorar que a Bahia está em redução de novos casos e mortes da infecção pelo novo coronavírus. Ele reconheceu que os municípios têm realizado menos testes, fato que desperta preocupação.

 

Os testes RT-PCR identificam o material genético do vírus no corpo humano. É coletado um material da garganta e do nariz do paciente através de um instrumento parecido com uma haste flexível, que, em seguida, é encaminhado ao Lacen.

 

"Se vc não testa, não tem ideia do comportamento da doença, exceto pela demanda que tiver nas unidades de saúde. Por enquanto, como a demanda não é crescente, pressupõe que a taxa de contaminação está baixa, mas isso é suposição, pode ter taxa significativa de pessoas assintomáticas", ponderou o governado baiano. 

 

Rui ainda sinalizou que não há indícios que uma segunda onda de infecções no estado. O fenômeno tem sido registrado em países da Europa, que sofreram com altos índices da doença no primeiro semestre do ano.  

 

"É nossa procupação e estamos fazendo campanha para fazer apelo para municípios continuarem testando", comentou ao destacar que o governo estadual identificou redução no número de testagens nos munícipios. O governador assegurou que o estado tem testes disponíveis, assim como capacidade para testar. 

 

Até este domingo (18), o estado registrava 335.351 infectados e 7.316 mortos pela Covid-19. Os casos ativos, que são os pacientes ainda doentes, eram  6.769.

Rui fala em retorno de aulas 'próximo' e condiciona à redução de mortes por Covid-19
Foto: Manu Dias/GOVBA

As escolas da Bahia podem estar próximas de voltarem a funcionar. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), condicionou o retorno das aulas nas unidades de ensino da Bahia à queda na média diária de mortes causadas pela Covid-19 no estado. O número está atualmente entre 20 e 30, e já esteve em uma patamar de 50. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (19), o petista defendeu que se a tendência continuar em redução do número de óbitos, e se recuar para abaixo de 20 registros diários, "cria condições" para retomar as atividades presenciais nas escolas. 

 

A Bahia está com aulas presenciais suspensas em todas as unidades de educação do estado, públicas e particulares, desde 18 de março. O decreto foi um dos primeiros no estado para tentar frear a disseminação da infecção pelo novo coronavírus. Até este domingo (18), o estado registrava 335.351 infectados e 7.316 mortos pela Covid-19. 

 

Conforme do governador, o retorno das aulas está sendo avaliado também com base em decisões de outros estados. "Eu diria que hoje estamos mais próximos do que distantes do retorno das aulas", disse Rui Costa. Há algumas semanas, quando a Bahia registrava cerca de 40 novas mortes por dia, o gestor chegou a dizer que "morria uma sala de aula por dia de Covid-19" no estado (lembre aqui). 

 

"Se reduzir abaixo de 20 [mortes por dia] a gente já se encoraja para retornar as aulas dentro do protocolo que já temos prontos. Vamos acompanhar mais alguns dias", afirmou. 

Embalagem de bacalhau contaminada por coronavírus é encontrada na China
Foto: Reprodução / Correio do Povo

Uma amostra viva do novo coronavírus foi encontrada, pela primeira vez, em uma embalagem de pacotes de bacalhau congelados na China. A carga veio do porto de Qingdao, onde há um surto de Covid-19. A informação é do portal R7.

 

"É a primeira vez que se confirma fora de um laboratório que este novo coronavírus pode sobreviver por um longo período fora da embalagem de produtos em condições especiais de transporte refrigerado", segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças da China.

 

De acordo com o jornal chinês Global Times, isso pode indicar que o coronavírus usa produtos refrigerados como transportadores. A preocupação é que ele possa ser levado para longe das fronteiras do país.

 

Além disso, os trabalhadores do setor estão em risco, já que, segundo as autoridades chinesas de Saúde, "os vírus sobreviventes na superfície dos produtos podem infectar qualquer pessoa que entre em contato com eles sem usar proteção".

 

Quanto ao público consumidor, as autoridades acreditam que a chance de infecção é muito baixa, pois não foram notificados casos de contaminação em pessoas que ingeriram o alimento.

 

Para o vice-diretor do Departamento de Biologia Patogênica da Universidade de Wuhan, Yang Zhanqiu, as pesquisas sobre a capacidade de sobrevivência do vírus e suas origens podem avançar caso a sequência genética do vírus presentes nas embalagens seja a mesma que é encontrada em humanos. Isso pode significar que o novo coronavírus vem de criaturas aquáticas, e não de morcegos ou pangolins.

 

O surto na cidade de Qingdao se iniciou no último dia 11, quando dois estivadores do porto foram contaminados após entrarem em contato com os produtos que possuíam restos do vírus. Ambos foram tratados no Hospital de Pulmonares de Qingdao. 

Em resposta a Doria, Bolsonaro diz que vacina 'não será obrigatória e ponto final'
Foto: Agência Brasil

"O meu ministro da saúde já disse claramente que não será obrigatória e ponto final", disse o presidente Jair Bolsonaro a apoiadores, nesta segunda-feira (19), sobre a vacina contra o novo coronavírus.

 

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a declaração é uma resposta ao governador de São Paulo, João Doria, que afirmou que a vacinação no estado será obrigatória. De acordo com o gestor, a única exceção seria feita para quem tem alguma restrição avalizada por um médico.

 

"Tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil dizendo que ela [a vacina] será obrigatória. Repito que não será", continuou Bolsonaro.

 

"Da nossa parte, a vacinação, quando estiver em condições de, depois de aprovada pelo Ministério da Saúde e com comprovação científica e, assim mesmo, ela tem que ser validada pela Anvisa, daí nós ofereceremos ao Brasil, de forma gratuita, obviamente", disse o presidente.

 

Vale lembrar que ele não teve essa mesma postura, de esperar comprovação científica, ao defender o uso da hidroxicloroquina e da ivermectina para tratar a Covid-19.

 

Bolsonaro sancionou, no início do ano, uma lei aprovada pelo Congresso que diz que "para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, poderão ser adotadas medidas como determinação de realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas".

 

Caso haja descumprimento dessas medidas, o texto prevê responsabilização "nos termos previstos em lei". Enquanto isso, Doria afirmou que vai se reunir com o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, nesta quarta-feira (21).

 

O Brasil vai produzir, por meio do Instituto Butantan, a vacina Coronavac, criada pela gigante farmacêutica chinesa Sinovac. O imunizante demonstrou-se seguro nos testes de fase 3, que envolveu mais de 50 mil voluntários ao redor do mundo.

 

No Brasil, 5.600 dos 9 mil participantes do estudo já receberam pelo menos uma dose da vacina.

 

São Paulo espera solicitar um protocolo de uso emergencial da Coronavac junto à Anvisa, caso ela se prove segura e eficaz. 

Segunda, 19 de Outubro de 2020 - 13:40

Imunidade de vacina russa contra Covid-19 deve durar entre 1 e 2 anos, estima cientista

por Rebeca Menezes

Imunidade de vacina russa contra Covid-19 deve durar entre 1 e 2 anos, estima cientista
Foto: Divulgação

A imunidade contra a Covid-19 da vacina Sputnik V, produzida na Rússia, deve durar entre um e 2 anos, estimou um cientista que participa da produção da substância. A declaração foi dada por Denis Logunov, diretor adjunto do Trabalho Científico do Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia de Gamaleya, durante uma coletiva de imprensa virtual que aconteceu na manhã desta segunda-feira (19).

 

Segundo Logunov, o tempo real de imunidade "depende das pessoas", mas mais informações estarão disponíveis ao final da pesquisa. Ele citou que a proteção contra a Ebola, por exemplo, durou dois anos. "Contra a Mers [Síndrome Respiratória do Oriente Médio] tínhamos duração de quase dois anos, um ano com certeza. Mas quanto tempo a população vai ser protegida, só vamos saber quando terminar essas fases [de testes]", admitiu, durante um encontro organizado pelo Instituto Bering Bellingshausen para as Américas.

 

"Claro que temos muitos planos científicos, temos vários animais em testes, morcegos, hamster, e estamos observando como eles reagem. Isso também vai aumentar nosso conhecimento sobre a vacina e sobre seu funcionamento", complementou.

 

Kirill Dmitriev, CEO do Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF) e principal porta-voz da Sputnik V, avaliou que o grupo de desenvolvedores conseguiu superar o "ponto fraco" da vacina, que era a imunidade pré-existente ao adenovírus - utilizado como base para a proteção contra o novo coronavírus. A ideia foi usar as duas injeções, com dois vetores diferentes, para garantir a cobertura contra a doença. "É muito segura. Usa dois adenovírus diferentes. Mais de um ano, se calhar dois anos, a duração da vacina. E vemos que se tivermos duas injeções de dois vetores iguais, essa imunidade vai ser menor, de 3 a 6 meses. Pensamos que vai durar mais e vai ter eficácia por mais tempo".

 

Ele também garantiu que os testes não apontaram efeitos colaterais graves. "Tem alguns efeitos colaterais, mas tivemos só um pouquinho de febre depois de ter vacinado essas pessoas. E isso destaca a nossa vacina de outras, porque como já sabem muitas fábricas pararam os ensaios por causa dos efeitos, e nós não tivemos isso porque nossa vacina usa a plataforma mais segura", apontou - se referindo aos estudos de Oxford (veja aqui) e Johnson & Johnson (veja aqui).

 

Entre os efeitos sentidos após alguns dias da vacinação estão hipertermia, febre, alguma dor no local da injeção e mal-estar, mas nenhum efeito grave. Para realizar o controle, após a aplicação o voluntário usa uma pulseira e pode registrar tudo que sente durante o dia em um aplicativo. Até o momento, não há indicações de reações em pessoas que já haviam tomado outras vacinas de gripe que usem o adenovírus como base.


AMÉRICA LATINA
Kirill Dmitriev disse que a América Latina é uma "grande parceira" e apontou que, além do acordo com a União Química no Brasil, também deve fechar acordos com países como Argentina, Peru e México. Mesmo assim, frisou que provavelmente não serão os únicos fornecedores de imunizantes nesses locais. "Nós pensamos que todos os países devem escolher várias vacinas entre as que usam adenovírus humanos, e pensamos que os países devem ter uma gama de vacinas." Além da União Química, a Bahiafarma também pode fechar um acordo para produzir a substância (saiba mais aqui).

 

Dmitriev explicou que o início da produção da Sputnik V no Brasil deve começar no fim do ano, já que depende de autorizações dos órgãos locais, que devem sair apenas em dezembro deste ano. "Já está no processo para receber os materiais necessários, mas precisam de alguns meses para começar. Depende de alguns fatores, mas pensamos que no final do ano deve começar", estimou. Ele lembrou que geralmente esse processo dura cerca de 5 meses, mas que há um trabalho para diminuir esse período por causa da gravidade da pandemia.


VACINA PARA TODOS
Denis Logunov detalhou ainda que os russos desenvolveram dois "tipos" da Sputnik V, para facilitar o transporte a regiões de difícil acesso. "Nós entendemos que teremos que transportar a vacina a lugares pouco acessíveis. Por isso temos duas formas: a vacina líquida congelada e a segunda seca. Essa forma de vacina é um pouco melhor de ser transportada, e poderemos levar à Rússia e a outros países".

 

O cientista falou ainda sobre os riscos da substância para crianças e idosos, já que os testes até o momento envolvem apenas pessoas de 18 a 60 anos.  "Pensando nas pessoas de várias idades, pode funcionar de formas diferentes em vários grupos etários. [...] Podemos ter resultados até novembro sobre a efetividade da vacina nos grupos de risco. Antes do fim do ano vamos ter mais resultados. E se tivermos problemas, vamos ver isso em breve". "Cada faixa etária tem diferentes tipos de sistema imune. Então não só nós, mas todos [que estão desenvolvendo vacinas] vão ter dificuldade", avaliou. Mas, ainda assim, garantiu: "não achamos que [a vacina] possa ser ineficaz".

Gata no Mato Grosso é primeiro animal do Brasil infectado com Covid-19
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Uma gatinha de poucos meses testou positivo para o novo coronavírus em Cuiabá (MT) e é o primeiro animal de estimação diagnosticado com a Covid-19 no Brasil. De acordo com o jornal O Globo, ela contraiu a doença dos seus tutores neste mês, e até então está assintomática.

 

Quem detectou a presença do vírus na gata foi a pesquisadora Valéria Dutra, professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, por meio do exame mulecular de PCR. No Brasil, ainda estão sendo estudadas a possível infecção de um cachorro e de outro gato.

 

A descoberta alimenta a investigação sobre a hipótese de humanos poderem contaminar animais e vice-versa. Isso geraria uma cadeia maior de transmissão. "No caso do gato é ainda mais complexo do que no do cão porque gatos que moram em casas muitas vezes saem de seu domicílio livremente", afirma Valéria.

 

De acordo com a cientista, pessoas que estão com Covid-19 devem se isolar de seus bichos de estimação. Na China, um laboratório detectou ser possível que felinos transmitam a doença entre si. Não foi identificada, porém, a probabilidade de isso ocorrer.

 

O mundo registrou, até o momento, menos de 20 casos de cães e gatos infectados pela Covid-19. Análises indicam que os felinos são mais suscetíveis para a doença, segundo Alexandre Biondo, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná.

 

Biondo coordena o laboratório que recebeu as amostras colhidas da gatinha infectada no Mato Grosso. Lá, ele vai fazer a análise diagnóstica e exames de anticcorpos.

 

A infecção da gata ocorreu a partir de uma cadeia de contágio. A família, que foi diagnosticada com a Covid-19 após participar de uma festa, apresentou alta carga viral. Segundo Dutra, quanto maior a carga viral, maior o risco de transmissão. Em animais, essa taxa é mais baixa. 

Segunda, 19 de Outubro de 2020 - 11:02

Salvador: Leitos clínicos pediátricos para Covid-19 estão 100% ocupados

por Lucas Arraz

Salvador: Leitos clínicos pediátricos para Covid-19 estão 100% ocupados
Foto: Reprodução / Agência Brasil

Salvador atingiu a capacidade máxima de internação em leitos clínicos para crianças diagnosticadas com coronavírus. O boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) desta segunda-feira (19) aponta que todos os 27 leitos clínicos pediátricos para tratamento da Covid-19 estão ocupados. Entre os leitos de UTI pediátrica, a taxa de ocupação chegou a 59%, dizem os dados da Sesab. 

 
Mês em que celebra o Dia da Crianças, outubro registra até o momento a maior média de pacientes pediátricos internados em UTIs Covid na Bahia. A taxa de ocupação desse tipo de leito tem se mostrado em curva ascendente no estado nas últimas semanas, e saltou de cerca de 40% para 80% em 15 dias, chegando aos 100% entre os leitos clínicos nesta segunda (saiba mais aqui).

 
O prefeito ACM Neto relacionou o crescimento na ocupação de leitos pediátricos aos descuidos de pais com as crianças durante os fins de semana no processo de reabertura da economia, que passou a liberar o acesso a shoppings e áreas comuns em condomínios (leia aqui). 

 

No estado inteiro, a taxa de ocupação de leitos clínicos pediátricos atingiu a marca de 87%, enquanto 51% dos leitos de UTI estão ocupados. 

 

 

 
Roberto Carlos é internado em UTI após complicações leves causadas pela Covid-19
Foto: Reprodução / Instagram

O deputado estadual e presidente da Juazeirense, Roberto Carlos (PDT), está internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para tratar um leve comprometimento pulmonar causado pela Covid-19. O parlamentar foi diagnosticado com a Covid-19 e, desde então, estava cumprindo todo o tratamento, conforme orientação médica, em casa.

 

Na última sexta-feira (16), Roberto Carlos foi submetido a avaliação clínica presencial em Petrolina, que constatou o leve comprometimento pulmonar na tomografia de tórax, apesar de saturação de oxigênio adequada.

 

A internação foi sugerida para monitorização e acompanhamento da evolução do seu quadro clínico. No momento, ele encontra-se estável, com bom estado geral, respirando confortável em ar ambiente, sem necessidade de oxigenoterapia, mantém os parâmetros normais e aguarda possível alta da UTI, com previsão até a próxima quarta-feira (21).

Livro sobre embates de Mandetta com Bolsonaro na pandemia deve virar filme
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O livro "Guerra à Saúde — Como o Palácio do Planalto transformou o Ministério da Saúde em inimigo público número 1 no meio da maior pandemia do século XXI", escrito por Ugo Braga, Diretor de Comunicação do Ministério da Saúde na gestão de Luiz Henrique Mandetta (saiba mais), deve virar filme.

 

Dentre as revelações presentes na obra estão supostas declarações polêmicas de Mandetta. "O presidente é bom, é bem-intencionado. O problema é aqueles filhos dele, que ficam o dia inteiro xingando nas redes sociais. Sorte que eu não mexo com essas coisas…", teria dito o ex-ministro no dia 15 de abril, véspera de sua exoneração do cargo. "Minha vontade é pegar um ‘trezoitão’ e cravar neles. Pelo menos passava a minha raiva".
 

 

De acordo com informações da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, os direitos da obra foram comprados pelo cineasta Luís Eduardo Belmonte, que esteve à frente de produções como "Alemão", "O Hipnotizador" (HBO) e "Carcereiros" (Globoplay). Ainda segundo a coluna, ainda não foi definido o elenco para interpretar o ex-ministro Mandetta e Jair Bolsonaro, que seriam os protagonistas do filme.

 

Antes do lançamento de “Guerra à Saúde”, de seu ex-assessor, Mandetta publicou sua versão dos bastidores no Ministério da Saúde, com destaque nos embates com o presidente durante a pandemia (clique aqui).

 Itália tem recorde de casos de Covid-19 ao registrar 1.705 novos casos da doença
Foto: Reprodução / G1

A Itália registrou 11.705 novos casos do novo coronavírus neste domingo (18), informou o Ministério da Saúde, número acima do recorde anterior de 10.925 contabilizado no dia anterior, enquanto o governo prepara novas medidas para combater uma segunda onda da doença.

 

A Itália foi o primeiro país da Europa a ser duramente atingido pela covid-19 e tem o segundo maior número de mortos na região, depois do Reino Unido, com 36.543 óbitos desde o início do surto em fevereiro, de acordo com dados oficiais, de acordo com a Agência Brasil. 

 

As autoridades conseguiram manter o contágio sob controle no país até o verão, graças a um bloqueio rígido de dois meses em todo o país. Mas com o surgimento de uma segunda onda, elas determinaram novas medidas, incluindo o uso obrigatório de máscara em público e restrições a reuniões públicas e restaurantes.

 

O primeiro-ministro Giuseppe Conte deve anunciar novas medidas ainda hoje.

Estudo comprova presença do coronavírus no cérebro de pacientes
Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encontraram o novo coronavírus em cérebros de pacientes mortos pela doença, além de alterações morfológicas – que se referem à forma e à estrutura – no cérebro de pessoas com quadros moderados de covid-19. O resultado deve ajudar em tratamentos mais efetivos de pacientes de Covid-19 que apresentam sintomas neurológicos, como anosmia, confusão mental, convulsões e zumbido no ouvido.


“O que identificamos agora é que o vírus é sim capaz de chegar no sistema nervoso central, no cérebro. Não só detectamos o vírus no cérebro de pessoas que morreram com a covid-19 - coletamos os cérebros delas post mortem -, mas nós fizemos também análises de imagem, escaneamos os cérebros de pacientes com covid-19 moderada e alterações significativas foram observadas”, disse o professor de bioquímica da Unicamp, Daniel Martins-de-Souza, coordenador da pesquisa. O estudo foi divulgado essa semana, em plataforma preprint, ainda sem revisão por pares, de acordo com a Agência Brasil. 

 

Ele ressalta que até o momento não existem evidências disso na literatura, apesar de alguns pacientes apresentarem sintomas neurológicos. “Esse é um estudo feito com centenas de pacientes moderados, não são nem pacientes graves, e que demonstra que as alterações morfológicas estão correlacionadas com a covid-19”, disse. Segundo ele, as consequências nos pacientes ainda estão sendo observadas porque a covid-19 é uma doença nova. “Não deu tempo de vermos o que vai acontecer no longo prazo, mas fato é que pessoas já curadas ainda tem queixas de sintomas neurológicos mesmo depois de o vírus já ter saído do corpo”.

 

Os pesquisadores já haviam comprovado em testes in vitro que o novo coronavírus era capaz de infectar os neurônios. No entanto, em testes em humanos, eles identificaram a presença do vírus em uma outra célula do cérebro, chamada astrócito.

 

“Vimos que o vírus está no cérebro de algumas das pessoas que morreram de covid-19, não tanto nos neurônios, mas em uma outra célula que chama astrócito. Esta é uma célula que auxilia os neurônios a se comunicarem. No laboratório, fizemos um experimento mostrando que os astrócitos infectados podem produzir substâncias que matam neurônios e essa pode ser a causa de a gente ver aquelas alterações nas imagens do cérebro [de pessoas vivas infectadas]”, explicou.

 

O pesquisador afirma que essas informações são a primeira pista para que se tenha tratamentos mais efetivos especialmente para aqueles pacientes que tiveram acometimentos neurológicos. “Nem todos vão ter [sintomas neurológicos], uma média de 30% a 35% são os que têm esses sintomas. Para esses, é bom saber que os sintomas podem sim ser derivados de infecção no cérebro”.

 

Martins-de-Souza explicou que o que se acreditava até agora é que os sintomas neurológicos eram causados apenas por uma infecção sistêmica. “Pensava-se até aqui que os sintomas neurológicos seriam uma consequência de inflamação em outros lugares – como o pulmão – e que afetava secundariamente o cérebro. Mas aqui vemos que isso [sintomas neurológicos] pode acontecer também porque o vírus chega sim ao cérebro”, disse.

 

Além desses resultados, os pesquisadores vão continuar as investigações para entender melhor o papel dos vírus dentro dos astrócitos, as consequências disso no longo prazo, além de uma questão que Martins-de-Souza considera essencial: como é que o vírus chega no cérebro.

Pessoas podem desenvolver 'síndrome da cabana' ao retomar atividades presenciais
Foto: Agência Brasil

O retorno à rotina antes da pandemia de Covid-19, a flexibilização das medidas protetivas, o fim do isolamento ou do distanciamento social podem causar em algumas pessoas um fenômeno que os psicólogos chamam de “síndrome da cabana”. 

 

A síndrome não é uma doença nem transtorno, é considerado mais um estresse de adaptação entre pessoas que passaram por dificuldades emocionais ao sair de um estado de retiro e retomar atividades presenciais.  A expressão "síndrome da cabana" surgiu no início do século 20 e serviu para relatar vivências de pessoas que ficavam isoladas em períodos de nevasca no Hemisfério Norte e que depois tinham que retomar o convívio. Também acometia caçadores profissionais que se embrenhavam nas matas no passado e, no presente, pode afetar trabalhadores que estão sempre afastados em razão do ofício, como por exemplo os empregados em plataformas de petróleo. 

 

“Todo tipo de isolamento pode desencadear a síndrome, principalmente se é um período extenso e que está ligado ao medo. Não é só o fato de estar em casa por longos períodos, mas a sensação de que lá fora tem algo desconhecido que pode infectar, matar ou adoecer”, contextualiza Débora Noal, também psicóloga em Brasília. 

 

A psicóloga Ana Carolina de Araujo Cunto, do Rio de Janeiro, explica que o momento de suspensão do distanciamento pode ser desafiador para algumas pessoas. “Essa transição de sair do ambiente confortável, e controlado, para o mundo lá fora pode soar como uma coisa ameaçadora, assustadora. A pessoa pode sim ter dificuldade em retomar essas atividades e sofrer.” 

 

“Sair não é mais natural como antes. As pessoas saiam de casa, estavam na rua e pronto. Agora não, têm que se preocupar com a máscara, têm que se preocupar em ter o distanciamento físico das pessoas. Não podem tocar nas coisas. Devem lavar as mãos ou passar álcool em gel. Verificar se estão sentadas em um lugar perto de ventilação. Ficamos em um estado de alerta constante”, descreve Cunto. 

 

Para as pessoas com síndrome da cabana, a casa é o melhor lugar para estar, explica a psicóloga: “quando o mundo lá fora passa a ser ameaçador, seja por quais razões forem, a casa representa um lugar de proteção. Onde me sinto bem, onde estou protegido e onde consigo ter o controle das coisas.” 

 

As psicólogas orientam para que as pessoas fiquem atentas aos sinais de ansiedade, medo e até pânico ao retomar as atividades. Outra orientação é que cada pessoa mensure o seu estresse adaptativo, como sair de casa junto com alguém em que confie e que também se previna contra a Covid-19. Outra dica é ensaiar a saída, iniciando com uma descida até a portaria do prédio ou ao portão da casa. Elas também orientam a buscar atendimento especializado, como terapia. 

Bahia registra 654 novos casos da Covid-19 e número de casos ativos permanece estável
Foto: Reprodução/Sesab

O boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), divulgado pela pasta neste domingo (18), aponta que o número de casos ativos permanece estável. Foram 654 novos casos da infecção nas últimas 24h, com 6.769 casos ainda ativos. Ao todo são 335.351 casos confirmados. 

 

Em relação aos óbitos, a divulgação evidencia 28 novas ocorrências. O total de mortes desde o início da pandemia no estado é  7.316. A taxa de letalidade da doença atualmente é de 2,18%. 

 

Entre os casos confirmados ocorreram em 417 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (26,80%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 100.000 habitantes foram: Ibirataia ((7.823,93), Almadina (6.551,98), Itabuna (6.344,06), Madre de Deus (6.314,89), Apuarema (5.893,59).

Domingo, 18 de Outubro de 2020 - 07:20

Metade das vacinas infantis não bate meta há cinco anos, diz Ministério da Saúde

por Cláudia Colucci e Patrícia Pasquini | Folhapress

Metade das vacinas infantis não bate meta há cinco anos, diz Ministério da Saúde
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Entre as 15 vacinas do calendário infantil brasileiro, que inclui a imunização contra a poliomielite, metade não bate as metas desde 2015. Em 2018, apenas duas únicas atingiram a cobertura esperada: a BCG, com 99,72% de imunização do público-alvo, e a vacina contra o rotavírus humano, com 91,33%. Para ambas, a meta é superar os 90%. Ano passado, nenhuma das 15 vacinas atingiram a meta.

 

Neste ano, até 2 de outubro de 2020, a taxa de imunização para a BCG chegou a 63,88%, e para o rotavírus, a 68,46%. A maior cobertura atingida foi da vacina pneumocócica, com taxa de 71,98%. Em 2019, chegou a 88,59% do público-alvo. As informações foram divulgadas nesta sexta (16) pela coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fontana, durante a Jornada Nacional de Imunizações.

 

Apesar de ainda não existir uma avaliação real do impacto da pandemia de Covid-19 nas coberturas vacinais, a crise sanitária deve piorar ainda esse cenário, um fenômeno já sentido globalmente, segundo Fontana. Os números parciais divulgados neste sábado (17), durante o Dia "D" de vacinação, mostram que, em relação à vacina contra a poliomielite, as taxas estão ainda bem abaixo da meta.

 

Na capital paulista, mais de 33 mil doses da vacina foram aplicadas, além de 67 mil doses de outras vacinas para atualização de cadernetas de menores de 1 ano, e de crianças e adolescentes de 5 a 14 anos de idade. Desde o dia 5 de outubro, foram vacinadas contra a poliomielite 47.343 crianças de 1 a 4 anos, o que representa uma cobertura vacinal de 8% durante a campanha, segundo dados parciais da Secretaria Municipal de Saúde.

 

No estado de São Paulo, foram aplicadas mais de 268 mil doses da vacina contra pólio, o que corresponde a 12,1% de cobertura do público desejado (95%, equivalente a 2,1 milhões de crianças). Quanto às outras vacinas, 113,6 mil bebês com menos de 1 ano compareceram aos postos, sendo que 69% precisaram atualizar a carteirinha de vacinação (78,4 mil). Na faixa de 5 a 14 anos, 171,4 mil procuraram serviços de vacinação, com vacina aplicada em 77,6 mil delas (45,3% do total).

 

Os dados preliminares indicam que pelo menos metade do público que está indo aos postos tem alguma pendência na caderneta, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. A campanha vai até o dia 30. Na tarde deste sábado, a Folha visitou três unidades de saúde da zona leste e não observou grandes filas. Mas as crianças não eram liberadas antes de aguardar pelo menos 20 minutos.

 

Na UBS Vila Bertioga, a empresária Egle Santos, 26, esperou cerca de 30 minutos para conseguir vacinar a filha Manuela, de 2 anos 4 meses, contra sarampo e poliomielite. Havia sete pessoas à espera. Na UBS Água Rasa, 20 pessoas estavam na fila. "Vi muita gente desistindo e indo embora, porque não tem paciência", disse a autônoma Andréa Moseli, 40, após vacinar a filha Bruna, 4, contra poliomielite. No Ambulatório de Especialidades Dr. Ítalo Domingos Le Vocci, na Mooca, por volta de 16h30, apenas duas crianças aguardavam na sala de espera.

Sábado, 17 de Outubro de 2020 - 17:40

Casos confirmados de Covid-19 na Bahia crescem 17% em 24h

por Francis Juliano

Casos confirmados de Covid-19 na Bahia crescem 17% em 24h
Ibirataia tem maior incidência /Foto: Reprodução / Prefeitura de Ibirataia

O número de casos confirmados de Covid-19 na Bahia nas últimas 24h foi de 1.799. Segundo boletim deste sábado da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o número é 17,1% maior do que o registrado nesta sexta-feira (16), que foi de 1.536. No acumulado, a Bahia já registrou 334.697 casos confirmados desde o início da pandemia, sendo 6.972 ainda ativos [com o vírus no corpo] e 320.437 já são considerados curados.

 

O boletim deste sábado ainda aponta 21 mortes provocadas pelo novo coronavírus. A Sesab diz que os óbitos ocorreram em datas diversas. No total, a Bahia já perdeu 7.288 pessoas pela enfermidade. Os casos confirmados ocorreram nos 417 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (26,89%).

 

MAIOR RISCO DE CONTAMINAÇÃO

Já as cidades com os maiores coeficientes de incidência [maior risco de contaminação] por 100 mil habitantes foram: Ibirataia (7.797,81), Almadina (6.551,98), Itabuna (6.324,83), Madre de Deus (6.305,41), Apuarema (5.729,88)

Sábado, 17 de Outubro de 2020 - 13:00

Corte em menina russa de nove anos expõe alcance global de mutilação genital

por Ana Estela de Sousa Pinto | Folhapress

Corte em menina russa de nove anos expõe alcance global de mutilação genital
Foto: Divulgação

O caso se deu numa cidade europeia: filha de um casal separado, a menina de nove anos foi passar o fim de semana com o pai. A madrasta a levou a uma clínica para que ela tivesse seu clitóris cortado. Assustada, a menina resistiu e foi segurada pelas pernas e braços por uma enfermeira e pela madrasta.

 

Zarema, a mãe, percebeu que havia algo errado quando a menina voltou com febre e chorando. Furiosa, deu queixa à polícia contra o ex-marido, a mulher dele e a médica.

 

Um ano e meio depois, tem pouca esperança de ver justiça no processo, o primeiro a tratar de mutilação genital feminina (MGF) na Rússia. Só a ginecologista que cortou a menina está sendo julgada, por danos leves à saúde, diz a advogada Tatiana Savvina, que acompanha o caso pela organização Iniciativa Legal. A pena máxima é de quatro meses de prisão, um ano de serviço comunitário ou 40 mil rublos (R$ 2.859), alternativamente.

 

A clínica médica privada, que não verificou os documentos da menina antes dos cortes (pelos quais cobrou 2.000 rublos, ou R$ 143 reais, segundo tabela de preço de 2019), não foi incluída nas investigações.

 

Segundo Savvina, para que o caso seja tratado com a gravidade que merece, será preciso levá-lo ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Um dos problemas, diz ela, é que não há na Rússia uma lei específica que proíba a MGF.

 

O país não é exceção ao não prever punições contra a prática, definida pela OMS como dano parcial ou total à genitália feminina sem benefícios à saúde. Mutilações são documentadas em ao menos 92 países do mundo, mas só 51 mencionam a MGF de forma explícita em suas leis, mostra levantamento realizado pela organização Equality Now.

 

O procedimento pode deixar sequelas físicas e mentais por toda a vida, segundo a OMS, como infecções crônicas, dor intensa durante a micção, a menstruação e as relações sexuais, depressão, maior risco de infertilidade, complicações de parto e até a morte de recém-nascidos. O próprio procedimento pode levar à morte, por hemorragia ou infecções graves.

 

Em maio deste ano, pai e madrasta da menina russa de nove anos foram isentos de acusação por crime, porque seria preciso provar que houve intenção de prejudicar sua saúde. Na Inguchétia (região do sudoeste russo que faz fronteira com a Geórgia), onde os dois vivem, a mutilação é praticada há décadas e é a regra em comunidades islâmicas rurais.

 

Mas não está na religião a raiz do problema, dizem entidades, ativistas e pesquisadores do assunto. Zarema também é muçulmana, mas sua comunidade se opõe aos cortes, que têm como principal objetivo controlar a sexualidade feminina, segundo Divya Srinivasan, que organizou o relatório global da Equality Now.

 

"Independentemente do grau, gravidade ou motivação, é uma violação dos direitos humanos voltada à opressão de mulheres e meninas", afirma a pesquisadora.

 

"O mito de que isso só ocorre em aldeias muçulmanas da África atrasa o combate a um problema global, que ocorre em grandes cidades desenvolvidas e em diferentes religiões", acrescenta a americana Mariya Taher, diretora da Sahiyo, que busca chamar a atenção para o problema entre mulheres de origem asiática em todo o mundo.

 

Nascida numa família de classe média e criada num bairro afluente do Centro-Oeste dos Estados Unidos, Thaler só descobriu que ela própria tinha sido submetida à MGF quando cursava a faculdade, pelo relato de uma amiga profundamente traumatizada pelos cortes.

 

"Eu me lembrava de uma cerimônia quando tinha sete anos, mas, por sorte, foi a forma mais leve de corte. Não deixou nem cicatrizes, e até então nunca o havia visto como mutilação", relata a ativista. O choque a fez estudar as mutilações no mestrado.

 

"Ouvi histórias muito diferentes, com impactos às vezes muito graves. Mas há principalmente um silêncio enorme sobre o problema, o que impede que ele seja prevenido e combatido", diz.

 

Em agosto deste ano, sua atuação com a Ordem dos Advogados de Massachusetts levou o estado a ser o 39º a criminalizar a prática nos Estados Unidos e a estabelecer políticas públicas de conscientização e prevenção.

 

No Kentucky, uma petição por lei semelhante foi criada por Jennifer, cortada aos cinco anos, na comunidade cristã conservadora em que cresceu.

 

"A mutilação teve um impacto terrível em meu corpo. Até retirar o útero, minha menstruação era excruciante. Sexo sempre foi doloroso", contou ela no levantamento de Srinivasan. Até estudar anatomia na faculdade, ela acreditava no que sua família dizia: todas as mulheres passam pelo ritual, e ele não deve ser comentado.

 

"Enquanto não começarmos a falar sobre isso, nunca vamos para saber quantas garotas foram afetadas nos Estados Unidos. Temos que superar a vergonha e mostrar que é possível e necessário tratar desse assunto", afirmou.

 

Na Malásia, falta até vocabulário no idioma para discutir a sexualidade feminina, que é vista como aberração, afirma Saza, malasiana que mora em Singapura. No país, a prática segue sob silêncio coletivo.

 

"Na festa de segundo aniversário da minha sobrinha, minha cunhada mencionou que ela havia sido 'circuncidada' na semana anterior. 'É uma violação dos direitos humanos!', protestei. Então minha irmã mais velha me contou que fui cortada quando bebê. Foi como se uma bomba tivesse explodido".

 

Sem lei que o proíba, o corte antes feito em casa por parteiras é hoje praticado por médicos em clínicas de Singapura. Mutilações caseiras ainda ocorrem, porém, em países como Reino Unido e França.

 

Isso mostra que legislação é importante para tratar o problema com a gravidade necessária, mas precisa ser acompanhada por prevenção e educação, segundo as entidades de direitos das mulheres.

 

Em fevereiro do ano passado, a mãe de uma menina de três anos se tornou a primeira condenada por MGF pela Justiça britânica, num caso que veio à tona porque, pela lei do país, médicos devem denunciar casos suspeitos.

 

Foi o que ocorreu quando a criança chegou ao hospital com hemorragia. Os pais disseram que ela caíra na quina de um armário ao tentar pegar biscoitos, mas o pediatra percebeu que havia um corte intencional, provavelmente feito com bisturi.

 

Segundo a Comissão Europeia, vivem nos 27 países membros do bloco 600 mil mulheres que foram submetidas à mutilação, e há 180 mil meninas em risco de serem forçadas à prática, no continente ou no chamado "turismo de mutilação", quando são levadas para passar pelo procedimento em outro país.

 

Erradicar a prática no mundo até 2030 é um dos Objetivos Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU, mas a maior parte do mundo está longe da meta: há pelo menos 2 milhões de vítimas nos países com dados oficiais, e a porcentagem chega passa de 80% das mulheres em alguns.

 

Outra parte do mundo não tem nem ideia do tamanho do problema, pois não há dados disponíveis sobre isso. "Ausência de estatísticas permite aos governos fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo", afirma Srinivasan.

 

Segundo a ativista, é preciso também um esforço global para evitar uma reação crescente de fundamentalistas, que ameaçam pôr a perder o avanço já conquistado.

 

No Quênia, por exemplo, foi apresentada uma petição pedindo ao Tribunal que declarasse como inconstitucional a lei que proíbe a MGF, promulgada em 2011.

 

A pandemia de Covid-19 também deve agravar o problema, na avaliação da Unfpa, agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas. O principal impacto da pandemia vem do fechamento das escolas, que reduz os serviços de educação, saúde e aconselhamento, agravado pelos confinamentos, que deixam as crianças mais vulneráveis a violência e coações.

 

Nas estimativas do órgão, a pandemia de coronavírus pode provocar 2 milhões de casos adicionais de mutilação genital feminina, além de 13 milhões de casamentos infantis entre 2020 e 2030.

Parlamentares endossam pressão para governo comprar 1ª vacina de Covid que ficar pronta
Foto: Reprodução/ Instituto Butantan

Deputados e senadores da comissão externa da Covid-19 vão reforçar a pressão feita sobre o Ministério da Saúde para que a pasta firme o compromisso público de comprar a primeira vacina que ficar pronta para coronavírus. Parlamentares vão participar da reunião do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com o ministro Eduardo Pazuello, na próxima quarta-feira (21).

 

Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o ministro havia marcado com governadores na terça (20), mas Doria sugeriu remarcar para quinta (21) diante da expectativa de que o encontro do dia anterior seja proveitoso.

 

De acordo com a publicação, a ideia é que, se houver acerto do governo federal com a vacina chinesa, desenvolvida pelo Instituto Butantan, o anúncio poderia ser feito já na quinta-feira, com membros de todos os estados presentes.

 

O deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), presidente da comissão de Covid, Pazuello já sinalizou que não vai se opor à compra de qualquer vacina, desde que ela seja validada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Apenas seis cidades brasileiras ainda não registram casos de coronavírus
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Cedro do Abaeté

Dos 5.570 municípios do país, apenas seis ainda não registraram casos de Covid-19. São eles: Botumirim, Cedro do Abaeté, Pedro Teixeira e São Thomé das Letras, em Minas Gerais, Laranjal, no Paraná, e Cerro Branco, no Rio Grande do Sul.

 

Nos três estados, a doença demorou a se disseminar, atingindo primeiro outras regiões do Brasil.

 

Segundo o G1 MG, no Sul, as duas cidades que ainda não confirmaram casos são pequenas: Laranjal tem pouco mais de 6 mil habitantes e Cerro Branco, 4 mil. A paranaense não tem hospital, então, medidas sanitárias foram reforçadas nas entradas do município. Já a cidade gaúcha fica na zona rural do estado. Agentes de saúde, carros de som e uma rádio orientam a população local sobre o vírus.

 

Em Minas Gerais, um exemplo é a turística São Thomé das Letras, que proibiu visitantes desde março. De acordo com a publicação, a prefeitura também instalou barreiras sanitárias, que funcionam 24 horas por dias, nas entradas do município. 

 

Na Bahia, todos as 417 cidades já confirmaram moradores infectados com a Covid-19. A última foi Novo Horizonte, que entrou para a lista em meados de setembro (veja aqui).

Casos de covid-19 devem permanecer altos no verão, segundo Fiocruz
Foto: Reprodução / Sesab

O número de mortes por Covid-19 pode permanecer alto nos próximos meses, caso o cenário atual permaneça, de acordo com a edição especial do Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada hoje (16). O estudo mostra que apesar da leve tendência de queda desde setembro, o país ainda está em patamar elevado de casos e óbitos.

 

O Boletim mostra que a curva da evolução de casos e óbitos por covid-19 no Brasil apresentou, desde o início da pandemia, um padrão diferente de outros países. Enquanto em países europeus, por exemplo, o número de casos subiu rapidamente e, após atingir um pico, caiu vertiginosamente - agora, a região passa por uma segunda onda de contaminação - no Brasil, a subida foi mais lenta e a descida também está sendo, de acordo com o vice-diretor do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, Christovam Barcellos.

 

“O que não significa que estamos livres da pandemia, ela tende a diminuir em direção ao verão, mas ainda com número muito alto”, diz Barcellos. “A Europa está começando a viver o inverno. Nós vamos começar a viver o verão, com números caindo, o que significa talvez que a transmissão da covid-19 terá um pouco tendência sazonal: vai ser mais intensa no inverno, como todas as gripes, e menos intensa no verão”, diz, segundo a Agência Brasil. 

 

De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrava, até ontem (15), mais de 5,1 milhões de casos confirmados e 152 mil mortes por covid-19. “A permanência da pandemia nos próximos meses pode acrescentar algumas dezenas de milhares de novos óbitos no país”, diz o Boletim da Fiocruz. 

 

Barcellos ressalta que ainda não é possível descuidar das medidas de combate ao vírus. “Muita gente tem que sair de casa, seja para trabalhar, fazer compras, encontrar amigos. Devem, de qualquer maneira, evitar aglomerações. Estudos têm mostrado que situações que têm muita transmissão são lugares fechados, pessoas muito próximas, sem máscara”, diz. 

 

O sistema de saúde também deve seguir alerta. “Tem que manter alguns leitos disponíveis nos hospitais e reforçar o que chamamos de atenção primária de saúde, reforçar a estratégia de saúde da família, clínica da família e vigilância em saúde, fazendo testes, identificando as pessoas com os sintomas iniciais”, acrescenta. 

 

O estudo destaca a necessidade do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e diz que a avaliação da capacidade instalada no país para atender pacientes graves de covid-19 revelou as grandes desigualdades entre as regiões e a forte concentração de recursos voltados para o setor de saúde suplementar em áreas específicas.

 

De acordo com Barcellos, os cuidados não poderão ser abandonados nem mesmo quando houver uma vacina. “Existem diversas doenças circulando que têm vacina. Sarampo tem vacina, mas infelizmente tem surto localizado de sarampo, ou porque as pessoas não vacinaram ou porque vacina não funcionou 100%. Quase nenhuma vacina funciona 100%, toma e nunca mais vai adoecer, isso não existe em quase nenhuma vacina”, diz.

 

A vacina contra a covid-19, segundo a publicação, deve ser considerada uma estratégia adicional e não ser entendida como única solução para o enfrentamento da pandemia. É importante ainda o acesso universal à ela.

 

O boletim mostra que a maioria das vítimas da covid-19 são os idosos, que representam 53,1% do total de casos e 75,2% dos óbitos até o início deste mês, de acordo com dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). 

 

O impacto da pandemia nas favelas é mais acentuado que em outras localidades. Os bairros com alta e altíssima concentração de favelas apresentam maior letalidade, 19,47%, o dobro em relação aos bairros considerados sem favelas, onde a letalidade do vírus é 9,23%. 

 

Os dados mostram ainda que negros morrem mais que brancos, eles representam 48,2% das mortes por covid-19, enquanto os brancos representam 31,12%. 

 

Os povos indígenas são, de acordo com o boletim, particularmente vulneráveis à covid-19 e às suas graves consequências, devido a fatores históricos e socioeconômicos.  A taxa da mortalidade entre indígenas, dependendo da faixa etária, chega a ser até 150% maior do que a de não indígenas.

 

Segundo dados disponibilizados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) as taxas de mortalidade por covid-19 são progressivamente mais elevadas a partir dos 50 anos nos indígenas, em comparação à população geral. “Tal evidência alerta para os trágicos impactos socioculturais da pandemia, visto que os indivíduos de mais idade são os guardiões dos conhecimentos tradicionais, línguas e da memória das lutas históricas desses povos”, diz o estudo.

 

A edição especial do Boletim Observatório Covid-19 Fiocruz, disponível na internet, traz uma análise dos mais de seis meses da pandemia. O estudo, que foi realizado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Fiocruz, abrange os principais aspectos relacionados à covid-19, sejam esses sociais, econômicos, estruturais ou epidemiológicos. 

Sexta, 16 de Outubro de 2020 - 21:40

Doria diz que vacina Coronavac será obrigatória em SP e que testes terminam no fim de semana

por Eduardo Cucolo | Folhapress

Doria diz que vacina Coronavac será obrigatória em SP e que testes terminam no fim de semana
Foto: Divulgação

O governador João Doria (PSDB-SP) afirmou que a vacinação contra o novo coronavírus em São Paulo será obrigatória, exceto para pessoas que apresentem alguma restrição avalizada por um médico.

Uma lei de fevereiro deste ano, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), prevê a possibilidade de realização compulsória da imunização, ainda que recentemente ele tenha dito que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina" contra a Covid-19.

Doria disse também que a terceira fase de testes da vacina Coronavac contra o novo coronavírus será concluída neste fim de semana e que vai se reunir na próxima quarta-feira (21) com representantes da área de saúde do governo federal para apresentar os dados e tentar garantir a disponibilidade dela para todos os brasileiros.

O governador afirmou ainda que, por parte de São Paulo, não haverá politização em relação à vacina e que espera a mesma postura por parte de Jair Bolsonaro, que foi nominalmente citado e criticado pelo governador por sua ação durante a pandemia.

"Não é razoável imaginar que o governo [federal] vá colocar ideologia ou visão partidária ou eleitoral acima daquilo que salva vidas", disse Doria.

O governador disse que vai se reunir com o ministro da Saúde e com o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na próxima quarta-feira.

"São Paulo entende que a vacina é do Brasil, um bem dos brasileiros. Será que, agora que tem a vacina, o governo federal vai negá-la aos brasileiros que precisam? No que depender do governo de São Paulo, não, mas vamos ao entendimento no dia 21, com o ministro e com a Anvisa, conscientes de que lá estão pessoas também conscientes e que terão visão republicana, científica e técnica nesse assunto e não vão politizar a vacina e nem fazer a guerra da vacina."

Segundo o governador, o acompanhamento da testagem nesta terceira fase pelo Instituto Butantan é feito simultaneamente pela Anvisa e um resumo desse relatório será entregue pelo presidente do instituto na segunda-feira (20) à agência.

"Hoje, a Anvisa tem todos os dados disponíveis da testagem que está sendo feita em sete estados brasileiros. Até aqui, sem nenhuma colateralidade", disse o governador durante o lançamento, sexta-feira (16), do Plano de Retomada Econômica 2021/2022 para o estado.

A Coronavac, imunizante contra a Covid-19 criado pela chinesa Sinovac e que será produzida em conjunto no Brasil pelo Instituto Butantan, mostrou-se segura em seu teste da chamada fase 3 (a última antes da aprovação) em 50 mil voluntários na China.

A Sinovac testa seu imunizante em dez países, e a vacina já foi aprovada para vacinação emergencial no seu país de origem. No Brasil, 5.600 dos 9.000 voluntários em 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal já receberam ao menos uma dose da vacina.

Se a Coronavac se provar eficaz, São Paulo vai protocolar na Anvisa um pedido para liberação emergencial da campanha de vacinação.

Sexta, 16 de Outubro de 2020 - 21:00

Feira de Santana: Tomba e SIM lideram lista de bairros com mais casos de Covid-19

por Lula Bonfim

Feira de Santana: Tomba e SIM lideram lista de bairros com mais casos de Covid-19
Tomba | Foto: Reprodução / Sky Scraper City

Os bairros do Tomba e do SIM lideram a lista de localidades de Feira de Santana com mais casos confirmados da Covid-19, com mais de 600 registros da doença cada um. Outros nove bairros superam a marca de 300 contaminados.

 

Inicialmente, o SIM, bairro de classes média e alta, liderava o ranking de localidades com mais casos de contaminação pelo novo coronavírus. Entretanto, com o avanço da pandemia, o popular Tomba o superou e mantém o topo da lista há alguns meses.

 

Atrás do Tomba, com 682 casos, e do SIM, com 662, o bairro da Mangabeira registra 468 contaminações, seguido Campo Limpo (397), Brasília (379), Papagaio (371) e Parque Ipê (356).

 

Ainda há os bairros de Santa Mônica (339), Jardim Cruzeiro (325), Conjunto Feira X (315) e Gabriela (307) com mais de 300 registros da doença, que já contaminou 11.113 moradores do município, levando 230 feirenses a óbito.

 

Confira aqui a lista completa dos bairros.

Sesab inicia desmobilização do Hospital Santa Clara; unidade é 3ª a passar pelo processo
Foto: Carol Garcia/GOVBA

Mais um hospital de campanha será desativado em Salvador. O Hospital Santa Clara, unidade dedicada ao atendimento de pacientes com a Covid-19, é mais um que encerrará as atividades até a próxima sexta-feira (23). A informação foi divulgada pela Secretaria da Saúde do estado (Sesab) através de nota publicada portal nesta sexta-feira (16).

 

A unidade é a terceira a passar pelo processo de desmobilização. O Hospital da Arena Fonte Nova encerrou suas atividades nesta sexta (leia aqui). E a prefeitura de Salvador começou o processo em uma das tendas do Hospital do Wet'n Wild (lembre aqui).

 

Assim como com a unidade da Arena Fonte Nova, a Sesab afirma que os itens como respiradores, tomógrafo computadorizado, aparelho de Raio-X, dentre outros, que estavam sendo utilizados no Hospital Santa Clara serão redistribuídos para a rede estadual. 

 

Após o procedimento de inventário dos equipamentos utilizados, o espaço passará por uma desinfecção terminal como medida de sanitização do ambiente. 

 

O edifício é objeto de requisição administrativa por parte do Governo do Estado, será devolvido ao proprietário. 

 

A unidade foi aberta no mês de maio e chegou a ter 59 leitos, sendo nove de terapia intensiva (UTI). A gestão era da Fundação Fabamed.  

 

Atualmente o hospital conta dez leitos clínicos e nove de UTI, permanecendo internados dez pacientes na enfermaria e seis na ala intensiva. “A desmobilização será gradativa, com a alta ou transferência dos pacientes”, explica o secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas.

 

A gestora da unidade destaca que foram atendidos 863 pacientes durante o período.

Estudantes da UFBA aderem a campanha de doação de sangue da Hemoba
Foto: Divulgação

Alunos das áreas de Saúde da Universidade Federal da Bahia (UFBA) começaram, nesta sexta-feira (16), uma campanha de sensibilização à doação de sangue, junto à Fundação Hemoba.

 

De acordo com a organização, as ações são parte das atividades propostas pelo professor Alex José Leite Torres, que ministra as aulas da disciplina Marcadores Sanguíneos Aplicados à Fisiologia dos Órgãos durante o Semestre Suplementar da universidade.

 

O contato foi feito pelo professor, com a ideia de estimular a doação voluntária de sangue durante a pandemia e incentivar os alunos a convidarem mais pessoas para a ação solidária.

 

Para facilitar o balanço das doações realizadas, a Hemoba gerou o código 0002, para que todos os candidatos que forem ao hemocentro motivados pela campanha informem o número antes da doação. Ao final, todos terão acesso à quantidade de pessoas mobilizadas.

 

A turma possui 189 estudantes, que têm como principal tarefa elaborar conteúdo nas redes sociais. Segundo Alex, a ideia é gerar o máximo de compartilhamento e tentar, através de perfis com mais seguidores, alcançar mais estudantes e sociedade civil.

 

Apesar de ser uma atividade que pontua para a matéria, não será obrigatória a doação dos alunos.

 

As doações em grupo precisam ser agendadas através do e-mail horamarcada@hemoba.ba.gov.br, com informações do nome do grupo e a quantidade de doadores. Após a confirmação do agendamento, cada grupo recebe um código personalizado para contabilizar o número de candidatos à doação que foram mobilizados e que compareceram ao hemocentro.

 

Vale lembrar que, para doar sangue, o voluntário deve estar em boas condições de saúde, sem sintomas virais, pesar mais de 50 quilos, estar bem alimentado e ter entre 16 e 69 anos incompletos. Menores de 18 anos precisam estar acompanhados de um responsável legal, e apresentar documento original com foto, emitido por órgão oficial e válido em todo o território nacional.

Bahia tem menor número de pacientes internados em UTIs Covid desde maio
Foto: Paula Fróes/GOVBA

O número de pacientes internados com Covid-19 em UTIs na Bahia chegou a 430 nesta sexta-feira (16), a menor contagem desde o mês de maio, segundo o boletim divulgado pela Secretaria da Saúde do estado (Sesab). 

 

A taxa de ocupação deste tipo de leito está em 47,88%.

 

A Bahia soma 7.267 mortos e 332.898 casos confirmados da infecção pelo coronavírus. Nas últimas 24 horas foram registrados 1.536 novos casos e 24 novas mortes. 

 

O estado possui 6.691 pacientes considerados casos ativos da Covid-19. 

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