Quarta, 16 de Outubro de 2019 - 17:00

USP desenvolve teste que identifica vírus da zika com maior precisão

por Reinaldo José Lopes | Folhapress

USP desenvolve teste que identifica vírus da zika com maior precisão
Foto: Reprodução/FioCruz

Um novo teste desenvolvido por pesquisadores da USP consegue identificar a infecção pelo vírus da zika com precisão sem precedentes, o que deve facilitar o trabalho de médicos e autoridades de saúde pública que ainda tentam entender os riscos trazidos pela doença.

"Até hoje, o maior problema para chegar a esse tipo de teste era a grande semelhança entre as proteínas do vírus da zika e as da dengue. Era muito difícil separar um do outro", explica o virologista Edison Luiz Durigon, pesquisador do ICB-USP (Instituto de Ciências Biomédicas da universidade) e um dos responsáveis pelo trabalho.

Para contornar o problema, a equipe conseguiu identificar um pedaço de uma das moléculas virais, a chamada NS1 (sigla de "proteína não estrutural 1"), que é suficientemente diferente de um vírus para o outro. Graças à escolha desse alvo, o teste tem tanto especificidade quanto sensibilidade de 92%. A especificidade de testes anteriores era de 75%.

Isso significa que o novo exame raramente produz falsos positivos (ou seja, não identifica a presença de outro vírus como sendo o da zika) e falsos negativos (isto é, não "deixa passar" o vírus da zika como se fosse outro causador de doenças).

O trabalho levou ao depósito de uma patente (ou seja, uma invenção, com direitos de propriedade intelectual garantidos) e ao licenciamento do teste para produção comercial pela empresa AdvaGen Biotech, de Itu (SP).

A comercialização dos kits com 96 testes cada um já foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Os pesquisadores calculam que o custo por pessoa fique em torno de R$ 30, o que viabilizaria o uso em grande escala no SUS.

Para obter a aprovação, o teste foi validado com mais de 3.000 mulheres --elas, com efeito, são o principal "público-alvo" da tecnologia, já que os efeitos mais graves da zika registrados até agora são a microcefalia (tamanho da cabeça e do cérebro menor que o normal) e outras anomalias severas no sistema nervoso de recém-nascidos cujas mães foram infectadas pelo vírus.

Tudo indica que o patógeno destrói as células que dão origem aos neurônios durante a gestação na mãe infectada, o que explica os problemas neurológicos nas crianças.

"Se uma gestante chega a um pronto-socorro com sintomas que lembram os da zika e faz esse teste, um resultado negativo já seria suficiente para deixá-la mais despreocupada", afirma Durigon.

Outra aplicação relevante da abordagem é no acompanhamento de populações como a do Nordeste, nas quais boa parte da população já foi infectada com um ou mesmo vários subtipos da dengue e que, portanto, oferece mais dificuldade na hora de determinar quem pegou zika pela primeira vez, já que os sintomas são bastante parecidos com os da dengue.

"Para um trabalho como esse, não existe nada que seja comparável em outros lugares do mundo", diz Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do ICB e membro da equipe de desenvolvimento do teste.

Assim como diversos outros testes do gênero, o sistema desenvolvido pelos pesquisadores depende de uma série de reações envolvendo anticorpos, moléculas produzidas pelo organismo como arma contra invasores.

Em pequenas cavidades de uma placa fica o fragmento de molécula específico do zika. Em seguida, os pesquisadores colocam amostras sanguíneas do paciente. Caso a pessoa tenha tido contato com o vírus zika, seu organismo terá produzido anticorpos contra ele, e esses anticorpos vão se ligar ao pedaço de molécula do vírus de modo específico.

No passo seguinte, a placa recebe anticorpos contra o primeiro anticorpo --sim, é estranho, mas isso existe. O importante nesse caso é que o segundo anticorpo se liga de forma específica ao primeiro, e a ele está acoplado uma enzima --grosso modo, uma tesoura molecular.

Finalmente, acrescenta-se uma última molécula, projetada para ser cortada pela enzima. Nessa reação, o conjunto muda de cor --caso, é claro, haja anticorpos contra o vírus no sangue.

Se esses anticorpos não estiverem ali, as várias lavagens da placa vão carregar todas as moléculas embora. O processo todo dura dez ou quinze minutos e pode ser totalmente automatizado.

A tendência é que os especialistas passem a entender melhor a dinâmica de espalhamento da zika entre a população. Há boas pistas de que a primeira onda da doença no país infectou milhões de pessoas, em tese deixando-as imunes à doença. "Isso pode inclusive ajudar a decidir se vale a pena investir numa vacina", diz Durigon.

A pesquisa contou com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Após mastectomia, mulheres viram modelos em exposição com renda revertida para HAM
Foto: Divulgação

Mulheres com histórias de vida marcadas pela luta contra o câncer de mama se tornaram modelos na exposição fotográfica que compõem o calendário de mulheres que passaram pela remoção parcial ou total da mama em decorrência do câncer, uma iniciativa do Grupo De Apoio À Mulher Mastectomizada (Gamma).

 

As fotografias foram feitas pelo fotógrafo Wilson Sena Militão, voluntário no Gamma que buscou retratar os sentimentos das mulheres na sua forma natural e verdadeira. Ele afirma que nas imagens traz um olhar fotográfico descontraído das "Garotas" que venceram o câncer e hoje são inspiração para mostrar a sociedade que “Existe Vida Após o Câncer”.

 

O calendário 2020 e a exposição serão lançados nesta sexta (18), às 19h, no 2° piso do Shopping Da Bahia em Salvador. As fotos ficarão disponíveis para visitação até 31 de outubro. O calendário estará à venda no balcão ao lado da exposição e toda a renda será revertida ao Hospital Aristides Maltez.

Augusto Aras participará de evento sobre Judicialização da Saúde em Salvador
Foto: STF

O procurador-geral da República, Augusto Aras, participará do 3º Congresso Baiano de Judicialização em Saúde. O evento é voltado para magistrados, defensores, promotores, operadores do Direito e médicos e ocorrerá nos dias 31 de outubro e 1º de novembro do. O encontro acontecerá no Auditório do Centro Médico do Hospital Aliança e é realizado pela Escola de Magistrados da Bahia (Emab), Fundação Maria Emilia, Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e Hospital Aliança. As inscrições seguem até o próximo dia 28. As vagas são limitadas.

 

A conferência de abertura do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) será sobre a “Judicialização da Saúde”, e a conferência de encerramento será feita por Augusto Aras. O evento ainda contará com a presença do presidente do TJ-BA, desembargador Gesivaldo Britto, e do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Augusto Ayres Britto. A apresentação dos conferencistas ficará a cargo do desembargador Mário Albiani Júnior, coordenador do Comitê Executivo Estadual do Fórum Nacional de Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

 

Ao longo dos dois dias do encontro acontecerão diversas palestras com variadas temáticas, com Raymundo Paraná (Hospital Aliança/UFBA), Luis Cláudio Correia (Hospital Aliança), Gonzalo Vecina Neto (USP), Ramiro Nóbrega Sant’ana (Defensor Público-DF), Emmanuel Fortes (CFM), juíza Federal Luciana da Veiga Oliveira (TRF-4), José Cechin (IESS), Alexandre Aragão (UERJ), Fábio Pereira (DP-BA), Eliana Cavalcante (DP-BA), além de vários debatedores. A moderação será feita pelo médico e advogado Joberto Moura Acioli, pelo representante da Associação Bahiana de Medicina Robson Moura e pelos advogados Rodrigo Accioly, Itana Viana e Tereza Dória, entre outros.

 

Durante o evento, acontecerá, às 16h do dia 31, o lançamento dos livros “Violação de direitos autorais e responsabilidade civil do provedor diante do marco civil da internet”, de autoria da advogada Christine Albiani; e “Decisões liminares na judicialização do direito à saúde pública”, de autoria do magistrado Sadraque Oliveira Rios. Clique aqui para fazer a inscrição.

Especialista em emagrecimento diz ser possível treinar corpo para não comer demais
Foto: Reprodução/ Greenpeace

A psicóloga britânica Helen McCarthy, especialista em emagrecimento e autora do livro How To Retrain Your Appetite (Como treinar o seu apetite, em tradução livre), aponta que para perder peso é preciso reconhecer a quantidade de comida que o seu corpo realmente precisa. Ou seja, comer o suficiente para controlar a fome sem praticar exageros.

 

O método do pêndulo do apetite, para medir a fome e a satisfação, é apresentado por Helen no livro. Quando o pêndulo está no zero significa que a fome é neutra. Conforme a fome bate, ele vai ficando negativo (-1, -2, -3, -4 e -5) e, quando comemos, ele volta a ficar positivo (1, 2, 3, 4 e 5).

 

Na avaliação da psicóloga, é comum que pessoas comam quando o pêndulo ainda está no zero, mas o ideal seria que a refeição fosse feita somente quando houvesse fome (o ideal seria -3, momento em que você está realmente com fome). Ele ainda chama a atenção para a importância da satisfação ser medida adequadamente. O nível ideal é o três, que indica “apenas cheio”, o que significa que você não está mais com fome, mas sente que o estômago não está totalmente cheio.

 

Reportagem da Veja destaca que a profissional ainda afirmou que no momento em as pessoas são capazes de reconhecer a satisfação alimentar, é possível evitar comer demais.

 

Segundo Helen, esse conhecimento e controle permite que as pessoas comam qualquer alimento sem ganhar peso. No entanto, pela falta de controle, muitos acabam comendo mais do que o corpo realmente precisa, levando ao acúmulo de gordura.

Ministério da Saúde estuda estratégias para produção nacional da pentavalente
Foto: Reprodução/ShutterStock

O Brasil estuda a possibilidade de começar a produzir a vacina pentavalente. De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é buscar uma medida sustentável para garantir o abastecimento da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS) e manter a população protegida contra doenças.

 

Para isso, representantes da pasta se reuniram, nesta segunda-feira (14), em Brasília, com representantes de laboratórios públicos nacionais com objetivo de traçar estratégias para produção nacional da vacina pentavalente. Atualmente, o Brasil não produz a vacina e compra de laboratórios internacionais.

 

Durante a reunião, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, ouviu técnicos dos laboratórios públicos Butantan, Bio-Manguinhos, Tecpar e Fiocruz e propôs ideias diante do problema da escassez de fornecedores internacionais para aquisição de vacina.

 

Wanderson defendeu a automatização da cadeia produtiva brasileira de soros e vacinas para que haja autonomia, sustentabilidade e para construir uma política de planejamento, expansão e monitoramento. “Um parque produtor forte representa um país forte. É necessário buscar medidas sustentáveis para garantir a oferta de vacinas no SUS e proteger a população contra doenças que podem ser evitadas com efetiva imunização”, destacou.

 

A Bahia tem enfrentado problema de desabastecimento da vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e hemófilo B. A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que recebe a imunização do Ministério da Saúde e repassa para as gestões municipais, reconhece um problema no recebimento de lotes do imunizante e atribui a responsabilidade ao governo federal (leia mais aqui).

Ministério da Saúde libera R$ 18 milhões às Obras Sociais Irmã Dulce
Foto: Divulgação

Em cerimônia no Palácio do Planalto, nesta tarde (15), o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, anunciou a liberação de R$ 18 milhões para o custeio de alta e média complexidade das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). Em seu pronunciamento, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) destacou os trabalhos da instituição, fundada em 1959 por Irmã Dulce, e que hoje é gerida por Maria Rota Lopes Pontes. Mandetta também referiu-se ao deputado federal Antonio Brito, presidente da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados, presente na cerimônia, como importante representação do parlamento para o setor filantrópico e, em especial, às Obras Sociais Irmã Dulce, representada no evento por Sergio Lopes.
 

Em meio a ações para reduzir acidentes na BA, secretários lamentam suspensão de radares
Foto: Reprodução / Jornal NH

As discussões em torno do combate aos acidentes de trânsito não deixam de passar pela decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de suspender os radares móveis das rodovias federais. Anunciada em agosto, a medida visa evitar o "desvirtuamento do caráter educativo" e "a utilização meramente arrecadatória dos aparelhos", de acordo com justificativa apresentada pelo próprio governo.

 

Para o secretário de Saúde da Bahia (Sesab), Fábio Vilas-Boas, que está à frente do Simpósio Internacional Trânsito Seguro (saiba mais aqui), a suspensão é "lamentável". Dados apresentados pela pasta indicam que, de 2009 a 2018, foram registradas 24.479 mortes por acidentes de trânsito no estado e que, além disso, cerca de 40% das internações hospitalares na Bahia são fruto de ocorrências do tipo.

 

"É lamentável que se reduza o número de radares nas rodovias federais. Isso está indo na contramão do movimento que existe na área da saúde, de buscar reduzir a quantidade de acidentes", ressalta o secretário em entrevista ao Bahia Notícias.

 

O mesmo foi repetido pelo titular da Secretaria de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti. Ao se apresentar no simpósio, realizado nesta terça-feira (15) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o secretário criticou as ações do governo no sentido de flexibilizar as regras de trânsito. Um exemplo citado por ele foi o projeto de lei que visa extinguir a multa para quem não usar a “cadeirinha” ao transportar crianças de até sete anos em carros de passeio.

 

"Eu fico preocupado com essas ações do governo federal", afirma. "Se o início [do processo] é educação, nós temos que ter uma atividade punitiva às pessoas que cometem infrações, mas, infelizmente a sociedade vê isso como uma 'indústria da multa'", lamenta.

 

De acordo com a representante da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) no evento, Kátia de Pinho, tanto nas rodovias federais quanto nas cidades, os radares são uma medida comprovadamente efetiva. Segundo ela, a Organização Mundial de Saúde (OMS) os avalia como "um instrumento importante da política nacional de segurança viárias".

 

Também da Opas, o assessor de Segurança Viária Victor Pavarino preferiu não tecer críticas à suspensão, pois "todas as decisões dos países membros são soberanas". Ainda assim, ele defendeu que os governantes repensem alternativas aos meios eletrônicos de fiscalização.

Terça, 15 de Outubro de 2019 - 17:20

Anvisa adia decisão sobre aval a plantio de Cannabis para uso medicinal

por Natália Cancian | Folhapress

Anvisa adia decisão sobre aval a plantio de Cannabis para uso medicinal
Foto: Reprodução/7RayMarketing

Após quase três horas de discussões, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) adiou nesta terça-feira (15) a votação sobre a proposta que libera o plantio de Cannabis no país para pesquisa e produção de medicamentos.

A medida ocorreu após pedido de vista de dois diretores: Fernando Mendes e Antônio Barra Torres. O primeiro pediu mais prazo para análise da proposta que prevê normas para registro de medicamentos à base de Cannabis.

Já Barra, que assumiu o cargo em agosto após ser indicado pelo governo Jair Bolsonaro, pediu vistas da proposta que liberaria o cultivo da planta por empresas.

Em geral, o prazo de vista é de duas sessões. Diretores, porém, podem solicitar mais prazo, mediante justificativa. Na prática, não há data para o debate ser retomado. O adiamento ocorreu após mais de três horas de debates nesta terça-feira (15). A decisão também ocorreu em meio a pressões do governo, que tem se posicionado contra a proposta.

Atualmente, o plantio de maconha é proibido no país. Desde 2006, no entanto, a lei 11.343 prevê a possibilidade de que a União autorize o plantio "para fins medicinais e científicos em local e prazo predeterminados e mediante fiscalização" -daí a tentativa da Anvisa em regular o tema.

Apresentada em junho, a proposta prevê que o aval ao plantio possa ser dado para empresas interessadas em pesquisa e produção de medicamentos, mediante cumprimento de regras de segurança.

Entre elas, está o cultivo em "casas de vegetação" fechadas e protegidas por sistema de dupla porta, com monitoramento por câmeras e acesso condicionado à biometria. O aval será condicionado à análise de antecedentes criminais de responsáveis técnicos.

A medida prevê ainda apresentação de planos de segurança para evitar desvios, inspeções periódicas e transporte de matéria-prima por meio de empresas especializadas. O cultivo doméstico permanece vetado.

Além das normas para plantio, a agência também avalia novas normas para acelerar a liberação de medicamentos à base da Cannabis.

A ideia é que haja possibilidade de aceitar estudos ainda em andamento, desde que já apresentem resultados positivos em tratamentos e haja um plano de gerenciamento de riscos.

Em outra frente, a agência propõe facilitar a entrada no mercado de produtos específicos à base da planta. Neste caso, empresas poderão notificar a agência para oferta de produtos, os quais não serão avaliados pela agência, mas monitorados no mercado.

A responsabilidade pela qualidade do produtos, assim, seria da empresa, usuário e do médico prescritor.

Segundo a Anvisa, essa nova norma deve ser aplicada para produtos industrializados que contenham predominantemente o canabidiol, componente da Cannabis conhecido por ter efeitos terapêuticos e por não "dar barato". Será permitida, no entanto, que haja até 0,2% de THC, canabinóide que possui esse efeito. A composição é semelhante aos produtos hoje alvo da maioria dos pedidos de importação em outros países.

A proposta estabelece ainda que esses produtos tenham embalagem específica nas farmácias e façam parte de um sistema que permite a rastreabilidade da venda, da mesma forma que já ocorre para produtos controlados. A publicidade é vetada.

Desde 2015, a agência avalia pedidos de autorização para importação excepcional desses produtos por pacientes.

Nos últimos quatro anos, ao menos 7.785 pacientes tiveram esses pedidos autorizados. As doenças mais citadas nos laudos médicos são epilepsia, autismo, dor crônica, doença de Parkinson e transtornos ansiosos.

O custo alto, no entanto, faz com que muitos recorram ao cultivo clandestino ou a ações judiciais contra o SUS, o que levou a agência a apresentar a proposta.

Em voto de cerca de uma hora, o diretor-presidente da agência, William Dib, defendeu as medidas.

Emocionado, disse que há uma omissão do poder público para regulamentação da Cannabis para fins medicinais, o que, segundo ele, "afronta o direito constitucional à saúde".

Em seguida, apontou o aumento no número de pedidos de importação e ações judiciais como justificativa para a proposta.

"Sem insumo não há pesquisa, e sem pesquisa não há avanço. Os números favorecem compreender que há uma demanda real de prescrição sobre esses produtos. Esse pleito não pode ser entendido como uma excepcionalidade", disse.

O debate, porém, foi interrompido antes que outros diretores pudessem votar.

Parlamentares pressionam e familiares rebatem A audiência também foi marcada por embates entre parlamentares e apelos de representantes de pacientes.

Horas antes da reunião, uma faixa com a frase "Parem de perseguir familiares que cultivam Cannabis para produção de medicamentos" foi estendida em frente a sede da Anvisa, em Brasília.

A medida foi interpretada dentro da agência como um pedido das famílias para revisão das propostas, restritas à participação de empresas. E, também, como um apelo ao governo, que tem se declarado contra dar aval ao plantio no país e a favor apenas da importação de matéria-prima, como óleos a base de canabidiol.

O embate foi reforçado nesta terça pela participação, na reunião, de parlamentares favoráveis e contrários à proposta da Anvisa.

"Tenho ouvido tantas coisas, como que o uso de cannabis medicinal pode levar ao tráfico de drogas. Isso não é verdade", disse a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica e usa óleo à base de Cannabis.  "Se alguém disser que a maconha é a pior coisa que existe essa pessoa deve ter parado nos anos 1960."

"A senadora contemporizou. Maconha é uma droga pesadíssima. É a porta de entrada de outras drogas", disse o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), contrário à medida.

Para ele, há um "lobby poderosíssimo" para liberação da maconha no país por meio do aval ao uso medicinal.

Familiares de pacientes rebateram. "Pergunto para os senhores: quanto vale a vida da minha filha? Qual o preço da vida dela?", disse Norberto Fischer, pai de Anny, portadora de uma síndrome rara que gera convulsões.

Em 2014, a história dela ficou conhecida por meio do documentário Ilegal, o que impulsionou os debates sobre o uso medicinal da Cannabis. "Negar que as famílias tenham acesso a tratamento com canabinoides é ir contra o motivo da existência da Anvisa."

 Vitória da Conquista: Ônibus coletivo e micro-ônibus da Policlínica Regional colidem
Foto: Reprodução / Blog do Valente

Uma batida envolvendo dois veículos de transporte deixou o trânsito congestionado, na manhã de hoje (15), em Vitória da Conquista. O acidente aconteceu na Avenida Juracy Magalhães, próximo ao Gancho, quando um micro-ônibus de Policlínica Regional de Saúde que levava pacientes de Piripá colidiu com um ônibus da empresa Cidade Verde Transporte Rodoviário.

 

Conforme apurou o Blog do Anderson, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) esteve no local e perícias do Sistema Municipal de Trânsito vai indicar as causas da batida.

Unir educação, fiscalização e infraestrutura é essencial para redução de acidentes de trânsito
Vilas-Boas, Cavalcanti e Rodrigues | Foto: Ailma Teixeira / Bahia Notícias

A necessidade de uma maior integração entre órgãos de governo da administração municipal, estadual e federal no combate aos altos índices de acidentes de trânsito é reconhecida por diversos entes. Então, a fim de proporcionar esse encontro, o Simpósio Internacional Trânsito Seguro, organizado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), conta com a presença de representantes do Detran, Transalvador, Ministério da Saúde, Polícia Militar e outros órgãos.

 

Realizado no auditório jornalista Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o evento teve início por volta das 9h30 desta terça (15). No turno da manhã, a programação foi composta por palestras, abertas ao público. Já no turno da tarde, os membros das entidades participantes formam grupos de trabalho para sugerir propostas que serão adotadas pelo governo estadual.

 

Foto: Ailma Teixeira / Bahia Notícias

 

À frente do evento, o titular da Sesab, Fábio Vilas-Boas, explica que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) coordena as ações de curto prazo, que começam pela fiscalização e repressão das irregularidades, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) atua com as ações estruturais, como obras em estradas, para atingir efeitos no médio prazo, e a Secretaria de Educação (SEC) assume as medidas de longo prazo, que visam conscientizar crianças e adolescentes sobre o tema.

 

“Assim como a minha geração venceu o tabagismo, eu quero que essa geração vença os acidentes de trânsito”, ressalta o secretário de Saúde. Para tanto, ele adianta que será necessário incluir essa questão no Orçamento do governo para o próximo ano. Com isso, as pastas poderão ampliar os investimentos na aquisição de bafômetros e no pagamento de hora extra dos agentes que vão atuar nas blitzes, exemplifica.

 

Representante da Polícia Militar no evento, o tenente coronel Jarbas reforçou o plano. Para ele, a união entre essas secretarias também é essencial para reduzir as ocorrências de trânsito, já que elas englobam as bases que garantem a segurança viária. “Ela é sustentada num trinômio, que é a educação, o esforço legal, que envolve a questão dos órgãos de fiscalização e justiça, e a engenharia, que seria a infraestrutura”, analisa o militar. Jarbas ressalta que a PM já atua em parceria com órgãos como o Detran e a Seinfra.

 

PLANO ESTADUAL

As ações extraídas do simpósio vão compor um plano estadual para reduzir em 20% o número de mortes e lesões provocadas por acidentes de trânsito. O foco inicial será as ocorrências com motocicleta, já que elas representam quase 60% dos mais de 24 mil óbitos do tipo ocorridos na Bahia de 2009 a 2018. A meta da Sesab é, dentro de seis meses, já mensurar os primeiros resultados (saiba mais aqui).

Atenção Primária: 293 municípios de 17 estados já contam com gerentes credenciados
Foto: Reprodução/Cpaps

As Unidades de Saúde da Família (USF) passarão a contar com gerentes na Atenção Primária (APS). A previsão do Ministério da Saúde é de que esses profissionais administrem as unidades, garantindo maior organização do serviço e, com isso, maior acesso e qualificação do atendimento ao cidadão que procura o Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Os primeiros profissionais começaram a ser credenciados neste ano e, agora, já são 1.266 gerentes em 293 municípios de 17 estados. A Bahia conta com 6 agentes em dois municípios. Para apoiar a contratação desses profissionais, o Ministério da Saúde vai repassar aos municípios que já aderiram à iniciativa R$ 4,4 milhões ainda em 2019, podendo chegar a R$ 21,5 milhões a partir de 2020.

 

Segundo o secretário de Atenção Primária à Saúde, Erno Harzheim, a direção de cada unidade ficava a cargo de enfermeiros (as) ou médicos, que eram deslocados do atendimento ao cidadão na unidade para exercer atividades administrativas.

 

“A atuação do gerente é necessária para a rotina do atendimento nas unidades. As funções que serão atribuídas aos gerentes, por muitas vezes, eram realizadas por profissionais que integram as equipes assistenciais ou que tinham outras funções estratégicas na unidade. E, com isso, acabavam deixando seu posto para realizar outras tarefas. Agora, com o gerente, todos os profissionais de saúde poderão se dedicar plenamente à suas funções”, esclareceu.

Terça, 15 de Outubro de 2019 - 14:00

Secretário de Saúde diz que precisa ampliar investimento em bafômetro na Bahia

por Ailma Teixeira / João Brandão

Secretário de Saúde diz que precisa ampliar investimento em bafômetro na Bahia
Foto: Ailma Teixeira / Bahia Notícias

O secretário estadual de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, durante Simpósio Internacional Trânsito Seguro na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), nesta terça-feira (15), que o governo precisa investir mais em bafômetros para evitar acidentes de trânsito no estado.

“Preciso ampliar investimentos na aquisição de bafômetros, pagamento de hora extra dos polícias que vão atuar na blitz. Assim como a minha geração venceu o tabagismo, eu quero que essa geração vença os acidentes de trânsito”, disse.

Os acidentes de trânsito registrados na Bahia fizeram 24.479 vítimas fatais de 2009 a 2018. Desse total, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) indica que aproximadamente 60% das ocorrências foram com o uso de motocicletas (veja aqui).

SBC defende envolvimento de agentes de saúde para acelerar diagnóstico de câncer
Foto: Roberto Navarro/Alesp

A Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), acredita que envolvimento de agentes comunitários de saúde no fluxo de atendimento ao paciente pode reduzir o tempo para o diagnóstico de câncer e aumentar a sua chance de cura. A afirmação foi feita pela oncologista e vice-presidente da entidade Nise Yamaguchi, que defende a fila zero no atendimento ao câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Para a oncologista, o desafio é ter um sistema integrado e melhorar o fluxo da paciente ainda na atenção básica.

 

“Acontece muito, pacientes fazem mamografia, dão alteradíssimas, mas elas não voltam para pegar o exame e ninguém vai atrás. O sistema deveria acender a luz vermelha, a equipe deveria ligar, ir atrás da paciente, se já está começando a suspeita de câncer já pode entrar no sistema”, explicou. “Com a proatividade já se resolve”, ressaltou.

 

A SBC destacou que 90% dos cânceres de mama podem ser curados quando detectados em estágios iniciais. O diagnóstico precoce também permite tratamentos menos agressivos e maior possibilidade de preservação da mama, conforme reportagem da Agência Brasil.

 

À reportagem, Nise explica que é preciso também melhorar o fluxo de atendimento na saúde suplementar, de planos privados de saúde. “Falta ainda a consciência de como a paciente tem que navegar rapidamente dentro do sistema, das consultas, aos exames e tratamento”, disse, contando que já existe uma inciativa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre um modelo de cuidado em oncologia.

Terça, 15 de Outubro de 2019 - 09:50

São 'significativas' as ações de Salvador para reduzir violência no trânsito, diz ministério

por Ailma Teixeira / Rodrigo Daniel Silva

São 'significativas' as ações de Salvador para reduzir violência no trânsito, diz ministério
Foto: Ailma Teixeira / Bahia Notícias

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), Eduardo Macário, disse, nesta terça-feira (15), que Salvador tem adotado ações "bastante significativas" para reduzir a violência no trânsito. Segundo ele, a capital baiana diminuiu em 42% os acidentes – no geral, o Brasil ficou em 17%.

"Isso é bastante significativo. Mostra que ações integradas entre saúde, infraestrutura conseguem prevenir o acidente", afirmou Macário, em entrevista ao Bahia Notícias, durante Simpósio Internacional Trânsito Seguro na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). 

Macário se mostrou contra a retirada de radares de rodovias, como defende o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). "A questão da velocidade é um dos fatores que mais contribue para ocorrência de acidentes graves e fatais. As medidas devem ser tomadas para tentar reduzir a velocidade nas estradas e vias e para garantir a segurança. Qualquer tipo de medida contrária deve ser analisada e estudada", pontuou. 

Em visita ao Martagão Gesteira, Leo Prates promete tentar ajudar a conseguir repactuação
Foto: Divulgação

Durante visita ao Hospital Martagão Gesteira, o secretário de Saúde do município de Salvador, Leo Prates, prometeu trabalhar para ajudar a “conseguir uma repactuação da instituição com o Ministério da Saúde”. “Tudo que nós pudermos fazer de atuação política para ajudar o hospital nós faremos”, disse o secretário nesta segunda-feira (14).

 

O diretor-presidente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, mantenedora do Martagão Gesteira, Carlos Emanuel Melo, ressaltou a importância do encontro. “Estamos muito felizes com a visita do secretário. Ele vem ajudar num esforço que vem sendo feito pela recomposição do custeio do Martagão junto ao Ministério da Saúde”, frisou Melo.

 

Prates aproveitou a oportunidade para visitar as instalações do hospital, que é referência em pediatria na Bahia há 54 anos. “Ver o trabalho e para quem o Martagão trabalha é o mais importante. Trabalha para crianças em vulnerabilidade, com risco de morte. É muito feliz ver que o município de Salvador está apoiando um trabalho tão bonito e o que a gente puder ajudar e colaborar para melhorar e ampliar esse trabalho a gente vai fazer”, acrescentou.

Mortes no trânsito: Acidentes com motos são responsáveis por quase 60% dos casos na BA
Foto: Dict / Divulgação

Os acidentes de trânsito registrados na Bahia fizeram 24.479 vítimas fatais de 2009 a 2018. Desse total, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) indica que aproximadamente 60% das ocorrências foram com o uso de motocicletas. Por isso, o veículo sobre duas rodas será o tema principal do Simpósio Internacional Trânsito Seguro, que será realizado a partir das 8h30 desta terça-feira (15) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

 

Aberto ao público, o evento vai contar com a presença de palestrantes nacionais e internacionais, que vão debater estratégias para garantir a redução desses acidentes.

 

Titular da Sesab, o secretário Fábio Vilas-Boas explica que a atenção maior às motocicletas será feita porque as ocorrências com os demais veículos deixam menos sequelas. "O resultado de um acidente de moto costuma ser muito maior do que um acidente de carro, então nosso objetivo é reduzir a mortalidade e a gravidade deles inicialmente", adianta em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Como exemplo, o secretário pontua que, especialmente no interior baiano, se usa pouco capacete e os motociclistas usam sandálias de dedo para pilotar o veículo. "Aí quando tem um acidente, a primeira coisa que é lesionada é o pé. Com torção e a pessoa fica sequelada para sempre", exemplifica. Vilas-Boas cita ainda a indumentária do motociclista, "que precisa ser repensada", e as irregularidades, como veículos ilegais e motoristas sem habilitação.

 

Diante desse quadro, a pasta compreende que é necessário um esforço conjunto entre diversos órgãos da gestão estadual e também dos demais níveis da administração pública. Considerando apenas os impactos na área da saúde, os acidentes de trânsito no geral são a causa de cerca de 40% das internações hospitalares na Bahia. De 2015 para cá, a Sesab afirma que essas despesas consumiram R$ 50 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

"Além de ser um problema econômico, ele é um problema social porque nós estamos vendo uma geração se transformar em pessoas sequeladas. Nós já tínhamos pautado esse problema, inclusive nacionalmente. Estamos em discussão com o Congresso, a Câmara, para reescrever o Código Nacional de Trânsito e passar algumas medidas que irão ajudar a reduzir o volume, mas, enquanto isso não acontece, nós decidimos aqui no governo do estado adotar medidas com o objetivo de coibir esse excesso de acidentes", destaca.

 

A principal medida é a elaboração de um plano estadual, que visa reduzir em 20% as mortes e lesões por acidentes no trânsito. A ideia é integrar um pacote de medidas, ancorado nas ações prioritárias definidas pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) - gestão da velocidade; projeto e melhoria da infraestrutura; fiscalização do cumprimento das leis de trânsito; liderança na segurança no trânsito; normas de segurança veicular; e sobrevivência pós-acidente.

 

Esse plano, inclusive, é fruto da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, que se encerra em 2020. A meta para os países que compõem as Nações Unidas era reduzir a mortalidade no trânsito em 50%, mas a organização admite que essa meta está longe de ser cumprida.

 

"O máximo que a gente conseguiu, em nível global, foi estabilizar, mas isso está longe de ser uma notícia boa porque o número ainda é muito alto", reconhece Victor Pavarino, assessor de Segurança Viária da Opas. Um dos representantes da organização confirmados no seminário, ele ressalta que a realidade do Brasil não é muito diferente dos outros países. "Se a gente pensar nos últimos 10 anos, o país vem, sim, apresentando uma tendência de queda, mas isso está longe de ser satisfatório".

 

Com essa mesma avaliação em mente, o secretário Vilas-Boas pontua que estão sendo pensadas ações de curto, médio e longo prazo com o apoio de instâncias governamentais de saúde, segurança e educação para adotar múltiplas medidas. A expectativa é de, em seis meses, já poder mensurar os efeitos das ações imediatas.

Com um investimento de R$ 4,5 milhões, Ilhéus ganhará nova UPA tipo II
Foto: Ilustrativa/Camila Domingues/Palácio Piratini

Uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) será construída na cidade de Ilhéus, no sul do estado. De acordo com o governo da Bahia, a unidade contará com um investimento de R$ 4,5 milhões, sendo R$ 3,1 milhões financiados pelo Ministério da Saúde e R$ 1,4 milhão pelo tesouro estadual. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) construirá uma unidade tipo II. A licitação ocorrerá em até 60 dias e a confirmação do recurso ministerial foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de sexta-feira (11).

 

“Esta é uma janela de oportunidade única para reverter a deficiência crônica do seu sistema de saúde do município”, ressaltou o secretario de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas.

 

A UPA 24h tipo 2 tem capacidade para atender 250 pacientes por dia. A equipe é formada por mais de 100 profissionais, sendo pelo menos seis médicos por dia. A estrutura conta com raio-X, eletrocardiografia, pediatria, laboratório de exames e leitos de observação. Além disso, a unidade presta o primeiro atendimento aos casos de natureza cirúrgica e de trauma, estabilizando os pacientes e realizando a investigação diagnóstica inicial, de modo a definir, em todos os casos, a necessidade ou não de encaminhamento aos serviços hospitalares de maior complexidade. Nas localidades que contam com uma UPA, 97% dos casos são solucionados na própria unidade.

Epidermólise Bolhosa: Governo abre consulta pública para criação de protocolo de cuidados
Foto: Erasmo Salmão / Ascom MS

O Ministério da Saúde lançou consulta pública para a consolidação do Protocolo de Cuidados da Pessoa com Epidermólise Bolhosa (EB). A cerimônia contou com a presença do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro.

 

As contribuições começaram a ser recebidas no sábado (12) e a consulta segue aberta até 31 de outubro. De acordo com a pasta, toda a sociedade poderá contribuir com sugestões em relação ao texto do documento, que traz critérios para o diagnóstico, tratamento, acompanhamento e organiza a linha de cuidado dessa doença nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

A medida vem ao encontro do pleito de pacientes e familiares, que enfrentam dificuldades para ter o diagnóstico da doença, resultando na demora do início do tratamento, e maior sofrimento. A EB é uma doença de pele, não contagiosa e ainda sem cura. A pele extremamente frágil causa feridas que são muito doloridas e que podem ser comparadas com queimaduras de segundo grau.

 

“A enfermagem é a parte que mais manipula os curativos usados nas feridas desses pacientes, que está na ponta com essas crianças. Precisamos orientar esses profissionais, melhorar a capacidade de diagnóstico dos médicos. É profundamente importante que a sociedade participe dessa consulta pública para aperfeiçoarmos os cuidados para esses pacientes”, defendeu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

 

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença afeta cerca de 500 mil pessoas em todo o mundo. São 19 casos para cada um milhão de nascidos. No Brasil, a Associação DEBRA Brasil identificou 802 pacientes, sendo 45% crianças. A epidermólise bolhosa acomete tanto homens quantos mulheres e pode ocorrer em todas as faixas etárias. A doença genética rara é caracterizada por grande sensibilidade da pele. Qualquer traumatismo, ainda que leve, pode causar bolhas e deslocamento da pele. A dificuldade no diagnóstico, que acaba sendo tardio por ser confundida com outras doenças bolhadas, impossibilita que os pacientes recebam tratamento rápido, agravando as lesões.

Domingo, 13 de Outubro de 2019 - 17:40

Brasil tem 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva

Brasil tem 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva
Foto: Reprodução / Ouviclin

O Brasil possui 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo um estudo feito em conjunto pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda. Desse total, 2,3 milhões têm deficiência do tipo severa.

 

Outros detalhes apontam que a surdez atinge 54% de homens e 46% de mulheres. A predominância para o desenvolvimento da doença é a partir dos 60 anos. Apenas 9% dos deficientes nasceram com essa condição enquanto 91% a adquiriram ao longo da vida. Nesse último grupo, metade desenvolveu o problema antes dos 50 anos.

 

Entre os que apresentam a deficiência severa, 15% já nasceram surdos. Do total de pessoas pesquisadas, 87% não usam aparelhos auditivos.

 

“A deficiência auditiva é uma deficiência que se agrava com o passar dos anos. E como o Brasil está passando por um processo de envelhecimento da população, hoje já temos 59 milhões de brasileiros com mais de 50 anos e, em 2050, vamos chegar com mais de 98 milhões de brasileiros com mais de 50 anos de idade, essa é uma tendência que só vai crescer”, disse Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Preocupado com a causa, ele avalia que a "sociedade, claramente, não está preparada para isso".

 

Com isso, ele defende uma maior oferta de condições de inclusão para que pessoas com essa deficiência sejam cada vez mais integradas à sociedade. Atualmente, só 37% dos deficientes auditivos estão no mercado de trabalho.

Sem inauguração, postos de saúde em São Francisco do Conde estão abandonados
Unidade de Paramirim | Foto: Rafael Martins / Ag. A Tarde

Enquanto a população de São Francisco do Conde sofre com atendimento médico em locais precários e problemas na gestão do hospital municipal, dois Postos de Saúde da Família (PSF), um em Caípe de Cima, outro em Paramirim, estão com estrutura pronta, mas nunca foram inaugurados. Atualmente, as duas unidades estão rodeadas por mato e ocupadas por animais.

 

Diante desse quadro, os moradores dos povoados afirmam que o atendimento é realizado em dois imóveis menores, sem a estrutura adequada para um bom serviço médico.

 

Segundo reportagem do jornal A Tarde, que visitou os postos, eles começaram a ser construídos na gestão da prefeita Rilza Valentim (PT), que morreu em 2014. O atual prefeito, Evandro Almeida (PP), se limitou a justificar que as obras estão paralisadas por conta de processos judiciais, que "já estariam sendo resolvidos".

 

Já a secretária de Saúde da cidade, Eleuzinha Falcão, culpa as gestões anteriores pelos problemas. A gestão atual, ela explica, priorizou a entrega de outras unidades, situadas em áreas mais críticas Além disso, Eleuzinha disse que na última quarta-feira (9) assinou a licitação para a retomada da obra do posto de Paramirim, que deve ter a ordem de serviço publicada em breve. Por outro lado, a unidade de Caípe de Cima não tem data para ter suas obras retomadas.

Estudo indica que um em cada quatro adolescentes é dependente de internet
Foto: Reprodução / welivesecurity.com

Um levantamento feito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) indica que 25,3% dos adolescentes são dependentes moderados ou graves de internet. A pesquisa analisou mais de dois mil jovens de 15 a 19 anos de escolas públicas e privadas da região metropolitana de Vitória, capital capixaba.

 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, eles responderam a um questionário internacional, conhecido como Teste de Dependência de Internet, que é utilizado para verificar o vício digital.

 

Além de medir o tempo gasto com a mídia, a avaliação confere de que forma ela impacta na rotina, emoções e relacionamentos dos usuários. Para especialistas e pais de jovens diagnosticados com esse quadro, é justamente esse impacto o principal indicador de quando o uso da internet se torna um problema para o adolescente.

Saúde pode perder R$ 9,46 bilhões em 2020 com regra do teto de gastos
Foto: Agência Brasil

Criada pelo governo de Michel Temer em 2017, a regra do teto de gastos, que estabelece um limite para o crescimento do investimento do governo federal, poderá acarretar na perda de R$ 9,46 bilhões na área da Saúde, em 2020. A informação é de um levantamento realizado pelo G1 e confirmado pela Secretaria de Orçamento Federal, vinculada ao Ministério da Economia.


Segundo a publicação, na proposta orçamentária do próximo ano, encaminhada ao Congresso Nacional em agosto, o governo propôs um orçamento de com R$ 122,9 bilhões, o que ultrapassa em R$ 920 milhões do mínimo fixado pela regra do teto dos gastos, que equivale ao piso do ano anterior, corrigido pela inflação.


Pela regra anterior, o valor destinado à saúde em 2020 seria 15% da receita corrente líquida. Com isso, pela norma anterior ao teto, o piso deveria ser de R$ R$ 132,3 bilhões. De acordo com o levantamento, a diferença entre o valor que deveria ser aplicado pela regra anterior e o proposto pelo governo corresponde à possível perda para o próximo ano: R$ 9,46 bilhões.


Para que isso se confirme, o Congresso deve aprovar os valores propostos pelo governo. Para ampliar os gastos, entretanto, o Legislativo teria que cortar gastos em outros setores. "Isso fica cada vez mais difícil. Porque todas as áreas estão sofrendo contingenciamento [bloqueio] grande. Como estamos chegando perto do limite, tirar de uma área para colocar em outra fica cada vez mais uma não possibilidade", avaliou Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal.

Prefeitura anuncia investimento de R$ 660 mil para conclusão de obras de duas USF
Foto: Reprodução / TV Bahia

Duas unidades de saúde da família (USF) localizadas nos bairros do Engenho Velho de Brotas e de Fazenda Coutos, em Salvador, receberão investimento no total de R$ 660 mil para a conclusão de suas obras. A verba destinada à reforma dos espaços foi liberada após a assinatura de ordens de serviços feitas pelo secretário municipal da Saúde de Salvador Leo Prates, nesta sexta-feira (11). 

 

De acordo com o titular da pasta, será feito um acompanhamento de perto para que as duas obras sejam entregues num prazo de cinco meses, com base no caráter de urgência dado às antigas reivindicações da população. O prazo, vale salientar, foi definido pela empresa vencedora da licitação a G3 Polaris Serviços.

 

“Essas obras que estamos trazendo é um reflexo direto do trabalho de organização fiscal e financeira da prefeitura. Tivemos que relicitar essas obras por conta de problemas com repasses da Caixa, mas agora estamos investindo R$ 660,00 mil com recursos próprios. Vamos ficar no pé da empresa vencedora, e na observância, para que a população possa usufruir de toda a estrutura o quanto antes, garantindo qualidade e eficiência”, explicou Prates. 

 

Ao todo, as duas USF que serão reformadas irão somar 22 novos consultórios médicos 100% requalificados. Nas duas unidades, a população será contemplada com salas de espera, curativo e vacinas, farmácias, banheiros adaptados para deficientes físicos, além de uma estrutura administrativa. 

Com show de Gal Costa, IV Jantar do Bem do Martagão Gesteira inicia venda de ingressos
Foto: Divulgação

Foram iniciadas, neste sábado (12), a venda de ingressos para a quarta edição do Jantar do Bem, evento beneficente realizado pelo Hospital Martagão Gesteira. Com objetivo de arrecadar fundos para a instituição de saúde, a nova edição do projeto contará com shows de Gal Costa e Ju Moraes, gastronomia sob o comando da chef Tereza Paim, além da participação do poeta baiano Edgard Abbehusen.  

 

O IV Jantar do Bem, que será realizado no dia 11 de dezembro, a partir das 17h30, na Chácara Baluarte, no Santo Antônio Além do Carmo, tem ingressos custando R$ 450 e poderão ser adquiridos na Loja Social do Martagão Gesteira, através do telefone 71 3032-3773 ou pelo portal da Lojinha do Martagão (clique aqui). Vale também destacar que todos os profissionais envolvidos na música, poesia e gastronomia abriram mãos de seus cachês. 

 

Para cada pessoa será disponibilizado uma entrada, dois pratos principais, além de sobremesa e bebidas. Também será dado como recordação um prato estampado com poesia de Edgard Abbehusen e ilustração de Suzart. 


 
“O Jantar do Bem é muito mais do que uma ferramenta de captação de recursos para manter a missão do Martagão. É também um momento de celebrar a arte, a música e a gastronomia. E está de acordo com a proposta da nossa instituição que é cuidar do ser no todo. É impossível pensar somente no material”, disse Carlos Emanuel Melo, diretor-presidente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, mantenedora do Martagão Gesteira. 

 

O Hospital Martagão Gesteira será a primeira instituição na Bahia a realizar o procedimento de transplante de medula óssea em crianças de 0 a 14 anos. Todo o dinheiro arrecadado no evento será, então, destinado a este setor com o objetivo de cobrir as manutenções e custos operacionais no serviço.  

 

SERVIÇO:
O QUE: IV Jantar do Bem - Hospital Martagão Gesteira
ATRAÇÕES: Gal Costa, Ju Moraes | Poeta Edgard Abbehusen | Chef Tereza Paim
QUANDO: 11 de dezembro, a partir das 17h30
ONDE: Chácara Baluarte, Santo Antônio Além do Carmo
VALOR: R$ 450
VENDAS:
- Loja Social do Martagão Gesteira, Tororó
- Telefone: 71 3032-3773
- Portal da Lojinha do Martagão (clique aqui)

Polêmicas Contemporâneas reúne psicólogas para falar da perda e luto de entes queridos
Foto: Divulgação

A Universidade Federal da Bahia (UFBA), através da Faculdade de Educação (Faced), irá promover na próxima segunda-feira (14), às 19 horas, mais uma edição de debates no projeto Polêmicas Contemporâneas. Desta vez, psicólogas, psicanalistas, líderes e educadoras estarão reunidas para discutir o tema “Morte e luto no contemporâneo”. 

 

A temática estará centrada nas discussões sobre a perda de familiares que em diversos casos se deu por meio do contexto da violência. Para isto, foram convidadas a psicóloga e professora Suzane Bandeira Magalhães, a psicanalista Urania Tourinho, a diretora do grupo Tortura Nunca Mais Diva Tourinho, além da professora e mestre em psicologia Anamelia  Lins e Silva Franco e da defensora dos Direitos Humanos e coordenadora das Mães de Maio do Nordeste Rute Fiuza. 

 

Os debates vão acontecer na Escola Politécnica da UFBA, localizada no bairro da Federação. O evento, que é gratuito, será aberto ao público sem a necessidade de prévia inscrição e sem o pagamento de taxas. As discussões também poderão ser acompanhadas por transmissão ao vivo, que disponibilizada pelo canal oficial do projeto (clique aqui). 

Câncer de mama: Medicina se equilibra na linha tênue entre a cura e a autoestima da mulher
Foto: Resprodução/ShutterStock

O câncer de mama envolve uma série de questões delicadas, desde o diagnóstico até o tratamento. A relação entre o bem estar da paciente, através da autoestima, e a realização de cirurgia mutilante para a retirada de tumores é discussão frequentemente levantada na comunidade médica. “A gente tem que estar com uma mão na questão oncológica, ou seja, tirar o tumor com margem livre de doença, e do outro lado dar a melhor possibilidade de autoestima possível para a paciente”, ponderou o coordenador da mastologia do Hospital da Mulher, em Salvador, André Dias.

 

O médico explica que há casos em que existe a possibilidade de cirurgias menores, e a própria tecnologia tem permitido que isso aconteça. Nos casos em que se faz necessária a cirurgia mutilante, como a mastectomia, a lei garante às pacientes a reconstrução mamária. O procedimento só não é realizado quando existir contraindicação. “Essas duas linhas, cirurgia menos mutilante e quando mutilante reconstrução imediata, visam dar uma coisa que é extremamente importante para a paciente que é a satisfação, autoestima preservada, isso é indiscutível, no entanto não se pode negligenciar a doença oncológica em detrimento disto”, alertou o mastologista.

 

Durante todo o mês de outubro ficam em evidência vários aspectos relacionados à doença, principalmente a prevenção e diagnóstico precoce. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) nesta semana apontaram que o Brasil apresenta baixos índices de mortalidade em decorrência do câncer de mama em relação a outros países. O país tem uma taxa de 13 casos a cada 100 mil mulheres, índice próximo a países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá e Austrália, e superior à França e Reino Unido. Este fato foi comemorado por André Dias, que atribui o resultado a eficiência dos programas de rastreio.

 

“O sucesso de hoje, dessa redução de mortalidade, a gente crê que seja o efeito do sucesso do rastreamento, mas se a paciente de hoje deixar de fazer mamografia, no futuro nós podemos voltar a crescer os índices de mortalidade”, alertou o médico, que ainda relacionou os índices de realização de exames preventivos ao grau de instrução da população. “Dados mostraram que mais de 80% das pacientes que tem nível superior completo realizaram mamografia no Brasil, ao passo que apenas 50% das pacientes sem instrução ou com nível fundamental incompleto tinham realizado mamografia nos últimos dois anos”, embasou André Dias.

 

Ainda em relação a redução da mortalidade, o especialista listou três pilares que, segundo ele, fazem toda a diferença: prevenção primária, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. O primeiro diz respeito ao estilo de vida adotado pelas pessoas, que inclui dieta equilibrada, prática de exercícios físicos, redução do consumo de gorduras, evitar fumar e beber. O diagnóstico precoce se dá através de exames de rastreamento, principalmente a mamografia. O terceiro, como o próprio nome já diz, diz respeito ao acesso aos tratamentos e acompanhamentos adequados.

 

Apesar dos dados positivos quanto a mortalidade do câncer de mama no Brasil apontados pela pesquisa do Inca, os dados de incidência da doença no país tem crescido. A taxa é de 62,9 casos para cada 100 mil mulheres. Por isso, André Dias reforça a necessidade e importância de campanhas, de exames, e de conscientização da sociedade. “Já é comprovado que quando detectado precocemente o câncer tem chance de até 95% de cura, e a mamografia é imprescindível nesse  aspecto: a mamografia é o único método totalmente confiável e eficiente”, assegurou o especialista.

 

Na Bahia, o Hospital da Mulher é o centro para diagnóstico de alta resolução e tratamento de doenças localizado em Slavador. Ele é considerado o maior hospital especializado no atendimento à saúde da mulher do Norte-Nordeste e o segundo do Brasil. A unidade hospitalar recebe pacientes dos 416 municípios por meio de regulação, e conta com 136 leitos, sendo: 22 leitos no hospital dia, 10 leitos na clínica médica (geral e oncológica), 85 clinicas cirúrgicas e 10 UTI's.

Sábado, 12 de Outubro de 2019 - 00:00

Do diagnóstico à recidiva, marcadores tumorais auxiliam no tratamento do câncer

por Jade Coelho

Do diagnóstico à recidiva, marcadores tumorais auxiliam no tratamento do câncer
Foto: Reprodução/Banco da Saúde

Exames de laboratório têm adquirido importância progressivamente maior para diagnósticos e acompanhamento dos pacientes, e a tecnologia tem aperfeiçoado métodos e, consequentemente, o tratamento de doenças como o câncer. A explicação vem do farmacêutico bioquímico Claudio Brandão que atua há 30 anos na área.

 

“A tecnologia tem trabalhado para dar nova roupagem a exames tradicionais. Eles têm ganhado em precocidade e também melhorado a capacidade de acertar o diagnóstico. Tem estatísticas que indicam que mais de 70% das decisões médicas são baseados em exames de apoio”, explicou Brandão, que ainda citou o hemograma como exemplo. “O hemograma é um exame que não aponta para doença nenhuma, mas ele separa muito bem populações saudáveis de populações doentes”, alertou.

 

Entre os avanços que fortalecem e agregam às possibilidades de diagnóstico de doenças, principalmente dos cânceres, estão os marcadores tumorais. Claudio Brandão explica que eles são substâncias, proteínas e hormônios, que de acordo com os níveis detectados pelos exames de sangue podem indicar a existência de tumores. “Essas substâncias são produzidas normalmente pelo organismo, são comuns, ocorre que muitas vezes um tecido maligno se diferencia e ele começa a sintetizar uma quantidade maior dessas proteínas, e é a elevação que sinaliza ao médico o desenvolvimento de tumor em determinado tecido”, esclarece o especialista.

 

Os marcadores também permitem que os médicos acompanhem o tratamento de tumores. “Eles possibilitam diagnósticos, acompanhamento e indicação de recidivas”, assegurou Brandão. Para isso, a tecnologia conta com indicadores de alta especificidade e sensibilidade. Em relação à especificidade, o profissional explica que os marcadores deste tipo sozinhos apontam a doença. Quanto aos marcadores de sensibilidade apontam elevações e se levantam suspeitas sobre tumores.

 

Nesta semana, a falta de acesso aos exames do câncer de mama foi apontada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) como o grande problema para o diagnóstico precoce da doença (leia mais aqui). Nesse sentido, os exames e marcadores tumorais podem contribuir, conforme ressalta o farmacêutico.

 

Claudio alerta que os pedidos desses exames devem partir de médicos. Eles não devem ser usados pelos pacientes para autodiagnóstico. “Assim como não se recomenda a automedicação, a gente também não recomenda o pedido de exames com marcadores tumorais”, afirmou Brandão, sob justificativa de que o paciente pode ser leigo, não interpretar adequadamente os exames e se desestabilizar emocionalmente.

 

“O médico vai receber o paciente e analisar os sintomas. O que mostrará para o médico a necessidade dessa solicitação são os sinais que ele vai detectar a partir do que o paciente traz. Só um profissional tem habilitação e conhecimento para fazer esse tipo de abordagem”, orientou Brandão.

Sesab assina ordem de serviço para construção de Hospital do Câncer em Caetité
Foto: Reprodução / Sesab

O secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, assinou uma ordem de serviço nesta sexta-feira (10) para a construção do Hospital do Câncer em Caetité. A implantação do novo equipamento é fruto de um convênio assinado pelo governo estadual com a prefeitura de Caetité.

 

Conforme o responsável pela pasta da Saúde, o investimento é de R$3,1 milhões em obras e mais R$10 milhões em equipamentos. “Estamos investindo na regionalização da assistência oncológica, com novas unidades implantadas e em implantação nos municípios de Caetité, Vitória da Conquista, Juazeiro, Barreiras, Irecê, Porto Seguro e em Salvador, no Hospital da Mulher”, afirmou.

 

O hospital a ser instalado em Caetité terá 78 leitos, sendo 10 de terapia intensiva (UTI), e deve ofertar consultas e exames para acompanhamento, diagnóstico e o tratamento por cirurgia, oncologia clínica e cuidados paliativos para os pacientes, além de quimioterapia. Serviços de urgência e emergência oncológica também serão ofertados para pacientes cadastrados, bem como a oferta de hemoterapia.

 

“O Hospital do Câncer será a garantia de tratamento especializado aqui na região, acabando de uma vez com a necessidade de buscar tratamento na capital ou qualquer outra cidade”, reforçou o prefeito de Caetité, Aldo Gondim.

PRF prende motorista de ambulância com CNH falsa; ação foca em veículos de emergência
Foto: Reprodução / Agência PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu um condutor, por volta das 18h desta quinta-feira (10), em Senhor do Bonfim, por dirigir uma ambulância com documentação falsa. Foi constatado, em consulta aos sistemas, que ele não tinha CNH, o que confirmou a suspeita de falsidade documental.

 

O flagra, realizado por agentes no Km 117 da BR-407, faz parte da Operação Asclépio, que tem como foco a fiscalização de veículos de emergência em unidades policiais de todo o Brasil.

 

No caso de Senhor do Bonfim, o motorista, de 29 anos, foi conduzido até a delegacia da Polícia Civil local e deverá responder por uso documentação falsa.

Sexta, 11 de Outubro de 2019 - 17:00

'Quem tá errada é a lei e vamos desobedecer, sim', diz mãe sobre maconha medicinal

por Giovanna Reis | Folhapress

'Quem tá errada é a lei e vamos desobedecer, sim', diz mãe sobre maconha medicinal
Foto: Reprodução / G1

Em tributo aos cinco anos do lançamento de "Ilegal" —documentário sobre o uso medicinal da maconha—, líderes de associações, empresários filantropos e mães que já foram “traficantes” de Cannabis se reuniram na terça-feira (8) em São Paulo.

Dirigido por Tarso Araújo e Raphael Erichsen, o filme tenta sensibilizar os proibicionistas ao contar histórias de mães que só encontraram no óleo de canabidiol (CBD), extraído da planta da maconha, a solução para as incontáveis convulsões de seus filhos e filhas.

Ironicamente, a data do encontro coincidiu com o dia em que aconteceria a votação da nova regulação para cultivo e comercialização da Cannabis medicinal no Brasil —que por sua vez foi adiada pela Anvisa para a próxima terça (15).

Realizado no Civi-Co, espaço de coworking para negócios de impacto social, o evento foi introduzido por Patrícia Villela Marino, sócia e cofundadora do prédio.

Além da anfitriã, foram convidados a falar antes da exibição do filme os dois diretores e três importantes figuras da luta pela liberação do uso medicinal da maconha —Katiele Fischer, Margarete Brito e Cidinha Carvalho, todas mães de crianças que sofrem de síndromes que causam convulsões.

Para Patrícia, é importante se posicionar sobre um tema tão pertinente em um lugar como o Civi-Co, onde há liberdade de ideias e resistência à violência ideológica.

"Nós precisamos nos posicionar contra as grandes injustiças cometidas por leis feitas em gabinetes com ar-condicionado, por pessoas que não conhecem a realidade da família brasileira", afirma a presidente do Instituto Humanitas360.

A anfitriã da noite pediu também para que todos ali presentes ficassem atentos em relação às promessas e adiamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deixam os adeptos ao movimento e os pacientes que precisam do óleo "em um limbo obscuro".

O evento foi chamado de tributo para que os que lutam pela liberação não tomem como vencida a jornada que obteve avanços significativos nos últimos cinco anos, como a aprovação da regulamentação que permite que pacientes importem CBD.

No entanto, apesar das vitórias, ainda há muito o que conquistar neste momento talvez decisório, reconhece Patrícia Villela.

Entre as 35 famílias brasileiras autorizadas a cultivar maconha está a de Cidinha Carvalho, líder da Associação Cultive, cuja história não foi contada pelo filme. Ela se orgulha de tudo o que arriscou e fez para que sua filha, Clárian, tivesse mais qualidade de vida.

Diagnosticada aos dez anos com síndrome de Dravet, Clárian teve suas primeiras crises convulsivas aos cinco meses. Numa dessas, Cidinha quase perdeu a filha por uma parada cardiorrespiratória.

A menina andava com dificuldade, não pulava, não corria e nem mesmo transpirava. Com crises que duravam uma hora e aconteciam quase todos os dias, Clárian era frequentemente internada e chegou a passar 40 dias na UTI. "Eu não tinha vida social e nem ela, porque era quase impossível sair do hospital", conta a mãe.

Em meio às pesquisas por tratamentos que conseguissem gerar resultado positivo na vida de sua filha, Cidinha encontrou a Cannabis —ou melhor, o óleo de canabidiol (CBD).

Extraído da planta da maconha, o CBD não tem efeito psicotrópico. O que o óleo faz é acalmar a atividade química e elétrica na região que origina as convulsões, gerando resultados significativos a pacientes com síndromes como as de Clárian.

Em 2013, Cidinha importou o óleo de CBD por meio de um amigo e ficou encantada com os resultados quase que imediatos. Sua filha, que convulsionava diariamente, ficou 11 dias sem ter nenhuma crise logo após iniciar o remédio. Ela até passou a transpirar.

Foi aí que a mãe decidiu que cultivaria a maconha em sua casa e extrairia o óleo ali mesmo, ainda que sem autorização. Dois anos depois de iniciar o plantio, ela e o marido entraram com um processo na justiça para legalizar o que já estava sendo feito. A liminar foi dada no final de 2016, próximo ao Natal. "Foi o melhor presente que eu poderia ganhar."

Hoje, Clárian corre, sobe escadas e pula corda, tudo graças à Cannabis. As crises frequentes, que antes duravam horas, hoje aparecem uma ou duas vezes por mês, com convulsões que duram poucos minutos.

MAIS DO MESMO

Mas nem todos os pacientes que precisam do canabidiol conseguem a autorização para cultivo, o que levou o número de solicitações de importação a triplicar desde 2015.

Segundo a Anvisa, 3.613 pessoas solicitaram importação do CBD em 2018. O acesso, no entanto, continua restrito, tendo em vista o preço da importação para o tratamento de epilepsia: cerca de R$ 1 mil por mês.

Patrícia Villela ressalta sempre a importância de, ao liberar o uso medicinal da maconha, preservar o acesso econômico das famílias mais vulneráveis. Esse lembrete torna-se ainda mais importante quando há um mercado bilionário à espera da decisão da Anvisa.

"A descriminalização para o uso medicinal deve ser regulamentada de forma a dar às pessoas acesso à saúde, evitando que mães com menos recursos sejam dragadas pelo encarceramento em massa, porque existe um nexo entre essas duas coisas", aponta a ativista, premiada por levar programas de ressocialização e engajamento cidadão a penitenciárias femininas.

A presidente da Cultive concorda e acusa o projeto de lei da Anvisa de "apenas mais do mesmo". Para Cidinha, essa é uma proposta de regulamentação excludente, voltada apenas para o mercado e para a indústria farmacêutica.

"Vai continuar a maioria sem acesso, apenas a elite tendo acesso. Não é uma regulamentação que inclui. É apenas mais do mesmo, a única diferença é que não é mais importado, vai ser nacional, mas só para os que conseguirem ter acesso."

ILEGAL: AINDA

Embora muita coisa tenha mudado em relação ao uso medicinal da maconha desde 2014, ainda há muito a ser percorrido no caminho do combate ao preconceito.

A discussão da Anvisa é sobre liberar a compra de remédios oriundos da Cannabis no Brasil, mas foge da regulamentação do cultivo. Para Cidinha Carvalho, é essencial que o cultivo próprio seja descriminalizado, uma vez que cada caso é um caso e não há dosagem certa de maconha.

?Margarete Brito, outra mãe presente, chama a realidade proibicionista de muito cruel, que traz uma demonização do uso medicinal da maconha muito difícil de ser desconstruída. O jeito é se unir e acreditar que não está fazendo nada de errado.

"Você tem que acreditar, porque nós não estamos fazendo nada de errado. Quem tá errada é a lei, e por isso nós vamos desobedecer, sim", defende a mãe de Sofia, 9, que apresenta uma síndrome rara que gera convulsões.

Mesmo com o adiamento da votação da Anvisa, que já era esperado pelos participantes do encontro, os diretores de "Ilegal", Tarso Araújo e Raphael Erichsen, brincam sobre o nome de uma possível continuação do filme. "A gente até pensou em 'Ilegal: ainda'", ironiza Erichsen.

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