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Domingo, 31 de Janeiro de 2016 - 07:50

Coluna A Tarde: O condomínio Solaris

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O condomínio Solaris
Foto: Divulgação
A Operação Lava Jato focou suas investigações num condomínio em Guarujá, o Solaris, onde havia desconfiança de que a família do ex-presidente Lula era, ou é, possuidora de um apartamento tríplex. Não é fato novo. Já havia muitas especulações sobre tal condomínio envolvendo a mulher de Lula, Marisa Letícia, e os filhos do casal, também recaindo suspeitas sobre eles. A explosão do caso atraiu todas as atenções da mídia sobre o fundador do PT.

Volta e meia o círculo fecha sobre seus familiares, principalmente sobre os filhos. O próprio Lula respondia pessoalmente às acusações que lhe eram feitas, mas desta vez se valeu de um advogado porque não teria mesmo que ser sua a missão explicativa. A Lava Jato deve ter informações sólidas sobre o caso, é o que se imagina. Não é improvável que chegue ao ex-presidente. Seus dois períodos de comando da república foram marcados por sérios problemas entre os quais o “Mensalão”, que complicou o seu primeiro mandato. Dá-se conta de que a Polícia Federal tem em foco uma suspeita “de alto grau de titularidade dos imóveis”, o que parece possível.

As complicações para Lula pioraram na última sexta-feira quando, pela primeira vez, foram intimados ele e sua mulher para deporem no Ministério Público na “condição de investigados”, o que é muito diferente de “convidados”. Como a OAS aparece como proprietária do condomínio Solaris, o dono da empresa, Léo Pinheiro, assim como o engenheiro que teria reformado o tríplex, Igor Pontes, de igual modo foram intimados. Piorou ainda quando o promotor declarou que pretende oferecer denúncia à justiça contra Lula.

Observa-se que a cada manobra das investigações da operação centralizada no Paraná  a situação piora para o ex-presidente e para o próprio PT. A legenda já imagina realizar, no final de fevereiro, nos dias 26 ou 27, época do aniversário do partido, um ato de apoio e desagravo a Lula. As dificuldades do partido estão espraiadas. São numerosas. Não é apenas a complicada situação de Luiz Inácio, mas de maneira geral, os problemas que o Partido dos Trabalhadores enfrenta numa fase difícil que coloca em xeque o governo Dilma, envolvendo-o numa crise sem precedentes em relação à política e à economia do país.

O que mais parece é que o país caminha para o imponderável. Não há quaisquer sinais de melhora embora nesta semana que se findou a presidente resolveu reunir – o que não acontecia desde 2014 – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para discutir uma tentativa de reviravolta, principalmente com o uso dos bancos oficias para injetar 83 bilhões de reais em crédito diversificado em setores da economia que está completamente sufocada.

Pode ser que, a partir desta medida, haja uma melhora favorecendo o país de maneira geral. Por estar envolvida com a questão do impeachment, a presidente demorou demasiadamente para reunir o “Conselhão” e adotar providências de sorte a minorar a situação econômica. Espera-se que as suas decisões tenham respostas positivas, na medida em que perdeu todo o ano passado preocupada com a sua própria crise que estava centrada dentro do Palácio do Planalto.

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (31) do jornal A Tarde



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