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Domingo, 22 de Março de 2015 - 07:00

Coluna A TARDE: Momentos Incertos

por Samuel Celestino

Coluna A TARDE: Momentos Incertos
Dilma Rousseff deve estar dando graças aos santos por ter chegado ao fim a semana. Certamente jamais imaginou que mergulharia nas dificuldades e nas angustias que enfrentou. No isolamento do Palácio do Planalto assistiu a uma das maiores manifestações de rua que já ocorreu no País, tendo-a como o centro. E, pior, ver e sua popularidade desabar a níveis jamais imaginados, justo no terceiro mês do seu segundo governo, o que leva à presunção de um futuro difícil para a sua administração. Para completar, o País estarrecido assistiu a um desencontro entre o ministro da Educação, Cid Gomes, e praticamente toda a Câmara dos Deputados, segundo ele constituído de achacadores. Cid teria ido à Câmara, a pedido da presidente para se desculpar. Ao contrário, preferiu desencadear uma guerra congressual. Coisa de louco. Saiu de lá demitido, o que provavelmente já havia antes comunicado à presidente que deixaria o posto.
 
A crise que começou com a corrupção centralizada pela Petrobrás, empreiteiras e políticos, acabou por revelar que o País já estava com a sua economia cambaleante, atingindo diversos segmentos que tocam diretamente na população, especialmente a da baixa renda. De certa maneira o País como um todo. Nada que não seja do conhecimento.O início do segundo mandato de Dilma revelou também um PT, antes ornamentado por uma estrela vermelha reluzente, transformado num partido decadente, complicado, com fortes desentendimentos internos que atingem, inclusive, seu principal comandante-em-chefe, Luiz Inácio da Silva.
 
Com tamanho desconforto que nasceu na incapacidade de ação do Palácio do Planalto, o que vier a acontecer, mais adiante, por pior que se possa imaginar, não surpreenderá, porque o que também não era imaginado aconteceu na semana que passou. De presidencialista, dá-se a forte impressão que o Brasil transformou-se numa espécie de parlamentaristas às avessas sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ninguém se entende e não há à frente nenhuma perspectiva de que o quadro sofra transformação em curto prazo. Vivenciam-se momentos absolutamente incertos.
   
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O GOVERNADOR E O PREFEITO- I
 
O governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto afinal se encontraram para discutir questões administrativas da cidade. Pelo menos o encontro estava previsto até o fechamento desta coluna. A conversa ocorreu com a presunção de que seria longa. Portanto, ainda não havia informações precisas se Rui Costa e Neto passaram a se entender, de sorte que Salvador possa vir a mudar mais rapidamente a sua fisionomia e, de certo modo, a sua paisagem. É o que diz o governador.
 
Rui Costa e Neto desentenderam-se por questões vinculadas às administrações recíprocas. Basicamente envolvendo a liberação de alvarás para a realização de obras importantes, cujos recursos já estariam disponíveis. O principal deles, dentre outros, é a ampliação do metrô até Lauro de Freitas, cortando a Avenida Paralela, cujos trilhos, 40 mil deles, já se encontram à disposição do governo. O problema dos alvarás se vincula, a princípio, ao fato de o prefeito Neto não ter aprovado o projeto paisagístico da Paralela. Pelo projeto, o metrô cortará uma parte do ajardinamento central entre as duas pistas, utilizando o equivalente à largura de uma só pista de rolamento para veículos. No entrono dos trilhos e estações do metrô surgirá, segundo Rui, uma ampla arborização até o município vizinho. O canteiro central terá o ajardinamento refeito.
 
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O GOVERNADOR E O PREFEITO-II
 
A conversa não deve ter ficado somente na construção da segunda etapa do metrô até Lauro de Freitas. A agenda previa, a concessão também de alvarás para  o sistema VLT, a partir do subúrbio ferroviário até a Calçada. O projeto do governo prevê a remoção, com indenização, das casas próximas aos trilhos  antigos, abrindo-se uma ampla visão para a enseada da Ribeira, o que criará outro sítio turístico para a cidade.
 
Não só. Rui Costa disse que levaria para o encontro a recuperação do centro histórico de Salvador, também com recursos federais já disponíveis. Neste aspecto, o conflito (para a concessão do alvará e início da recuperação do sítio histórico)  vincula-se ao fato de o prefeito ACM Neto querer comandar o projeto e não deixá-lo sob o comando do governo do estado. Vale lembrar que o Centro histórico foi recuperado pelo então governador Antônio Carlos Magalhães e não pela Prefeitura Municipal de Salvador. Daí  mais uma razão do entrave também sustentado pela necessidade de recursos que o governo já disporia, oriundos do governo federal.

* Coluna publicada originalmente na edição deste domingo (22) do jornal A Tarde


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