Terça, 02 de Dezembro de 2014 - 07:40

Coluna A Tarde: O grito das ruas em 2015

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: O grito das ruas em 2015
Como fazer para punir parlamentares que se envolveram com a corrupção na Petrobras? Quem os levará ao cadafalso para cassar os mandatos de boa parte deles que tiveram envolvimento? Um exemplo que chega ao conhecimento é a situação do PP. O doleiro Alberto Youssef, protegido pela delação premiada, denunciou que no partido praticamente todos se envolveram, com exceção de apenas dois deputados. Como é do conhecimento, os três partidos mais lambuzados são o PT, o PMDB e o PP. Sobre os dois primeiros não se sabe ainda quantos parlamentares foram corrompidos ou corruptos já eram. Fica, assim, uma nuvem sobre a questão dos políticos, cujos nomes não foram ainda revelados, porque dependerá de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os corruptos que não têm mandato, integrantes de empreiteiras, ou aqueles que agiram à margem, sempre que denunciados seus nomes são divulgados. Menos os dos políticos que serão julgados pelo STF, por gozarem do benefício da imunidade parlamentar. Há um ditado no País que reclama: “Ou se restaura a moralidade ou locupletemo-nos todos”. Surgiu há algumas décadas, já não me recordo o nome do autor. Talvez Millor Fernandes, não sei. O ditado se presta ao que acontece na Operação Lava Jato. Se os mortais que não têm mandato os nomes citados, os deuses do Congresso ficam sob a proteção. Por quê? Pelo que se sabe, o foro privilegiado é para o julgamento deles e não para ocultar seus nomes.

O parágrafo anterior, crivado de interrogações, leva a outra questão que é a síntese do que está acima: se o PP está praticamente todo lambuzado, quem irá cassar os mandatos dos  corruptos para dizimar, numa só guilhotinada, os mandatos de quase um partido inteiro? Para a composição do Conselho de Ética do futuro Congresso já há disputa entre os parlamentares. Possivelmente interessados em colocar um manto de proteção sobre os colegas. Sabem o que virá por aí, quando os nomes dos parlamentares forem divulgados. Será uma extensa relação de senadores e deputados do PT, do PMDB, além de quase todo o PP.
   A nova realidade demonstra que 2015 será um ano que, além de trazer grandes dificuldades para o governo e para o País, produzirá intensas complicações políticas oriundas do maior escândalo de corrupção que chega ao conhecimento do Brasil. Se demorasse mais um pouco detonariam  a Petrobrás inteira. Os políticos procurarão formas de evitar cassações, mas é fato que se todos os envolvidos não ferem cassados, nenhum deles será.
    A população deste Brasil, já não tão varonil, certamente vai observar, atônita, o que se passa nos altos escalões republicanos e irá às ruas protestar com todas as forças contra a gatunagem.  Além do que foi dito acima, 2015 será também um ano de intensas manifestações nas ruas para derrubar os corruptos numa limpeza ampla do Congresso Nacional.  Se foi assim com os caras-pintadas que derrubaram Fernando Collor, ao exigir o impeachment, o que poderá acontecer para derrubar não apenas um, mas diversos parlamentares envolvidos na bandidagem?
   É mais uma pergunta que fica pedindo resposta que somente a teremos se houver uma imensa erupção de manifestantes que bem provavelmente tomará as ruas e praças das principais capitais brasileiras. O governo nada poderá fazer porque a ordem será a desordem. Portanto, o que se observa agora com as investigações da Operação Lava Jato não terá conseqüências neste ano que se finda, mas no próximo. Presumivelmente, serão muito mais fortes do que as manifestações contra Collor.
      De certo modo, isto poderá levar a presidente Dilma Rousseff a se afastar do Congresso, justo num ano que exigirá mudanças e dependerá das casas legislativas que só terão para oferecer ao povo e tentar silenciar as ruas  uma reforma política completa e imediata. É a única carta na manga que o Congresso dispõe. Mas a cassação será uma exigência pública.

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