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Terça, 08 de Abril de 2014 - 10:30

Coluna A Tarde: República Convulsionada

por Samuel Celestino

Coluna A Tarde: República Convulsionada
Enquanto por estas bandas se aguarda um desfecho da novela oposicionista, envolvendo o anúncio oficial da candidatura de Paulo Souto ao governo e uma definição sobre o futuro de Geddel Vieira Lima, o PT nacional esbarra em dificuldades diante da última pesquisa que aponta queda da presidente Dilma no projeto da reeleição. Mais: ela está em visível desamparo dentro do próprio PT. A presidente está quase sozinha. O PT baiano, pelo contrário, está tranquilo em relação ao processo sucessório, mas não foge do movimento “esvazia Dilma”. Estão todos a olhar para Lula esperando que ele se manifeste de forma clara sobre as circunstâncias que envolvem a presidente, ou se ele assumirá a candidatura.

Um exemplo claro foi possível observar na semana passada, quando o pré-candidato Rui Costa assumiu o seu mandato de deputado federal. A bancada baiana do PT e deputados aliados à base do governador Wagner fizeram uma homenagem ao pré-candidato, com direito a discursos dos líderes e de figuras ditas importantes. A homenagem foi para ele, Rui, e tão somente. Dilma não foi sequer lembrada. A não ser pelo ministro dos Transportes, César Borges, do PR, que a citou com elogios na medida em que é candidata à reeleição. O PT aposta que Lula pode surgir na esquina. Se acontecer o “volta Lula” terá que ser nos próximos 60 dias, porque o mês de junho está reservado, no calendário eleitoral, como época das convenções partidárias para oficializar suas chapas em todo o País. Então, é preciso que ele se defina.

Tempos confusos. O vice-presidente da Câmara, André Vargas, balança na corda bamba, envolvido em corrupção com o doleiro Alberto Youssef. É outro complicador que alcança em cheio PT. A imagem do deputado petista pelo Paraná está em todas as mídias, cada dia com uma novidade que o empurra mais um pouco para o lodo. Sem outra saída, o PT tomou uma decisão para tentar tirá-lo do noticiário, o que dificilmente ocorrerá: afastá-lo da cena do crime. A estratégia urdida o convenceu a se licenciar da Câmara dos Deputados por 60 dias, de sorte que seu retorno ocorra justo na época da  Copa do Mundo, o que desviaria, supostamente, as atenções do eleitorado. O parlamentar aceitou a proposta do seu partido e entregou o pedido de licença no início da tarde de ontem. 

Não se pode adiantar que a fuga dará certo. É bem provável que não. As provas contra André Vargas são desnorteantes, envolvendo ligações entre ele e o doleiro Youssef, sobre os “negócios” que intermediavam em ministérios, principalmente o da Saúde. O ponta de lança era o parlamentar. A oposição, porém, atenta, resolveu entrar junto à Câmara com um pedido de abertura de investigação no Conselho de Ética sobre quebra de decoro parlamentar, o que poderá levá-lo a ter o mandato cassado. Com a licença, ele se afasta da vice-presidência da Câmara. Sua situação fica mais grave na medida em que, em ano eleitoral, será difícil para o PT se expor em sua defesa. A imagem do partido ficará manchada. Se é que já não está.

Para completar o redemoinho por que se observa na República, a Folha de S.Paulo divulgou também ontem que nos últimos três anos a Petrobras, que está convulsionada, assinou contratos no valor de 90 bilhões sem licitação. A petroleira se apoia numa liminar dos anos 90, que permite este tipo de contratação, embora o TCU - Tribunal de Contas da União – seja contrário e mais de uma vez alertou a Petrobras sobre o seu desacordo.

Sem licitação, afasta-se a concorrência, e sem concorrência é difícil controlar os preços contidos nos contratos feitos. Mel puro, portanto, para a corrupção se instalar.


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