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População LGBT apontada por IBGE não representa fotografia do país, avalia GGB
Parada LGBT de Salvador, 2016 | Foto: Carol Garcia/GOVBA

Ao menos 1,8% da população brasileira adulta se declara enquanto bissexual ou homossexual. Pelo menos é o que dá conta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quarta-feira (25) seu primeiro levantamento com dados sobre orientação sexual no país (veja aqui). Interessante para o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis, a informação, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), é aquém do quantitativo real.

 

"Esses primeiros dados são fruto de uma cobrança do movimento do movimento LGBT para que o IBGE faça inclusão dessa informação sobre orientação sexual no Censo. É uma luta antiga. Infelizmente, o material apresentado não representa uma fotografia real do tecido da população LGBT brasileira", afirma Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

 

O levantamento, apesar de publicizado pelo IBGE nesta quarta, considera as informações contidas na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita em 2019. Na época, 108 mil domicílios foram visitados e questionários individuais foram aplicados.

 

A entidade presidida por Marcelo é ativa na elaboração de dados sobre a população LGBTQIA+ no Brasil, mas importante para entender o contexto demográfico avaliado pelo órgão federal. Sede do GGB, Salvador é, junto com Fortaleza (CE), a capital em que, proporcionalmente, menos pessoas se definiram enquanto homossexuais ou bissexuais.

 

Cerca de 35 mil soteropolitanos se identificaram oficialmente dentro do L, G ou B da sigla, de um total de 2,287 milhões de munícipes adultos. A Bahia, assim como o país, tem 1,8% da população declaradamente homo ou bi. No estado são 204 mil pessoas e no país 2,920 milhões.

 

Para o presidente, o resultado divulgado e a quantidade são reflexos de uma estrutura complexa. "O Brasil ainda é um país muito LGBTfóbico, preconceituoso. Esses dados, 2% não representam a diversidade da população brasileira. Acreditamos que existe muito mais", indicou Marcelo.

 

Segundo ele, um precedente razoável para o conjunto é os Estados Unidos, onde, em 1948, o sexólogo Alfred Kinsey publicou o relatório que recebe seu nome. De acordo com a pesquisa, àquela época, pelo menos 10% dos estadunidenses se identificavam como LGBTQIA+.

 

No seu entendimento, as políticas públicas que foram constituídas não voltam atrás, mas podem impactar na criação de outras. "Ele [o poder público] pode achar que 2% não representa um quantitativo importante para fazer algum tipo de política pública. Os dados servem para se criar políticas públicas. De habitação, de direitos humanos, de educação, de tudo isso", explicou.

 

O número de baianos que disseram não saber ou não quiseram responder os questionamentos sobre sexualidade foi de 418 mil pessoas (3,8%). Em Salvador, 1,9% dos adultos (em torno de 43 mil pessoas) preferiram não falar sobre o assunto durante a aferição do IBGE.

 

No ano em que o questionário foi aplicado, 94,4% dos adultos na Bahia, 96,6% em Salvador e 94,8% no Brasil se autoidentificavam como heterossexuais. As informações do instituto também revelam detalhes econômicos e educacionais de pessoas que se autoafirmam como gays, lésbicas ou bissexuais. A maioria dos que se consideram assim tem uma renda maior - 3,5% recebiam entre 3 e 5 salários mínimos - e um grau de instrução superior, considerando que 3,2% tiveram acesso ao nível de graduação.

 

A maioria dos que optaram por informar que faziam parte desta parcela da população era de pessoas com idade entre 18 e 29 anos (4,8%). Homens e mulheres declararam de forma parecida (1,9% e 1,8%, respectivamente). Assim como não há uma diferença significativa entre pessoas pardas (1,9%), pretas (1,9%) e brancas (1,8%).

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