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Setor de eventos é punido por 'excessos de maus gestores', diz diretor da Abrape-BA
Nei Ávila, diretor da Abrape-BA | Foto: Arquivo Pessoal

O diretor da Associação Brasileira de Promotores de Eventos na Bahia (Abrape-BA), Nei Ávila, afirmou que todo o setor de eventos no estado está sendo punido por causa da irresponsabilidade de alguns empresários do segmento, que não cumprem os protocolos de segurança. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele também reclamou da falta de diálogo com o governador Rui Costa (PT), que tem tomado decisões restritivas sem conversar com o empresariado.

 

“O setor de eventos foi o primeiro e único a exigir comprovante de vacinação nas portarias. Houve alguns excessos? Pode ter havido. Mas que se puna quem se excedeu. Não se puna todo um segmento porque um mau gestor de eventos fez uma festa fora dos protocolos. A gente lamenta a falta de diálogo e de coerência nas decisões, que poderiam até ser compartilhadas com a gente, sentado na mesa e discutido”, reclamou Nei Ávila.

 

No fim do ano passado, o setor de eventos da Bahia iniciou uma retomada de shows, na expectativa de ter um “verão normal” em 2022 depois de uma temporada perdida em 2021. Diversos eventos iniciaram venda de ingressos, com uma festa pensada para o limite de público de 5 mil pessoas.

 

Entretanto, com o aumento de casos da Covid após a chegada da variante ômicron, o governo do estado decidiu, no dia 10 de janeiro, reduzir o máximo de pessoas em eventos para 3 mil pessoas. Dez dias depois, Rui anunciou uma nova redução do limite de público, para 1,5 mil. As decisões pegaram o setor de eventos de surpresa e provocaram uma onda de cancelamentos de shows na Bahia.

 

“A posição da Abrape é de perplexidade porque não houve nenhum tipo de diálogo. Não só a Abrape, mas outras associações do segmento na Bahia têm pedido, há algum tempo, uma conversa com o governador, exatamente para alinhar protocolos. E nós somos, a todo momento, pegos abruptamente por decisões monocráticas referente a quantidade de público”, criticou o diretor da associação.

 

Para Nei Ávila, pela falta de diálogo com o setor, o governo do estado trata a questão com um certo preconceito, como se o funcionamento ou não dos negócios influenciasse apenas nos bolsos de empresários e artistas.

 

“Parece que o governo não consegue enxergar que não existe só ganho do empresário e do artista que está tocando. Existe uma cadeia produtiva muito longa, que se beneficia com todos esses eventos. São 54 tipos de trabalho, direta ou indiretamente, desde a pessoa da portaria, a pessoa da revista, a menina que vende as fichas, os baristas que entregam a cerveja, a senhorinha que limpa o banheiro, seguranças… Quando deixa de ter eventos, essas pessoas deixam de ganhar dinheiro, deixam de ter o seu prato cheio na mesa”, lamentou o empresário.

 

Nei Ávila ainda aproveitou para comemorar a eficácia da vacina contra a pandemia. De acordo com o diretor da Abrape-BA, a variante ômicron não tem sido tão letal porque a maioria da população já se vacinou. Então, segundo ele, apesar do número de contaminação ter aumentado, o número de mortes permanece estável.

 

“A gente vê no Brasil outros governadores e gestores flexibilizando muitas coisas, porque essa nova variante, por conta da vacina, não é tão letal. E o nosso segmento, como outro qualquer, precisa voltar a trabalhar, gera riqueza, empregos, posto de trabalho”, disse, antes de citar ainda os casos do Carnatal, em Natal-RN, e do rodeio de Jaguariúna-SP, que, de acordo com ele, não provocaram aumento no número de mortes por Covid nessas cidades.

 

O desentendimento entre o setor de eventos e o governo Rui Costa foi debatido no episódio desta sexta-feira (28) do podcast Terceiro Turno, do Bahia Notícias, que você pode conferir aqui.

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