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Quatro ministros fazem ao menos metade das viagens oficiais para redutos eleitorais
Foto: Pixabay

Cerca de 24% das viagens oficiais interestaduais feitas por ministros do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que devem se candidatar em 2022 têm como destino o próprio reduto eleitoral. Trata-se de uma média geral. Para quatro auxiliares diretos do titular do Planalto que sonham com uma vaga no próximo ano, a proporção é ainda maior: fizeram metade ou mais dos deslocamentos a trabalho para seus estados.

 

São eles: Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência Social), Tereza Cristina (Agricultura) e Ciro Nogueira (Casa Civil), segundo reportagem do portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias. 

 

A informação considera 10 dos 13 ministros que devem concorrer a algum cargo eletivo no próximo pleito. A sondagem não inclui os ministros da Justiça e da Segurança Pública, Anderson Torres (PSL), e da Secretaria de Governo (Segov), Flávia Arruda (PL), uma vez que o reduto eleitoral de ambos é o próprio Distrito Federal, onde trabalham; e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que pode pleitear um cargo ao Senado, mas não se sabe por qual estado.

 

O levantamento foi feito pelo Metrópoles junto ao Painel de Viagens, do Ministério da Economia. O sistema não inclui as viagens realizadas com aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em que não há o pagamento de diárias.
Treze dos 23 ministros do primeiro escalão do governo Bolsonaro devem concorrer a algum cargo eletivo nas próximas eleições, distribuídos em nove estados do país (veja abaixo quem são e quais cargos pleiteiam).

 

Há, no entanto, situações bem diferentes nesse grupo. O ministro da Ciência, Marcos Pontes, que estuda pleitear uma cadeira no Senado Federal por São Paulo, lidera a lista. Seis em cada 10 (59,1%) trechos percorridos por ele tiveram como destino o estado. Foram gastos R$ 24.967,01 com passagens e diárias dessas viagens. O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, por sua vez, foi apenas duas vezes ao Rio Grande do Norte, em 37 trajetos, o que significa 5,4% do total de deslocamentos.

 

Juntos, eles fizeram 245 viagens entre janeiro e setembro deste ano. Nesses afastamentos, foram percorridos 311 trechos entre as unidades federativas, com exceção do Distrito Federal – onde “moram” e trabalham os ministros. Uma mesma viagem pode ter dois ou mais destinos.

 

Desse total de trechos, 74 (23,8%) têm como destino o estado pelo qual o ministro deverá se candidatar no próximo ano.

 

Logo após Marcos Pontes, aparece na lista o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que foi ao Rio Grande do Sul oito vezes, em um total de 15 deslocamentos. Isso significa que mais da metade (53,3%) dos trajetos teve como destino o estado.

 

Em 2018, Onyx foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul, mas se afastou do cargo para virar uma espécie de “ministro coringa” do governo Bolsonaro. Ele já passou por quatro ministérios na atual gestão.

 

Os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina (DEM-MS), e da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), tiveram a metade dos trajetos como destino final os seus redutos eleitorais. Tereza Cristina foi oito vezes ao Mato Grosso do Sul em 2021, de um total de 16 viagens, e Ciro Nogueira foi duas vezes ao Piauí (de quatro deslocamentos). O senador foi nomeado ministro em 28 de julho deste ano.

 

A assessoria de imprensa da ministra Tereza Cristina pontuou, contudo, que dessas oito viagens, duas foram canceladas (entenda mais abaixo). A informação não consta no Painel de Viagens.

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