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Quinta, 07 de Janeiro de 2021 - 00:00

Bahia chega a 500 mil infectados pela Covid-19 e pandemia não dá sinais de trégua

por Matheus Caldas

Bahia chega a 500 mil infectados pela Covid-19 e pandemia não dá sinais de trégua
Arte: Priscila Melo / Bahia Notícias

Meio milhão de casos registrados de Covid-19 no estado: esta é a barreira que a Bahia ultrapassou nesta quarta-feira (6), de forma oficial, segundo o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) (leia mais aqui). A marca foi atingida, precisamente, 10 meses após o primeiro caso notificado no estado, no dia 6 de março de 2020, em Feira de Santana, quando uma mulher de 34 anos, vinda da Itália, testou positivo para o vírus.

 

São 10 meses de histórias interrompidas, embate entre a gestão estadual e o governo Bolsonaro e tentativas do poder público de conter, de forma fracassada, as aglomerações que disseminam um dos vírus mais perigosos da história da humanidade. Enquanto a pandemia segue fazendo vítimas, minando a economia e lotando leitos em todo o estado, a vacina ainda é uma incógnita e a crise não dá sinais de que vai embora tão cedo. 

 

Caso os infectados fossem colocados em uma única localidade, lotariam 415 dos 417 municípios do estado. Isto porque apenas duas cidades na Bahia possuem mais de 500 mil habitantes: Salvador, com 2.872.347, e Feira, com 614.872. Os números são alarmantes e significativos. Esta pandemia fica para a história da Bahia, do Brasil e do mundo. Abaixo, confira a linha do tempo histórica da crise do novo coronavírus no estado.

 

DO PRIMEIRO CASO AO FECHAMENTO DE TUDO
O primeiro caso confirmado oficialmente na Bahia aconteceu no dia 6 de março (leia mais aqui), 10 dias depois do primeiro registro do vírus no Brasil, em são Paulo, no dia 26 de fevereiro. O estado foi o quarto do país a notificar uma pessoa diagnosticada com a doença. Enquanto se espalhava pelo estado, o novo coronavírus começou a ser entendido de forma gradativa. Mas as polêmicas logo surgiram. No início de março, o casamento entre Marcelo Bezerra de Menezes e Marcella Minelli, irmã da influencer baiana Gabriela Pugliesi, causou o primeiro surto noticiado pela imprensa no estado (leia mais aqui). A festa aconteceu em Porto Seguro e, inicialmente, duas pessoas foram diagnosticadas.

 

Um dos infectados, provavelmente, foi o presidente do Grupo CVPAR, Cláudio Henrique do Vale Vieira (leia mais aqui). Mesmo ciente do diagnóstico pela Covid-19, ele largou o isolamento em São Paulo e veio de jatinho para Porto Seguro, onde participou de festas com amigos e contratou funcionários para ficar na sua casa após o teste positivo. Ele foi processado pelo governo da Bahia. 

 

Mas não foram só os assuntos na hight society que repercutiram. À medida em que o vírus foi se alastrando, o poder público precisou tomar medidas para freá-lo. Sem coordenação federal, o governo da Bahia e as prefeituras se viraram para tentar conter o vírus. À nível estadual, foi proibido o transporte intermunicipal. O governador Rui Costa (PT) também suspendeu as aulas presenciais, medida que segue valendo em todo o estado (leia mais aqui). 

 

Em Salvador, o ex-prefeito ACM Neto (DEM) determinou o fechamento do comércio, de shoppings e medidas restritivas em bairros da capital baiana, que passaram a ter mutirões de testagem e ações de desinfecção em espaços públicos (leia mais aqui). Detalhe: tudo o que foi escrito acima aconteceu apenas em março.

 

Ainda em março, aliás, a pandemia abreviou a resolução, mesmo que por ora, de um processo que se arrastava há anos na Justiça. Na ocasião, a Justiça autorizou ao governo do estado a concessão temporária do Hospital Espanhol, que estava abandonado, para se tornar um hospital referência no tratamento ao coronavírus (leia mais aqui).

 

IMPACTOS NA CULTURA E TURISMO
Para além da crise na saúde, o vírus se tornou um problema estrutural para todos os setores da sociedade. Ainda no final de março, o governador Rui Costa indicou que havia a possibilidade de o São João não ser realizado no estado, fato que acabou acontecendo e impactou grande parte da economia das cidades do interior do estado (leia mais aqui). Esta, aliás, foi a primeira vez nos últimos 60 anos que as festas juninas foram canceladas de forma mais ampla na Bahia. Isto teria acontecido apenas em 1961, com uma grande seca que atingiu o sertão nordestino (leia mais aqui).

 

Além do São João, foi adiado o futebol no país, posteriormente retomado, mas sem presença de público. Salvador, vale lembrar, recebeu as finais da Copa do Nordeste, que teve o Ceará como campeão em cima do Bahia (leia mais aqui). Tempos depois, outras festas acabaram adiadas. O Festival Virada Salvador chegou a ser anunciado, mas depois cancelado. O Carnaval de 2021 teve a edição suspensa e a festa momesca ainda não tem data para acontecer na capital baiana. O prefeito Bruno Reis (DEM) indicou que há a possibilidade que o evento aconteça em julho, organizado de forma conjunta com cidades como são Paulo e Rio de Janeiro.

 

POLÊMICAS 
Com o passar dos meses, as pressões para a reabertura do comércio foram aumentando pelos setores empresariais. Em maio, Salvador chegava a 10 mil casos confirmados da doença (leia mais aqui) - com as atividades comerciais suspensas – mas, em julho, o ex-prefeito de Itabuna, Fernando Gomes (PTC), radicalizou e afirmou, de máscara no queixo e tossindo, que iria abrir os estabelecimentos “morra quem morrer”, num momento de negação e minimização da doença - posteriormente, em dezembro, ele testou positivo para Covid-19.

 

Fernando Gomes, prefeito "morra quem morrer", repercutiu em todo o Brasil com sua frase

 

Ainda em julho, outro prefeito causou polêmica: Juscelino Souza, de Irará. No auge da pandemia, ele realizou uma festa de aniversário, com aglomeração, e causou revolta na população local (leia mais aqui). 

 

Em 2020, inclusive, houve uma série de notícias polêmicas envolvendo prefeitos, principalmente nas campanhas políticas visando as eleições (leia mais aqui). Em Salvador, houve descumprimentos a legislação de trânsito e das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) (leia mais aqui). Políticos e militantes desrespeitaram o isolamento e as medidas de controle sanitário, e promoveram aglomerações. Isto aconteceu também no interior do estado, antes e depois do resultado das urnas.

 

Após ser eleito, no entanto, o que mais causou discussões foi Jânio Natal (PL), de Porto Seguro. Mesmo antes de ser empossado, o ex-deputado garantiu que a cidade teria festas com aglomeração no Réveillon, o que gerou uma batalha judicial entre festas particulares, município e governo do estado (leia mais aqui). Mesmo a Justiça proibindo eventos comemorativos no município, foram registradas cenas de aglomeração e desrespeito. Jânio, aliás, se notabilizou por nomear como secretária de Saúde de Porto Seguro a médica Raíssa Soares, conhecida por ser defensora da cloroquina e apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) (leia mais aqui e aqui).

 

Falando em prefeito, alguns “pularam a fogueira” e só foram infectados após a campanha eleitoral. Foram os casos de Herzem Gusmão (MDB), de Vitória da Conquista, e Bruno Reis, de Salvador (leia mais aqui). O gestor soteropolitano ainda conseguiu se curar a tempo de ser empossado. O conquistense, contudo, segue internado e não teve a mesma sorte.

Eleições causaram cenas de aglomeração na Bahia

 

VÃO DEIXAR SAUDADE
Algumas personalidades baianas perderam a batalha contra a Covid-19 e deixaram o estado de luto nestes 10 meses de pandemia. Foi o caso do locutor e humorista Jotinha, 52, ícone do WhatsApp.  Ele faleceu no dia 10 de novembro por complicações da doença (leia mais aqui).

 

Antes dele, o funkeiro MC Dumel, de apenas 28 anos, foi a primeira figura pública na Bahia a falecer em decorrência do vírus, e ligou o sinal de alerta da população.

 

Também foram vítimas do coronavírus o ex-deputado Félix Mendonça, 92, o médico e cientista Elsimar Coutinho, 90, e a defensora dos direitos das pessoas com deficiência e fundadora da Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef), Maria Luiza Câmera, 76.

 

Jotinha foi uma das vítimas da Covid-19 | Foto: Divulgação

 

PROJEÇÕES IMPRECISAS

O secretário da Saúde do Estado (Sesab), Fábio Vilas-Boas, afirmou que não havia condições de estimar quando a Bahia atingiria a marca de 500 mil casos registrados. “É incalculável. Depende do momento em que a conta foi feita. Tivemos taxas de transmissão de 30% ao dia que evoluíram ao longo da pandemia para 15%, 10%, 5%, 3%, 2% e até 0,3% ao dia”, explica, em entrevista ao Bahia Notícias. Atualmente, a taxa está abaixo de 0,5%.

 

“Mas um fato é claro: a Bahia tem o sétimo mais baixo coeficiente de incidência e a segunda mais baixa taxa de mortalidade do país”, acrescenta.

 

E A VACINAÇÃO?
No atual momento da crise, as discussões que mais são veiculadas na imprensa são em relação à vacina contra o coronavírus. Nenhum estado iniciou a vacinação. A Bahia, no entanto, possui locais que estão trabalhando para imunizar a população. O estado fechou uma parceria com o governo da Rússia para receber 50 milhões de doses da Sputnik V. Este contingente pode ser comercializado para outros estados do Brasil.

 

Enquanto isto, Salvador planeja adquirir 103 mil doses da Coronavac, vacina do laboratório chinês Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan (leia mais aqui).

 

No interior, Itaberaba anunciou o acordo para adquirir 30 mil doses do imunizante (leia mais aqui). Amargosa também indicou um acordo com o governo de São Paulo para receber lotes da vacina (leia mais aqui). Amargosa também indicou um acordo com o governo de São Paulo para receber lotes da vacina (leia mais aqui).

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