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Após ser exonerada por ataques a repórter, oficial da PM comandará Batalhão no Rio
Foto: Reprodução / PMERJ

Após ser exonerada, nesta quarta-feira (9), do cargo de coordenadora de comunicação da Polícia Militar do Rio de Janeiro por promover ataques contra um jornalista, a tenente-coronel Gabryela Dantas vai assumir o comando do Batalhão da PM do Leblon, que fica na zona sul da capital fluminense.

 

Dantas publicou um vídeo nas redes sociais da corporação atacando um repórter do jornal O Globo e do Extra. Ele tinha acabado de fazer uma matéria sobre o aumento de descarte de munição por policiais que atuam no batalhão do 15º BPM, em Caxias, que é investigado pelas mortes de Emily e Rebecca santos. As irmãs, de quatro e sete anos, respectivamente, foram atingidas por um tiro de fuzil enquanto brincavam na porta de casa, na última sexta-feira (4), na cidade de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

 

Com a exoneração, determinada pelo governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, quem assumiu o lugar da tenente-coronel foi o major Ivan Blaz. O chefe do executivo fluminense inclusive se manifestou nas redes sociais sobre a decisão. "Confio no trabalho dos policiais que têm a nobre missão de servir e proteger. Todos os dias somos questionados e muitas vezes vítimas de acusações. Ainda assim, defendo o diálogo com a imprensa. O debate de ideias é importante, mas é preciso preservar e respeitar ambos os lados", escreveu.

 

O VÍDEO 

Após a publicação da reportagem, que usava dados oficiais da própria corporação, Gabryela Dantas afirmou que o trabalho jornalístico era "covarde e inescrupuloso", e citou o nome do repórter para incentivar o compartilhamento do vídeo.

 

A pronunciamento foi apagado das redes da PM na tarde desta terça-feira (8). A corporação divulgou uma nota esclarecendo que Dantas, "ao personalizar o descontentamento em um repórter, ultrapassou um limite que feriu o equilíbrio de sua atuação". A PM ainda afirmou que "reconhecemos o valor da liberdade de imprensa.

 

MANIFESTAÇÕES 

Alvo dos ataques, a Editora Globo, responsável pelo Extra e O Globo, também divulgou uma nota. ""Faz parte da prática jornalística diária lidar com críticas, contestações e pedidos de reparação de alguma informação. No entanto, a Editora Globo repudia os ataques feitos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, que, por meio de um vídeo oficial, classificou o repórter como inimigo da corporação e incentivou a população a divulgar o vídeo. Não é papel de uma instituição de Estado atacar pessoalmente um profissional nem incitar a população contra ele", comunicou.

 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que "incitar a população contra o jornalista mostra não só falta de respeito à liberdade de imprensa, mas claro objetivo de intimidar o repórter".

 

A Polícia militar nega que os policiais que estavam de plantão no dia das mortes de Emily e Rebeca tenham feito disparos. Entretanto, os fuzis e as pistolas que eles portavam foram apreendidos e enviados para a perícia, segundo o Uol. 

 

A MATÉRIA

A reportagem publicada pelo O Globo revela que a unidade investigada descartou 6.238 cartuchos de fuzil em outubro, número 75% maior do que em julho, quando 1.479 foram descartados.

 

O crescimento coincide com o aumento no número de mortes na região patrulhada pelo 15º BPM. Foram 179% mais mortes em outubro do que em junho, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou a suspensão de operações policiais em favelas durante a pandemia.

 

Testemunhas afirma que, no momento da morte das duas crianças, havia apenas policiais atirando na comunidade em Duque de Caxias. A tenente-coronel tinha se manifestado em programa de TV, afirmando que a PM sempre entra "de forma técnica, dentro da operacionalidade que o caso requeira, mas nós não entramos atirando". O caso segue em investigação. 

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