Safra abaixo do esperado provoca escassez de dendê na Bahia
Foto: Reprodução / Cerveja Black Princess

Essencial para a preparação do acarajé, do abará e moquecas tão comuns na Bahia, o azeite de dendê anda difícil de encontrar. Nas fábricas, por exemplo, ele já acabou. O que mantém a comercialização atualmente é o estoque.

 

Representante de uma das principais distribuidoras locais, a empresa Sabor Baiano, Marcos Parente esclareceu a situação. "O problema do azeite é que a produção regional foi muito abaixo do esperado. Já acabou. A gente está na entressafra, que só vai normalizar em meados de dezembro. E o outro ponto é que o azeite que vem do Pará, que também é um azeite de qualidade, está sendo exportado. São grandes empresas voltadas para a exportação. Em virtude do dólar, eles estão exportando. A gente está enfrentando a escassez e está chegando ao ponto de faltar. Só não chegou ao extremo porque ainda há um estoque, mas em breve vai faltar", disse Parente em entrevista ao jornal Correio.

 

A reportagem pontua que o consumo do produto reduziu bastante nos últimos meses diante da pandemia do novo coronavírus. Se fosse em outros tempos, o dendê restante já teria acabado.

 

Isso explica a alta dos preços dos produtos e atenua a crise já enfrentada pelas baianas de acarajé. Segundo o jornal, 80% das 2 mil profissionais que trabalham nas ruas estão paradas. "Justamente quando as baianas estão retornando, depois de quatro meses paradas, acontece mais esse problema. Um dos produtos mais importantes do acarajé subiu de preço dessa forma. As que conseguem comprar não vão conseguir repassar essa alta para os clientes. As pessoas estão sem dinheiro. Foi mais de 80% de aumento", lamentou Rita Santos, presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Beiju, Mingau e Similares (Abam).

 

De acordo com uma das fábricas de azeite, a safra caiu entre 20% e 30% em relação aos anos anteriores. Soma-se a isso, o período sem produção se estendeu.

 

Um terceiro fator apresentado pelo sócio proprietário da fabricante Ki Dendê, Cleiton Carlos Magalhães Luz, foi o aumento da compra do dendê para produção de biodiesel por parte da Petrobras. "Tanto que, quando ocorre entressafras maiores, a gente sustenta com azeite do Pará. Temos carretas para trazer o produto de lá. Mas aí entrou a Petrobras comprando milhares de toneladas para produzir biodiesel. Começou a comprar forte no Pará e também na Bahia", relatou. A garrafa de 5 litros de dendê que a empresa repassava por R$ 24, agora vale R$ 36.

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