Samu de São Paulo registra o dobro de óbitos em domicílio durante pandemia
Foto: Leon Rodrigues/Secom - São Paulo

O registro de mortes em domicílio está em número crescente na cidade de São Paulo. Os médicos do Samu, que trabalham na capital paulista, estão sendo responsáveis por emitir os atestados de óbito para as pessoas que estão falecendo em suas residências e relataram que além do aumento no número de óbitos, cerca de metade tinham sido diagnosticados como positivo para a Covid-19.

 

“Apenas no meu último plantão, dos sete atendimentos que fiz, quatro eram para atestar o óbito de pessoas que tinham sintomas compatíveis com os da Covid-19”, relatou Francis Fuji, diretor médico do Samu, para o jornal O Globo sobre seu plantão semanal no dia 11 de abril.

 

“Estamos vendo pessoas que apresentavam sintomas leves, que foram ao hospital e naquele momento não havia necessidade de atendimento, mas que perderam sua capacidade pulmonar muito rapidamente e vieram a óbito”, contou o médico. 

 

No período entre os dias 10 e 20 de abril, o Samu de São Paulo emitiu 120 atestados de óbito em residências. O número é praticamente o dobro de registros de antes da pandemia. Após o falecimento, a maioria dos  corpos não passaram por testes para o coronavírus, ainda que tivessem sintomas suspeitos. De acordo com os dados do O Globo, dentre os atestados desses dez dias analisados, apenas 20 tinham sintomas claros e foram testados para a doença. 

 

De acordo com os médicos do Samu, o sistema de atendimento, que já possuía problemas, está sobrecarregado e que os atestados em morte domiciliar fazem com que os atendimentos levem demandem mais tempo, já que a autópsia é verbal. “Se a vítima tiver sintomas muito característicos para a Covid-19, tudo bem, mas se são apenas alguns, prefiro colocar morte a esclarecer. Não tenho confiança em determinar a causa”, declarou médico que pediu anonimato para o veículo. 

 

Fuji explicou que a autópsia verbal é feita através de um questionário com mais de cem perguntas para os familiares da vítima que estavam próximos ou presentes antes do falecimento. “Até o início da pandemia nossa média era de 90 minutos. Agora dobrou e, quando temos atestado de óbito, passo às vezes duas ou três horas no local apenas preparando o corpo e fazendo a autópsia verbal”, explicou. 

 

A capital paulista já apresenta mais de 20 mil casos confirmados e mais de 1.600 mortes pela doença. Entre os dias 9 e 24 de abril, a média é que o número de falecimentos na cidade tenha aumentado em 173%, de acordo com o boletim epidemiológico da prefeitura de são Paulo.

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