Congresso e MPF recebem 1,1 milhão de assinaturas contra leilão de petróleo em Abrolhos
Foto: Reprodução / GreenMe

Um abaixo assinado com três petições contendo 1,1 milhão de assinaturas contra a inclusão de blocos localizados no entorno do Parque Nacional Marinhos dos Abrolhos, litoral sul da Bahia, serão entregues ao Congresso Nacional e ao Ministério Público Federal (MPF) na próxima quarta-feira (9).Essa é a 16ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

O ato visa pressionar pela retirada dos blocos que ficam na bacia Camamu-Almada, no entorno de Abrolhos - área com a mais rica biodiversidade do Atlântico Sul -, do leilão que acontecerá na quinta-feira (10). 

 

Os abaixo-assinados serão entregues pela autora de um deles - a ativista ambiental e defensora dos animais Tamires Felipe Alcântara - e por seis grandes organizações ambientais que formam a Conexão Abrolhos ao coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), ao presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados Rodrigo Agostinho (PSB-SP), a outros parlamentares e à 4ª Câmara do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF.  

 

“Nosso objetivo com essa ação é que a Agência Nacional do Petróleo, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama finalmente nos escutem e reconsiderem a decisão de leiloar os blocos de petróleo próximos ao Parque Marinho dos Abrolhos. Ou então que as empresas participantes da licitação coloquem o meio ambiente acima de qualquer outra questão e desistam de fazer parte disso. O que está acontecendo no litoral do Nordeste agora é um triste presságio do que pode acontecer em Abrolhos caso haja exploração de óleo na região. Ainda há tempo de impedir mais um desastre”, alerta a ativista Tamires, autora da maior petição com 980 mil assinaturas.

 

Além da preservação das mais de 1.300 espécies de animais do parque, outra preocupação da ativista é com as populações tradicionais formadas por indígenas, pescadores e quilombolas que dependem da exploração sustentável dos recursos naturais da área para sobreviver. “Esse número mostra que muita gente se importa com o que pode acontecer a Abrolhos e quer proteger a região”, comenta a jovem sobre a quantidade de apoiadores do abaixo-assinado. 

 

Além da campanha popular, outras formas de mobilização tentam pressionar pela retirada dos blocos do leilão. Os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por exemplo, movem uma ação na Justiça Federal, e o MPF propôs uma ação civil pública.  

 

“O argumento da ANP, de que o bloco de petróleo mais próximo de Abrolhos está a 300 km do santuário marinho, não é nada animador se formos levar em conta que a lama no rompimento da barragem de Mariana, em 2016, seguiu contaminando tudo que via pela frente por um trajeto de cerca de 600 km”, ressalta Rafael Sampaio, diretor-executivo da Change.org Brasil em referência à resposta que a ANP deu ao abaixo-assinado criado por Tamires.

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