Quinta, 31 de Maio de 2018 - 00:00

Impacto da greve foi mais institucional que financeiro e vai afetar PIB, avalia economista

por Guilherme Ferreira

Impacto da greve foi mais institucional que financeiro e vai afetar PIB, avalia economista
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

A greve nacional de caminhoneiros causou sérios problemas de desabastecimento no país, mas um dos impactos mais relevantes da paralisação é, ao menos num primeiro momento, pouco perceptível para a população. No entendimento do economista André Luzbel, a imagem do Brasil perante os investidores internacionais é o maior problema provocado pela mobilização dos trabalhadores. Segundo ele, o "fator surpresa" da greve e a falta de uma resposta rápida do governo federal resultaram em desconfiança no mercado estrangeiro. "O grande impacto dessa greve é mais institucional. A imagem do país, que já não está tão boa no mercado internacional, tende a dar uma balançada", alertou o economista da Bahia Partners em entrevista ao Bahia Notícias. "É difícil dizer em quanto tempo a gente se recupera, mas o impacto institucional foi muito maior que o financeiro", ressaltou. Ele avaliou que a paralisação também atrapalhou o ainda lento processo de recuperação da economia brasileira e inclusive o PIB do país deste ano pode ser impactado. "O Brasil vem passando por uma dificuldade de crescimento. A gente passou por uma recessão gravíssima, teve dois anos de PIB negativo e se esperava que esse ano o PIB ficaria algo em torno de 2% a 2,5%", comentou Luzbel, apontando que a retomada econômica deve ser ainda mais difícil. "Arrisco a dizer que o Brasil cresce em torno de 1,5% ou menos. Vai ser difícil superar isso em curto prazo", estimou. Após 10 dias, a greve dos caminhoneiros já dá sinais evidentes de enfraquecimento e o abastecimento de combustíveis e outras mercadorias já vem sendo normalizado no país. Nesta quarta-feira (30), por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) anunciaram que não há mais estradas bloqueadas no estado. Contudo, Luzbel acredita que o governo federal deveria ter tentado encerrar a mobilização mais cedo para minimizar o impacto da greve na economia. "Quando você é investidor, você busca não só segurança, mas também soluções mais rápidas. O que eu percebi ao longo desses últimos dias é que o governo demorou muito a responder", analisou.

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