Deputados cobram de Nilo fim da reeleição; Proposta que acaba com salário extra gera embate
Fotos: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias
A sessão desta terça-feira (22) na Assembleia Legislativa (AL-BA) teve uma votação tranquila dos projetos acordados entre oposição e governo (ver aqui e aqui), mas o clima esquentou quando foram discutidos os próximos textos que podem entrar na pauta da Casa. Matérias que ganharam força após as manifestações de junho para dar uma imagem positiva para a AL-BA podem ser – enfim – votados ainda este mês, embonha um deles conte com grande resistência dos políticos. A primeira trata do fim da reeleição para presidente da Assembleia (ver aqui) que, após a discussão em torno do orçamento impositivo (ver aqui), foi colocada em pauta pelo líder do PT Rosemberg Pinto. No quarto mandato no posto, Marcelo Nilo (PDT), depois de reafirmar que não será candidato a reeleição, prometeu colocar a proposta em análise na próxima semana. Ele pretende capitanear o texto como “um projeto da Mesa Diretora”. A ideia teve o apoio dos outros deputados, o que não aconteceu com a segunda redação, escrita por Álvaro Gomes (PCdoB). O próprio Nilo afirmou que a Casa deveria votar o fim dos salários extras que os parlamentares recebem em convocações extraordinárias, como durante o recesso parlamentar ou as férias dos políticos. Atualmente, eles recebem um salário quando iniciam a atividade e outro ao final, além do que já ganhariam no mês. Ou seja, quando a convocação extraordinária é feita, cada político recebe R$ 60 mil, fora as verbas de gabinete e outros benefícios.
 

 
Nem bem o pedetista colocou o tema em pauta, membros da base governista pediram “questão de ordem” e bradaram contra o texto do comunista Álvaro Gomes. “Acho o projeto extemporâneo e desnecessário. Não pode ser prioridade como os outros dois”, afirmou Paulo Rangel (PT), que ainda avaliou não se tratar de um assunto de relevância para a sociedade. “Tem trazido desgaste e não tem tido apoio da opinião pública”, completou o petista, que não ganhou o apoio do presidente da AL-BA. Nilo considerou o tema importante e bem avaliado entre os eleitores. Por outro lado, Sildevan Nóbrega (PRB) ficou ao lado dos insatisfeitos, assim como Alan Sanches (PSD), que cravou ser “contrário à tramitação”, ao utilizar as mesmas palavras de Rangel para o projeto: “extemporâneo e desnecessário”. Gomes se defendeu, após ser interpelado pelos colegas e também por Rosemberg, que ressaltou o número reduzido de convocações extraordinárias: apenas duas vezes nos últimos anos. O comunista voltou a afirmar que defende a medida desde 2003 (ver aqui) e destacou que a decisão de se a matéria deve ou não ser aprovada cabe à maioria dos 63 parlamentares. Nos bastidores ficou clara qual a real resistência que o texto enfrenta. No pé do ouvido, deputados governistas comentaram com colegas o verdadeiro motivo de não apoiarem o projeto. O Bahia Notícias flagrou parlamentares garantindo que preferem devolver os salários extras em vez de serem impedidos de receber a verba, para não “dar moral” a Álvaro Gomes. Uma das possibilidades é de que a medida seja aprovada para que todos fiquem “bem na fita” com a opinião pública, mas com autoria das bancadas e não de apenas um parlamentar. 

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