Base de Wagner cobra emendas de até R$ 600 mil e ameaça revolta; Secretários estão na mira
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
Publicamente a ordem é desmentir qualquer conflito, mas em conversas no cafezinho da Assembleia Legislativa os membros da base do governador Jaques Wagner (PT) só falam sobre a aproximação do fim de ano e das eleições sem a implantação das emendas parlamentares. Desde o início do atual mandato do chefe do Executivo baiano, a promessa era de que todos os deputados teriam direito a indicar, como é feito no Congresso, a realização de obras nas bases eleitorais. Somente no final do ano passado é que o acordo foi fechado e, segundo diversos parlamentares consultados pelo Bahia Notícias, ficou acordado um valor próximo de R$ 600 mil para cada um dos 63 deputados estaduais. Mas, até agora, o recurso não foi liberado e a lista de indicações das obras continua engavetada no gabinete da maioria na AL-BA. Em entrevista ao BN, o líder da bancada governista, Zé Neto (PT), negou a insatisfação e prometeu que o dinheiro será enviado. “Vamos cumprir as indicações”, assegurou. No entanto, o líder da oposição, Elmar Nascimento (sem partido), disse que o governador “vem prometendo há três anos” e que não acredita no cumprimento do acordo. Questionado sobre a comparação com a prefeitura, em que após a surgir a possibilidade de emendas de R$ 1 milhão para cada vereador, ACM Neto (DEM) teve o apoio de cinco petistas na aprovação do IPTU (ver nota), Elmar declarou que a oposição ficou do lado do democrata, pois “ele cumpre” a promessa, e ainda criticou a gestão financeira do governador. “ACM Neto pegou a prefeitura quebrada e, em seis meses, arrumou. Wagner pegou arrumada e quebrou”, cutucou o deputado, que vai se filiar ao DEM.
 


Foto: Sandro Freitas / Bahia Notícias


Dentro da base governista, há parlamentares que ainda acreditam e outros não. E a conta da insatisfação aponta que dos 46 integrantes do grupo, cerca de 35 estão insatisfeitos e ameaçam uma rebelião caso as emendas não saiam em breve. Os deputados governistas também reclamam que as emendas não são impositivas, ou seja, obrigam Wagner a liberar o dinheiro. No orçamento, o problema estaria no fato de o relator ser sempre um deputado de confiança, que barra as indicações dos colegas. Entre os que seguem tranquilos e sem rusgas com o Palácio de Ondina estão alguns petistas, fieis defensores do governo. A briga também ganha força devido ao que deputados da base chamam de uso da máquina para garantir votos. Parlamentares acusam secretários e membros de outros escalões de usar o que tem nas mãos para ganhar força de olho em 2014, quando cerca de 20 integrantes, de diversos postos, devem ser candidatos: cerca de 15 para Assembleia e o restante para a Câmara Federal. Entre os futuros postulantes que têm causado maior revolta na base estão o secretário estadual de Agricultura, Eduardo Salles (PP); o da Saúde, Jorge Solla (PT); e o superintendente de Desportos (Sudesb), Raimundo Nonato Bobô (PCdoB). A crítica é a de que alguns prometem muito para prefeitos do interior e cabos eleitorais, mas avisam aos parlamentares aliados que estão sem dinheiro para “ajudar” a AL-BA. O assunto tem sido o aquecimento no cafezinho, mas ganhou um companheiro: o desvio de função de PMs (ver aqui, aqui e aqui também).


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