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Segunda, 05 de Abril de 2021 - 17:30

Planalto e sua história: Os manuscritos de Zé Brejeiro

por José Mozart Tanajura Júnior

Planalto e sua história: Os manuscritos de Zé Brejeiro
Foto: Acervo pessoal

Há em Planalto pouquíssimas fontes documentais sobre a sua história que, em comparação com a de outros municípios baianos, é bem recente. Mesmo assim, pouco se tem preservado. As iniciativas oficiais são bem tímidas, o que se requer um melhor direcionamento para a preservação de sua história. Poucos são os registros catalogados ou que se tenha conhecimento de uma maior socialização destes. Em 2012, Edilson Duarte, prefeito naquele ano, construiu um monumento em homenagem aos tropeiros que deram início à história local. Além deste monumento, outras ações entraram em vigor por ocasião dos 50 anos do município, dentre as quais destacamos o Hino de Planalto composto por José Ramos da Silva Júnior e musicado por Carlusmar Moreno Aguiar, interpretado por Leandro Marinho. O município festejou jubilosamente a sua data referência de seus 50 anos. De lá pra cá, quase nenhuma iniciativa maior se viu na preservação histórica do município.

 

Hoje ao abrir meus arquivos de pesquisa, deparei-me com um manuscrito de meu amado e saudoso avô José Alves Pereira, carinhosamente chamado por Zé Brejeiro. Trata-se de um texto bem redigido com fundamento histórico preservado na memória daquele que vivenciou muitos fatos do município e ajudou em sua construção e desenvolvimento, como servidor público dedicado que era. Com efeito, José Alves Pereira (Zé Brejeiro) deixou-nos um relevante documento para ser preservado por nossa geração, a fim de que nossos filhos, netos e bisnetos possam ter conhecimento da  história da cidade, e com isso projetar melhor o seu futuro. Apesar de não ser historiador por profissão, Zé Brejeiro deixou-nos registrado em sua forma de narrar os inícios da emancipação de Planalto e o seu amor por esta terra, que o adotou como filho, quando em Planalto resolveu fixar residência com a sua família recém-chegada de Bom Jesus da Serra. Não pretendo neste breve artigo apresentar todo o manuscrito de meu avô, mas deixar alguns registros feitos por ele e que se coadunam com os relatos oficiais coletados e publicados pela Câmara de Vereadores de Planalto por meio de outras fontes que confirmam a veracidade de seus relatos. Minha pretensão, ainda que tímida, é a de motivar e provocar os poderes públicos municipais, a exemplo do que ocorreu em 2012, a traçarem um plano de estratégias para que, em 2022, o sexagésimo aniversário do município possa ser celebrado com iniciativas e ações que visem à sua preservação histórica. Assim, vejamos um pouco desta história que ainda se encontra preservada.

 

Em 5 de abril de 1962 surge o município de Planalto. Meu avô José Alves Pereira, popularmente conhecido por Zé Brejeiro, conhecedor que era da história deste amado município, assim descreveu:

Para que Periperi se emancipasse precisaria muitos requisitos quais sejam: população, número de casas e outros mais, o que foi fácil. Bastava apenas uma eleição plebiscitária, sim e não; quem fosse a favor votaria no sim e quem fosse contrário votaria no não. Realizada a eleição o sim foi o vitorioso. Assim, com esse resultado juntou (sic) a documentação e levou (sic) ao então Governador Juracy Magalhães e ao Legislativo Estadual. Foi sancionada  a Lei nº 1658 de 05 de abril de 1962, criando o novo município de Planalto. (PEREIRA, José Alves, manuscrito s/d).

 

Em outro manuscrito, assim encontramos:

Houve a eleição plebiscitária, Peri-Peri ganhou. Logo então foi feito (sic) reuniões para a escolha do nome do município. Nas discussões ganhou o nome de Planalto, pois se tratando de uma planície no alto, não houve discórdia ficando assim escolhido Planalto” (PEREIRA, José Alves, manuscrito s/d).

 

A partir daí, Planalto começa o seu desenvolvimento tendo à frente como seu primeiro prefeito João Gusmão Ferraz, por eleição direta, e uma Câmara de Vereadores composta por 8 edis, conforme atesta José Alves Pereira:

No mesmo ano, houve a eleição para prefeito e vereadores. Onde (sic) foi eleito (sic) o Sr. João Gusmão Ferraz (candidato único) e os [...]vereadores a saber: Edelí Moreira de Andrade, Edvaldo Miranda Sá, Virgílio Ribeiro Martins, Alderito Ferreira dos Santos, João Otávio de Almeida, José Guimarães de Brito, Benevides Alves de Castro e Milton Alves Cardoso.  (PEREIRA, José Alves, manuscrito s/d).

 

Este relato manuscrito pelo Sr. José Alves Pereira é devidamente comprovado nos documentos oficiais do site da Câmara Municipal de Planalto que na gestão do  Presidente Luiz Cláudio Barboza da Silva, entre 2017-2018, resgatou a história do município através de documentos oficiais e depoimentos de moradores antigos; uma iniciativa, diga-se de passagem, louvável e importantíssima para a preservação histórica do município.  De fato, a história de emancipação de Planalto é registrada oficialmente no site da Câmara com dados precisos da Lei nº  1 658, de 05 de abril de 1962:

A partir da emancipação política do município de Planalto, com a assinatura e publicação da Lei Estadual nº 1658 de 05-04-1962, pelo então Governador do Estado da Bahia, Dr. Juracy Magalhães, aconteceu, em 07-10-1962, a eleição direta para escolha do Prefeito e dos Vereadores do Município de Planalto. Para um mandato de 04 anos (07-04-1963 a 06-04-1967), que começou com a posse do Prefeito e dos Vereadores no dia 07-04-1963, sendo eleito para Presidente da 1ª Câmara de Vereadores: o Sr. Edely Moreira de Andrade, quando ocorreu de fato a Instalação da Câmara Municipal de Vereadores e do próprio Município de Planalto. (CÂMARA MUNICIPAL DE PLANALTO, Disponível em http://cmplanalto.ba.gov.br/wp/acamara/. Acesso em 04 abr 2021.)

 

Ainda no mesmo site oficial da Câmara constam os nomes dos oitos vereadores eleitos para a primeira legislatura do município conforme atestou o manuscrito de José Alves Pereira, a saber:  Virgílio Ribeiro Martins Filho, José Guimarães de Brito, João Otávio de Almeida, Edivaldo Miranda Sá, Benevides Alves de Castro, Alderito Ferreira Santos, Edely Moreira de Andrade e Milton Alves Cardoso.

 

Como se vê, o manuscrito de José Alves Pereira é bem  coerente com os dados oficiais catalogados pela Câmara Municipal, reforçando a nossa tese de que tais manuscritos que herdamos merecem ser guardados e preservados oficialmente pelo Município de Planalto, que, ao zelar por sua história, deve urgentemente implementar ações para catalogar e coletar documentos, depoimentos e outros instrumentos que se fizerem necessários para o enriquecimento de suas fontes memoriais. Ainda assim, como sugestão, bem que a prefeitura em parceria com a Câmara de Vereadores, Secretaria de Educação e Cultura pudesse criar um arquivo público municipal com o firme objetivo de cuidar da memória histórica deste município tão carente de ações desta natureza. O arquivo público é um importante lugar não só de preservação histórica, mas de compartilhamento de cultura e informações, qualificando e priorizando ainda mais a dimensão educativa do município.

 

Em 2022, o município chegará aos seus 60 anos. Uma data jubilosa que merece ser festejada com grande consciência histórica. Quiçá daqui a um ano possamos voltar a escrever sobre o dia festivo de Planalto e parabenizar a gestão municipal e a câmara de vereadores pela criação do Arquivo Público Municipal de Planalto. Um sonho que  pode se tornar uma realidade para os pesquisadores deste município e da região já em 2022. Até lá, continuaremos na busca por mais manuscritos e outros documentos históricos que certamente poderão ser doados ao município e depositados nos acervos do futuro arquivo municipal.

 

*José Mozart Tanajura Júnior é doutorando em Filosofia e mestre em Letras. Possui ainda graduação em Filosofia, Letras, Teologia e Gestão Pública. É membro efetivo da Academia Conquistense de Letras

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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