Musa Plus Size do Bahia tem como missão quebrar padrões estéticos e inspirar

Bem resolvida com o corpo, consciente e dona de si. É assim que Thais Galvão, Musa Plus Size do Bahia 2018, sente-se e demonstra aos demais em qualquer lugar que chega. Porém, nem sempre a realidade foi essa. Antes de ganhar o concurso virtual do time tricolor que aconteceu em abril, também já participou de outras disputas de beleza da mulher gorda, Thais lutava contra a balança. Durante anos ela tentou se enquadrar num padrão social imposto de mulher com manequim 38. “Eu uso 48. Meu manequim até pouco tempo era desprezado pela maioria das marcas. Não era fácil encontrar roupas modernas e bonitas além de ser praticamente invisível socialmente e imã de piadas gordofóbicas. Passei anos fazendo todo tipo de dieta para diminuir meu manequim, me enquadrar em um padrão que não se adequa ao meu corpo para me sentir aceita. Até que descobri que minha maior qualidade era justamente não fazer parte do padrão. Minha beleza está em ser eu mesma!”

 

A batalha com o espelho de pessoas acima do peso é pontuada pela nutricionista Claudia Figueiredo como uma questão que requer cautela. Para ela, os padrões de beleza atuais da nossa sociedade têm perpetuado o estereótipo de esbelto e atlético, principalmente entre as mulheres. “Motivadas por diminuir o descontentamento com o corpo e deixar de ser alvo de discriminações elas entram em uma batalha com a balança. Considerando todas as possibilidades (mesmo que não saudáveis) no enfrentamento da obesidade, as mulheres podem comprometer tanto a saúde física quanto desencadear sentimentos autodepreciativos, de autoindulgência e ansiedade, deixando-a suscetível ao isolamento social”. Claudia ressalta, com isso, a necessidade da busca de profissionais sérios que possam reforçar o sentimento de amor próprio, autoconhecimento, respeito ao próprio corpo, tudo isso aliado ao acompanhamento nutricional.
 

A musa plus size do Bahia fez terapia durante um ano, recuperando a autoestima também com as participações em concursos. Hoje, ela tem uma agenda de ensaios fotográficos generosa e divulga constantemente em veículos de imprensa a valorização das gordas, combate à gordofobia e elevação da autoestima. Para Thaís, não se pode achar o adjetivo “gorda” algo negativo, enquanto o “magra” uma palavra positiva. “A palavra magra ainda é utilizada como um elogio às mulheres. Falar a uma mulher que ela está mais magra soa como uma vitória ao passo que a palavra gorda soa justamente o contrário. Somos criadas para não conceber a palavra gorda em nossas vidas mas, e como faz quando essa é a sua estrutura corporal? Essas palavras devem ser usadas apenas como adjetivos e ser gordo não pode nem deve ser ofensa”, explica.

 

Do passado, Thais só quer o aprendizado, pois as lembranças dos comentários maldosos sofridos e um relacionamento abusivo vivido por três anos serviram para torná-la uma mulher poderosa. “Eu tenho saúde e cuido muito bem dela, pois, é meu maior tesouro. Eu ser gorda não significa em absoluto que eu seja doente. Nesse processo de conscientização do meu ser aprendi a ser feliz como sou. Não estou acima do peso, não estou doente, não sou carente e aprendi a ser feliz e me respeitar como uma mulher gorda. É preciso que as mulheres entendam seu valor e busquem a felicidade de dentro para fora. Não precisamos nos adequar ao que o mundo impõe como regra de beleza, mas devemos lutar para que o mundo nos enxergue como mulheres maravilhosas que somos e respeitem nossas curvas”, afirma Thais.

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