Conheça 8 projetos de estudantes que refletem sobre a questão de gênero e raça

 

 

Para o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado hoje 25 de julho, o programa Criativos da Escola, do Instituto Alana, apresenta projetos transformadores de estudantes que estão valorizando a cultura e a história negra, além de discutir sobre o racismo. As iniciativas foram desenvolvidas por jovens do ensino fundamental ou médio e promoveram reflexões sobre a luta que as mulheres negras enfrentam no dia a dia e sobre o preconceito duplo que sofrem, de gênero e de raça. 
 

A data foi criada em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e é considerada um marco na luta das mulheres negras em todo o mundo. No Brasil, o dia foi oficialmente reconhecido em 2014, por meio da Lei nº 12.987/2014 e, desde então, o país celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza foi líder do Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso, no século 18. 

 Um desses projetos foi realizado por alunas do Centro Educacional Antônio Honorato, em Casa Nova (BA), que levou o nome de "Empoderamento da Mulher Negra". A iniciativa tem por objetivo colaborar com o fim do preconceito racial e de gênero na comunidade, principalmente no que diz respeito às mulheres afro-brasileiras. A ação foi um dos destaques do Desafio Criativos da Escola de 2018. 

A ideia nasceu durante a atividade escolar Educação Patrimonial e Artística (EPA), que incentiva a observação do território e sua história. Após pesquisarem sobre a opressão que a população negra ainda está exposta (principalmente as mulheres) e sobre a "ditadura da beleza" - que difunde valores estéticos que apagam os traços negros - as garotas entenderam que seria necessário trabalhar a autoestima dessas pessoas para mudar a situação. 

Organizaram atividades como desfiles, palestras e oficinas de turbantes e realizaram também ensaios fotográficos com as próprias alunas e com mulheres negras da região. Atualmente, o projeto segue ativo e impactando muitas estudantes. Os registros fotográficos, inclusive, garantiram às jovens o primeiro lugar no concurso do EPA, realizado nas cidades de Casa Nova e Juazeiro. Para contribuir ainda mais com o fim do preconceito, elas pretendem produzir um clipe que unirá a beleza das mulheres negras com a temática sobre o local onde vivem, o sertão baiano. 

Movimentos Meninas Crespas 
 

As jovens de Porto Alegre (RS) se reuniram em um grupo para promover atividades dentro e fora da escola. O coletivo realizou trocas de experiências que visavam à valorização da estética e do cabelo crespo para resgatar a identidade afro-brasileira e o poder do feminino, além de celebrar a ancestralidade negra. Além disso, foram propostos debates em forma de roda de conversa para contextualizar situações, analisar fatos e debater assuntos relacionados à população negra. Com o tempo, as famílias das estudantes também começaram a participar das oficinas e rodas propostas pelo coletivo. 
 

Além dos debates, o grupo ofereceu oficinas, entre elas a de dança afro que se tornou apresentação em eventos do bairro. O coletivo criou, ainda, uma biblioteca comunitária e afrocentrada por meio de campanhas de arrecadação de livros sobre a negritude, a fim de que a comunidade pudesse conhecer mais a história negra. E, agora, as adolescentes iniciaram as gravações para o documentário que contará a história do projeto. 
 

Conheça abaixo outros quatro projetos protagonizados meninas negras que abordam a valorização da mulher negra na sociedade. As iniciativas também foram destaque na última edição do Desafio Criativos da Escola: 
 

Além dos Genes: fortalecendo as culturas negras: depois de mapear se a autodeclaração da raça dos moradores correspondia aos dados oficiais, alunas de Cascavel (CE) criam projeto para valorizar e fortalecer a identidade e a cultura negra no município. Focadas, especialmente, na comunidade quilombola da BICA, as jovens promoveram debates sobre a questão racial na comunidade e oficinas para resgatar a cultura local. 

Além dessa iniciativa, o Criativos da Escola lista mais sete casos protagonizados por crianças e jovens que abordam a valorização das mulheres e que também foram destaque nas premiações do Desafio: 

Dice: por meio da literatura de cordel, estudantes de Cascavel (CE) se aproximam da comunidade para falar sobre a questão de gênero. 

E se fosse com vc?: estudantes de Sapiranga (RS) criaram um clube feminista para discutir violências sofridas pelas mulheres e como combatê-las. 

Elas por Elas: alunas de Venâncio (RS) criam áudio-livro e falam sobre feminismo com crianças. 

Lugar de mulher é onde ela quiser: estudantes do Rio de Janeiro (RJ) utilizam a arte para educar a comunidade escolar sobre os direitos das mulheres.  

Em breve - inscrições para o Desafio 2020 

Você conhece um projeto protagonizado por crianças e jovens que está transformando a escola ou a comunidade? Então, prepare-se para compartilhar: em breve começam as inscrições para a 6ª edição do Desafio Criativos da Escola. Em 2019, a premiação recebeu 1.443 projetos de todos os estados do Brasil. É possível conhecer as histórias dessas iniciativas nas redes sócias do programa e em seu site.

 

Sobre o Instituto Alana 

O Instituto Alana uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão "honrar a criança". 

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