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Segunda, 22 de Março de 2021 - 09:55

Fios da Moda

Fios da Moda

 

A boa notícia ganhou eco com o relatório: Fios da Moda que traz dados inéditos sobre os impactos socioambientais das principais fibras utilizadas na indústria da moda brasileira: algodão, poliéster e viscose.

O conceito de economia circular é uma visão completa e complexa  para o problema da crise climática, e com este relatório brasileiro os players da indústria têxtil e moda ganham mais informações e ferramentas em direção a soluções dentro da realidade do país.

Apesar do estudo fazer uma análise das 3 principais fibras utilizadas no mundo, chama a atenção para a relação do algodão e da água neste dia.  A nível global as técnicas usadas de irrigação fazem com que o consumo de água na produção da matéria prima seja uma grande vilã, é comum vermos dados de quanto uma camiseta ou calça jeans consomem de água na sua produção mas, se o algodão for brasileiro existe grande chances da realidade ser bem diferente, o algodão no país é em sua maioria produzido em sequeiro ou seja, apenas com água da chuva.

“(...) as características específicas da produção brasileira parecem ser muito influentes para o consumo de água na cultura do algodão. O predomínio da produção de algodão em sequeiro (sem irrigação).

Contudo o estudo observa a movimentação do setor para a questão ambiental “(...) país tem investido em rastreabilidade e certificação para garantir uma produção com menor impacto ambiental. O Brasil é o maior produtor mundial de algodão certificado Better Cotton Initiative (BCI), respondendo por cerca de 30% do volume total de algodão BCI (BCI, 2020; TEXTILE EXCHANGE, 2019)”

No entanto a alternativa incentivada pelas pesquisadoras é o algodão agroecológico por conta dos seis pilares para a circularidade elaborados por elas, que se destaca por abordar uma avaliação que contempla além dos fatores ambientais também os fatores sociais envolvidos na economia circular :1) Design de produto circular, 2) Design de Processos e Fluxos Circulares 3) Sistemas Vivos: Regenerar a Natureza, 4) Recursos e Toxicidade Limitada, 5) Condições Locais: Internalizar Externalidades, e 6) Sociedade: Justiça e Ecologia Social.

Para o consumidor analisando o ciclo de vida de peças de algodão, o estudo aprofunda várias observações e comparações entre autores e destaca que sob o olhar do consumo da água, logo em seguida a etapa de produção, a fase do uso da peça é a que mais se destaca.

“As etapas de fiação e tecelagem e de tingimento também apresentam certo grau de impacto por consumirem quantidades consideráveis de água, especialmente o tingimento (QUANTIS, 2018). A etapa de uso é a segunda principal contribuinte em termos de consumo de água. Nessa etapa, a lavagem é o principal processo contribuinte para esse impacto (BEVILACQUA et al., 2014). Em análises de cenários, estima-se que máquinas de lavar eficientes consomem 30% menos água durante a lavagem do que máquinas de lavar convencionais (PERIYASAMY; WIENER; MILITKY, 2017) .

“A vontade de produzir um relatório sobre têxteis está ligada à urgência da transformação que precisamos fazer acontecer na próxima década se quisermos garantir condições de vida minimamente estáveis na Terra frente a um cenário climático em profunda transformação”, ressalta Marina Colerato, coordenadora do projeto. 

 
 

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