Terça, 01 de Setembro de 2020 - 09:05

Ativista da terapia hormonal Dra Marisabel Boere foi discípula de Dr Elsimar Coutinho

por Iga Bastianelli

Ativista da terapia hormonal Dra Marisabel Boere foi discípula de Dr Elsimar Coutinho


A trajetória profissional da Médica ginecologista Marisabel Boere dá uma amostra sobre o que muitas mulheres a uma certa altura da vida, se perguntam: como é conciliar os papéis de mulher profissional, mãe e esposa? E olha que no caso da nossa entrevistada, ela ainda foi Miss Bahia!

Marisabel escolheu uma das profissões mais disputadas e nem por isso abriu mão de outras áreas da vida. No primeiro ano da faculdade de medicina participou do concurso de beleza e foi eleita Miss Bahia 1985, chegando a ficar entre as finalistas do Miss Brasil, mas sem deslumbramentos deu seguimento ao curso de medicina.

 

Depois de casada chegou a acompanhar o marido que foi transferido para Bolívia e trabalhou por lá como voluntária em um hospital oncológico. Marisabel tem duas filhas e conta que considera ser mãe uma das missões mais importantes da mulher. Ela também passou em concursos públicos, foi discípula do cientista Dr. Elsimar Coutinho, com quem trabalhou durante 4 anos, e agora numa fase mais madura resolveu empreender abrindo a sua própria clínica.

“Sempre consegui conciliar muito bem profissão, filhos e marido. Sempre trabalhei, cuidei da casa e de tudo; nós mulheres temos este privilegio de múltiplas aptidões! Não encaro como tempo gasto a atenção que dediquei às minhas filhas e o acompanhamento que dei; vejo que foi um investimento. Hoje elas são seguras e já caminham por si, o que me permite dedicar maior tempo à minha profissão com tranquilidade.

Conheça agora mais sobre esta médica, grande entusiasta da terapia de reposição hormonal ou da modulação hormonal como também é conhecida:

 

 

Medicina é um dom?

A medicina sempre foi um sonho, desde criança eu falava que iria ser médica para cuidar de crianças, mas depois no internato, na pediatria ... mudei de ideia. A compaixão que sentia pelo sofrimento das crianças me imobilizava. Optei por obstetrícia, que me permitiria continuar lidando com elas, porém, em um momento mais feliz. Faço em dezembro próximo, 29 anos de formada.

Fale um pouco da sua trajetória:

Me formei no final de 91 e fui morar no Rio de Janeiro, onde fiz residência médica no Instituto Fernandes Figueira que é o instituto da Mulher da Fundação Oswaldo Cruz, e fiz também pós graduação na Santa Casa de Misericórdia de lá. Em seguida passei no concurso do município do Rio de Janeiro e fui trabalhar na maternidade Leila Diniz, que foi a pioneira em referência de parto humanizado no Brasil. Lá coordenei o Centro Obstétrico da maternidade.

Depois, já casada, meu marido foi transferido para a Bolívia onde trabalhei voluntariamente por dois anos no hospital oncológico de Santa Cruz de La Sierra, cidade em que morava. Em 2003, retornando a Salvador, prestei concurso para a UFBA e fiquei trabalhando como professora substituta. Também prestei concurso para médica do Estado, onde trabalho até hoje no Instituto de Oncologia do estado, o Cican.

Qual foi seu momento mais desafiador?

O principal desafio foi após estar morando fora por 12 anos voltar a Salvador e recomeçar do zero a vida profissional. Mas, sou afeita a desafios,  que me ajudam até hoje a sair da zona de conforto e evoluir como pessoa e profissional.

Outro desafio tem sido desmistificar a terapia de reposição hormonal. Na década de 90, um grande estudo norte-americano, o WHI (Women’s Health Initiative) que estudava reposição hormonal em mulheres climatéricas, teve que ser interrompido devido ao fato que perceberam aumento da incidência de câncer de mama e de AVC. Isso  foi alardeado para o mundo inteiro e foi um balde de água fria na terapia de reposição hormonal. Porém em seguida, foi observado que o que era utilizado no estudo, eram estrogênios equinos conjugados. Vejam só, estrogênios de éguas, que estavam inclusive prenhas! Hormônios que o organismo das mulheres nem sintetizam! E usavam também, acetato de medroxiprogesterona, que é um progestinico sintético!

 

Atualmente o que utilizamos na terapia hormonal são os hormônios chamados bioidênticos, que são moléculas que embora sejam sintetizadas em laboratório, são idênticas as que o nosso organismo sintetiza e portanto, seguras. Infelizmente, não houve o movimento de retratação explicando os fatos e esse mito vem atravessando décadas e impedindo a mulher de se beneficiar de toda a proteção que a terapia hormonal proporciona. Enfim, isso também é uma missão que me move! Tenho produzido muitos vídeos educativos e tenho tido excelente retorno das mulheres em minhas redes sociais.


Fale um pouco mais sobre Reposição Hormonal

As mulheres devem entender que reposição hormonal não é coisa de mulher fútil que não quer envelhecer e que por castigo dessa vaidade vai ter um câncer. Furtar o organismo desta oportunidade de repor o que está faltando e reequilibrar o organismo, promovendo saúde  bem estar; é como no inicio do século passado,  quando meu avô, por exemplo, morreu cego pelas consequências do diabetes, pois não foi tratado com insulina, que também é um hormônio. Atualmente quantas senhoras a gente não conhece que sofreram fratura do colo do fêmur, tem doenças reumáticas, Alzheimer, tomam remédios para dormir ou antidepressivos? Muitas doenças seriam evitadas ou minimizadas com a terapia hormonal. Na minha página no Instagram @dramarisabelboere, é possível encontrar vários vídeos falando dos benefícios e contra indicações da terapia hormonal. Quem quiser é só ir lá conferir!

Lista de benefícios da terapia hormonal no climatério:


- Proteção da massa óssea, prevenindo osteopenia e a osteoporose.
- Melhora da artralgia relacionada ao climatério .
- Prevenção do Alzheimer 
- Melhora do humor e da labilidade emocional.
- Diminui a incidência de depressão comum no período climatérico.
- Diminui em 20% o risco de desenvolver DM tipo II 
- Diminui a resistência periférica a insulina com melhora do controle glicêmico e da síndrome metabólica.
- Diminui a circunferência abdominal e o nível de gordura corporal.
- Confere proteção cardiovascular. 
- Melhora do trofismo genital e diminui o ressecamento vaginal.
- Melhora a vascularização genital e a resposta aos estímulos sexuais. 
- Melhora da Incontinência urinária de esforço.
- Melhora da Infecção urinária de repetição 
- Manutenção da espessura da derme e da epiderme, com preservação da camada de colágeno e elastina. Garantindo e preservando a hidratação da pele.
- Diminui a incidência de câncer colorretal


As mulheres têm que se informa mais, pois o tratamento de reposição hormonal é hoje é um dos pilares da logenvidade saudável. Nem todas as mulheres, de fato, podem aderir ao tratamento, mas as que podem não devem se privar e perder a oportunidade de ter estes benefícios. Os níveis que mantemos em uma mulher na terapia hormonal é praticamente um décimo do que uma mulher jovem, no período ovulatório produz. É uma terapia muito singela e segura. Eu tenho pacientes, na casa dos 80 anos, que fazem, Dr Elsimar tinha uma senhora na casa dos 90 anos, no Rio de Janeiro que fazia e que segundo ele, estava mais jovem e saudável que as filhas! 


Você teve o privilégio de trabalhar com o médico e cientista Dr Elsimar Coutinho que recentemente faleceu vitima do Covid 19 ... como foi esta experiência?

Trabalhar com Dr Elsimar foi um presente que a vida me proporcionou. Ele foi meu professor no curso de medicina na UFBA; durante 4 anos fiquei sentadinha ao lado dele no consultório na Rua Chile e pude ver como meu grande mestre e ídolo  tratava e lidava com os distúrbios hormonais em mulheres de todas as idades. Aprendi muito!


Não satisfeita agora resolveu empreender e comandar a própria clinica, como é este trabalho?

Ha cerca de 4 anos resolvi estruturar minha clínica e fazer o que sempre amei, sem pressa, com atendimento personalizado e diferenciado. Atendo cada paciente no tempo que ela necessita. O maior desafio em lidar com mulheres é trazer para elas o entendimento que só ela pode cuidar dela. Uma mulher cuida do marido, dos filhos, da casa, das amigas, mas...” só dona Maria pode cuidar de dona Maria”...Não é tarefa fácil transmitir para elas que o maior amor do mundo é o delas por elas mesmas. Sei disso perfeitamente pois isso também é um desafio para mim mesma!

Meu sonho, minha meta é seguir adiante, pois não tenho pressa, mais importante que a velocidade é a direção. Quero difundir conhecimento sobre reposição hormonal, melhorar a saúde das mulheres e incentivar o autocuidado! Sou muito feliz e realizada pelo privilégio dessa profissão que é para mim, uma maravilhosa missão!


Qual o seu maior exemplo feminino?

Meu maior exemplo de superação foi minha mãe, que sempre me ensinou a seguir apesar dos obstáculos e dificuldades externas  e internas. A palavra de ordem sempre foi seguir adiante, “ Vamos em frente”. Frase inclusive que Dr. Elsimar falava com frequência e até hoje me guia : - Vamos em frente!

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