Domingo, 12 de Agosto de 2018 - 10:05

Há 30 anos, Andrea Velame empreende sonhos de decoração

por Iga Bastianelli

Há 30 anos, Andrea Velame empreende sonhos de decoração
Foto: Arquivo pessoal

Cheia de garra, empreendedora sempre disposta a superar desafios, para Andrea Velame o maior deles foi criar a própria marca. “Quando as pessoas me perguntam de onde vem o nome Andrea Velame, eu dou muita risada ... porque sou filha de caminhoneiro, não vim de nenhuma família tradicional e esse nome foi construído com muito trabalho e dedicação”.

Formada em administração de empresas, com especialização em marketing, há 28 anos resolveu comprar uma loja de decoração, na sequência se tornou decoradora. “Como Daniela Mercury era minha amiga de infância e me convidou para fazer o projeto de duas casas dela, uma no Encontro das Águas e outro no Caminho das Árvores, ambos projetos tiveram grande repercussão, foram capas de revistas e daí acabei trilhando uma carreira muito especializada em fazer casas de artistas”. Atuei como decoradora e empresária por 20 anos, até que fechei a loja em 2000. Deixei de projetar quando Nathália (Velame), minha filha, se formou em decoração, e eu passei o bastão para ela e comecei a me dedicar como comunicadora nos segmentos de decoração, design, moda e gastronomia. Além do Evento Casas Conceito que foi aberto esta semana e acontece até 16 de setembro, Andrea dirige também o Grupo AV, que tem no seu mix de produtos e serviços, uma editora focada em livros e revistas segmentadas, consultoria, promoção e produção de eventos. 

A empresária baiana atua no segmento de arquitetura e decoração há quase 30 anos. Totalmente envolvida com a família, este é o maior orgulho dela! Conheça e se inspire!

 

O que a incentivou se tornar uma empreendedora?

Foi o conjunto de tudo isso que me levou a ser empreendedora, a fazer coisas assertivas, trabalhar e me dedicar muito, ser muito perfeccionista e muito séria. Apostei muito nos meus sonhos. Acho que as pessoas que apostam nos sonhos têm mais possibilidade de alcançar o sucesso.

 

Do que você realizou até aqui, o que mais te orgulha?

Da minha famíla, do meu marido, que sempre foi meu grande incentivador e parceiro em tudo! Eu vou fazer 53 anos este ano e estamos juntos há 40 anos. Meu grande projeto e orgulho é ter construído uma família unida. Eu brinco dizendo que o mais importante é construir um símbolo do infinito, e eu, Ignácio (meu marido) e meus filhos Nathália e Bruno são meu símbolo do infinito.

 

Nesta caminhada tiveram erros e acertos, dos erros qual foi o melhor aprendizado?

Toda caminhada tem sempre erros e acertos e a gente aprende com eles sim! Mas acho que o maior erro que cometi foi há 20 anos quando passei a ter projeção nacional em revistas que me apontavam como grande realizadora, sobretudo como empreendedora e decoradora, aí eu comecei a me considerar uma pessoa mais importante do que era de fato. A vida me deu uma rasteira e caí, mas levantei e me reergui aprendendo que ninguém é melhor do que ninguém e que a gente precisa matar um leão por dia para se manter no topo da onda. Aprendi que além de talento, é preciso ter simplicidade.

 

Que dicas pode dar as mulheres que estão iniciando agora o empreendedorismo?

Foco, determinação, buscar seu caminho, seu olhar, saber o que quer. Acho que a gente aprende que tudo na vida tem um ciclo, tem princípio, meio e fim, as pessoas acabam se perdendo no meio do caminho e não conseguem ter seus objetivos alcançados, é nisso que me empenho nesses 30 anos de carreira.

 

Com 30 anos de experiência em decoração, qual a avaliação que faz do setor na Bahia?

O mercado de arquitetura e decoração na Bahia é um dos mais interessantes do Brasil, com DNA próprio, com projetos autorais, com profissionais sérios, nós não devemos a ninguém, nem no Sul nem no Sudeste do país. O trabalho que fizemos na Casas Conceito foi exatamente parar um pouco esse movimento de se falar tanto em crise, corrupção, chega de falar disso, as pessoas precisam se dedicar a construir novas histórias e dar o seu melhor na construção de um novo momento do país. O mercado de arquitetura e decoração da cidade é maravilhoso, a gente tem um mercado de construção civil que precisa ser reativado, junto com isso reaquecer o mercado. Eu estou fazendo a minha parte e espero que todos façam.

 

Como especialista nesta área o que na sua opinião poderia contribuir para tornar o setor mais fortalecido?

Muito empenho, seriedade e muita dedicação. Estou sendo redundante porque acho que esse é o foco do sucesso. Sucesso pra mim não tem nada a ver com ganhar dinheiro. Eu, ao longo desse tempo consegui me tornar uma formadora de opinião do mercado, uma pessoa de credibilidade e, devo admitir que isso não é compatível com meu sucesso e meu retorno financeiro, mas acho que quando você quer fazer alguma coisa, tem que fazer da melhor maneira possível. E um setor pra ser fortalecido, precisa unir pessoas que sejam sérias, competentes e com foco.

 

Como surgiu a ideia de realizar esta Mostra?

A ideia era na verdade um sonho antigo. Eu fui decoradora participante de mostras, fornecedora de mostras, fui comunicadora de mostras e, ao longo desses anos, sentando nas diversas cadeiras do setor, tinha diversas coisas que me incomodavam, seja na relação com os profissionais, com os fornecedores, atores principais para que um evento desta dimensão fosse realizado. É preciso unir as pessoas e dar as mãos para que um evento desse porte seja realizado. Tem que ser exigente, porque você precisa preparar tudo para que o público comprador enxergue que você tem o profissional especializado e, como fiz administração e me especializei em marketing, eu acredito que nada acontece sem que você saiba comunicar o seu trabalho.

 

Quais foram os principais desafios?

Se envolver com 35 escritórios, 100 fornecedores, 600 prestadores de serviço e não se incompatibilizar com as pessoas. Você tem que ter o posicionamento firme, o pulso forte, muita postura, mas não perder sua essência, sem se perder de você mesmo. Mas consegui nesses 90 dias de obra manter um equilíbrio emocional, e acho que, Graças a Deus, eu consegui.

 

O que este evento traz de diferencial?

Brasilidade, ouvi de uns jornalistas de São Paulo que vieram visitar a mostra uma coisa que me deixou muito feliz. Que esta é uma mostra autoral, onde as pessoas trouxeram suas raízes, suas almas e as colocaram nos seus projetos. Quando a gente circula pela mostra a gente percebe isso. E, sem falsa modéstia, nesses 30 anos de mercado, nunca vi uma mostra tão equilibrada, e com projetos tão diferenciados.

 

Qual é a expectativa e planos futuros?

Não tenho. Agora é viver esses 42 dias de Casas Conceito e aproveitar ao máximo isso que foi feito com muito carinho para todos vocês. O futuro, eu não sei. Quero agora viver meu sonho e atrair as pessoas para a Casas Conceito para que elas possam sonhar também!

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