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Domingo, 11 de Março de 2018 - 08:05

"De Olho na Band", olho no olho com Zuleica Andrade

por Iga Bastianelli

Zuleica Andrade, diretora de Jornalismo da TV BandBahia e da Rádio Bandnews FM, é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia e museóloga também pela UFBA. Começou na função de produtora, foi redatora, editora de texto local, editora nacional, editora chefe e chefe de redação. Trabalhou na equipe do Jornal da Band com Paulo Henrique Amorim, Carlos Nascimento e Ricardo Boechat. Ganhou prêmios de jornalismo, junto com a equipe,  editando séries  como Infância Ferida, 450 anos de Salvador, reportagens especiais sobre a seca e  a invasão da UFBA pela Polícia Militar. Zuca, como é chamada pelos mais próximos, é reconhecida no jornalismo de TV por revelar talentos da Bahia para a rede nacional, como Rosana Jatobá, Mariana Monteiro, Jéssica Senra, Ticiana Villas Boas, Natália Boere e outros. Com o apoio de Zuca conseguimos falar com algumas destas jornalistas.

 

Rosana lembrou para o BN Mulher a importância que ela teve na sua formação. “ Zuca foi quem traçou os primeiros passos da minha carreira, com uma dedicação especial à tarefa de pavimentar o meu caminho na reportagem. Ela era exigente, às vezes até dura quando eu fazia “corpo mole” e alegava obstáculos pra não  fazer a matéria. Isso foi determinante pra que desenvolvesse  garra e resiliência. Graças a esse legado, consegui enfrentar a rotina árdua  de repórter, em São Paulo, pela Tv Globo. Zuca também é um coração gigante que trata as pupilas como amigas. É uma chefe com coração de mãe. “

 

Jéssica Senra, atual líder de audiência no horário da manhã, na frente da TV Bahia, afiliada da Globo, conta quando começou a trabalhar com Zuleica: 

“Eu tinha ido pedir emprego na rádio, na verdade. Quando Zuleica soube, mandou me chamar na TV e me fez uma proposta para apresentar o jornal matinal e integrar a equipe de reportagem. Eu ainda não tinha nenhuma experiência com jornalismo de TV. Me lembro que, no meu primeiro dia, eu achei que iria passar por um treinamento ou seria apresentada à equipe, mas Zuca já me mandou pra rua! Eu vestia uma saia com duas fendas laterais e um salto alto. Traje nada adequado! E não tinha muita noção do texto de reportagem pra TV... Mas ela me ajudou em tudo, do texto da passagem até a construção do off. E minha primeira reportagem de TV já foi parar no Brasil Urgente! Um outro dia, eu na bancada do jornal noturno, e Zuca foi direta: ‘você tem que utilizar as mãos na apresentação. Deixando elas paradas, juntinhas, tá parecendo um padre rezando!’. É uma chefe rigorosa, que presta atenção nos mínimos detalhes, e com isso me ensinou bastante! Me ajudava diariamente com as reportagens e vibrava comigo cada vez que uma matéria ia ao ar nacionalmente. Sou extremamente grata e morro de saudades do período em que trabalhamos juntas”. 

 

Mariana Monteiro, repórter de esporte da Tv Globo, também relembra: "o encontro com Zuleica foi fundamental para a minha formação profissional. Cheguei na Band com pouca experiência e  aprendi muito sobre a prática do jornalismo televisivo: a importância da apuração, o cuidado com a edição, o rigor com a ética. Zuleica sempre foi uma chefe  exigente e incentivadora. Acho que a maior lição  foi sobre a sensibilidade no texto. Zuca é fantástica nisso e me ajudou muito a colocar o coração nas palavras. Anos mais tarde, já trabalhando na TV Globo, participei de treinamentos com outros grandes nomes do telejornalismo, como Vera Iris Paternostro e Alice-Maria. O que elas passavam, me lembrava muito o que eu tinha aprendido com Zuleica nos quatro anos em que trabalhamos juntas. Olhando para trás, o  sentimento é de que tive muita sorte de tê-la como chefe e mentora. E de quebra, ainda ganhei uma amiga para  a vida toda" , afirma Mariana. 

 

Antes de conceder essa entrevista, Zuleica revelou que vem novidade nas tardes da Band. E dá uma dica: "vamos falar de muita coisa que interessa a mulher". A BandBahia passou a ser BandNordeste e é comandada pelo diretor Augusto Correia Lima que no próximo dia 14 irá apresentar todas as novidades da grade.

Agora vamos ao Ping Pong: 

 

1 - Você é Formada em Jornalismo e também em museologia? O jornalismo representa a atualidade, o presente e a museologia o passado. De um modo geral os dois levam a investigação, como foi essa escolha? 

 

R- Sempre fui curiosa e detalhista, caraterísticas importantes para o jornalismo. Tive um casal de filhos muito cedo e a primeira opção pela museologia foi por julgar que seria um curso mais fácil de conciliar com a recente maternidade. Mas nunca exerci a profissão de museóloga. Entretanto, no curso, estudei filosofia, história da arte e antropologia. Foi um olhar enriquecedor sobre a humanidade. A escolha pelo jornalismo veio depois, a partir de uma inquietação minha em relação à escolha da profissão.

 

2- Muita coisa mudou no jornalismo. Tudo ficou mais instântaneo. O que é preciso passar para essa juventude tão rápida e tão digital para se conseguir fazer um bom jornalismo? 

 

R- Apurar os fatos, a informação, conversar com várias fontes. Numa era de "fake news", a ânsia por um furo de reportagem pode levar a um erro grave. Essa responsabilidade do jornalista, eu diria que não tem geração nem tecnologia que possam modificar isso. A internet e as suas múltiplas possibilidades de busca e de interação com o telespectador/ouvinte/leitor são fundamentais para o jornalismo, sem que percamos de vista o nosso foco que é informar. A leitura também é fundamental, diversifica o conhecimento e o vocabulário. As histórias não se repetem. O olhar sobre uma cena nunca pode ser o mesmo. 

 

3- Hoje vivemos numa época em que quase todo mundo se acha no direito de escrever reportar .... como jornalista que características não podem ser esquecidas para exercer a profissão?

 

R- Ser responsável pela informação que você vai dar, pois ela tem consequências na vida dos outros, na formação da opinião pública. E respeito aos princípios básicos do bom jornalismo, ao contraditório.

 

4 - Você esgotou quase todos os papéis na redação de uma TV, não é isso? Foi produtora, editora de texto local, editora nacional, editora chefe e chefe de redação. Nunca quis o "front"?

 

R- Por que eu me reprovei no meu teste de vídeo (risos). Fiz durante 15 dias numa ausência por motivo de saúde de uma repórter bem no início da minha carreira. Eu sempre gostei de entrevistar, de apurar e faço isso até hoje. Pego o telefone na redação e ligo pra fonte. Mas o que me seduziu na TV foi esse casamento do texto com a imagem, com a escolha da entrevista certa. Eu adoro editar. Se for escrever um texto, penso na imagem que preciso pra ilustrar.   

 

5- Como foi até se tornar diretora? Foi um processo natural ou por ser mulher enfrentou mais dificuldades até chegar num cargo de liderança?

 

R- Eu fui conquistando espaços e confiança na empresa com muito trabalho, muita "ralação" mesmo. Com os erros e acertos fui crescendo e ganhando experiência. Não enfrentei dificuldade por ser mulher para estar na liderança. O preconceito, às vezes, está em posições hierárquicas semelhantes. As mulheres deram muito saltos, mas há machistas e misóginos espalhados pelo mundo. É uma luta.  

 

6 - Zuca, você também é conhecida por identificar e contribuir com a formação de talentos. Como você identifica um jornalista com alto potencial?

 

R- Brilho no olho, sangue na veia, o que se dedica, que estuda, que quer fazer melhor a cada dia, que sabe ouvir, que identifica o erro e elimina aquele erro da sua rotina. 

 

7 - No total são quantos anos dedicados ao jornalismo? O que mais lhe surpreendeu? Do que mais sente orgulho?

 

R- São 23 anos de jornalismo. Eu me surpreendo todos os dias. Não há como fazer "hard news" sem tesão, sem se empolgar com uma reportagem, com a história das pessoas, com uma grande imagem. Sinto orgulho de todos que chegaram sem experiência e deram passos gigantes na carreira. Sinto orgulho de ter conduzido meu trabalho na Band com ética.

 

8- Você é uma líder exigente, criteriosa, ética, enérgica. Você se vê nestas características ?

 

R- Sim. Ser exigente, criteriosa, ética faz parte da obrigação, né? É como dizer que o principal defeito é ser perfeccionista (risos). Ser enérgica muitas vezes é necessário quando se lidera uma equipe com muito trabalho e pouco tempo. 

 

9 - Numa editoria de Mulher, esta pergunta não poderia faltar. Sempre conciliou a vida familiar, filhos, marido e profissão?

 

R - Não tem uma conciliação não (risos). Dois celulares ligados 24 horas. É a vida acontecendo: trabalho, família, marido, amigos. Meu termômetro pra ver se estou exagerando é quando Luca, meu neto, diz “larga o celular, Vovó!”.  

 

10- A Band agora entra numa nova fase ? Novos programas? O que podemos dar aqui em primeira mão?

 

A BandBahia passou a ser a cabeça de rede da Band Nordeste. As novidades da grade serão apresentadas no dia 14, pelo diretor da Band Nordeste, Augusto Correia Lima. 

Um dos primeiros passos foi trazer de volta o BandEntrevista para um horário nobre e com nova apresentadora:  Sílvia Corrêa (colunista da Folha de SP, ex TV Globo, ex SBT, Ex TV Gazeta, etc) . Um programa de entrevistas conduzido por uma jornalista com a experiência de Sílvia, não tenho dúvida que vai fazer diferença na nossa grade", garante Zuleica.  Posso adiantar que terá mais espaço para a mulher!

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