Sexta, 10 de Agosto de 2018 - 08:05

Reflexões da Blogueira sobre o Agosto Dourado!

por Nine Lima

Reflexões da Blogueira sobre o Agosto Dourado!

Eu acho muito bacana as cores dadas aos meses, as bandeiras que são levantadass, o trabalho e o incentivo que vem com tudo isso. É importante? Demais. Vou pegar como exemplo o Agosto Dourado que busca incentivar a Amamentação. E eu defendo muito isso... Tenho um blog e criei uma série que conta o depoimento de mães com a amamentação para de certa forma incentivar e estimular mães que desejam amamentar!
 

Mas, em que pese todo esse apelo e incentivo à amamentação e todas as dificuldades das mulheres enfretadas até hoje me choca ler alguns comentários, textos e opiniões que enxergam as escolhas que muitas de nós, mulheres, fazemos, como simplesmente meras escolhas.
 

Sim, a mulher é dona do seu corpo, ela é a mãe, ela quem decide sobre muitos aspectos, mas queridas, ainda vivemos uma realidade muito distante do total controle de nossas vontades. 
 

Vivemos em um país que tem um percentual de aproximadamente 40% de famílias chefiadas por mulheres (dados do IBGE 2010).
 

Os dados mostram ainda que as mulheres têm chefiado mais famílias mesmo quando possuem maridos. Nesses casos, houve um aumento percentual de 19,5% para 46,4%, entre 2000 e 2010!
 

O senso mostra também que mesmo não chefiando ou sendo a principal renda da família a parcela de contribuição da mulher na renda familiar é importante.
 

Isso significa que estamos em uma sociedade em que as mulheres não estão apenas trabalhando, mas estão sendo cada vez mais o que conhecíamos como "arrimo de família",  sustento de seus lares, e estão cada vez menos podendo ESCOLHER parar de trabalhar  ou até reduzir a carga horária para se dedicar à maternidade como talvez gostariam, e seguindo com uma amamentação exclusiva e todos os outros pontos importantes na criação e desenvolvimento dos seus bebês. 
 

Isso sem falar das mães que criam seus filhos sozinhas, das que são autônomas e não possuem licença maternidade, das empreendedoras que mesmo trabalhando em casa e contribuindo para o governo não recebem qualquer benefício para que se dediquem à maternidade. 
 

O que nos falta é pensar no coletivo, pensar políticas de incentivo e garantias que possibilitem as mulheres decidirem, por escolha própria e não por falta de opção, como será a sua maternidade! 
 

De nada adianta bater cabeça, levantar bandeiras e julgar umas as outras quem amamentou ou quem deixou de amamentar quando na verdade o que pesa mesmo na escolha é se eu parar quem vai me sustentar?
 

Enquanto olharmos superficialmente para essa e tantas questões continuaremos como massa de manobra, lutando por "empoderamento" que só existe nas redes sociais.
 

 

Sexta, 03 de Agosto de 2018 - 11:05

Blogando da Semana

por Kika Maia

Blogando da Semana

Antes de estudar moda, eu tinha a mesma impressão que o senso comum, de que a moda era algo fútil, mas se um dia ela realmente foi, hoje não é mais! A moda é uma forma de expressão da individualidade e dos movimentos sociais, com relevância.

Eu venho afirmando em minhas palestras que o feminismo nos auxiliou nesta evolução de tratar a moda. A partir do momento que nós mulheres percebemos que poderíamos ser quem quiséssemos, indo de encontro ao patriarcado e tudo que a sociedade vem nos impondo, com o amparo da mídia, passamos a exigir da indústria da moda o que nós queríamos que nos representasse.

Movimento recente as mulheres gordas exigiram o crescimento e evolução do plus size, as mulheres com mais de 50 só se vestirão como vovozinhas se elas quiserem, as negras usam peças de estampas e matiz africana quando querem. Algo em comum foi tomado por essas mulheres... SUA VOZ.

As mulheres sempre aprenderam a moldar, costurar, bordar, faziam as vestimentas e indumentarias de todos da casa e durante a revolução industrial elas foram incorporadas ao contingente de trabalho das indústrias têxteis. Nesta época, para as mulheres que não pertenciam as classes mais elevadas, o trabalho nas fábricas foi quase uma condição à sua subsistência, contudo trouxe uma maior lucratividade para os patrões que normalmente eram homens. A especialidade das mulheres ao entrarem no mercado de trabalho se restringia à força braçal, rotineira, mecânica e repetitiva.

Com o crescimento da burguesia e sua inspiração no “life style” da Aristocracia a Moda surgiu e se tornou uma forma de diferenciação hierárquico-social. As vestimentas e indumentarias passaram ter um valor distinto e historicamente se atribuiu este feito a um homem, Franz Frederic Worf. E ele foi acompanhado de muitos outros homens, tendo como exceção Chanel.

Mesmo as mulheres tendo um papel importante na produção da moda, na alta costura, por exemplo, os créditos, volto a dizer, eram atribuídos à nomes masculinos, as marcas tinham o sobrenome deles. Contudo, as mulheres vêm tomando pra si a importância da moda, não tem mais deixado que a “sua moda” seja menos relevante que a moda deles. Chega de uma Moda eurocêntrica, machista e exclusiva.

 

Sábado, 28 de Julho de 2018 - 09:05

Julho das pretas: o que querem as mulheres negras?

por Ashley Malia

Julho das pretas: o que querem as mulheres negras?

 

Agora no dia 25 de julho foi comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder e rainha quilombola. É um dia para lembrar a luta de mulheres negras que tanto se sacrificaram para construir a sociedade que vivemos hoje.

O mês de julho é marcado pelo Julho das Pretas, uma agenda de eventos que trazem diferentes organizações para discutir questões que perpassam a vida de mulheres negras. Diferente do dia 08 de março, o dia da mulher negra não tem nada de comercial. É um dia que não tem flores e muito menos presentes, é dia de luta para muitas mulheres negras, que mesmo tendo papéis tão importantes nos diversos setores da sociedade, ainda continuam sofrendo com a violência e o feminicídio.

Neste Julho das Pretas, queremos o fim da violência contra a mulher!  Somos as maiores vítimas de violência doméstica, onde 59,4% das mulheres que sofrem com esse tipo de violência são negras.

Queremos o fim da violência obstétrica!  De acordo com o Ministério da Saúde e Fiocruz, somos as maiores vítimas de mortalidade materna (62,8%) e da violência obstétrica (65, 9%). Ainda continuam nos mutilando e nos negando anestesia, pois não somos vistas como seres humanos e ainda perpetuam a ideia de que a mulher negra não sente dor. Nós somos fortes e nossos corpos são feitos de luta, mas exigimos tratamento digno e saúde de qualidade.

Queremos o fim do feminicídio, onde as mulheres negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que as mulheres brancas. Somos 68,8% das mulheres mortas por agressão. Queremos o direito de viver sem medo de acabarmos assassinadas por ex-companheiros, agressores do nosso cotidiano e, principalmente, pelo estado. Parem de nos matar!

As pautas do Julho das Pretas precisam continuar existindo durante as outras épocas do ano, porque a atual conjuntura do Brasil não permite uma vivência digna para essas mulheres. O racismo continua tombando esses corpos negros e não é num bom sentido. Se as mulheres não-negras precisam lutar contra o machismo, as mulheres negras têm um trabalho de lutar contra o machismo, o racismo, o classicismo e outras questões diretamente ligadas à população negra.

As mulheres negras querem o mínimo que se pode exigir numa sociedade democrática: viver. E continuaremos pautando nossas questões e lutando pelos nossos direitos não só em julho e não só em novembro, mas durante o ano todo. Se for preciso, gritaremos, porque Vilma Reis nos ensinou que mulheres negras não podem falar baixo e têm que andar, de preferência, com o bicão na diagonal. Ela ainda nos lembra o que Alice Walker também ensina: para nós, falar alto é exercício de poder.

*Dados: Agência Patrícia Galvão

Sexta, 20 de Julho de 2018 - 08:05

Blogando da Semana

por Kika Maia

Blogando da Semana

Antes de estudar moda, eu tinha a mesma impressão da maioria das pessoas, de que a moda era algo fútil, mas a verdade é que se um dia ela realmente foi, hoje não é mais! A moda é também uma forma de expressão da individualidade e de movimentos sociais, tendo inclusive uma relevância social.

 

Eu venho afirmando em minhas palestras que o feminismo nos auxiliou nesta evolução de “enxergar” a moda. A partir do momento que nós mulheres percebemos que poderíamos ser quem quiséssemos, indo de encontro ao patriarcado e tudo que a sociedade vem nos impondo, com o amparo da mídia, passamos a influenciar a indústria da moda sobre o que nós queríamos que nos representasse.

 

As mulheres gordas precisavam do crescimento e evolução do plus size, as mulheres com mais de 50 só se vestirão como vovozinhas se elas quiserem, as negras usam peças de estampas e matiz africana quando querem. Algo em comum foi tomado por essas mulheres... SUA VOZ.

 

As mulheres sempre aprenderam a moldar, costurar, bordar, faziam as vestimentas e indumentarias de todos da casa e durante a revolução industrial elas foram incorporadas ao contingente de trabalho das indústrias têxteis. Nesta época, para as mulheres que não pertenciam as classes mais elevadas, o trabalho nas fábricas foi quase uma condição à sua subsistência, contudo trouxe uma maior lucratividade para os patrões que normalmente eram homens. A especialidade das mulheres ao entrarem no mercado de trabalho se restringia à força braçal, rotineira, mecânica e repetitiva.

 

Com o crescimento da burguesia e sua inspiração no “life style” da aristocracia a Moda se tornou uma forma de diferenciação hierárquico-social. As vestimentas e indumentarias passaram ter um valor distinto e historicamente se atribuiu este feito a um homem, Franz Frederic Worf. E ele foi acompanhado de muitos outros homens, tendo como exceção Chanel.

 

Mesmo as mulheres tendo um papel importante na produção da moda, na alta costura, por exemplo, os créditos, volto a dizer, eram atribuídos à nomes masculinos, as marcas tinham o sobrenome deles. Contudo, as mulheres vêm tomando pra si a importância da moda, não tem mais deixado que a “sua moda” seja menos relevante que a moda deles. Chega de uma Moda eurocêntrica, machista e exclusiva.

 

Kika Maia é consultora de moda e imagem, empresária de moda plus size e formada em direito pela UCSAL. Mulher que vive o universo feminino e admiradora de mulheres que lutam, hoje e sempre, pelo empoderamento feminino e igualdade de gênero. Acompanha de perto questões relacionadas à autoestima e à visibilidade das mulheres gordas, bem como à revolução que isso vem causando em todo contexto social. Kika Maia participa como blogueira do Coletivo Minissaia. Mãe de duas meninas. Dona de uma gata chamada Frida.

Redes sociais: (acesse aqui e aqui)

Sexta, 13 de Julho de 2018 - 08:05

'É importante ter representações como Conceição Evaristo'

por Ashley Malia

'É importante ter representações como Conceição Evaristo'

Conceição Evaristo é uma escritora, poetisa e romancista negra, nascida na periferia de Belo Horizonte e que vem de uma família pobre. É preciso demarcar esses locais de fala para evidenciar uma trajetória que não foi fácil e, inclusive, foi (e ainda é) marcada pela resistência. A autora teve que conciliar o curso normal com o trabalho como empregada doméstica e foi quando mudou-se para o Rio de Janeiro que passou em um concurso e iniciou os estudos em Letras, na UFRJ.

 

Hoje, Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Ela é autora dos contos Insubmissas Lágrimas de Mulheres e Olhos D’Água, além do romance Ponciá Vivêncio e outros. Em 2015 ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura e, este ano, será a autora homenageada na Flica.

 

Me senti especialmente tocada ao saber da homenagem à Conceição na Flica 2018, pois a literatura esteve presente na minha vida desde a pré-adolescência, como leitora e como escritora. Durante a minha vida já li mais de duzentos livros e nunca me senti representada em nenhum deles. Inclusive, um fato curioso é que há alguns tempos atrás comecei a ler o livro “No Seu Pescoço”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, e só quando terminei o primeiro conto que percebi que estava lendo, imaginando e interpretando os personagens como brancos, mesmo estando claro que os personagens tinham origem africana. Foi a partir de então que comecei a questionar a minha trajetória na literatura como consumidora e até mesmo como aspirante a escritora. Totalmente marcada pela colonização e embranquecimento, pois mesmo os personagens das histórias que eu escrevia na adolescência eram brancos. Foi então que comecei a conhecer autoras e autores negros.

 

É extremamente necessário para a população negra ter representações como Conceição Evaristo na literatura brasileira, pois é uma forma de trazer para nós o protagonismo e lutar contra a colonização de nossos pensamentos e imaginações.

 

“A importância de enegrecer a Flica é a mesma de enegrecer a Academia [Brasileira de Letras] e todos os espaços sociais e culturais. São espaços nossos de pertença. Qualquer espaço que a gente conquiste, nada é dado, nada é privilégio. Nós estamos na base da construção dessa nação, então esses espaços são nossos em todos os sentidos”, diz Conceição em entrevista ao Ashismos.

 

E vale lembrar que essa referência não vem só pelo protagonismo e sim pela necessidade de mostrar para jovens negros que há possibilidades e que todos nós temos uma chance, mesmo que mínima, de conquistar estes espaços (e devemos). Conceição Evaristo é uma mulher que nasceu e cresceu na periferia, lutou muito para conseguir alcançar a academia e até hoje relata que não foi a mídia que a fez e sim aos irmãos e irmãs do Movimento Negro, que foram os primeiros a ler e valorizar seus textos. Portanto, o reconhecimento que tem hoje é mínimo em comparação ao que deveria ter não só para ela, mas para todas as mulheres negras que ocupam o campo da literatura.

"Eu não nasci rodeada de livros, nasci rodeada de palavras" - Conceição Evaristo

 

A homenagem na Flica é um passo em direção a uma democratização da leitura e da escrita. A autora faz questão de lembrar que as classes populares devem se apropriar da leitura e da escrita por direito. “Livro e leitura não é para ser de pertença das classes hegemônicas, tem também que ser de pertença das classes populares”, diz Conceição. Ela revela que faz questão de visitar escolas públicas para que crianças e jovens percebam que também podem ocupar esses espaços, pois existe um romantismo com relação ao escrito como se todos tivessem nascido nas classes privilegiadas. “Quando eu falo que a escrita é uma vingança, é justamente para mostrar que as classes populares, quando se tem oportunidade, são capazes de ser criadores de tudo”, completa.

 

Campanha pela Academia Brasileira de Letras

 

Recentemente, Conceição Evaristo declarou que iria se candidatar à cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras e, desde então, iniciou-se uma campanha pela ocupação da autora na cadeira 7 da academia. A campanha #ConceiçãoEvaristoNaABL tem gerado várias discussões sobre a representatividade negra dentro da ABL, fundada pelo autor negro Machado de Assis e que nunca foi ocupada por uma mulher negra. “Quem são esses escritores e escritoras que estão lá dentro? De que lugares sociais nascem essa escrita? De que lugar de gênero e experiência racial nasce a escrita dos representantes que estão lá dentro?”, questiona Conceição.

 

Ter Conceição Evaristo ocupando uma cadeira na Academia Brasileira de Letras é importante e necessário, não só pela representatividade negra, mas como diz a poeta Lívia Natália, “é devolver à academia sua vocação literária”.

Ashley Malia, 20 anos, baiana, mulher negra e periférica. Feminista, militante do movimento negro e estudante de jornalismo. Aos 12 anos encontrou na blogosfera um espaço para se expressar e hoje em dia vê as mídias digitais como uma possibilidade interessante para o seu futuro. Barbie preta, ama pink, fotografia e twitter.

O Ashismos é um blog com conteúdos sobre questões étnico-raciais e de gênero com linguagem simples e um toque cor-de-rosa.

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Sexta, 06 de Julho de 2018 - 08:05

Você não é relógio

por Aline Castelo Branco

Você não é relógio

Certa vez, uma mulher, bem vivida, independente, bonita, procurou-me para tratar uma “esquisitice”, que estava a atrapalhar bastante o seu casamento. A “esquisitice” dela tratava-se de insegurança.

 

Ciúmes não têm relação com amor. Aprenda isso. Os gajos gostam de mulheres seguras de si, diretas e sem pieguices. Por isso, pare de ligar para dizer a que horas o outro tem que voltar para casa. A não ser que de facto precise da pessoa, caso contrário, esqueça! Deixe o seu parceiro organizar o próprio horário e aproveitar os seus momentos de lazer, caso esteja a tomar uns copos com amigos ou a jogar futebol.

 

Guardadas as situações exageradas, não vale a pena ficar a cercear a alegria alheia. O problema não está na hora a que o outro volta para casa, mas na confiança que você tem (ou não) na capacidade de ele colocar limites.

 

Quanto mais damos liberdade ao nosso companheiro, mais segurança tem para retornar. Quando aprisionamos alguém, ao soltarmos, a primeira coisa que a pessoa faz é voar sem limites. Ser livre é tão bom que, ao perceber isso, o outro nunca mais volta. Somos como pássaros, gostamos de ser livres, mas não podemos achar que a relação é viver eternamente numa gaiola.

 

Confiança é algo muito grande e tem a ver com sabedoria. Casamento é entrega: de emoções, de razão, de paixão, de amor e de liberdade.

Aline Castelo Branco é educadora sexual, teraopeuta e you tuber

Sexta, 29 de Junho de 2018 - 08:05

Moda funcional é melhor do que aquela 'diferentona'?

por Estela Marques

Moda funcional é melhor do que aquela 'diferentona'?

Desde quando emergiu na época da burguesia no século XVIII até hoje, a moda tem passado por mudanças incrivelmente práticas e revolucionárias. Abandonamos vestidos longos, anáguas*, a pompa dos anos 1920, peças sem qualquer impacto prático na vida de homens e mulheres para dar lugar a uma indumentária mais funcional, principalmente para as mulheres. Observando brevemente a rotina minha e daquelas que me circulam, não saberia dizer como seria a vida sem calças, bolsos e grandes bolsas.

A partir do momento em que as mulheres foram obrigadas a assumir a força de trabalho deixada pelos homens que participaram da Segunda Guerra Mundial, passamos a conhecer o doce veneno da funcionalidade na moda. Veneno, sim, porque a gente acostuma e isso pode se tornar “prejudicial” – tipo aquela coisa “não sei se estou representando minha personalidade nessas roupas ou apenas usando uma calça, uma blusa e uma sapatilha”. Não que isso seja errado, inclusive, aqui vem o meu ponto principal desse texto, a parte doce de uma vestimenta funcional: ela funciona.

O dicionário Priberam da Língua Portuguesa define “fun-ci-o-nal” como relativo às funções vitais, que funciona bem ou que é de fácil utilização – ou seja, prático -, que permite efetuar alguma coisa da melhor maneira- ou seja, operacional. Bonito o que a moda se tornou nesses tempos modernos, afinal, rompe com as tradições. Se antes apenas meninos usavam calças, as meninas passaram a precisar desse tipo de vestimenta para viabilizar algumas tarefas requeridas no trabalho. Se os tecidos antes eram delicados e suaves, tornou-se necessário o uso de matéria-prima mais resistente e mais barata, já que em tempos de guerra os recursos são limitados. A funcionalidade assumiu um lugar que parecia vazio.

Assim foi nos anos seguintes, quando as peças cumpriam o propósito de vestir, representar uma identidade, passar uma mensagem – sem entrar no mérito das inspirações para cada peça, claro. De uns tempos pra cá têm me chamado a atenção alguns modismos que pouco contribuem para essa funcionalidade. Aqui eu me deixo ser convencida por Lars Svendsen, em Moda – Uma filosofia, quando ele diz que a moda é irracional e contraditória, apesar de se assemelhar à modernidade por romper com tradições. “Consiste na mudança pela mudança, ao passo que a modernidade se vê como constituída por mudanças que conduzem a uma autodeterminação cada vez mais racional”, ele escreve, na página 25.

 

Me convenço dessa irracionalidade quando, por exemplo, uma marca lança uma bolsa transparente, na qual todos os objetos guardados – e que deveriam ser protegidos – se tornam, na verdade, a estampa daquele item. Ou quando, mais recentemente, uma grife norteamericana decide lançar uma calça jeans com tela de painel transparente nas duas laterais, do quadril até a barra, deixando toda a lateral da perna à mostra. Detalhe: a calça deve ser usada sem calcinhas.

Não sei dizer ao certo que pretensão possui essa grife ao lançar uma peça desse tipo. De todo modo, não parece algo que a cidadã comum usaria – no máximo uma blogueira famosa e descolada que, sabemos, não é tão gente como a gente assim. Talvez exista aí o desejo de ser “instagramável”, chamar a atenção nas redes sociais pela ousadia, por ser cool, substituir o velho jeito de fazer por um novo, substituir o igual por algo diferente, ainda que o diferente não faça tanto sentido. É como diz o mesmo Lars Svendsen ao citar o filósofo Gianni Vattimo, segundo o qual a modernidade é uma era em que ser moderno é um valor: ser moderno torna-se sinônimo de ser novo. Sem contar que as calcinhas cumprem um papel importante de proteção às nossas partes íntimas. Daremos atenção a elas – as calcinhas – em outro momentp.

Mas, até aí, ok para a grife queridinha das famosas conhecidas por usar peças diferentonas, como a Rihanna. Como entender, então, uma marca que lança bolsas transparentes, num momento em que tanto se rouba e furta nas ruas? Por que, por outro lado, as pessoas adquirem esse tipo de item? Até que ponto vale à pena expor o que você carrega? Redes sociais não são suficientes?

Sou #teamfuncionalidade, porque aprendi nos tempos de escola a reconhecer a importância de uma moda que esteja a nosso serviço. Ter dois bolsos na camisa me ajudavam a guardar o celular, documentos importantes e dinheiro num lugar acessível. O short-saia poderia ser até meio sexista por diferenciar os meninos das meninas, mas dava o conforto das pregas costuradas, de modo que pulávamos, subíamos, descíamos, sem qualquer preocupação com qualquer constrangimento.

Não digo aqui que é errado ter uma peça cujo design põe à prova seu propósito enquanto vestimenta. Nem digo que dessa água nunca bebereis, afinal, não sabemos o calor que será feito no dia de amanhã. De todo modo, acredito que vale à pena a reflexão sobre o que a moda representa para você. Se ser uma exposição de arte – que se dissocia por completo do caráter prático da roupa – ou se uma pessoa que tem seu próprio estilo, gosta de peças que funcionem e usa a moda a seu favor. É escolha. Mas vale pensar um pouco antes de fazê-la.

Sexta, 22 de Junho de 2018 - 08:05

Blogando sobre oito mulheres e um segredo

por Rafaela Santos

Blogando sobre oito mulheres e um segredo

Opa, MULHERES

Eu juntamente com grupo de jornalistas de entretenimento, publicitários e influenciadores digitais tivemos o prazer de assistir a pré - estreia de 8 Mulheres e um segredo, por meio de um convite do Espaço Z em parceria com Warner Brasil. 

 

Minha primeira impressão do trailer me indicava que o filme seria ótimo, com protagonistas de excelente qualidade de atuação... mas confesso que fiquei um pouco preocupada de ser muito parecido com o filme original 11 homens e um segredo, ao ponto de perder sua individualidade e objetivo. 

 

Fiquei receosa, mas o Filme foi uma surpresa! Oito mulheres com o plano elaborado de roubar uma única jóia, mostrando de maneira individual cada personagem e suas vidas conseguindo supreender tanto a mim quanto a todo público. Spoiler!! Assista... Não vou dizer o que acontece. 

 

Estes filmes transmitem o empoderamento da mulher? Sim, mostrando mulheres unidas em função de um único objetivo de roubar uma jóia, descaracterizando que no cinema as mulheres só brigam ou são invejosas uma com as outras. 

 

Para aqueles amantes de #11homenseumsegredo como eu, temos algumas cenas que lembram o filme com frases clássicas entre "Danny e Rusty" a união dos dois bem executada, "Debbie e Lou", como aparição de alguns de seus personagens.

 

As personagens femininas são mulheres fortes, com personalidade bem definidas, mas em minha opinião a escolha de algumas destas atrizes não agradou tanto, no caso "bola nove" por Rihanna, mas não tirou brilhantismo do filme. Já Sandra Bullock tem uma atuação perfeita, pontuando aqui: como uma vingança podia ser tão amável e doce ou até influenciar a pessoa a ser roubada?  SÓ NOS FILMES AMERICANOS!

 

Claro que fazer o filme em nova York e na festa de GALA do METS com tanto luxo ... fiquei pasma com os cuidado e a escolha das roupas é de tirar o fôlego. Acho que escrevi demais, então se mova e não perca o filme! 

 

Cinemas: Shopping Barra, shopping da Bahia, shopping da Paralela, Salvador shopping, shopping Bela vista e Salvador Norte Shopping. 

Terça, 19 de Junho de 2018 - 09:05

19 de Junho - Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme

por Luciana Serafim

19 de Junho - Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme

A ONU (Organização das Nações Unidas) em 2008 reconheceu a Doença Falciforme como um problema de saúde pública.

Nós, que convivemos, diariamente, com a DF – Doença Falciforme, temos a consciência da importância desse dia que enfatiza um assunto de extrema importância. Agora, felizmente, começa a ocupar espaços nas redes sociais, conseguido ficar mais visível para a sociedade e o que é mais importante, na consciência das pessoas que têm DF, na família e nos amigos desses pacientes. E quando digo paciente, é porque não encontro outra palavra para definir quem padece de Anemia Falciforme, pois, é preciso muita paciência, perseverança e coragem para enfrentar e conviver com a DF.

 

Sabe o porquê que muitos de nós têm vergonha de dizer que tem DF?

Porque as pessoas não conhecem!

Porque temos que explicar detalhadamente o que na verdade deveria ser explicado  e zelado pela saúde pública.

Uma doença centenária, mas pouco divulgada.

Uma doença que atinge na sua maioria os afrodescendentes.

Como é que a doença hereditária mais comum do Brasil ainda é desconhecida pela maioria das pessoas?

Será que não é por conta do racismo institucional e estrutural? 

 

De um tempo pra cá, tenho escutado de alguns amigos e conhecidos que só vieram saber o que era a doença falciforme por causa de mim (tenho certeza que isso acontece também com muitos de vocês que têm DF). Isso é motivo de orgulho para nós que somos militantes neste assunto, pois chamamos a atenção da sociedade sobre a Anemia Falciforme e, acima de tudo, para os ouvidos que teimam em não escutar.

 

Por esta razão, temos que utilizar todos os meios possíveis para divulgar o nosso problema de saúde, como as associações e os grupos de apoio às pessoas com doença falciforme, que têm lutado constantemente pela visibilidade da DF e por nossos direitos. Uma das mais importantes conquistas, no meu ponto de vista, foi incluir no Teste do Pezinho o exame Eletroforese de Hemoglobina (exame que dá o diagnostico da Doença Falciforme). Mas sabemos que a batalha é grande e que ainda temos muito que lutar e conquistar.

 

Esta falta de conhecimento sobre a doença falciforme causou e ainda causa muito sofrimento as pessoas com a doença e seus familiares.

 

Muitos e muitas cresceram e morreram sem o devido diagnóstico, pessoas estas que sofreram dores imensuráveis e sem explicação, e por terem a saúde mais fragilizada foram descriminadas por parte da família, amigos e da sociedade, sendo taxadas de problemáticas, hipocondríacas, "viciadas", preguiçosas e outros nomes que desqualificam o ser humano.

 

Muitos e muitas viveram boa parte da vida com o diagnóstico errado; febre reumática e outras patologias que na sua essência diferenciam muito dos problemas causados pela doença falciforme.

 

Muitas e muitas tiveram lesões graves no fígado por serem obrigadas a tomarem complexo vitamínico com alto teor de ferro para "curar" uma "anemia".

 

Essa é a triste realidade que muitos e muitas que viveram e que infelizmente ainda vivem.

Por esta razão devemos conscientizar as pessoas sobre doença falciforme o ano inteiro. É o fazemos e faremos sempre.

Muita energia para os pacientes de DF

Artigo escrito por Luciana Serafim Coordenadora voluntária da ABDFAL – Ass. Baiana de pessoas com Doenças Falciforme)

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Sexta, 08 de Junho de 2018 - 08:05

Mobilidade urbana BRT e impacto ambiental

Mobilidade urbana BRT e impacto ambiental
Olívia Pimentel

Ultimamente o assunto é a implantação do BRT de Salvador e o impacto ambiental que a construção pode causar.

 

Antes de dar a minha opinião a respeito da matéria, vejamos do que se trata o BRT siglas dos nomes “Bus Rapid Transit”, ou traduzindo para o português Transporte Rápido por Ônibus, o BRT tem sua origem no Brasil, foi criado pelo arquiteto Jaime Lerner em 1974 e implantado primeiramente em Curitiba no Paraná.

 

A implantação foi um sucesso, trouxe visibilidade no mundo todo. Para que o sistema de transporte seja considerado BRT é importante ressaltar que há algumas exigências mínimas para a sua implantação.

 

As principais características do BRT é a existência de uma faixa ou corredor exclusivo de circulação dos ônibus, estações de transbordo de qualidade, ônibus bipartidos com múltiplas portas, facilitando o ingresso do passageiro e tornando o transbordo rápido e ágil, podendo prever inclusive o horário exato do transporte na estação. Ultimamente se transformou em um dos transportes urbanos mais usados no Brasil.

 

A grande polemica da implantação do BRT em Salvador é qual o impacto ambiental que trará para a cidade a sua implantação.

 

O art. 1º da resolução do CONAMA * órgão que regulamenta a matéria ambiental, prevê a ocorrência de impacto ambiental somente se dá através de uma mudança do meio ambiente causada pela atividade humana, por conta disso, para implantação de qualquer atividade que venha modificar o meio ambiente se faz necessário o estudo de impacto ambiental.

 

O Estudo do Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA) é uma exigência da Constituição Federal que no art.225, IV diz:

 

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

 

...IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;

 

A prefeitura de Salvador tomou a devida cautela de elaborar o estudo do impacto ambiental para a implantação do BRT de Salvador conforme a lei determina, e para conhecimento está disponível à todos os soteropolitanos. Eu particularmente analisei antes de elaborar esse texto.

 

Observei dois aspectos importantes que passo a tecer meus comentários: (a) o benefício da mobilização urbana; (b) o impacto ambiental.

Sobre o benefício da mobilização urbana, é indiscutível a necessidade de implantação de mais transporte urbano para cidade de Salvador.  A demanda populacional aumenta a cada ano, a quantidade de veículos circulando em Salvador está tornando a nossa capital um “caos” de trânsito nos horários de pico.

 

Há necessidade de implantação de meios de transportes rápidos e eficientes, com prazo de implantação relativamente rápido, comparado com a implantação do metrô que levou anos para sair do “papel”, diga-se de passagem, foi uma grande conquista para nossa cidade. Um dado importante a saber é que a participação da modalidade de transporte de ônibus público no Brasil é de 86,3% de todos os meios de transporte.

 

Porém, como toda evolução demanda efeitos secundários, no caso as críticas a implantação do BRT é justamente o impacto ambiental que essa implantação pode causar, eu particularmente prefiro chamar de impacto socioambiental.

 

O IEA elaborada para o BRT de Salvador está em conformidade com a legislação vigente e nos traz perspectivas boas e ruins com relação ao impacto socioambiental.

 

Tomamos a ousadia de listar algumas, qual pesquisamos a respeito do BRT para esclarecimento.

 

De acordo com o relatório trará alguns viadutos, um impacto visual que o soteropolitano não está acostumado. Mas trará uma ciclovia, macrodrenagem e paisagismo.

 

A implantação do BRT muito embora trará um impacto visual desagradável a cidade é uma excelente alternativa para a mobilidade urbana, pois contamos que com a expectativa de redução da frota de veículos circulantes em Salvador, trará a cidade a redução de emissão de gases poluentes, minimizando a poluição atmosférica.

 

Além disso, a NTU * possui um estudo científico que cogita a possibilidade do órgão público que adota a implantação do BRT, ao conseguir a redução dos gases poluentes poderá comercializar os créditos de carbono.

 

O estudo apresentado prevê a mitigação dos impactos ambientais, com isso a redução da poluição, tudo isso através de ações preventivas por parte do poder público, com apoio da população. O desagrado fica por parte da poluição visual, mas é importante ressaltar que caberá a nós cidadãos acompanhar e fiscalizar a implantação do BRT, com o objetivo de ter uma cidade moderna e ambientalmente equilibrada.

* CONAMA - Conselho nacional do Meio Ambiente

**NUT -Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano

Dra. Olívia Pimentel é advogada, formada pela Universidade Paulista, pós-graduada em Análise de Negócios pela FAAP, e pós-graduanda em Direito Ambiental Novas Tendências pela FGV, especialista em Direito do Consumidor e Direito Imobiliário.

Os artigos de Olívia podem ser conferidos em breve em Blog em construção.


 

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