Procuradores fazem ato contra indicação de Augusto Aras; MPF-BA não participou
Foto: Renato Souza/CB/D.A Press

Membros do Ministério Público Federal (MPF) de 15 estados e do Distrito Federal fizeram um protesto contra a indicação do subprocurador da República, Augusto Aras, para o cargo de procurador-geral da República. O ato aconteceu nesta segunda-feira (9). O MPF da Bahia não realizou protestos no estado. As manifestações foram convocadas por procuradores com apoio da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Entre os manifestantes estavam os candidatos da lista tríplice, que foi rejeitada pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

Os atos ocorreram em Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. “Este não é um ato contra A, B ou C. Este é um ato em defesa do Ministério Público Federal. Da sua independência, da sua autonomia, do princípio democrático que deve nortear a ocupação de nossas funções mais relevantes. E isso não se dá em favor de nós, procuradores, mas da sociedade brasileira”, defendeu o presidente da ANPR, Fábio George Cruz da Nóbrega.



Em Brasília, os subprocuradores-gerais da República Mário Bonsaglia e Luiza Frischeisen, integrantes da lista, reforçaram a necessidade de a categoria se manter vigilante em defensa de suas prerrogativas. “Não vamos fulanizar a discussão, mas não aceitaremos que o MP seja vinculado a quaisquer outros Poderes da República, somos um órgão independente”, afirmou Bonsaglia. “Quando nos propusemos a trabalhar na lista tríplice para o cargo de PGR, dialogamos com todos dentro do MPF. Estamos aqui no dia de hoje para dizer que cada um de nós defenderá a independência do MP brasileiro e do MPF”, disse Luiza.


Presente ao ato organizado no Rio de Janeiro, o procurador Regional da República Blal Dalloul, terceiro nome da lista tríplice, apontou preocupação com a atuação do MPF, sob um procurador-geral que não apresentou propostas à sociedade. “O compromisso do MPF com a sociedade exige autonomia e independência. Ele deve dialogar com os Poderes de forma altiva e clara, como a luz do sol. A chegada sob as sombras, seja de quem for, fere a democracia interna e provoca as manifestações de indignação vistas hoje”, afirmou Dalloul.

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