Advogado que discutiu com juíza é réu em ação por porte ilegal de arma e desacato
Foto: Arquivo pessoal

O advogado Paulo Kleber Carneiro Carvalho Filho, que se envolveu em uma discussão com a juíza de Direito Isabela Kruschewsky na semana passada, é réu em uma ação do Ministério Público do Estado (MP-BA) por porte ilegal de arma e desacato após se envolver em uma confusão no município de Porto Seguro, no extremo sul do estado. A Associação dos Magistrados da Bahia (Amab) emitiu uma nota de desagravo na última sexta-feira (7) contra o advogado (veja aqui), que acusa tanto a associação quanto a juíza de "alterar a verdade dos fatos" (entenda aqui).


A denúncia contra Paulo Kleber foi apresentada pela promotora de Justiça Michelle Roberta Souto em novembro do ano passado, e aceita pela Justiça em março deste ano. De acordo com o MP-BA, no dia 4 de novembro o advogado efetuou disparos em via pública com uma pistola calibre .380. A denúncia aponta que Paulo estava com a esposa a passeio na cidade e que por volta de 22h ele "resolveu urinar na frente de todos os pedestres, praticando oato obsceno em lugar público, consistente em tirar o pênis para fora da roupa e o balançar para as pessoas que por ali passavam".


"Nesse momento, os cidadãos que presenciaram a cena deplorável reclamaram da conduta criminosa, fato que enfureceu o denunciado, o qual sacou a arma de fogo que portava na cintura e com ela efetuou disparos para o alto, correndo atrás das pessoas. No caminho em que amedrontou e perseguiu a multidão, da Av. Getúlio Vargas à Passarela do Descobrimento, o denunciado ainda ofendeu a integridade corporal do guardador de carros Luciano Martins Teixeira, causando-lhe lesões ao chutar-lhe as pernas e braços", narra a promotora no documento.

 

O MP-BA diz que populares chamar a Polícia Militar, que encontrou o advogado com arma em punho. Paulo teria se apresentado como policial "P2", depois como Procurador do Estado e, por fim, como advogado, apresentando a sua carteira da OAB e dizendo que a documentação da arma estava em Salvador. "Em seguida, o denunciado deixou de ser cooperativo e passou a ofender os policiais, opondo-se à execução da prisão, mediante violência e ameaça, sendo necessário quatro PM’s para algemá-lo e colocá-lo no presídio da viatura. Durante todo o percurso para a delegacia, o denunciado cproferiu agressões verbais e ofensas aos militares, chamando a Cabo da PM Ailma Marcelo Santos de 'gorda', 'quatro olho', 'sapatão', 'puta' e 'vagabunda', desacatando-a, além de ameaçá-la ao dizer que tiraria sua farda e iria 'buscá-la'. Uma vez na delegacia, o denunciado ficou ainda mais descontrolado, não aceitando sua prisão e passando a também desacatar os agentes públicos que estavam lá em serviço, quando afirmou, perante policiais civis e militares, que já havia matado dois policias da RONDESP e que de onde tirou a arma apreendida tiraria outras", completa a denúncia.
 

Procurado pelo Bahia Notícias, Paulo se disse inocente. O advogado defende que foi vítima de um assalto. "Por trabalhar com a área crime, eu estava armado com uma pistola de outra pessoa para minha segurança, enquanto tiro meu porte. E fui vítima de uma tentativa de assalto, que reagi e tentei atingir o vagabundo", afirmou Carvalho Filho. Ele diz ainda que não conseguiu atingir o suspeito, mas que localizou "o guardador que deu o sinal para ele assaltar a mim e a minha família", e que o "apertou" para que ele dissesse onde estaria o "comparsa". "A lesão corporal consiste nesse aperto que eu no guardador cúmplice do assaltante. Sobre o ato obsceno, me recuso a responder por questões óbvias. Como estaria botando pênis pra fora com meu filho e mulher ao meu lado?", questiona.

 

Perguntado sobre a acusação de desacato contra os policiais, ele respondeu que "nunca existiu" de sua parte a sugestão de que era policial. "Recebi foi três tapas na cara, depois que souberam que eu era advogado e estava portando a arma de fogo. Vou tratar quem me dá tapa na cara como? “Oi, meu amigo? Obrigado pelo tapa na cara!”?".

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