Quarta, 14 de Março de 2018 - 11:00

Mais de 160 mil vagas podem ser abertas em concursos; 1º lugar do MPF dá dicas

por Cláudia Cardozo

Mais de 160 mil vagas podem ser abertas em concursos; 1º lugar do MPF dá dicas
João Paulo Lordelo | Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

A estabilidade financeira almejada por muitas pessoas pode ocorrer através de um concurso público. Um levantamento da Associação Nacional de Proteção e Apoio ao Concursos (Anpac) estima que, neste ano, devem ser oferecidas 162 mil vagas em diversas áreas, com salários que podem ultrapassar o valor de R$ 22 mil. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) vai realizar um concurso para juízes neste ano, oferecendo 50 vagas. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também abrirá vagas para promotor de Justiça. Para quem é bacharel em Direito, as opções podem ser múltiplas. Mas para ser aprovado é preciso dedicação aos estudos. É o que diz o procurador da República João Paulo Lordelo, aprovado em primeiro lugar no concurso do Ministério Público Federal (MPF), um dos mais difíceis do país. Ele, na mesma época, foi aprovado para o concurso de juiz do TJ-BA, e já era defensor público federal. Para alcançar o posto, Lordelo nos conta nesta entrevista como era sua rotina de estudos. “Passar em concurso não é muito diferente de se preparar numa academia ou algo assim. Exige um esforço contínuo todos os dias, é algo parecido com fazer exercício físico, ficar em forma. Se você quer ficar em forma precisa todos os dias fazer exercício, não é da noite para o dia que você consegue”, afirma. O hábito de estudar surgiu de uma necessidade: melhorar as notas enquanto estudante universitário do primeiro semestre da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A partir daí, passou em oito concursos diferentes. 

 

Como você conseguiu ser aprovado em 1º Lugar no concurso do Ministério Público Federal? São muitos anos de estudos, não é?
Eu costumo dizer o seguinte: passar em concurso não é muito diferente de se preparar numa academia ou algo assim. Exige um esforço contínuo todos os dias, é algo parecido com fazer exercício físico, ficar em forma. Se você quer ficar em forma precisa todos os dias fazer exercício, não é da noite para o dia que você consegue. Eu tive muita sorte já na faculdade, de ter me dado mal no primeiro semestre. Eu estudei em uma escola particular, passei na Ufba e achava que o nível da faculdade era o mesmo nível da escola. Meus colegas eram muito mais dedicados. Isso me fez ter uma nota ruim no primeiro semestre. Como o score na Ufba é cumulativo, eu precisei me dedicar nos outros semestres. Meu escore no primeiro foi 7 e alguma coisa, no segundo foi 9 e alguma coisa. Desde o segundo semestre eu estudo intensamente por livros, sempre procurando exaurir o conteúdo das disciplinas. Não era uma preparação pra concurso, mas já existia uma preparação na faculdade. Ás vezes, as pessoas não consideram como elemento importante. Quem tem um hábito de estudar desde novo, sai na frente principalmente por ter contato com livros, aquela rotina de ficar horas estudando, mas isso não é determinante. Tem gente que começa a estudar de fato quando se forma e se dá muito bem também. E a primeira coisa que eu fiz também, e eu acho que a maioria das pessoas se preocupam, foi, ao me formar, conversar com pessoas que foram aprovadas, porque eu imaginei que elas tivessem alguma coisa pra me dizer. Eu tenho um grande amigo que foi meu colega de turma, se formou um pouco antes e passou pra advogado da União, e aí eu pedi algumas dicas pra ele, como se organizar e tal. Ele me deixou bastante claro que não existe um método infalível de se passar em concurso, mas que era importante ter uma rotina equilibrada e uma bibliografia adequada para as matérias do edital que você foca. E aí eu fui conversando, não só com ele, mas com outras pessoas. Assim que eu me formei, eu peguei um livro, eu lembro que era um livro acadêmico de Direito Constitucional, e falei: 'vou ler de cabo a rabo pra ficar fera em Constitucional', e não era um livro pra concursos. Eu tinha maior preconceito com obras voltadas pra concurso, mas na verdade não. É necessario entrar nessa bibliografia adequada pra concurso, é importante entrar em um curso preparatório para concurso. Logo que eu me formei eu fiz um curso que era telepresencial na época. Eu tinha que me deslocar pra um lugar para assistir no telão. Hoje em dia não, você faz cursos online, não precisa nem sair de casa.

Foi na faculdade que você descobriu que queria seguir a carreira no Ministério Público?
Desde o início, eu tinha uma certeza: eu não queria ser advogado. Porque eu não venho de uma família de juristas advogados. Não há um escritório na minha família. A prática da advocacia aqui na Bahia é um pouco sofrida, é difícil você entrar no meio, principalmente se você não tem muitos contatos. Eu nunca tive muitos contatos. Nunca pensei que iria me destacar na advocacia. E tem um exemplo na família de pessoas concursadas. Minha mãe é procuradora do Município, meu avô era delegado, meu tio-avô delegado, muita gente que ocupa cargos públicos na família, aí eu pensei: "vou fazer concurso publico". Fui estagiário do MP e já me encantei pela carreira. Mas o MP exige três anos para você começar na carreira, três anos de prévia formação, três anos de atividade jurídica, assim como juízes. Eu imaginei que eu entraria em alguma coisa antes disso. Não tinha ideia muito concreta, aí fiz concurso para procurador do Estado, e passei no Estado de Pernambuco, para analista do Tribunal Regional Eleitoral; pra advogado da Embasa; técnico da Ufba; técnico do TRE; técnico da Chesf; e defensor público federal. Aí, tomei posse como advogado da embasa e depois como defensor público federal. Gostei da carreira de defensor, resolvi fazer meu mestrado, parei de estudar por dois anos e foi aí que eu percebi que eu realmente queria seguir esse sonho de ser membro do MP. Eu achava que o MPF era impossível porque todo mundo dizia que era o concurso mais difícil que tinha. Tinha que decorar doutrina estrangeira, uma cobrança muito aprofundada. Eu achava que eu não ia nem conseguir, então foi o concurso da magistratura e o MP também. Parei de viajar por dois anos, deixeri de sair por dois anos, quando saía era uma vez só, nem ia para festa, nem nada, uma rotina dedicada. Aí, veio a aprovação na magistratura do estado, e logo em seguida o MPF.

 

Porque o MPF?
As profissões jurídicas são muito variadas e as pessoas hoje em dia partem muito da vocação de cada um. Até porque os atrativos de remuneração hoje em dia são próximos. Alguns ganham mais, outros ganham menos, mas pensar única e exclusivamente na remuneração, em minha opinião, é pensar pequeno. Concurso público é que nem casamento, você abraça, a princípio, pensando pelo resto da vida. E que seja eterno enquanto dure. Às vezes, não dura tanto o concurso, mas eu imaginei justamente isso, eu estava até satisfeito na Defensoria Pública, uma carreira bela, muito bacana, só que eu gostava de um trabalho mais dinâmico. Eu sempre gostei muito de uma atuação jurídica criativa e que não pegasse tantos casos repetitivos, e na Defensoria isso me incomodava um pouco, porque eram casos individuais que se repetiam muito. E eu percebi que os casos que eu gostava mais de atuar na Defensoria eram casos de defesa de coletividades. E o MP especificamente lida ou com área criminal, ou com a defesa da sociedade como um todo. Tem uma estrutura muito grande para isso, de corpo pericial e profissionais de assessoria que já têm um know how muito forte sobre essa coisa. O MP atua muito na temática indígena e quilombola, por exemplo, direitos do consumidor, meio ambiente, que é importantíssimo, então isso tudo me chamou a atenção. Eu já era Mestre em Processo Coletivo pela Ufba. Eu pensei que podia aliar a formação que eu já tinha com a carreira, não teve outra saída senão escolher o MP. Avaliei todos os aspectos e sempre foi a carreira dos meus sonhos.

Em nenhum momento ficou tentado a ser juiz?
Nenhum momento. Aliás, quando eu passei pra juiz eu até optei em ser defensor publico federal, mas foi uma outra circunstância. O concurso envolve muitos elementos, a pessoa que se forma juiz ou membro do MP sabe que dificilmente vai começar já numa capital, vai pro interior. Quando ingressei na DPU, eu já vim direto para Salvador, nem precisei mudar de casa. Para juiz, eu teria que ir para o Interior, ainda mais distante que o MP. No MPF, logo que eu tomei posse existia a opção de começar a atuar em Guanambi ou em Barreiras. Barreiras é uma comarca na Justiça estadual que só é atingida pelos juízes já depois de promovidos. No MPF, foi a primeira lotação, aquele que ninguém queria. Esses fatores têm que ser levados em consideração, o estresse, a qualidade de vida, a atuação da matéria, é muito importante avaliar esse tipo de coisa.

 

A advocacia está sendo desmerecida pelo concurso público?
Se a gente se colocar na mentalidade de um estrangeiro, por exemplo, um americano ou europeu, tirando os italianos talvez, que olham pro Brasil, é estranho imaginar um país em que o serviço público pague mais que o serviço privado. Hoje, a média de salário do serviço público, em geral, é maior que a média do serviço privado. Mas na área privada não há limite. Existe a possibilidade de a pessoa alcançar salários muitos maiores, mas quem alcança é uma minoria. O serviço público, no final das contas, não é uma questão exclusiva da área jurídica. Só para dar um exemplo, o cargo de nível médio em diversos órgãos públicos paga melhor do que a um professor com doutorado em uma universidade particular. Cargos de nível médio remuneram muito mais do que muitas profissões na área privada com atuação para quem tem um diploma de nível superior. É óbvio que existe uma distorção no mercado. Não sabemos até quando isso vai acontecer, a tendência é que isso no final de algum tempo, de algum período, se reduza, que fique mais equalizado com o tempo. Acho que isso deriva também de um problema da nossa economia. Tem muita gente que se forma em arquitetura, administração, direito, diversos cursos, e tem dificuldades de ter um salário bom. Vivemos em um país em que quase todo mundo quer fazer Medicina ou Direito. Medicina tem uma empregabilidade absoluta e salários altos. Direito é o céu e o inferno ao mesmo tempo. Você começa na advocacia que paga muito pouco, e pode alcançar um cargo público que paga muito bem. Muita gente me pergunta: "Devo fazer Direito?" "Vou fazer Direito e um concurso, vejo que tem muitos campos". Eu sempre falo: "pense bem se é da sua personalidade estudar, porque se você não conseguir ingressar num cargo público, a área privada do direito é muito complicada". Tem que ter muita vocação, muita dedicação, muitos contatos e tal. Hoje em dia, por exemplo, a média de salário dos serviços prestados por taxistas é maior do que dos advogados. Era mais fácil você ter um salário maior como taxista do que como advogado recém formado. Eu não vejo isso como um desprestígio à advocacia, eu vejo como um sinal, na verdade, de modo geral, das carreiras públicas quando comparado às carreiras da iniciativa privada. Esse desnível existe pra toda e qualquer carreira, não apenas no serviço público.

Há uma sinalização de que esse ano terá mais concursos públicos, que vão movimentar as carreiras jurídicas, os cursos preparatórios. Qual é o seu conselho para os concurseiros?
O ano de 2017 foi crítico. Foi um ano de terror. A gente vivenciou uma crise política e econômica muito forte. Houve aprovação de Emenda Constitucional limitando os gastos públicos. Mas o que se anuncia hoje, para o ano de 2018, é um cenário de melhora na economia e já há notícias de concursos que devem ser lançados em breve. A Advocacia Geral da União, para o cargo de procurador federal, para juiz de direito aqui na Bahia, concursos no STJ pra analista e técnico... então há outros concursos que devem ser abertos. O concurso do MPF deve retomar o seu curso, que estava suspenso. Há concursos da magistratura em andamento, outros que devem ser deflagrados. De fato, o ano de 2018 parece anunciar a retomada de alguns editais. O cenário é mais promissor se comparado a 2017. Toda vez que um ano ruim se anuncia, eu digo: "excelente. É o momento em que você vai se dedicar ao estudo e quando o ano bom vier, você estará preparado". 2018 está aí, já é um ano melhor que 2017. Quem já vem estudando deve intensificar os estudos, focando nos editais que vão sair, é importante não ficar pulando de edital em edital. E quem está iniciando agora, aproveite esse momento e já vá organizando melhor seu ano todo, faz um calendário do ano todo, programe seu ano todo, como ele vai ser feito, de forma a criar uma rotina objetiva e intensiva de estudos e aproveitar o ano de 2018. Acho que o ano de 2019 deve seguir a mesma linha de 2018 ou até melhor.

 

Tem as chamadas carreiras de concurseiros, as pessoas que fazem todos os concursos pra todos os editais. É preciso de um foco?
Quando eu estudava para concurso, eu odiava a palavra concurseiro. Eu nunca dizia que eu era concurseiro. Alguém me perguntava o que eu fazia, eu dizia que era advogado e que no momento estava estudando para concurso. Porque existe muita gente que internaliza, não sei se inconscientemente, a ideia de que é concurseiro, e de que alguém cuja profissão é estudar. E aí vai fazendo cada dia um concurso diferente, um cargo nível médio, um nível superior, um na área fiscal, um na área jurídica, e acaba não passando em nada. Quem tenta abraçar o mundo não consegue. É importante sempre focar e imaginar o período de estudos como um período transitório, pensando: "não há ninguém estudando como eu no resto do Brasil. Eu quero colocar na minha rotina uma rotina tal de forma que não exista possibilidade de alguém estar estudando mais do que eu. No máximo igual". E como eu fazia isso? Aproveitando todo o meu dia pra estudar.

Eram oito horas diárias de estudo?
Mais. Às vezes, mais do que isso. Às vezes, 13 horas, 14 horas por dia. Definia os intervalos de almoço, o tempo que eu ia fazer o estudo do curso preparatório e, na época, nem exercício físico eu fazia. Uma coisa que eu não recomendo hoje, até porque a memória funciona melhor quando você faz exercícios físicos. É bom manter um exercício físico contínuo, ou um hobby, como música, tocar um violão, qualquer coisa. Aqueles 30 minutos diários que a pessoa consegue relaxar um pouco. Um hobby saudável eu acho que ajuda. Mas se a pessoa não está trabalhando, faça do estudo o trabalho. E se está trabalhando, tente criar uma organização mais precisa, e saber quando vai trabalhar e quando vai estudar, porque o trabalho cansa a mente.

 

Como conciliar trabalho e estudos?
Eu fiz um período sozinho, logo que eu me formei. E depois na Defensoria, eu fiz um período trabalhando. Então, experimentei esses dois aspectos. É muito mais fácil estudar sem ter um trabalho, isso é óbvio, é muito mais fácil. Trabalhando, como faz? Primeiro, você tem que imaginar o seguinte: que tipo de postura adotar para tornar o meu trabalho mais eficiente? E não perder tanto tempo assim no trabalho. Então, aquela conversinha de corredor, aquela coisa que torna o trabalho ineficiente, já eliminava e tentava ser o mais objetivo possível. Depois, definir exatamente um horário de trabalho e um horário de estudo. E se possível, isso foi uma coisa que eu cheguei à conclusão depois de alguns testes - o ideal parece ser estudar no início do dia e depois trabalhar. Porque voltar do trabalho cansado para depois estudar é mais difícil. O trabalho cansa a mente, desgasta a gente, então é muito difícil conseguir manter a concentração depois de um dia de trabalho. E na Defensoria Pública, especificamente, o trabalho era muito pesado. Então, eu tinha que chegar em casa e ter um tempo para estudar já com a cabeça cansada. E aí resolvi acordar cedo, estudar cedo e ir para Defensoria depois e, ao voltar para casa, estudar um pouco mais. Fui tentando fazer isso, arranjar um período de quatro horas por dia quando estava na Defensoria, quatro horas no final de semana, às vezes cinco horas por dia. Mas eu sempre fazia isso. E quem trabalha não pode achar que final de semana vai estar sempre livre. É claro que cada um tem sua história, tem sua vida, tem pessoas que são casadas, tem filhos, tem que cuidar dos seus filhos, cuidar dos seus parentes, enfim, cada um tem sua história. Mas eu acho importante, se possível, estudar no final de semana, ao menos um turno ou dois nesses dois dias.

 

Tem pessoas que fazem concurso aqui na Bahia, concurso no Ceará, concurso no Amazonas, você acha que é preciso que ela deixe o foco dela pra um local também?
Nisso, eu acho até interessante. Às vezes, a gente até tem preconceito. Eu tenho um colega que é juiz no Pará, e para nós, baianos, é estranho. Para o baiano, o Pará é um estado muito distante, mas o Pará é um estado riquíssimo. Ele está tendo uma experiência muito boa. Tenho colegas inclusive do MPF que estão morando em Belém e são apaixonados pela cidade. Então, essa coisa do viajar enriquece e nos permite conhecer lugares tão bons ou até melhores, dependendo do lugar, do que a nossa terra natal. Eu acho bacana. Não atrapalha porque, se tiver o mesmo foco, por exemplo, quem estuda para juiz do Trabalho, dá para pessoa estudar e fazer concurso para todos os tribunais do Trabalho, mas agora é unificado. O MPF já era unificado e o Ministério do Trabalho unificou. Mas antes era muito comum fazer em cada estado, ou fazer para procurador do Estado, por exemplo, que não era unificado. Eu cheguei a fazer alguns concursos fora do estado. Eu fiz em Pernambuco e São Paulo. Não escolhi alguns estados em que eu não gostaria de morar, então eu nunca fiz Amazonas - não que eu ache ruim o Amazonas, mas para mim, é muito distante de Salvador e eu acho importante estar aqui de vez em quando. Eu sempre gostei da região Nordeste e Sudeste, mas hoje, por exemplo, depois de ingressar no MPF, eu tenho como referência muito mais o Centro-Oeste, Brasília. Eu nunca pensei em fazer concurso para Goiás por exemplo. Hoje, se eu tivesse estudando pra concurso, eu faria para o estado de Goiás. Goiânia é uma cidade encantadora.

 

Você dá aula para concursos. Quais são as maiores dúvidas dos alunos?
Os alunos perguntam de tudo. Mas o que menos perguntam é sobre a matéria que eu estou lecionando. Eu leciono processo civil, improbidade, processo coletivo, tudo na área de processo civil. As dúvidas, geralmente, não são na área de processo civil. As dúvidas são: 'como se preparar', 'como estudar', 'quanto tempo eu me dedico', 'qual livro é o melhor para determinada disciplina'. Às vezes, eles têm dúvidas, porque os concursos sobram muito em informativos de jurisprudência dos tribunais. Às vezes, eles querem saber exatamente o que foi que o tribunal decidiu que eles não estão conseguindo entender, e o que marcar na prova objetiva. E é difícil dar essas respostas, porque os tribunais decidem um caso, mas não deixam muito claro qual o posicionamento deles, ou o que seriam mais objetivo daquele julgamento. Então, eu respondo: "eu marco isso, mas é um assunto polêmico". Às vezes, as bancas de concurso elaboram questões bem duvidosas, é complicado. E o curioso é que há muitas perguntas que são muito pessoais, tem gente que narra - no meu site tem um espaço para contatos - as pessoas escrevem: "olá, eu sou casado, eu tenho tantos filhos, minha vida é assim, o que você acha que eu devo fazer para passar em concurso?". Eu vejo, às vezes, como um grito de ajuda, de afago, de socorro. E eu tenho muito cuidado para responder isso, porque eu não quero passar uma imagem de autoajuda. Eu acho que não é a função do professor de cursinho ter uma ideia de assumir uma postura de alguém que promove uma autoajuda, de alguém que faria um acompanhamento psicológico. Eu acho que não é o ideal, mas informalmente acho que dá para incentivar os estudos. E a melhor forma de incentivar é contando a história de quem foi aprovado, e eu sempre conto minha história, eu sou bem realista. Agora eu não consigo falar sobre a vida das pessoas, toda vez que eu recebo e-mail desse tipo eu falo: vou contar minha história.

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