Editora Globo anuncia saída de Daniela Falcão cerca de um mês após acusações de assédio
Foto: João Viegas

Após mais ou menos um mês e meio da divulgação de denúncias de assédio moral contra a jornalista baiana Daniela Falcão, CEO da Edições Globo Condé Nast, a Editora Globo anunciou o fim do contrato de trabalho. Em comunicado enviado nesta sexta-feira (16), o grupo informa que a decisão foi tomada em comum acordo entre Globo, Condé Nast e Daniela "para a realização de um desejo antigo de se dedicar a consultoria e a projetos pessoais".

 

As acusações de assédio vieram à tona por meio de uma reportagem do Buzzfeed, publicada no final de agosto. O texto narrou um histórico de 15 anos de agressões por parte da jornalista nas redações de revistas de moda onde trabalhou. Antes de assumir a diretoria-geral da joint venture, Daniela foi editora-chefe da Vogue Brasil e diversos ex-funcionários das empresas denunciaram à publicação. Uma das fontes foi a jornalista Mônica Salgado, uma das criadoras da Glamour. De acordo com ela, que deixou a revista em 2017, as denúncias ao setor de recursos humanos eram inúteis porque nenhuma medida era adotada (saiba mais aqui). Ao contrário, a carreira de Daniela só cresceu na empresa.

 

Mas com a exposição dos casos, ela vai deixar a Condé Nast após 10 anos de trabalho. Antes disso, a baiana vai trabalhar na transição e planejamento para 2021. "Daniela foi uma das primeiras pessoas a aceitar meu convite para fazer parte da EGCN, joint venture entre Editora Globo e Condé Nast, criada em 2010 com o intuito de não somente amplificar o alcance e a relevância dos produtos que já existiam àquela altura (Vogue e Casa Vogue), mas também lançar novas marcas do portfólio deste parceiro no mercado brasileiro. Na ocasião, Dani juntou-se à EGCN como diretora de Redação da Vogue, cargo que já ocupava na empresa que anteriormente editava a revista", diz um trecho do comunicado assinado por Frederick Kachar, diretor-geral da Editora Globo. O texto foi compartilhado na íntegra pela coluna de Leo Dias, no portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

"Depois de um ano como diretora editorial da empresa, a partir de 2017, Daniela assumiu a direção geral da EGCN. Destaco, neste período, a notável evolução na qualidade editorial de todos os produtos do nosso portfólio, além de uma maior disseminação da cultura digital nas equipes editorial e comercial. Nossas audiências em todos os demais produtos seguiram crescendo, assim como as receitas digitais", acrescenta Kachar, em outro trecho. Ele diz ainda que, em breve, o grupo anunciará mais detalhes sobre a estrutura da empresa. As acusações de assédio, no entanto, não foram mencionadas.

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