Numa época em que as pessoas temem abrir qualquer negócio por conta da crise e enxugam o seu corpo de funcionários, Ricardo Luzbel é gente que faz. Além de ser sócio de um dos maiores veículos de comunicação, o site Bahia Notícias, Luzbel se atira novamente em um projeto ousado, que promete dar o que falar na Bahia. Trata-se da mais nova rádio, a Tudo FM, sintonizada em 102,5 , que vai chegar com Tudo mesmo nesta segunda-feira, dia 25 de maio de 2009. Nesta entrevista à Coluna Holofote, o grande empreendedor sai dos bastidores e mostra sua cara, seus planos, seus medos e sua história. E apostando todas as fichas na Tudo FM, Luzbel fala sem receio, antes mesmo da rádio estar totalmente estruturada, que pretende colocá-la entre as cinco mais ouvidas, em menos de um ano. E Tudo isso, sem acordos operacionais, ou melhor, sem jabá, como Luzbel prefere chamar, porque, para ele, quem faz a rádio é o povo e a Tudo FM só irá tocar o que as pessoas realmente querem ouvir, garante. Confira a entrevista!




"Não acho que o mercado esteja saturado, mas a concorrência é grande"




Coluna Holofote: Qual será o diferencial da Tudo FM?
Ricardo Luzbel:
O diferencial da Tudo FM é que ela será uma rádio que vai misturar notícias e músicas. Em Salvador, nós temos a Metrópole FM, que é uma rádio com a programação voltada para o jornalismo, e temos outras emissoras, como a Bahia FM, e a Piatã, que só tocam música. Nós vamos unir o que há de melhor na Metrópole com o que há de melhor nas rádios populares, e criar uma programação com música e informação.


CH: O perfil da Tudo FM será bastante popular. Esse mercado já não está saturado?
RL:
Não considero que o mercado esteja saturado, mas reconheço que a concorrência é grande e para enfrentá-la, nós montamos um time de peso: Raimundo Varela pela manhã e Casemiro Neto à noite, que são dois grandes apresentadores aprovados na televisão; ao meio dia, Samuel Celestino, que é o melhor analista político da Bahia, e Daniela Prata, que também apresenta um programa de TV, uma dupla respeitada que qualifica um pouco mais o público. Sem falar na dupla Mário Freitas e Fernando Cabús que estão há mais de 20 anos fazendo resenhas esportivas. Fora isso, uma programação musical muito bem feita.


CH: Como é que você conseguiu montar um cast com tantas estrelas da comunicação baiana, como Casemiro Neto, Samuel Celestino, Raimundo Varela e outros tantos mais?
RL: A rádio não é feita só por esses profissionais. Além deles, nós temos também os melhores operadores da Bahia, tanto de mesa, quanto de sonoplastia, que são o Marquinhos Santiago, que veio da A Tarde FM, e o Genivaldo, que já trabalhou com Varela na rádio Sociedade; nós temos Ana Paula Farias, que hoje é uma das melhores apresentadoras de programas de rádio da Bahia; tem Jorge Mendes, que estava fora do rádio, mas foi um dos maiores locutores aqui de Salvador, líder em audiência; temos Rilza Cordeiro, uma grande profissional do rádio, sucesso na Bahia; nós temos Beto Fernandes que, sem sombra de dúvida, é o melhor programador musical do estado hoje, e por aí vai...


CH: É isso. Como é que você conseguiu montar uma equipe com tantas “feras”?
RL: As pessoas acreditaram no projeto e no grupo que está por trás da rádio; a equipe comprou a ideia e, graças a Deus, todos têm certeza que o projeto vai dar certo.


CH: Casemiro Neto e Raimundo Varela, dois comunicadores extremamente populares. Por que Zé Eduardo ficou de fora?
RL: Zé Eduardo participou da concepção do projeto e ia até ser sócio da rádio, mas, com sua saída da Transamérica e sua ida para a Itapoan FM, ele tinha muito pouco tempo na nova emissora e um contrato de longo prazo a cumprir. O que não quer dizer que ele não venha a fazer parte da Tudo FM mais à frente.


CH: E vocês continuam contratando?
RL: Já contratamos locutores, publicitários, jornalistas enfim, conseguimos gerar empregos quando, segundo eu soube, outros veículos estão demitindo. E ainda estamos ajudando os músicos baianos, porque estamos transformando uma rádio que era gospel, em uma emissora que toca músicas da Bahia.


CH: Em meio a uma crise financeira, enquanto rádios e outros meios de comunicação demitem, não é uma decisão ousada criar uma nova rádio e gerar emprego e renda para dezenas de profissionais?
RL: É uma decisão pensada e pautada na credibilidade do grupo que está por trás da rádio. Eu não estou só neste projeto, estou com Samuel Celestino, com o publicitário Fábio Lima e com a família do deputado Felix Mendonça, proprietária da rádio. Nós não compramos e nem arrendamos a emissora, fizemos uma parceria com os Mendonça e com os âncoras da Tudo FM, uma engenharia empresarial diferente de tudo que tem aí no mercado.


CH: Você é diretor de um dos principais veículos de comunicação do Estado, o site Bahia Notícias, e agora está lançando a rádio Tudo FM. O que lhe atrai tanto na comunicação?
RL: É o que eu sei fazer. Eu trabalhei 23 anos na TV Itapoan, com grandes empresários e executivos da comunicação, a exemplo de Pedro Irujo e Alexandre Raposo; fui também envolvido, por muito tempo, com o carnaval, como sócio de blocos e bandas; e ainda sou sócio da maior empresa de iluminação do Norte/Nordeste, que é a Luzbel Iluminação, e do Bahia Notícias, junto a Samuel Celestino. Ou seja, durante toda minha vida profissional estive envolvido com entretenimento e comunicação, onde tive a sorte de ter grandes professores e inspiradores, a exemplo dos que citei acima.

CH: Além do Bahia Notícias e agora da Tudo FM, você também já foi diretor de Jornalismo da TV Itapoan. Apesar disso, você nunca foi âncora de nenhum programa. Por que isso?
RL: Apesar de ser radialista, me considero mais um empresário da comunicação do que um profissional do meio. Prefiro trabalhar, cuidar dos negócios, a estar diante das câmeras ou microfone. Não sou bom nisso, e por isso busco criar espaço para meus colegas quem têm este dom.

CH: Então, você se considera um agente dos bastidores?
RL:
Isso. Dos bastidores.

CH: O que mais lhe incomoda neste meio?
RL:
Como empresário, me incomoda a falta de receptividade dos profissionais de comunicação às críticas construtivas. Podemos fazer dez elogios, mas se fizermos uma crítica, já não prestamos... A fama, a visibilidade confere aos comunicadores um certo poder, um certo estrelismo. Eu já não me iludo com esse tipo de coisa e sou extremamente exigente com o profissionalismo das empresas que sou sócio.




"Acordo operacional, para mim, é um nome pomposo para o jabá"



CH: A Tudo FM fará acordos operacionais, como é comum nas rádios baianas?
RL: Não. Não pretendemos. Acordo operacional, para mim, é um nome pomposo para o conhecido jabá e na nossa emissora. não há espaço para jabá. Nós temos, sim, um departamento comercial bem estruturado, que eu espero que seja competente e que saiba aproveitar nossa rede de relacionamento e nossos contatos para vender anúncios. A Tudo FM pretende estar, em um ano, entre as cinco primeiras rádios mais ouvidas na Bahia e, para que isso aconteça, não podemos nos vender; temos que tocar o que o povo quer ouvir, porque se tocarmos o que for vendido, não vamos para frente. Agora, dizem que em algumas rádios os profissionais praticam o jabá sem o conhecimento dos proprietários; nós faremos o possível para que isso não ocorra na nossa emissora.


CH: É verdade que você pretende disputar um cargo público nas próximas eleições?
RL: (Risos)... Não existe essa possibilidade. Assim como não sou bom apresentador, não seria um bom político.


CH: Como é que você sabe?
RL: Eu tenho certeza. Eu só sei trabalhar nos bastidores da política e nos bastidores da comunicação. Na verdade, só tenho uma pretensão: ser um empresário respeitado por conduzir meus negócios de forma competitiva, porém ética, gerando bons resultados não só para mim, mas para todos que estiverem ao meu lado.


Por Fernanda Figueiredo

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