Quinta, 11 de Outubro de 2018 - 11:00

Lore Improta diz que se incomodava em dançar músicas 'pesadas' na frente de crianças

por Júnior Moreira Bordalo / Ian Meneses

Lore Improta diz que se incomodava em dançar músicas 'pesadas' na frente de crianças
Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

A criança que todos foram um dia ainda habita as ideias da dançarina e digital influencer Lore Improta. Percebendo que em seus trabalhos o público infantil se faz presente e compreendendo que elas precisam de um entretenimento compatível com as suas idades, Lore se questiona: O que pode levar de novo para elas?

 

Criar o espetáculo “O Fantástico Mundo da Lore”, que conta a sua história por meio de sua descoberta no mundo da dança, fez com o que a loira resolvesse um problema que lhe deixava desconfortável enquanto se apresentava em projetos anteriores. “Eu não conseguia nem dançar direito porque tinha muitas criancinhas na minha frente, às vezes a letra da música é muito pesada, então para ter crianças assistindo aquilo ali me incomodava”.

 

Foi então que há cerca de 8 ou 9 meses um novo projeto surgiu, mas Lore deixa claro de que não se trata de “um musical onde eu estou cantando”, apesar de ter gravado três músicas inéditas. Inspirada na dançarina e cantora Carla Perez, artista com a qual sempre conviveu por causa do bloco infantil “Algodão Doce”, Improta tem o desejo de preencher “uma lacuna: as pessoas não estão conseguindo trazer novidades”.

 

Apesar de estar feliz com “O Fantástico Mundo da Lore”, a dançarina sabe que críticas estão surgindo justamente “porque as pessoas não têm noção do que estamos preparando”. No entanto, ela garante que “pegará essas críticas como uma coisa construtiva para melhorar sempre”.

O que é o projeto “O Fantástico Mundo da Lore”?
Na verdade, as pessoas estão achando que é um musical onde eu estou cantando, porque terminei lançando três músicas e as três músicas foram justamente para o “Fantástico Mundo da Lore”. Mas ele é um musical, um grande espetáculo focado na dança, que é a descoberta do meu mundo da dança. Conta uma história onde eu vou ter vários bailarinos, atores em cena e vai ter diálogos. Então tem muitas pessoas criticando, “meu Deus, você vai cantar, vai largar a dança”... Não, não é isso. Notamos que o mundo das crianças carece de muita coisa e como eu tenho um público infantil muito grande perguntei: O que eu posso levar de novo para elas? Eu não quero sair nunca da dança, porque é o que me conectou a elas, mas poderíamos acrescentar mais algumas coisas e foi aí que tivemos a ideia de fazer as músicas. Iria ser só uma, mas quando entrei no estúdio com Rafinha a começamos a compor, saíram três. Além dessas três canções, são 34 músicas. Fizemos uma produção musical toda nova. Pegamos músicas que eu gosto, que as pessoas já conhecem de ver eu dançando no YouTube e músicas infantis com Larissa Manoela, Carrossel, Chiquititas, pegamos Xuxa, Carla Perez e repaginamos elas e trouxemos um ar mais atual. Tem música no estilo do funk, bem dançantes mesmo para fazermos esse espetáculo bem mais agitado. Não são as músicas originais, repaginamos elas e fizemos a releitura de todas as músicas.

 

O projeto surgiu quando e como?
Já tem uns 8, 9 meses por aí. Quando eu comecei a fazer o Show da Lore eu já conversava junto com Marcelo Brito, toda minha equipe, porque víamos o tanto de crianças que tinha nos meus shows e isso me incomodava, porque as músicas tinham letras muito pesadas. Eu amo as músicas do Leo, assim como amo as músicas do Parangolé. Só que tivemos que dar uma freada nisso, porque às vezes a letra é muito pesada, então para ter crianças assistindo, aquilo ali me incomodava. Eu não conseguia nem dançar direito porque via muitas na minha frente. Eu falei: “Gente vamos fazer uma coisa para crianças, diferenciada”. E no Carnaval deste ano eu falei: “Não tô conseguindo mais dançar, vamos fazer o Show da Lore Kids, porque isso aqui não está kids. Vamos parar todos os Shows da Lore". Foi aí que começamos a pensar em uma coisa muito gigantesca que é “O Fantástico Mundo da Lore”. Quando eu cheguei no ensaio, o ballet já estava ensaiando, eu só fazia chorar. “Gente que coisa linda", parecia que eu já estava assistindo um show, um espetáculo, sem nada. Não tinha cenário, não tinha figurino, não tinha nada, mas sabe quando você entra naquele mundo ali? Então está sendo muito especial para mim, por mais que estejam acontecendo algumas críticas eu pego essas críticas como uma coisa construtiva para melhorar sempre. Mas eu acho que as críticas estão vindo, porque as pessoas não têm noção do que estamos preparando. “Ah, Lorena vai ser cantora agora, vai ser um show para ela cantar”. Não vai ser isso, porque isso não anula o que eu venho fazendo.

 

Ele é um espetáculo pontual, ou é um projeto que vai se estender?
Pensamos em voltar com o Show Da Lore, mas primeiro queremos fazer o “Fantástico Mundo da Lore”, porque é um repertório muito atual. No último bloco temos um repertório para a galera adolescente e adulta. Então vai ter funk, pagode da Bahia que é o que as pessoas de cá estão acostumadas a me ver dançar. Não tinha como simplesmente eu tirar. As músicas que eu bombei vamos continuar e queremos ver quais públicos vamos conseguir abranger com o espetáculo. Se for um público parecido com o que tinha no Show da Lore, não tem porque voltar com o Show da Lore, mas se deixarmos em falta o grupo que sempre me acompanhou, voltaremos com o Show da Lore. Com “O Fantástico Mundo da Lore” estamos programado rodar o Brasil.

 

As apresentações vão acontecer em casas de show ou teatro?
Depende muito. Agora vamos fazer no shopping, mas precisamos de uma estrutura grande. É um palco montado com vários elementos e toda uma história e não tem como colocar em uma casa de show pequena, porque não comporta. Tem que ser um palco grande mesmo, então vai depender muito do que o contratante vai estar propondo.

 

Como é a sua atuação na história? Você vai ser a protagonista? A história vai se passando de acordo com o que você vai desenhando ali?
Eu apareço dentro do meu mundo sem saber que eu estou no meu mundo, vamos dizer assim. Eu sou guiada por uma balão azul, uma coisa bem Alice. Eu me encanto por um balão azul e ele me levasse para a minha própria história. Eu vou ter quatro personagens comigo, que são os personagens que eu imaginava quando criança. Eu sempre fui muito apegada com os animais, então eu peguei os animais para perto de mim. Um leão, uma borboleta, um peixe e temos Pepa que é minha cachorrinha. Então eles são meus amigos e eles me levam para descobrir esse mundo meu.

 

Tem três músicas que você está cantando. Era um objetivo você cantar? Como surgiu essa proposta de você cantar no projeto?
Na verdade eu sempre canto. No carro, brincando. Eu sempre gostei de cantar, mas não era algo profissional. Eu sempre brinco, canto muito nos meus stories, mas não é aquele negócio: “Vou cantar agora para as pessoas que estão me assistindo”. Não. Coloco a música no carro e começo a cantar, mas eu nunca me via cantando assim. Aí eu falei, não. Não é legal isso aqui. Até um dia que Marcelo Brito falou que eu tinha que cantar, porque ele soube que eu era afinada. Aí Leo falou com Marcelo e ele queria me ver cantando. “Vamos para o fonoaudiólogo e ver se realmente dá para você cantar”. Fomos para meu fonoaudiólogo Marcos. Ele fez: Olhe Lorena, você não tem tanta técnica, mas a gente consegue fazer uma coisa legal”. Os profissionais que estavam ao meu redor falaram: “Dá para você fazer algo bacana, então vamos buscar isso aí e focar neste projeto”. E eu estava na correria fazendo meu fono toda semana e me encontrei com Rafinha. Se Rafinha não gostar, pelo fato dele trabalhar com música e músicos, eu não tenho para onde ir. Aí ele falou “Pô ta massa! Vamos fazer!”.

 

Você se vê como cantora? Como é isso para você?
Eu estou acostumando agora, antes eu não conseguia nem me ouvir. Aí eu perguntei para meus pais, meus amigos e eles: “Pô está massa!”. Eu não sou cantora para fazer um show tradicional hoje em dia. Não estou preparada para isso, preciso de muito estudo e técnica, mas para as crianças, elas querem a energia da música, ver o que a música está passando para elas, meu objetivo é muito mais a dança, por isso que todas as músicas a gente influencia as crianças para botar a mão em uma parte do corpo para movimentar. Hoje em dia não me vejo como cantora, sou dançarina. Me vejo como uma pessoa que está buscando novas coisas, novos elementos. Tanto que estou buscando essa questão de ser apresentadora, que gosto muito. Então eu faço tudo para crescer como artistas, mas eu não falo que sou cantora, pode ser que eu venha a ser um dia, mas para o público infantil.

 

Você sempre teve contato com as crianças ou sua carreira foi te levando?
Sempre tive o contato. Comecei com as crianças por causa da Carla Perez. Com nove anos de idade eu comecei a dançar no Algodão Doce, então tive 6 anos de minha vida trabalhando com crianças. Eu sempre tive uma conexão muito grande com criança e eu falo que não transitou porque eu entrei no Faustão, que era para ter um público adulto muito forte e era só criança e adolescente, então falei que era preciso fazer alguma coisa voltada para elas.

Você comentou sobre as críticas. O que as pessoas estão criticando especificamente?
Eu não tenho lido muito. Eu sei do meu propósito, eu sei o que quero e onde chegar com isso. Eu evito ler algumas coisas para não me machucar e não me desestimular. Quando eu entro num projeto, vou com toda a minha energia e todo o meu foco, então se as pessoas estiverem criticando de uma maneira que venha a trazer coisas positivas para mim, ótimo. Mas infelizmente hoje no mundo, na internet, as pessoas querem destilar muito ódio e coisas ruins, então eu prefiro não ler, porque tem pessoas que só querem criticar de uma maneira negativa mesmo. Às vezes falam da letra da música. Tem uma música que é “Movimenta o corpo” que eu falo: Senta e desce. Para uma criança, se eu falar "sente", ela vai sentar. Se você fala "desça", ela vai descer. Então tem pessoas com maldade na cabeça e acham que aquilo está no duplo sentido e nunca vamos fazer um projeto com música de duplo sentido. Às vezes falam que eu não canto nada, que eu estou passando vergonha. Meu intuito não é eu virar cantora e fazer shows grandiosos cantando. É um canto para criança, então eu vendo as crianças gostando, isso já me dá a força que eu preciso para continuar o meu projeto.

 

Inspirada em Carla Perez, é um objetivo seu ter um programa de crianças e ocupar essa lacuna que tem hoje em dia no mercado?
É uma lacuna porque as pessoas que não estão conseguindo trazer novidades e, como eu tenho uma conexão muito grande com as crianças, a gente está tentando preencher isso aí de alguma maneira. Claro que a gente pode estar errando agora, a gente não sabe. Só depois que for fazer o espetáculo. Carla é uma grande inspiração para mim desde pequena em relação a muitas coisas e eu não canso de falar isso, porque eu falo que ela foi uma escola em muitas situações tanto na dança, quanto no carisma, no posicionamento. Ela foi muito criticada quando saiu do É o Tchan e veio fazer um projeto kids em que cantava 100% do tempo. Xuxa está sendo uma inspiração também até no meu próprio figurino. Eu troco de figurino três vezes no espetáculo e um desses figurinos é inspirado nela, porque ela com certeza foi a rainha dos baixinhos e ela precisa ser lembrada. Muitas pessoas podem ver como imitação e não ver como você admira uma pessoa e traz isso para você. “Meu Deus, está imitando, ela não tem ideia…”, não é isso. Tem músicas da Carla que eu precisava trazer para o espetáculo porque foi a minha infância, em que eu comecei a dançar. Me traz lembranças muito boas.

 

E como atriz, você já pensou em fazer alguma coisa?
Eu fiz teatro, fiz direcionado para TV e cheguei a fazer alguns testes para “Malhação”. Passei nos primeiros testes de vídeos que você manda e quando eu fui chamada para fazer o teste presencial eu estava há uma semana para ir para o Canadá, estava com tudo pago e decidi ir para lá. Fiquei um ano no Canadá e quando voltei, voltei focada em outras situações, de me formar e entrar na faculdade e comecei a voltar com a dança. Quando eu saí da Carla, quando eu tinha uns 12, 13 anos, eu não dançava. Dançava assim, na academia, mas não era uma coisa focada, mas na faculdade eu comecei a estagiar em um projeto que originou o Fit Dance.

 

Sobre sua relação com Léo Santana, te incomoda o fato deles cobrarem que vocês voltem ou não?
Não me incomoda, não. Quando começamos o namoro não tínhamos a noção da proporção que ia ser. De ter pessoas que choram quando a gente termina ou retorna. Quando eu comecei com Leo eu estava no início da carreira, eu já tinha um ano nessa situação. Querendo ou não ficou muito mais intenso, foi durante o tempo que ficamos juntos que eu fui percebendo o quão intenso era e eu passei a neutralizar as coisas e percebi que a gente precisava do tempo. Não adianta a gente correr com alguma situação para fazer com que as pessoas aceitem. Só a gente que vive o relacionamento sabe o que está acontecendo. Por eu ser muito aberta com meu público, me pediam esse posicionamento e às vezes eu percebia que eu não deveria falar de tudo sobre minha vida. Quem é fã quer ver o bem do seu ídolo. Eu tenho carinho muito grande por Leo e a gente não vai criar uma inimizade porque terminamos.

 

No seu início de carreira você imaginava que teria esse alcance que você tem hoje em dia?
É muita coisa para uma pessoa só. Graças a Deus eu sou virginiana, porque eu sou muito metódica e organizada. Eu tenho presença para fazer, campanhas publicitárias, fotos no Instagram dos parceiros que chegam a ser de 20 a 25 parceiros em média a cada mês, tenho que criar coreografia, ensaiar, gravar no YouTube e agora tenho o kids. Antes, Lorena que fazia tudo, hoje eu tenho uma equipe muito grande que me ajuda com isso. Agora eu tenho que cuidar do Lorena Improta adulto, porque ele vai influenciar o Lorena Improta Kids, então tem que ter todo o cuidado com roupa, com posicionamento, com maneira que se fala, maneira que se porta, para onde eu vou, com quem eu vou. Todo mundo está me olhando cá e fala: “Olha, isso aqui está errado, vai estragar tudo”.

 

Você foi bailarina do Faustão, mas conseguiu se desvincular muito rápido do programa. De que forma você fez esse desligamento?
Eu entrei no Faustão meio que conhecida no mundo da dança. Ter vencido o concurso facilitou muito a minha projeção. O que me ajudou muito foi a minha rede social, foi a maneira que eu conduzi o meu perfil. Como eu sou publicitária, eu consegui pegar o que eu estudei e colocar na minha maneira de conduzir a minha vida. As pessoas não me viam só como uma pessoa bonitinha que está ali dançando no Faustão. Eu tenho o mix de personalidade com o que eu já fazia fora do projeto. O “Domingão” só ajudou a me projetar cada vez mais, no entanto, eu já tinha o Show da Lore na época e eu precisava rodar o Brasil. Infelizmente tinham muitas regras no programa e eu tinha que desmarcar porque surgia um ensaio e estava me consumindo muito tudo isso. Eu morava sozinha em São Paulo, mas vinha muito para Salvador porque tinha muitos trabalhos aqui. Teve uma hora que meu show pipocou e eu viajava toda a semana, pegava muita estrada e tinha que fazer o “Domingão”. Eu tive um problema no meu pé direito que eu tive que fazer cirurgia por conta do salto alto, então não estava conseguindo dançar bem com o salto, mas até então dava para continuar levando. Mas a minha mãe adoeceu e passou por várias cirurgias e eu fiquei desesperada em um domingo porque minha mãe demorou no centro cirúrgico e eu falei: “Cara, eu não quero isso para mim, porque eu sou filha única e se eu perder minha mãe sem poder estar do lado dela eu nunca vou me perdoar”. Aí eu tomei a iniciativa nesse dia de falar com o Fausto e nesse dia eu descobri que eu estava cotada para participar do Dança dos Famosos, mas ele disse que as portas estavam abertas para quando eu quiser voltar.

 

Você tem o canal de dança e faz a suas coreografias. Você se considera concorrente da FitDance hoje em dia?
Não, mas muitas pessoas falam isso por conta de eu ter participado da Fit, mas a Fit é uma aula de dança e eles fazem o projeto de rodar o Brasil com o curso deles de instrutor, então eles formam pessoas para se capacitarem a dar aula. O meu caso não é esse. Meu caso é dançar e levar alegria para as pessoas. Tanto que meu foco não é a técnica, eu não sou professora de dança eu não sou formada em dança. Eu danço da maneira que eu acho bacana se eu tiver na rua sem fazer um movimento 100% perfeito e não querendo dar aula de dança. Infelizmente minha relação com eles ficou um pouco desgastada pela maneira que me tiraram do Fit, foi uma coisa que eu não esperava, mas eu falo com eles e não tenho problema nenhum.

 

Você dançou com Anitta no Salvador Fest e as duas tem projeto infantis. Você já pensou do Fantástico Mundo da Lore abrindo o Show das Poderosinhas?   
Seria incrível. A gente tem que começar a unir as coisas. Anitta canta e tem outra proposta e eu danço, tenho outra proposta, mas as duas voltadas ao público infantil e quem tem a ganhar são as crianças. Seria ótimo juntar os dois projetos.

 

As pessoas apontam vocês como desafetos, qual é a história por detrás disso?
Eu não sei. Rolava essa história e que uma vez ela fez uns stories e as pessoas ficaram falando que era para mim. Eu estava com minha consciência limpa, mas cheguei a acreditar que tinha alguma coisa porque as pessoas falavam tanto nisso, mas nunca aconteceu nada. Eu fui para o aniversário dela, as pessoas ficavam perguntando o que aconteceu. E quando ela me chamou no palco foi uma surpresa para mim e ela começou a me seguir no Instagram. E isso só confirma ainda mais que ela é muito tranquila comigo.

Histórico de Conteúdo