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Terça, 22 de Fevereiro de 2022 - 11:30

Luis Ganem: Tem muito artista que esqueceu quanta ajuda teve do rádio

por Luis Ganem

Luis Ganem: Tem muito artista que esqueceu quanta ajuda teve do rádio
Foto: Divulgação

E a música do carnaval é...! Poderíamos muito bem estar agora discutindo ou pelo menos pensando em qual música – qualquer que fosse o ritmo, que fique claro – representaria o carnaval de Salvador de 2022 no cenário comercial. Isso se, há mais ou menos dois anos, essa pequena sensação pessoalíssima não nos tivesse sido tirada pelo vírus que invadiu o mundo e mudou tudo a nossa volta.

 

Seria esse um excelente assunto, mas não é sobre isso que quero falar nesse momento. Nada contra a melhor música do carnaval, sua representatividade, se ainda tem ou não peso no mercado fonográfico... nada contra tudo disso. O tema de que quero tratar aqui desta vez é sobre como tem sido a relação dos artistas do ritmo axé, desde o surgimento e massificação nas mídias sociais, com o elemento rádio, e de como essa relação se dá no presente.

 

Venho de um momento da música que para fazer rádio era preciso não somente ter algo que valesse a pena tocar, mas a amizade com o artístico ou algum radialista de emissora. Mesmo num caldeirão musical efervescente naquele momento, era complicado tocar. 

 

Além da concorrência local, havia ainda os produtos de fora, oriundos quase sempre de gravadoras, que tentavam a todo custo emplacar no dial baiano. Com isso, os radialistas, a partir de certo momento dos anos oitenta, se tornaram verdadeiros semideuses no olimpo musical. 

 

Mesmo que o sujeito – o radialista – não trabalhasse no horário comercial da rádio (horário esse compreendido entre as 7 e as 19 horas), ter uma amizade com o rádio e com o dito-cujo fazia muita diferença para o produtor conseguir colocar sua música no ar.

 

Viagem? O radialista nem precisava programar férias. Era algo mais que normal ser convidado a acompanhar uma mini turnê de fim de semana de algum artista do axé. Era um momento em que, mais que nunca, a arte precisou e precisava do seu principal veiculador: o rádio.

 

Lembrando agora quanta gente foi ajudada pelo rádio, quanta “mosca morta” ou artista “meia-boca” começou a aparecer por “culpa” do rádio, é inevitável perceber – o que, aliás, nunca deixou de ser, a importância desse veículo na música da Bahia.

Logico, é preciso aqui também fazer o mea-culpa dos radialistas. Até porque, se o rádio ajudou a música, também criou algumas figuras que só Deus na causa. Não vou aqui apontar dedos, pois não creio que seja o mote, mas certas figuras extrapolaram o bom senso, perderam o norte e se acharam um pouco mais que o normal. Alçados da noite para o dia como seres de primeira grandeza, até que as regras se consolidassem e meio que existisse uma regulamentação da decência e ética, a coisa desandou.

 

E isto ocorreu numa dimensão tamanha que tentar falar com um coordenador de rádio tornou-se algo como pedir uma audiência a um secretário de Estado; algo surreal, espetaculoso até.

 

E por que estou contando isso? Pra falar de ingratidão. Pra falar da ajuda que se fez necessária e do esquecimento por parte de alguns que foram ajudados.

 

Até porque, agora é fácil pra você grande artista consolidado(a) fazer pouco caso do rádio. Outrora, lançar sua nova música, aquela que ia ser a música do carnaval, aquela que seria um pipoco, que o departamento artístico da rádio tinha que ouvir logo, era uma coisa superimportante e, agora, nada acontece.

 

Se antes o próprio artista – o mesmo que está hoje consolidado – fazia questão de ligar para um coordenador de rádio pra conversar, agora, não somente não liga, como não atende o rádio.

 

Fico abismado como, neste momento, em que seria importante a consolidação e a junção de todos os lados, exista essa falta de interesse e empatia por parte de quem outrora foi ajudado. 

 

E olha, esse movimento que faço aqui é, mais do que nunca, pra lembrar quem te ajudou viu fulano, viu beltrana, viu cicrano?

 

O que me conforta é que o rádio foi, é e sempre será importante, ontem, agora e amanhã. Talvez a mal assessorada – sempre tem um mais estrela que a estrela – estrela musical não consiga enxergar que, se até nadador profissional tem câimbra, e talvez precise um dia de ajuda, imagine na música.

 

E pra você Dra. e/ou Dr. Artista: quando seu empresário(a) ou assessor(a) disser que não sabe o nome dos radialistas que te ajudaram, mostra essa lista pra eles, viu? Anota aí: Maurício Habib, Naldão Animal, Leandro Guerrilha, Jota Zó, Mateus Ramos, Josenel Barreto, Luiz Henrique, Léo Fera, Jájai, Edson Marinho, Oton Carlos, Michely Santana, Paulo Gomes, Antônio Carlos, Urias, Baby Santiago, Manolo Pousada, Nailton Lantier, Leleco Junior, Beto Rodrigues, Beto Fernandes, Cláudio Luís, dentre muitos outros.

 

E Viva o Rádio!

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