Sexta, 01 de Março de 2019 - 10:30

O DONO DE TUDO

por Luís Ganem

O DONO DE TUDO
Foto: Divulgação

Me preparando pra avenida, vestindo minha roupa de homem invisível, fui ler os e-mails que recebo ao fim de cada coluna. E pow! Lá estava a pergunta feita só pra instigar, deixar pensativo. Como diriam alguns: a pergunta que não quer calar. O interessante é que a mesma “alfinetava” no gargalo, na ferida como normalmente dizem. Diante disso, resolvi parar para tentar responder sobre: qual é a música do Carnaval.

 

Pelo fato de ter sido instigado, é importante frisar que não estou aqui nem vou falar dos que tentam vender a sua ideia de música mais ouvida, mais tocada ou qualquer coisa assim. Estou falando efetivamente das músicas que rodam nos carros de som, aplicativos, que são cantadas pelo povo sem qualquer tipo de indução. E dito isso, na boca do povo e pelo povo, só estou vendo passar três formatos, o pagode, o samba-reggae e um som que mistura o groove do Axé, a cadência do pagode, com um pouco de eletro. Ele se intitula Eletrobalance, mas eu o chamo de: O som de Lincoln e Duas Medidas.

 

Começando pelo samba-reggae, quem leu a minha mais recente coluna viu que fiz uma referência a esse som, mostrando Saulo Fernandes e Claudia Leitte como defensores do ritmo. Inclusive, mostrei que o supracitado vem em uma crescente, com Claudia cantando ‘Saudade’, música dela e do cantor/compositor Tatau. E Saulo, com um repertório do trabalho novo ‘Sol Lua Sol’ calçado no Samba-reggae e com a música ‘Chega Devagar’, composição de Saulo/Guilherme Ramos, como abre alas para o carnaval.

 

Agora, se por um lado o Axé vem tentando manter sua janela aberta, o pagode está hoje com a porta escancarada de coisas boas e medíocres, diga-se de passagem. E com tudo isso, o pagode explodiu novamente. Desta vez, entendo que o pagode de Xanddy, do gigante Léo, do Parangolé, do La Fúria, o ritmo ao que parece, conseguiu sair do circuito interno e se expandir para o Sul do Brasil (o mesmo estava restrito somente a Harmonia e Léo). Mesmo tendo perdido terreno a alguns anos atrás – na minha visão, que fique bem claro – o ritmo conseguiu dar a volta por cima, em muito trazido pelas músicas do funk Carioca, traduzidas para a batida harmônica pagodeira baiana. Sim!, devemos a volta do pagode à popularização do Funk, que trouxe o som da rua para a frente.

 

E aí, não posso deixar de falar que foi ‘O Gigante’ que trouxe esse formato do funk para a Bahia - creio que por gostar muito de andar no Rio. Lembro bem de um comentário feito há alguns anos a respeito dele gostar do ritmo carioca, no qual dizia, que depois de cada último show do fim de semana, Léo picava a burra para o RJ. Acredito que tendo incorporado o funk ao seu som e à forma de cantar e tocar – o que diga-se de passagem não nasceu com ele, mas por ele foi incorporado e disseminado por terras Soteros e Politanas –, o pagode ganhou corpo novamente.

 

Além disso, novas frentes de propagação trazidas pela juventude, como por exemplo as coreografias ritmadas do Fit Dance, um suingue groovado (de forma simples o significado é: música que se tem vontade de dançar) levadas aos quatro cantos e assimiladas pela juventude Brasil afora, fazem com que o pagode seja no momento literalmente: o dono da porra toda! 

 

E aí caro leitor, tem estilo pra todos os gostos. A começar pelo “Gigante”, passando por sua antiga banda, o Parangolé, que traz a música ‘Open Bar’ e ‘Abaixa que é Tiro’ e chegando agora, há pouco tempo, as bandas emergentes – e aqui não falo de forma pejorativa – tendo como melhor exemplo Lá Fúria talvez o melhor expoente dessa nova geração, que expressa de forma clara a voz do povo. E não venham me dizer que não é a voz das ruas, pois é sim, o que acho fantástico.

 

E daí, correndo por fora o novo som de Lincoln. Digo o som dele, pois foi trazido por ele à superfície. Do ritmo, forma, estilo ao jeito de dançar, em um quê de interpretação em cantar, o dito eletrobalance chegou pedindo espaço, e o impressionante é que toda criança gosta de dançar e cantar e sabe cantar as músicas.

 

Senão vejamos: ‘Saudade’ (Claudia Leitte), ‘Chega Devagar’ (Saulo Fernandes), ‘Open bar’ e ‘Abaixa que é Tiro’ (Parangolé), ‘O Dono da Porra Toda’ (Léo Santana), ‘La Raba’ e ‘Que Meu Ex se Lasque’ (Lincoln e Duas Medidas).

 

Olha, essas são as minhas escolhas. Antes que falem, não falei nem de Harmonia nem do PSI, pois penso estarem acima de comentários. Os demais são o que mais interessante percebi dentro dos ritmos, que penso, estão em voga.

 

Deixe-me voltar a vestir minha roupa invisível, que convenhamos é melhor do que ser confundido com Momo’s king.

 

Voltamos a qualquer momento em edição extraordinária.

 

OS: será que estou esquecendo algo? Se estiver me avisa, que durante a folia vou observar e ao fim do carnaval comento.


Feliz Carnaval!

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