Quinta, 12 de Setembro de 2019 - 15:20

Queda de Cintra divide opiniões no mercado financeiro

por Júlia Moura | Folhapress

Queda de Cintra divide opiniões no mercado financeiro
Foto: Reprodução / G1

A demissão de Marcos Cintra da Decretaria da Receita Federal divide opinião de analistas financeiros sobre seus efeitos na reforma tributária e na equipe econômica. Alguns acreditam que a saída de um dos maiores defensores de uma nova CPMF possa destravar o projeto. Outros temem que o ministro da Economia, Paulo Guedes, siga com a tentativa de implementar o imposto sobre transações financeiras.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira (12), a equipe do ministro não desistiu da proposta e seguirá com os estudos e calibragens de alíquotas do imposto.

"Resta saber se o ministro da economia, Paulo Guedes, seguirá defendendo a volta da CPMF e como irá adequar seu discurso em face à queda de Cintra. Além de Cintra, Guedes sempre foi um árduo defensor do retorno da CPMF ", afirma relatório da XP Investimentos.

A corretora também demonstra preocupação com o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro (PSL) na equipe econômica, já que a decisão de exonerar Cintra partiu dele.

"A despeito de entendermos que a volta da CPMF não seria uma boa opção por se tratar de um imposto essencialmente regressivo, acreditamos que o envolvimento presidencial direto em decisões ministeriais não é saudável para a Economia e possui o potencial de contaminar o canal de formação de expectativas dos agentes de mercado".

Também há a preocupação do mercado com o andamento da reforma tributária, tida como a mais importante depois da nova Previdência.

"Paulo Guedes passou o mês de agosto articulando a favor do novo tributo. Tudo foi água abaixo. Agora, a apresentação da proposta governista deve tardar ainda mais. Guedes quer uma maneira de desonerar a folha de pagamento, mas os parlamentares já demonstraram que qualquer tributo, mesmo que tenha contrapartida, não será aceito. Sem a desoneração, não está claro o que o Executivo tem a contribuir para a reforma", afirma relatório da Guide Investimentos.

Já a Wagner Investimentos aponta que a saída de Cintra pode acelerar a tramitação da reforma, especialmente com a expectativa de que o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, fique responsável pela articulação.

A Bolsa brasileira não teve oscilações com a queda de Cintra durante o pregão de quarta (11) e fechou em alta de 0,4%. 

Nesta quinta, o Ibovespa segue em alta, na esteira da valorização das commodities e das principais Bolsas globais após o Banco Central Europeu cortar, mais uma vez, os juros na União Europeia, como forma de estímulo à economia.

Por volta das 13h08, a Bolsa sobe 0,96%, a 104.443 pontos, maior patamar em dois meses. O dólar chegou a recuar para R$ 4,028 pela manhã, mas, no momento, é cotado a R$ 4,063.

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