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Sábado, 10 de Julho de 2021 - 17:40

'Se aquele de 9 dedos tem 60%, vamos fazer voto impresso e auditável', diz Bolsonaro

por Fernanda Canofre | Folhapress

'Se aquele de 9 dedos tem 60%, vamos fazer voto impresso e auditável', diz Bolsonaro
Foto: Reprodução/ O Antagonista

A motociata com Jair Bolsonaro neste sábado (10) em Porto Alegre terminou com um discurso a apoiadores, a maioria deles vestidos de verde e amarelo e com bandeiras do Brasil, onde o presidente atacou de novo o ministro Luís Roberto Barroso, a CPI da Covid e o governador Eduardo Leite (PSDB), além de mais uma vez defender o voto impresso para 2022.

 

"Se aquele de nove dedos tem 60%, segundo o Datafolha, vamos fazer o voto impresso e auditável [o voto hoje já é auditável], da deputada Beatriz que está aqui [se referindo a Bia Kicis], para ver se ele ganha realmente na opinião do povo", afirmou se referindo a pesquisa recente do instituto que mostra o ex-presidente Lula na liderança da corrida eleitoral.

 

Enquanto promove a motociata, o país segue com alto número de mortes diárias pelo coronavírus. O Brasil registrou 1.433 mortes por Covid e 57.188 casos da doença, nesta sexta-feira (9).

 

Com esses dados, a média móvel de óbitos agora é de 1.387 mortes por dia, primeira vez desde 4 de março deste ano que o dado fica abaixo de 1.400. Na data em questão, a média era de 1.361.

 

O país chegou a 531.777 mortes e a 19.019.974 pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia. Apesar da queda recente da média, o Brasil completou 170 dias seguidos do dado acima de 1.000 óbitos por dia.

 

Ao abordar a pauta do sistema eleitoral, no discurso feito no pátio da Fiergs (Federação de Indústrias do Rio Grande do Sul), ponto inicial e final do passeio de motocicleta, Bolsonaro atacou Barroso, ministro do STF e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

 

Em outro momento da sua fala, dizendo que tentavam rotulá-lo como corrupto e citando escândalos como os desvios na Petrobras, Bolsonaro disse que Barroso queria "a volta da roubalheira, a volta da impunidade, através da fraude eleitoral".

 

Sem usar máscara durante o trajeto de motocicleta ou no discurso, Bolsonaro afirmou ainda que acertou durante a pandemia, aconselhado por "pessoas maravilhosas que estavam ao seu lado", destacando ministros e secretários.

 

Ele voltou também a defender o tratamento precoce, que não tem eficácia científica comprovada e, sem citar nomes, falou de um senador que teve teste positivo para o novo coronavírus. O senador Otto Alencar, membro da CPI que investiga a gestão da pandemia no país, divulgou que estava com o vírus nesta sexta.

 

"Tem elemento da CPI que está com Covid. Vou ficar marcando ele. Quero ver se ele vai ficar em casa, esperar sentir falta de ar (...) e tomar cloroquina e hidroxicloroquina. Tem estudos no mundo avançados, que em torno de 60% dos óbitos poderiam ser evitados se fosse realizado o tratamento precoce", afirmou.

 

No discurso, o presidente também chamou a CPI de picareta. Mais cedo, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, onde falou com a Rádio Gaúcha, ele disse que não responderia aos questionamentos da comissão e chamou os senadores Renan Calheiros, Omar Aziz e Randolfe Rodrigues de bandidos.

 

Ainda no discurso a apoiadores, que ele chamou de seu exército, Bolsonaro falou que chefes do Executivo tinham que tomar decisões e que ele não fechou comércios nem decretou toque de recolher e lockdown.

 

Ao discursar sobre liberdade, ele citou o artigo 5° da Constituição Federal e lançou críticas ao governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB).

 

Apesar de ter aberto voto para Bolsonaro em 2018, Leite diz que se arrependeu e vem trocando críticas com o presidente, tendo acionado o governo também no STF, em abril, para que Bolsonaro explicasse declarações dadas em entrevista sobre os gastos do RS na pandemia.

 

"Ali está escrito o sagrado direito de ir e vir, que foi tirado pelo governador aqui do Rio Grande do Sul. Ali está escrito o direito ao trabalho, que esse cara também retirou de vocês por muito tempo. Está escrito a liberdade de religião, direito de ir a cultos, e ele também retirou isso aí. Não precisamos de pessoa deste padrão, com essa coragem imoral, para dizer o que nós temos ou não temos que fazer", declarou.

 

Em dois dias de agendas no RS, Bolsonaro não esteve com o governador.

 

Na manhã de sábado, enquanto o presidente percorria as ruas da capital, Leite, presidenciável pelo PSDB, publicou em seu Twitter uma música do uruguaio Jorge Drexler, com a legenda: "Haveremos de vencer o ódio covarde com a coragem do amor". Segundo ele, a canção era uma dica para o fim de semana.

 

Bolsonaro encontrou, porém, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello (MDB), que apresentou a ele pedido para a retirada de tributos federais que incidem nos preços das passagens de transporte urbano e da Usina do Gasômetro, cartão-postal tombado da capital gaúcha, da privatização da Eletrobrás.

 

A jornalistas, chegando a casa de eventos onde se reuniu com o presidente, o prefeito disse que não iria multá-lo por não ter usado máscara ou pela aglomeração que foi promovida durante a motociata.

 

"É a mesma aglomeração que eu tenho visto na porta do Paço, pela cidade, de todas as pessoas que fazem manifestações, e nossa cidade é democrática", defendeu Mello.

 

"Aglomerações têm acontecido na cidade, mas não só essa. Tem gente que usa máscara, tem gente que não usa máscara, então temos que dar tratamento igual. Nós nunca multamos ninguém que fez manifestação contra o presidente e que também estava sem máscara".

 

Durante o percurso, Bolsonaro fez algumas paradas e transmitiu parte do ato nas suas redes sociais. Ele apertou as mãos de apoiadores, alguns deles também sem usar a proteção.

 

Na parte do trajeto às margens do rio Guaíba, lanchas e jetski com apoiadores também acompanharam o presidente. A Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul afirmou que não informa estimativa de público.

 

Em alguns pontos do trajeto da motociata, pessoas críticas ao presidente fizeram panelaço. Por volta das 12h, a Brigada Militar, polícia militar gaúcha, deteve uma mulher de 47 anos que protestava contra Bolsonaro.

 

Segundo nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do RS, a mulher teria ameaçado motociclistas e foi abordada várias vezes para que se afastasse da via, por segurança.

 

A pasta afirma que ela desobedeceu a ordem, desacatando os policiais que fizeram a abordagem, e afirma ainda que ela tentou chutar um motociclista.

 

A nota diz que ela foi contida por PMs mulheres e levada a 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), onde assinou termo circunstanciado por desobediência, e foi liberada. A Brigada irá abrir procedimento para apurar os fatos.

 

Leite publicou um vídeo sobre o ocorrido em seu perfil do Twitter. "A Brigada Militar atuou hoje para garantir a ordem e a segurança a manifestantes de ambos os lados -como pode ser visto neste vídeo. No único incidente, diante de ameaças de agressão e desacato a policiais, uma manifestante foi contida e levada à delegacia", escreveu o governador.

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