Terça, 30 de Junho de 2020 - 07:20

Nos cálculos políticos da pandemia, ACM Neto fez bem o dever de casa

por Fernando Duarte

Nos cálculos políticos da pandemia, ACM Neto fez bem o dever de casa
Foto: Valter Pontes/ Secom

Finalmente chegamos ao tão falado platô da contaminação por coronavírus em Salvador. Pelo menos é essa a avaliação do prefeito ACM Neto, que confirmou ontem que, a partir de agora, há certo controle do avanço da pandemia, o que permite se falar em reabertura gradual das atividades. Tanto que a gestão municipal deve apresentar, em conjunto com o governo da Bahia, os protocolos de retomada da “normalidade”. É um prelúdio de que o pior já passou.

 

A capital baiana ainda mantém altos níveis de ocupação de leitos clínicos e de UTI. No entanto, com a perspectiva de oferta de novas unidades e com um fluxo de pacientes de regulação dentro de um mínimo aceitável, essa alta ocupação não parece ser um problema. Isso não significa que tudo vai voltar a ser como antes da noite para o dia. Mesmo porque a chamada “imunidade de rebanho” não chega a ser significativa entre os soteropolitanos.

 

A reabertura vai se dar de maneira gradual e algumas atividades devem ficar de fora. Especialmente a cadeia produtiva da cultura, que depende da concentração de pessoas. Já as atividades esportivas devem voltar a acontecer, sem a presença de público, algo que já servirá de consolo para os torcedores mais fanáticos de futebol. É uma espécie de um passo após o outro, sob constante monitoramento para evitar que seja necessário recuar aos níveis de restrição atual.

 

O fato de ACM Neto estar terminando o segundo mandato, inclusive, facilitou bastante a implantação dessas medidas mais duras, que começaram a ser implantadas na capital baiana em março. Sem as amarras de uma candidatura, o prefeito não hesitou em ter atitudes que desagradaram parcelas consideráveis dos chamados “formadores de opinião” do eleitorado. ACM Neto foi ao limite do cálculo político e assumiu o ônus dessas ações, contendo até eventuais danos ao seu candidato à sucessão, Bruno Reis.

 

Outro fator importante nesse processo foi a relação republicana entre o prefeito e o governador Rui Costa. O acordo de cavalheiros foi além do pacto de não agressão e gerou dividendos positivos para a cidade, enquanto o caos na saúde parecia iminente. Felizmente, as ações geraram impacto positivo e não vimos em Salvador aquelas cenas assustadoras de capitais como Manaus (AM) ou até mesmo de países como a Itália. É mais um legado da pandemia.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (30) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios A Tarde FM, Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Alternativa FM Nazaré e Candeias FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e TuneIn.

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