Terça, 07 de Abril de 2020 - 07:20

Em meio a Covid-19, a aguardada mudança no secretariado de Neto passou e ninguém viu

por Fernando Duarte

Em meio a Covid-19, a aguardada mudança no secretariado de Neto passou e ninguém viu
Foto: Max Haack/ Secom-PMS

Aguardada pelo prazo para desincompatibilização de candidatos em 2020, a reforma do secretariado do prefeito ACM Neto em Salvador foi discreta. Não houve rearranjo de forças políticas e todos os postos foram ocupados por soluções “caseiras”, ou seja, figuras que já integravam a equipe em escalões mais baixos e ascendem para a titularidade. As alterações foram dentro da expectativa criada nos últimos meses, porém a pandemia do novo coronavírus acabou minimizando eventuais pressões de partidos por espaço. Entre uma guerra contra uma doença como o Covid-19 e uma batalha por influência na prefeitura, ficou claro que as legendas fizeram uma escolha racional.

 

De todos os exonerados para disputar as eleições de 2020 não houve qualquer surpresa. Todos oscilavam entre possuir mandatos ou estarem planejando há bastante tempo a participação no pleito. Cláudio Tinoco, Alberto Braga e Felipe Lucas eram esperados para buscar reeleição. Rogéria Santos, todavia, permaneceu na Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), confirmando que não tentaria renovar o mandato. Braga e Felipe, inclusive, mudaram de partido às vésperas do prazo final em busca de um caminho menos pedregoso nas urnas.

 

A saída de André Fraga era cozinhada há bastante tempo. O PV o preparou para candidatura, porém ele resistiu durante algum tempo à ideia de aceitar a missão. Para viabilizá-lo, os verdes convidaram Paulo Magalhães Jr. e Henrique Carballal para se retirarem e expulsaram Sabá – algo inesperado diante das declarações mais recentes dos envolvidos. É provável que Fraga consiga emplacar como um puro “sangue verde”, mas o processo não deixou de ser traumático. De quase inexistente politicamente em Salvador, o PV paulatinamente conquistou espaços pós-2012 e agora será colocado à prova sobre a capacidade de viabilizar uma eleição de um partidário raiz.

 

Outra mudança sem surpresa foi a saída de Alberto Pimentel. Depois de surfar na onda do bolsonarismo com a esposa, a deputada federal Dayane Pimentel, o ex-titular da Secretaria de Trabalho, Esportes e Lazer vai tentar se manter na crista dela com uma candidatura em 2020. A dúvida é se o PSL vai manter a mobilização forte a ponto de garantir uma cadeira. Como não poderia perder a posição de maior destaque obtido pós-2018 na Bahia, o PSL filiou o ex-deputado Sidelvan Nóbrega, que perdeu o mandato naquele ano.

 

Um último ponto a merecer destaque foi o retorno de Marcus Passos ao primeiro escalão. Depois de ser “rebaixado” para a Limpurb, o “afilhado” de Paulo Câmara voltou a ser secretário e vai acumular a presidência da empresa pública. Não deixa de ser uma concessão ao ex-presidente da Câmara de Vereadores, que andou com moral baixa junto ao Palácio Thomé de Souza.

 

A reforma do secretariado de ACM Neto foi mais do mesmo. O que demonstra que a prefeitura parece realmente estar focada no combate ao novo coronavírus. Ainda assim, é sempre bom pontuar que existem bastidores por trás das mudanças. Até porque quem não cobrou agora, pode pedir com juros lá na frente.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (7) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM Nazaré.

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