'Cada macaco no seu galho': Riachão cantava há tanto tempo e políticos nunca aprenderam
Foto: Reprodução/ Revista Conection

A Bahia quase não teve oportunidade de se despedir do mestre Riachão. O sambista morreu dormindo, segundo a família, em meio ao caos da pandemia do novo coronavírus. Devido às medidas restritivas, que impedem a aglomeração de pessoas, o adeus a um dos ícones na música baiana não esteve à altura da história de Clementino Rodrigues que, desde a década de 1970, já entoava que cada macaco deveria continuar no seu galho. Passados tantos anos, os políticos não aprenderam, não é mesmo?

 

Essa briga entre o presidente Jair Bolsonaro, governadores e prefeitos é apenas o exemplo mais recente que muitos protagonistas do processo democrático brasileiro parecem nunca ter prestado atenção à canção de Riachão. O sambista escreveu: “Não se aborreça moço da cabeça grande/ Você vem não sei de onde/ Fica aqui não vai pra lá/ Esse negócio da mãe preta ser leiteira/ Já encheu sua mamadeira/ Vá mamar noutro lugar”. Esse clássico continua atual – e permanecerá assim durante muito tempo.

 

Enquanto autoridades de saúde e sanitárias de praticamente todos os países do mundo seguem recomendando o isolamento como forma de propagação da Covid-19 – inclusive do Brasil –, o presidente segue descumprindo as sugestões. No último domingo (29), Bolsonaro foi a áreas comerciais do Distrito Federal e voltou a defender o retorno à normalidade. Acabou com os vídeos sobre o tema apagados do Twitter, em uma medida adotada pela plataforma apenas contra ditadores, a exemplo de Nicolás Maduro.

 

Se o chefe do Executivo federal não é lá muito exemplo, alguns governadores e prefeitos também têm invadido competências da União. É certo que muito disso é fruto da omissão do governo federal em adotar medidas de restrição para evitar a contaminação em massa da população pelo novo coronavírus. Porém não deixa de ser outro exemplo de que nem sempre se respeitam os “galhos” uns dos outros. O que não quer dizer que eu discorde desse posicionamento deles.

 

É uma pena que a pandemia de coronavírus obrigue que as homenagens a Riachão sejam tão restritas – tanto quanto as medidas adotadas por parte dos governos brasileiros. Entretanto é relevante render loas a quão universal foi o sambista para a história da música por aqui. Tanto que as letras de Riachão respiram também um pouco da política em terras tupiniquins. Em tempo, também vale ficar cada um no seu galho em casa, isolado, viu? Xô, xuá...

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (31) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM Nazaré.

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