Segunda, 14 de Setembro de 2020 - 07:20

Rui torce para Isidório crescer, mas nem tanto - senão Denice fica para trás

por Fernando Duarte

Rui torce para Isidório crescer, mas nem tanto - senão Denice fica para trás
Foto: Reprodução/ Facebook Eleusa Coronel

O deputado federal Sargento Isidório (Avante) tem deixado claro que foi o governador Rui Costa quem o convenceu a se manter na disputa pela prefeitura de Salvador em 2020. Repetiu como um mantra, para, de maneira indireta, cobrar que, dessa vez, o governador invista e participe da campanha, diferente do que fez há quatro anos, quando o deixou a ver navios. Isidório é uma figura essencial para que a estratégia de Rui de forçar um segundo turno se concretize. Porém irá o governador bancar caso ele seja o representante da base aliada do governo a chegar na segunda etapa?

 

Antes de tudo é preciso entender as razões pelas quais a manutenção de Isidório nessa disputa é importante para Rui. Até aqui, quem lidera as pesquisas de intenção de voto é o candidato do prefeito ACM Neto, Bruno Reis, e a ascensão de nomes ligados ao governo da Bahia é essencial para que o vice não vença em um primeiro turno com base na máquina municipal. A principal aposta do governador é a Major Denice Santiago, uma desconhecida das urnas e que foi um coelho retirado da cartola quando o PT tinha outros nomes na disputa. Com o risco dela não crescer rapidamente para forçar uma eleição em dois turnos, era preciso escolher um caminho menos pedregoso.

 

Deputado federal mais votado pela Bahia em 2018 e com recall eleitoral pelo excesso de exposição na imprensa - mesmo que por razões controversas -, Isidório é o modo mais fácil de desinflar um eventual clima de já ganhou nas eleições para a capital baiana. Somado ao apoio do PSD, que pode não ser um jogo completamente combinado, mas não deixa de ser um aliado macro do PT na Bahia, o parlamentar se tornou ainda mais competitivo. Com tempo de TV e a promessa de uma rédea por parte de Angelo Coronel, marido da vice Eleusa, Isidório é imprescindível no projeto petista para Salvador.

 

O desafio de Rui e sua trupe agora é fazer com o parlamentar do Avante siga pontuando bem, mas que permita que outra figura mais à esquerda o ultrapasse na corrida pela prefeitura da capital baiana. Seja com Major Denice, o “pule de dez” dos anseios do governador, ou até mesmo com Olívia Santana (PCdoB), que também se mantém no páreo. Inclusive pelo fato de Isidório ser uma versão baiana de Jair Bolsonaro, que surgiu do baixo clero em meio a pautas polêmicas e cresceu ao ponto de chegar à Presidência da República com o discurso antipetista. O paralelo é inevitável e não há esforço narrativo que impeça essa correlação.

 

Ao imputar ao governador a responsabilidade pela candidatura, Isidório pressiona Rui a embarcar na campanha. E poderá cobrar ainda mais se ele for o representante da base aliada do PT na Bahia a participar do segundo turno numa eventual disputa com Bruno Reis. A fatura não é baixa. Rui vai pagar pra ver.

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