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Relatório de delegado de Brasil x Argentina aponta contradições e ameaça de prisão
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

O clássico entre Brasil e Argentina, no último domingo (5), durou pouco mais de cinco minutos, mas a dor de cabeça ocasionada pela paralisação da partida parece não ter fim. Nesta sexta-feira (10), segundo o site ge.globo, o delegado do confronto, Juan Alejandro Hernandéz, destacou em relatório que a interrupção ocorreu por conta da "invasão de campo" dos membros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e não porque uma das equipes, a Argentina, abandonou o gramado. 

 

"[...] houve uma invasão ao campo por mais gente, então tomei a determinação de mandar as equipes aos respectivos vestiários para evitar agressões. A Argentina acatou, e o Brasil permaneceu em campo", diz um trecho do texto, anexado à investigação aberta no início desta semana pelo Comitê de Disciplina da Fifa. 

 

Vale lembrar que a invasão ocorreu porque Martínez, Lo Celso, Romero e Buendía, da Argentina, estavam em situação irregular, pois não cumpriram a quarentena obrigatória de 14 dias para pessoas que moram na Inglaterra. 

 

"[...] As autoridades declararam que houve divergências na declaração [dos argentinos] ao entrar no país, uma vez que somente declararam sua passagem pela Venezuela. A este pedido, o delegado da AFA, Daniel Cabrera, afirmou que houve uma omissão involuntária", aponta o documento, relatando os acontecimentos do sábado (4). 

 

No próprio sábado, uma reunião ocorreu às 17h, entre o ministro em exercício da saúde, Sérgio Yoshimasa Okane, representantes da Anvisa, da AFA, da CBF e da organização do jogo. Juan Alejandro Hernandéz estava presente. 

 

"[...] Ao final do encontro solicitaram que os quatro jogadores descessem com os seus passaportes para serem notificados da infração. No entanto, os jogadores não se encontravam no hotel, pois às 17h10 tinham ido para para o treino, como previsto", diz o relatório. 

 

Por conta deste imprevisto, as autoridades sanitárias pediram que a Argentina preenchesse um formulário de solicitação e o enviassem em 30 minutos para uma série de endereços de e-mails. 

 

O médico da AFA, Daniel Cabrera, teria enviado o e-mail às 18h30, e, após o Ministério da Saúde ter pedido complementos, os documentos que faltavam foram enviados. Desde enão, não houve mais resposta. 

 

Às 11h30, os argentinos dirigiram-se para o estádio sem obter resposta, segundo o representante da AFA. A polícia teria chegado às 13h10 no hotel para anunciar que os quatro jogadores não poderiam jogar, e teriam de fazer quarentena de 14 dias no hotel. 

 

"A saída da delegação argentina ao estádio estava marcada para as 14h. Eu os contatei e [...] informaram-me que a polícia os deixou sair do hotel, que tudo estava resolvido e que seria assinado um ato notificando os jogadores sobre a violação do regulamento", contrapõe o relatório de Hernandéz. 

 

A Anvisa alega que informou a PF às 11h39 sobre a irregularidade. A Argentina chegou ao estádio às 14h30. 

 

Quando tentou impedir a entrada dos agentes da Anvisa no gramado, o delegado alega ter recebido uma ameaça de prisão. "Às 16 horas começou uma reunião [na beira do campo] e os dirigentes decidiram entrar em campo. Tentaram detê-los, mas eles afirmaram que eram autoridades, que ninguém poderia detê-los e que, se o fizéssemos, poderiam privar-me da minha liberdade, ameaçando a todos os dirigentes da Conmebol com retaliação. No minuto 5 do jogo, a autoridade da Anvisa entrou em campo, sem estar credenciado. Não foi possível obter o nome do funcionário", escreveu. 

 

"Às 19h10 as autoridades de saúde [da Anvisa] deixaram o estádio e 30 minutos depois a Argentina deixou o estádio rumo ao aeroporto, onde os quatro jogadores deveriam ser avisados da violação da regra sanitária. Às 21h40, a Argentina decolou para Buenos Aires", complementou. 

 

Neste momento, Brasil e Argentina estão com um jogo a menos na tabela das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2022, até que o caso seja analisado pela Fifa. 

 

O relatório do árbitro da partida, Jesús Valenzuela, trata apenas dos acontecimentos do jogo. Confira:

 

No minuto 5 do jogo recebo informação do quarto árbitro para que interrompa o jogo, já que uma pessoa não credenciada que manifestava ser autoridade sanitária (Anvisa) entrou no terreno de jogo sem autorização, solicitando a apresentação de quatro jogadores da Argentina. Ao perceber a pessoa não autorizada dentro do terreno de jogo, interrompo a partida. Após isso entraram outras três pessoas, do mesmo órgão sanitário (Anvisa).

 

Começaram os diálogos entre o delegado do jogo e estas pessoas, junto com o coordenador e oficial de segurança. Então chegaram alguns jogadores das duas seleções tratando de conciliar com essas pessoas. Por instruções do delegado do jogo tomou-se a decisão de retirar a seleção argentina até os vestiários, e cinco minutos depois nos dirigimos até o vestiários.

 

As autoridades da Anvisa mantinham sua intenção de retirar os jogo os quatro jogadores da seleção argentina, três deles estavam como titulares. Portanto, por este motivo o jogo foi cancelado. Após isso, os gerentes das duas seleções foram informados de que se tomou a decisão de suspender o jogo.

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